segunda-feira, 10 de maio de 2021

É possível transmitir covid-19 mesmo estando vacinado?


“Aqueles que foram vacinados não deveriam jogar fora suas máscaras neste momento. Esta pandemia não acabou”, disse o virologista John Moore, da Weill Cornell Medicine de Nova York. A pergunta feita a ele foi se as pessoas já imunizadas podem espalhar o
SARS-CoV-2. A resposta: não se sabe.

A polêmica veio à tona depois que a diretora do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos EUA, a médica Rochelle P. Walensky, disse que pessoas que receberam duas doses de vacinas contra a covid-19 “não carregam o vírus” e, por isso, não seriam capazes de infectar ninguém. A afirmação vai contra as recomendações do próprio órgão para o uso contínuo de máscaras e para distanciamento social.

“É possível que algumas pessoas que estão totalmente vacinadas possam pegar Covid-19. A evidência não está clara se elas podem espalhar o vírus para outras pessoas. Continuamos avaliando as evidências”, disse logo depois um porta-voz do CDC ao jornal The Times.

Prevenção

A declaração da diretora do CDC, proferida na última quinta-feira (8), veio acompanhada da divulgação de um estudo sobre se as vacinas aprovadas nos EUA são eficazes na prevenção de infecções. O estudo envolveu 3.950 profissionais de saúde na linha de frente do combate ao vírus. Duas semanas depois de serem imunizadas, a grande maioria permaneceu livre do vírus.

O consórcio Pfizer/BioNTech divulgou dados de acompanhamento daqueles que receberam sua vacina gênica: 77 pessoas que receberam a vacina tiveram covid-19, em comparação a 850 pessoas que receberam um placebo.

“Os dados sugerem que é muito mais difícil para as pessoas vacinadas serem infectadas, mas não é impossível. Claramente, algumas pessoas vacinadas são infectadas”, disse o virologista Paul Duprex, diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas da Universidade de Pittsburgh.

Propagação

Há chances de quem foi vacinado passar a doença adiante? É isso o que o governo americano quer descobrir e, para isso, está financiando um estudo, a ser conduzido pela Rede de Prevenção COVID-19 (CoVPN), com 12 mil alunos, com idades entre 18 e 26 anos, de 21 campi universitários.


Os estudantes estão sendo divididos aleatoriamente em dois grupos: a metade será imunizada com a vacina de RNAm da Moderna que, em testes clínicos, mostrou eficácia de 94% na prevenção de covid-19; a outra metade só poderá se vacinar daqui a quatro meses. O estudo será desenvolvido ao longo de cinco meses.

Os dados coletados no estudo com os dois grupos poderão determinar quão bem as vacinas funcionam para deter a propagação do SARS-CoV-2, quais os perigos que as variantes representam e se o vírus continuará circulando, sendo passado adiante por aqueles que se vacinaram, tornando-se disseminadores assintomáticos.

Cargas baixas

O objetivo é determinar a duração da infecção em pessoas vacinadas e não vacinadas, medir a carga viral presente nos voluntários e, ainda, testar ao longo do tempo as pessoas no círculo pessoal dos participantes e as amostras coletadas, em busca de variantes. O resultado poderá determinar se pessoas com infecções assintomáticas, mesmo já vacinadas, podem espalhar covid-19.


Um estudo publicado na revista Nature Medicine em fins de março por pesquisadores israelenses mostrou que pessoas imunizadas no país com a vacina da Pfizer e que contraíram covid-19 tinham cargas virais mais baixas do que pessoas não vacinadas que foram infectadas.

O estudo publicado, porém, foi observacional e não, um ensaio clínico randomizado (padrão-ouro em testes clínicos). A carga viral necessária para a contaminação também pode variar, a depender das cepas hoje em circulação.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Dos 12 animais mais venenosos do mundo, quem lidera a lista é um caracol


Qual é o animal mais venenoso do mundo? Se pensou numa cobra, sua resposta está errada! Há cobras com venenos super tóxicos, mas o animal mais venenoso do mundo, por incrível que pareça, é um molusco marinho. Aliás, está cheio de animais venenosos no fundo do mar.

Para criar esta lista, comparamos a toxicidade do veneno de acordo com sua DL50 (Dose Letal Mediana). Esse número mostra a quantidade de veneno (em mg) que é mortal para 50% de uma população testada (geralmente, camundongos). Quanto menor o número, mais potente é o veneno.

12. Escorpião perseguidor-da-morte


Nome científico: Leiurus quinquestriatus
Onde vive: regiões áridas do nordeste da África e do Oriente Médio
Tamanho: entre 3 e 8 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,25 mg/kg

Também conhecido como escorpião- amarelo da Palestina, o perseguidor-da-morte faz jus ao nome macabro: seu veneno é o mais tóxico dentre todos os escorpiões, com DL50 de 0,25 mg/kg - ou seja, são necessários apenas 0,25 mg de veneno por quilo de massa corporal para matar um ser vivo.

Apesar de toda essa potência, dificilmente um ser humano adulto irá morrer com um picada desse escorpião. O grupo de risco é formado por crianças e idosos. Uma picada causa reações alérgicas (anafilaxia) que podem levar à morte.

11. Aranha-teia-de-funil


Nome científico: Atrax robustus
Onde vive: florestas do sudeste da Austrália
Tamanho: 3 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,16 mg/kg

Esta é a aranha com o veneno mais tóxico do mundo! Essa potência extrema é reconhecida pelo Guinness, o livro dos recordes! Conhecida por seu comportamento agressivo, essa aranha não curte ser incomodada. E se isso acontece, ela logo põe suas enormes presas para funcionar, desferindo uma picada que provoca intensa dor local. Em casos extremos, a neurotoxina da teia-de-funil pode causar complicações como distúrbios cardiovasculares e edema pulmonar.

Apesar da toxicidade de seu veneno, mortes humanas são bastante raras. O antídoto já salvou muitas vidas na Austrália.

10. Serpente-tigre


Nome científico: Notechis scutatus
Onde vive: sudeste e sudoeste da Austrália
Tamanho: entre 1 e 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,118 mg/kg

Há muitos bichos venenosos na Austrália. E as cobras, sem dúvida alguma, são aqueles que mais assustam. Uma das espécies mais temidas pelos australianos é a Notechis scutatus, conhecida como serpente-tigre (tiger snake) em razão dos padrões em seu corpo, que se assemelham às faixas cruzadas da pelagem dos grandes felinos.

Essa cobra vive em lugares com água, como pântanos e represas. E apesar de ser agressiva e possuir um veneno neurotóxico super potente, ela só irá atacar caso se sinta ameaçada. Em caso de picada, uma pessoa adulta pode vir a óbito em apenas 30 minutos...

9. Taipan-costeira


Nome científico: Oxyuranus scutellatus
Onde vive: norte e leste da Austrália e Nova Guiné
Tamanho: 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,099 mg/kg

Outra cobra australiana bem venenosa - e perigosa! - é a taipan-costeira, também conhecida como taipan-oriental. Sim, ela é prima da cobra mais venenosa do mundo, a taipan-do-interior, mas, por incrível que pareça, chega a ser mais perigosa que sua parente. Isso se deve ao fato dela viver próximo de povoações e também pelo seu comportamento bastante agressivo (apenas quando se sente ameaçada).

É uma das cobras mais temidas da Austrália. Seu veneno neurotóxico, quando inoculado por seus dentões de 12 mm, provoca distúrbios de coagulação do sangue e afeta o sistema nervoso central. Em casos graves, uma mordida dessa serpente pode causar danos nos rins, destruição dos tecidos e hemorragia interna. Sorte que já existe antídoto!

8. Cobra-marrom


Nome científico: Pseudonaja textilis
Onde vive: leste e centro da Austrália e sul da Nova Guiné
Tamanho: 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): entre 0,0365 e 0,053 mg/kg

Eis a cobra mais perigosa da Austrália - e talvez de todo o mundo! Só ela é responsável por mais da metade das ocorrências de picadas de cobra na Austrália. É famosa por sua agilidade e agressividade. Mas não custa lembrar que cobras não saem caçando pessoas por aí. Elas só reagem quando são incomodadas.

Uma serpente-marrom de tamanho médio pode injetar até 10 mg de veneno por picada. Isso significa que uma única picada dessa cobra inocula veneno suficiente para matar até três pessoas de 70 kg.


7. Polvo-de-anéis-azuis


Nome científico: Hapalochlaena maculosa e Hapalochlaena lunulata
Onde vive: costa sul da Austrália
Tamanho: de 10 a 20 cm (contando os tentáculos)
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,08 a 0,14 mg/kg

Ele é pequenino e bem fofinho. Tanto que turistas desavisados chegam a pegá-los com as mãos para tirar fotos. Mal sabem eles o perigo que correm... Conhecido como o cefalópode mais venenoso do mundo, o polvo-de-anéis-azuis carrega um veneno chamado tetrodotoxina, uma neurotoxina que interfere na transmissão neuromuscular, provocando paralisia dos músculos. A morte geralmente ocorre por parada respiratória.

O envenenamento é fatal para os seres humanos. A boa notícia é que esses polvos não atacam. A liberação de veneno é um comportamento de defesa, que só será acionado caso o bichinho se sinta ameaçado. Portanto, tirá-lo da água é uma péssima ideia.


6. Vespa-do-mar


Nome científico: Chironex fleckeri
Onde vive: costa norte da Austrália e sudeste asiático
Tamanho: 20 cm de comprimento com tentáculos de até 3 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,04 mg/kg

Outro perigo dos mares é esta água-viva conhecida como vespa-do-mar, cubomedusas ou água-viva-caixa. Trata-se da água-viva mais letal do mundo. E o perigo está em seus tentáculos, que possuem células urticantes chamadas de cnidoblastos. Quando algo toca a parte exterior do cnidoblasto, é liberada a toxina mortal.

A intoxicação pela vespa-do-mar pode levar à morte em poucos minutos. Alguns dos sintomas são dor extrema e falta de ar. Em casos graves, pode ocorrer parada cardíaca.

5. Peixe-pedra


Nome científico: Synanceia verrucosa
Onde vive: Nova Zelândia e Austrália
Tamanho: 35 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,038 mg/kg

Ele parece uma rocha ou parte de um coral. Mas não se engane! Esta é sua tática de camuflagem, que lhe permite enganar suas presas e se esconder de possíveis predadores, como os tubarões. O peixe-pedra possui 13 espinhas na barbatana dorsal capazes de injetar um veneno altamente tóxico. Trata-se do peixe mais venenoso do mundo.

A boa notícia para nós, humanos, é que em 1959 foi criado um antídoto para o veneno do peixe-pedra.

4. Taipan-do-interior


Nome científico: Oxyuranus microlepidotus
Onde vive: regiões semiáridas do centro-leste da Austrália
Tamanho: 1,8 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,025 mg/kg

Além de ser mais "tímida" que outras serpentes australianas, a poderosa taipan vive em regiões remotas, de modo que os contatos com pessoas são bastante raros. Por isso, apesar possuir o veneno mais poderoso dentre todas as serpentes do mundo, ela não é a mais nociva aos seres humanos.

Como a taipan-do-interior é capaz de injetar num ataque 17,3 mg de veneno, uma única mordida dessa serpente libera toxinas suficientes para matar quase 10 pessoas de 70 kg. Sorte que existe antídoto e os encontros com seres humanos são pouco frequentes.

3. Baiacu


Nome científico: Sphoeroides spengleri
Onde vive: mares tropicais e subtropicais do Pacífico, Índico e Atlântico
Tamanho: 90 cm (máximo)
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,01 mg/kg

Há cerca de 120 espécies desse peixe, conhecido como baiacu, peixe-balão ou até mesmo sapo-do-mar. Estes dois últimos nomes se explicam por uma característica bem curiosa desses animais: eles inflam o corpo com água quando se sentem ameaçados. Com isso, multiplicam o seu tamanho normal, assustando seus predadores.

Mas o que mais assusta no baiacu não é esse truque, e sim seu veneno: a tetrodotoxina, uma substância poderosíssima que, se ingerida por um ser humano, pode matar em poucas horas. Um um único peixe, há veneno suficiente para matar 30 seres humanos adultos!

2. Rã-venenosa-dourada


Nome científico: Phyllobates terribilis
Onde vive: nas florestas tropicais da Colômbia
Tamanho: de 4 a 6 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,002 mg/kg

Achou esta rã bonitinha? Pois saiba que seu veneno (a batracotoxina) é tão tóxico que uma quantidade equivalente a dois grãozinhos de sal de cozinha é suficiente para matar um ser humano. Suas toxinas são 20 vezes mais poderosas que as de qualquer outra rã que existe. Uma única rã contém veneno suficiente para matar 10 homens.

O veneno é tão forte que os índios nativos da região o usam nos dardos de suas zarabatanas. Esse veneno, armazenado sob a pele do animal, é "transpirado" quando a rã se sente ameaçada. Por isso, qualquer contato com sua pele pode ser mortal.

1. Caracol-do-cone


Nome científico: Conus geographus
Onde vive: costa norte da Austrália
Tamanho: de 7 a 15 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): entre 0,001 e 0,005


Em termos de veneno, o pequeno caracol-do-cone (composto por uma concha calcária e um corpo macio) é imbatível. Esse predador age lentamente - e com extrema frieza. O veneno é injetado por meio de um duto (uma espécie de tromba) que funciona como um arpão venenoso. O veneno age em um ou dois segundos, deixando a presa completamente paralisada.

O envenenamento de seres humanos é raro. Abelhas e vespas, por exemplo, matam muito mais do que o Conus geographus. Mas, caso esse pequeno animal venha a picar alguém, a picada provoca dor forte, dormência e tontura. Mortes geralmente ocorrem por paralisia respiratória. Ainda não há antídoto para esse veneno mortal

Reprodução: hipercultura
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domingo, 2 de maio de 2021

Instituto de Biologia Molecular do Paraná desenvolve teste rápido para detectar Covid-19

Teste já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Foto: Reprodução/RPC

Resultado fica pronto em 15 em minutos; o teste já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a produção comercial deve começar nas próximas semanas.

Um teste desenvolvido no Paraná para detectar o novo coronavírus foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana. Ele é mais rápido, mais barato e pode ser usado no controle da pandemia.

O teste do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) foi desenvolvido em Curitiba, em quatro meses. O resultado fica pronto em 15 em minutos.

"Nós precisamos saber com rapidez, e o teste rápido antígeno tem potencial de 15 minutos depois que você faz o teste, você sabe se é positivo ou negativo e pode se isolar. Fazendo isso, a gente tem um impacto muito grande para a pandemia. Se a gente conseguir fazer isso, testar, isolar as pessoas, a gente consegue impedir a transmissão", disse Fabrício Marchini, gerente de desenvolvimento tecnológico do IBMP.

O Paraná chegou a 942.038 casos confirmados do novo coronavírus e 22.254 mortes causadas pela Covid-19, de acordo com boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) desta sexta-feira (30).

A produção comercial do teste do Instituto de Biologia Molecular do Paraná deve começar nas próximas semanas.

"Nós já perdemos 400 mil vidas no Brasil, já tivemos um prejuízo imenso, mas existem mais vidas que podem ser perdidas e mais prejuízo econômico. Então, a testagem em massa pode ajudar a minimizar os futuros prejuízos", afirmou o infectologista Renato Grinbaum.

Reprodução: G1


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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Cientistas criam robô que 'imita' estrela-do-mar para estudar oceano

 


Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão desenvolvendo um robô que imita a aparência de uma estrela-do-mar. A ideia surgiu após os pesquisadores notarem que os peixes estranham a forma do robô, tornando o ambiente mais hostil. O objetivo do projeto é estudar a vida marinha e levar equipamentos de pesquisa para ambientes mais apertados sem interferir no comportamento dos animais. Ou seja, ao criar uma estrela-do-mar "falsa", o grupo espera estudar o ambiente sem chamar atenção.

Os cientistas contaram que a decisão de imitar uma estrela-do-mar surgiu pela simplicidade de seus movimentos, facilitando a simulação do "andar" do animal.

O desafio, segundo Josephine Hughes, uma das autoras da pesquisa, é desenvolver um sistema que funcione de forma 100% confiável embaixo d'água. “As interações passivas entre um robô subaquático e as forças fluidas ao seu redor, como ondas e correntes marítimas, são muito mais complicadas do que quando um robô está caminhando em terreno estável, o que torna a criação de seus sistemas de controle bastante difícil”, conta.

Segundo a equipe, o resultado foi muito positivo e o objetivo agora é criar robôs inspirados em tartarugas marinhas, raias e tubarões. Para isso, o grupo já está estudando o desenvolvimento de estruturas mais complexas, como as juntas e nadadeiras mais semelhantes às originais.

“No futuro, projetando e construindo instrumentos robóticos inspirados em animais de verdade, será possível criar observatórios personalizados que podem ser usados para entender melhor a vida em todo o planeta”, comenta o professor, Tao Du.

Reprodução: Tecmundo
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sábado, 24 de abril de 2021

Os bilhões de vírus que vivem em nosso corpo e ajudam a nos manter saudáveis


Você provavelmente já ouviu falar do microbioma humano, a coleção de micro-organismos como bactérias e fungos com os quais compartilhamos nosso corpo, incluindo a pele e o microbioma intestinal.

Mas o que você sabe a respeito do "viroma"? É a soma de todos os vírus em nosso corpo, encontrados em todos os tecidos, do sangue ao cérebro, e até mesmo entrelaçados no código genético dentro de nossas células.

Os vírus são os organismos mais numerosos na Terra. Embora se acredite que temos aproximadamente o mesmo número de células bacterianas que células humanas em nosso corpo (cerca de 37 trilhões), provavelmente temos pelo menos 10 vezes mais partículas de vírus.

Muitos desses vírus estão envolvidos em processos corporais essenciais, fazendo parte do nosso ecossistema interno.

Talvez possamos até dizer que não sobreviveríamos por muito tempo se todos eles desaparecessem.

No entanto, ainda temos um longo caminho pela frente antes de sermos capazes de entender exatamente o que a maioria desses vírus faz, ou até mesmo o que a maioria deles é.

Estima-se que o campo da virologia tenha explorado até agora apenas cerca de 1% da diversidade viral existente.

A maioria dos vírus permanece desconhecida — eles são o que alguns cientistas chamam de "matéria escura viral".

Patógenos

Apesar disso, eles estão presentes em todas as partes do nosso corpo. Um estudo liderado pelo pesquisador Kei Sato, da Universidade de Tóquio, no Japão, publicado em junho de 2020, encontrou vírus em tecidos humanos do cérebro, sangue, rins e fígado.

A equipe de Sato queria quantificar esses vírus para criar um "atlas" viral do tecido humano.

Eles fizeram isso comparando os dados da sequência de RNA com os das bibliotecas existentes de genomas virais, mas isso significava que eles só podiam contar os poucos vírus conhecidos que já estavam catalogados.

Segundo Sato, isso quer dizer que atualmente há um viés na busca por vírus conhecidos, em sua maioria nocivos, os chamados "patógenos".

"Além dos vieses em nossas bibliotecas de referência genética, é difícil coletar amostras em tecidos saudáveis ​​além do intestino, o que significa que podemos estar ignorando muitos vírus inofensivos ou inclusive potencialmente benéficos", explica.

Má interpretação

É fácil pensar nos vírus como invasores forasteiros maliciosos.

Depois de entrar em contato com a superfície de uma célula humana, um vírus injeta seu código de DNA ou RNA, sequestrando o maquinário da célula e transformando-a efetivamente em uma fábrica para a produção de novos vírus.

Se você imaginar um vírus agora, pense que sua capa de proteína é semelhante a uma nave espacial, chamada "capsídeo", que ele usa para se transportar entre as células.

Talvez você já tenha visto a imagem do coronavírus responsável pela pandemia de covid-19, o Sars-CoV-2, com sua "coroa" formada por pontas que cobrem a superfície do capsídeo.

No entanto, os vírus não são tão estranhos quanto podem parecer.

O termo "vírus", na verdade, descreve entidades com atributos muito diversos.

"Às vezes, nossas palavras para nos referirmos às coisas do mundo não correspondem realmente ao que existe", diz o professor Frederic Bushman, especialista mundial em microbioma humano da Universidade da Pensilvânia, nos EUA.

Por exemplo, os vírus podem ser transmitidos por meio de uma ampla variedade de mecanismos. Para alguns, nos chamados retrovírus endógenos, o DNA viral passa diretamente entre as células humanas porque estão integradas aos cromossomos.

Na verdade, 8% do genoma humano é composto por esses retrovírus endógenos.

Apenas uma pequena fração, menos de 2%, do nosso DNA codifica a produção direta de moléculas de proteína (em um processo conhecido como transcrição), e os biólogos costumavam pensar que o restante não era funcional, alguns até chamavam de 'DNA lixo'.

Acredita-se agora que grande parte desse DNA é derivada de inserções de vírus anteriores, e descobrimos que ela é muito importante na regulação da transcrição de outros genes.

Alguns genes de vírus são encontrados em regiões do DNA humano que produzem proteínas essenciais.

Ao longo da história evolutiva, esses genes foram incorporados para o funcionamento essencial de nossos organismos, então não está claro se deveríamos chamá-los de genes humanos ou virais.

Um gene usado no desenvolvimento da placenta humana foi pego emprestado de um retrovírus endógeno, que evoluiu pela primeira vez para produzir proteínas que se fundem às células hospedeiras.

Ao longo do nosso passado evolutivo, esse processo de coletar genes por meio da árvore da vida parece ter ocorrido muitas vezes.

Foi sugerido que cerca de 145 dos nossos 20 mil genes surgiram dessa transferência horizontal de genes.

Ao transferir moléculas genéticas entre espécies diferentes dessa maneira, os vírus conectam efetivamente a árvore evolutiva em uma intrincada rede.

Má reputação

No entanto, os vírus costumam ter má reputação, uma vez que aqueles que recebem mais publicidade apresentam efeitos prejudiciais, causando doenças como aids, abola, catapora e, claro, covid-19.

Na verdade, temos muito pouco conhecimento sobre como a maioria dos vírus afeta os humanos.

Pode haver mais de 320 mil vírus diferentes que infectam mamíferos, muitos dos quais são inofensivos, enquanto alguns podem nos trazer benefícios.

Por exemplo, alguns vírus chamados bacteriófagos atacam as bactérias no nosso corpo e têm, portanto, um papel crucial na regulação do nosso microbioma.

Assim como uma espécie animal selvagem invasora pode se reproduzir incontrolavelmente quando entra em uma nova área sem predadores ou patógenos (como os sapos-cururus na Austrália ou os ratos em ilhas tropicais), as bactérias também tomariam nossos corpos sem esses mecanismos reguladores.


Os vírus também parecem ser importantes na regulação do nosso sistema imunológico.

Em humanos, o vírus da hepatite G pode proteger contra o HIV; enquanto em ratos, o vírus da herpes é conhecido por reduzir doenças autoimunes.

Muitos pesquisadores suspeitam que os vírus tenham um papel importante na manutenção do "tônus imunológico" em humanos (ou seja, um sistema imunológico saudável pronto para responder a patógenos que não é hiperativo, tampouco insuficientemente ativo), embora a identidade e o papel de vírus específicos sejam pouco conhecidos.

Isso não significa negar os efeitos nocivos de alguns vírus e os impactos devastadores que eles podem ter na vida das pessoas.

Muitos vírus são claramente muito prejudiciais para nós, e desenvolvemos mecanismos para conter seus ataques.

A equipe de Bushman demonstrou em abril de 2020 que a amamentação reduz a incidência de vírus potencialmente patogênicos que crescem em células humanas no intestino do bebê.

Como um todo, o viroma humano não é "bom", nem "mau" — é simplesmente uma parte antiga de nós.


Vírus e evolução

Os vírus compartilham uma relação evolutiva profunda com animais e plantas.

Cada célula do seu corpo faz parte de uma cadeia ininterrupta de vida que se estende por mais de 3,8 bilhões de anos.

Os vírus têm sido uma parte importante dessa dança evolutiva desde o início.

Quanto mais aprendemos sobre o viroma, mais percebemos como alguns aspectos são essenciais para uma vida saudável.

Por isso, se espera uma revolução na maneira como concebemos os vírus.

Lembre-se de que costumávamos ver todas as bactérias como "germes" perigosos, até que finalmente obtivemos uma compreensão mais sutil de como elas sustentam nossa saúde: a alteração do microbioma bacteriano está agora envolvida em uma ampla variada de doenças, incluindo a doença de Crohn, síndrome do intestino irritável, diabetes tipo 2 e até distúrbios de saúde mental, como depressão.

Somos ecossistemas ambulantes: quimeras de células animais, vírus, bactérias, fungos e outros, e manter o equilíbrio desses ecossistemas é vital para nosso bem-estar.

Ainda temos que entender exatamente como funciona nosso viroma humano, mas interrupções podem ter consequências imprevisíveis.

O distanciamento social e o uso generalizado de produtos químicos virucidas, tanto para aplicação em espaços públicos quanto para desinfetar as mãos para reduzir a transmissão viral, tem sido um elemento crucial no combate à atual pandemia de covid-19.

Essas mudanças de estilo de vida e outras, como a maneira como nossa alimentação muda e como interagimos com outras pessoas, provavelmente transformarão nosso viroma.

"Na atual pandemia de covid-19, muitas pessoas veem os vírus simplesmente como 'o inimigo', mas precisamos entender melhor os possíveis aspectos de promoção da saúde do nosso viroma humano", conclui Sato.

O ritmo de novas descobertas na área de virologia é deslumbrante — então prepare-se para muitas outras que vão lançar luz sobre a ecologia secreta de nosso mundo interior.

Reprodução: BBC
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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Nova variante do coronavírus é identificada em Belo Horizonte


Uma possível nova variante do coronavírus foi descoberta em Belo Horizonte (Minas Gerais), trazendo uma combinação nunca antes encontrada envolvendo 18 mutações do Sars-CoV-2, conforme estudo divulgado nesta quarta-feira (7).

A identificação da nova cepa do vírus causador da covid-19 foi feita por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, em parceria com a Prefeitura de BH e o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No estudo, a equipe analisou 85 amostras clínicas coletadas pelo método RT-PCR de pessoas infectadas na capital mineira e região metropolitana, entre os dias 28 de outubro de 2020 e 15 de março deste ano. Em meio a elas, foram encontrados dois novos genomas contendo mutações ainda não conhecidas.


De acordo com os responsáveis pela pesquisa, a variante de BH parece ser formada por uma combinação das cepas de Manaus (P.1), Rio de Janeiro (P.2), britânica (B.1.1.7.) e sul-africana (B.1.1.351), todas elas associadas a uma maior transmissibilidade do novo coronavírus.

Possibilidade de circulação

Como as duas amostras nas quais foram detectadas a cepa mineira do coronavírus pertencem a pessoas distintas, sem parentesco e que não moram perto, os especialistas reforçaram a possibilidade de circulação da mutação pela região metropolitana da capital mineira.

Apesar de ela estar associada a outras versões do Sars-CoV-2 mais transmissíveis, ainda não se sabe se esta nova mutação descoberta em BH possui maior capacidade de contágio nem se pode causar quadros mais graves.

Segundo a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini Danielle Zauli, as medidas para evitar a disseminação da P.4, como a variante pode vir a ser chamada, são as mesmas para se proteger de todas as cepas, ou seja, usar máscaras, álcool em gel e manter o distanciamento.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Cientistas identificam 509 genes comuns a depressão e ansiedade

Ao analisar dados de mais de 2 milhões de pessoas, estudo confirma ligação genética entre os dois transtornos de saúde mental



Ao menos 509 genes influenciam tanto a depressão quanto a ansiedade, de acordo com nova pesquisa liderada pelo QIMR Berghofer Medical Research Institute, na Austrália, disponibilizada nesta quinta-feira (15) no periódico Nature Human Behaviour. Os resultados posicionam o estudo como o primeiro a identificar tamanha quantidade de genes compartilhados por ambos os transtornos de saúde mental, indicando uma relação genética entre eles.

Transtornos mentais que mais acometem a população global, a ansiedade e a depressão muitas vezes ocorrem na mesma pessoa, segundo Eske Derks, um dos autores do estudo. “Até agora, não se sabe muito sobre as causas genéticas que explicam por que as pessoas podem sofrer de depressão e ansiedade”, afirma, em comunicado. “Ambos os transtornos são condições altamente comórbidas, com cerca de três quartos das pessoas com transtorno de ansiedade também apresentando sintomas de transtorno depressivo grave.”

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, no Brasil, cerca de 5,8% da população sofre de depressão, enquanto a ansiedade afeta 9,3% dos brasileiros. O estudo australiano identificou ao todo 674 genes associados à depressão ou ansiedade, dos quais 75% estavam relacionados a ambos.

A equipe analisou dados de mais de 2 milhões de pessoas, que relataram sintomas ou que afirmaram ter sido diagnosticadas com depressão ou ansiedade. O grande tamanho da amostra da pesquisa foi justificado pelo fato de que cada gene pode ter um pequeno efeito singular. Os cientistas queriam obter um cenário amplo das influências genéticas sobre os transtornos.

Genes exclusivos

Além da descoberta dos genes em comum, o estudo discutiu genes específicos para cada transtorno. De acordo com Jackson Thorp, também pesquisador do QIMR Berghofer, alguns dos genes exclusivos da depressão estavam ligados a níveis mais altos de triglicérides no sangue — ou hipertrigliceridemia.

A pressão arterial foi um fator relacionado aos genes específicos da ansiedade, o que endossa pesquisas anteriores que mostraram uma ligação entre esse transtorno e a hipertensão, explica Thorp.

O estudo ainda analisou as regiões do genoma humano onde estavam localizados os genes, e os resultados mostraram regiões nunca antes associadas à depressão e à ansiedade. Foram descobertas 71 novas regiões que não estavam ligadas à ansiedade anteriormente. Em relação à depressão, 29 novas regiões do genoma foram identificadas.

Com uma melhor compreensão da estrutura genética, tratamentos mais eficazes podem vir a ser desenvolvidos. “Esperamos que este estudo ajude a identificar medicamentos existentes que possam ser redirecionados para melhor atingir a base genética da depressão e da ansiedade”, comenta o pesquisador Eske Derks.

Reprodução: Revista Galileu
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terça-feira, 13 de abril de 2021

Planta descoberta no Cerrado faz parte de gênero com potencial anticâncer

Encontrada no município de Niquelândia (GO), a Erythroxylum niquelandense é uma espécie inédita e, segundo pesquisador, poderia ser estudada por seus possíveis efeitos terapêuticos



Em meio a uma pesquisa de campo no Legado Verdes do Cerrado, única reserva particular de desenvolvimento sustentável da região Centro-Oeste, um vegetal saltou aos olhos do botânico Marcos José da Silva. Pouco mais de um minuto foi o suficiente para que o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) exclamasse, sem hesitar, ao colega que o acompanhava: “Estamos diante de uma nova espécie de Erythroxylum!”.

Análises laboratoriais subsequentes justificariam a suspeita categórica do pesquisador. Batizada em homenagem a Niquelândia, município goiano onde foi encontrada, a então desconhecida Erythroxylum niquelandense foi introduzida ao universo científico em artigo publicado recentemente no periódico Phytotaxa Magnolia Press.

Resultado de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) em parceria com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e a empresa Reservas Votorantim, a descoberta se deu em uma área da reserva conhecida como Capão do Bandeira, localizada no norte do estado de Goiás. O vegetal foi encontrado sob solos argilosos ricos em serapilheira – camada de material orgânico ou em decomposição presente na superfície de florestas –, próximo ao riacho local.

Acima, estípulas (C), detalhe do caule e da casca (D), fascículo com botão de flor (E), frutos imaturos (F) e fruto em estágio avançado (G) da Erythroxylum niquelandense (Foto: M.J.Silva)

Integrante de um gênero popularmente conhecido como pimentinha-do-mato, a planta chamou a atenção de Silva por seu tamanho. Ao contrário de outras espécies Erythroxylum, o vegetal não passava de 1 metro e meio. Folhas grandes e porte de subarbusto também intrigaram o botânico, que pesquisa vegetação há quase uma década. “É uma espécie de pequeno porte que tem aproximadamente de 70 centímetros até 1,20 metro, diferente da maioria das espécies do grupo, que são árvores”, explica Silva a GALILEU.

Com ajuda de um estereomicroscópio, outro diferencial foi atribuído à Erythroxylum niquelandense: número elevado de inflorescências (10 a 15 flores) e frutos, estes redondos e avermelhados. Depois de revisar estudos sobre o gênero ao qual pertence o vegetal, pesquisadores do Departamento de Botânica da UFG atestaram que o achado representava uma espécie ainda não descrita.

Nova espécie foi encontrada sob solos argilosos ricos em serapilheira na reserva Legado Verdes do Cerrado. Acima, habitat (A) e folhas (B) da planta (Foto: M.J.Silva)

Potencial fármaco

Mas, segundo Silva, a descoberta pode ir além da descrição de uma planta inédita. Isso porque, lembra o professor, espécies do gênero Erythroxylum costumam produzir substâncias com potencial terapêutico – especialmente no que diz respeito ao câncer. É o caso da Erythroxylum campestre, uma planta do Cerrado cujas folhas, segundo estudo da UFG, podem levar à redução de células tumorais do sarcoma 180 – ou “tumor de Crocker”, um tipo de rápida proliferação.

Estima-se que haja, só no Cerrado brasileiro, 130 espécies do gênero Erythroxylum – no mundo, elas são cerca de 250. Predominantes nas Américas, essas plantas começaram a despertar maior interesse no século 19, quando foram descobertas as propriedades anestésicas da cocaína, substância presente nas folhas da Erythroxylum coca. Atualmente, no entanto, Silva diz que o baixo número de estudos sobre a categoria evidencia que o gênero parece estar longe dos holofotes.

Segundo o botânico, a nova espécie descoberta pode ser a próxima do gênero a entrar para o rol de plantas com propriedades medicinais contra o câncer, mas experimentos em laboratório são necessários para elucidar a possibilidade. “Como plantas que fazem parte de um mesmo grupo geralmente têm uma ancestralidade compartilhada, nós inferimos que ela também possa ser usada para a mesma finalidade”, explica o professor.

Responder a essa incógnita, porém, não é o foco do projeto liderado por Silva. Em vigor desde 2009, a parceria público-privada entre FAPEG, CBA e Votorantim atende outro objetivo: esmiuçar a biodiversidade do Cerrado. A partir de análises em campo, pesquisadores de diferentes universidades públicas se dividem para caracterizar não só as plantas, mas também anfíbios, algas, aves e insetos da reserva Legado Verdes do Cerrado.

Se consideradas as taxas de destruição da savana brasileira, listar as espécies que povoam a região é especialmente importante, considera o botânico. Só em 2020, o Cerrado perdeu 734.010 mil hectares de vegetação nativa, o que significa um aumento de 13,7% em relação a 2019, segundo um relatório do consórcio Chain Reaction Research divulgado em março. “Estudos voltados para o inventário da vegetação se tornam cruciais, porque atualmente existem inúmeras reservas que são protegidas por lei e a maioria delas não sabe o patrimônio genético que detém”, opina o pesquisador.

Para Silva, um segundo fator também reforça a importância desse tipo de parceria. “Sabemos que o Brasil é um país com diferentes problemas políticos que fazem com que o financiamento público à pesquisa seja cada vez menor, então projetos assim são sempre bem-vindos”, afirma.

Reprodução: Revista Galileu
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sexta-feira, 19 de março de 2021

Gorilas são os primeiros não-humanos a se vacinar contra a covid


Na quarta-feira passada (3), o Zoológico de San Diego nos EUA se tornou a primeira instituição no mundo a vacinar não-humanos contra a covid-19
. Segundo a National Geographic, nove grandes símios receberam duas doses de uma vacina experimental, sendo quatro orangotangos e cinco bonobos.

Mas esses imunizantes não são, de forma alguma, variações das vacinas que estamos tomando ou uma dose diferenciada das mesmas. Essa medicação foi desenvolvida especificamente para animais pela empresa farmacêutica veterinária Zoetis, que tem pesquisado formas de imunização desde que um cachorro testou positivo para o coronavírus em fevereiro de 2020.

Em janeiro deste ano, após o gorila Winston, de 49 anos, adoecer com uma doença cardíaca e pneumonia, os oito grandes macacos do Zoológico de San Diego fizeram testes para a covid-19, e todos deram positivo. Após um tratamento experimental com anticorpos, eles se recuperaram, mas a chefe da conservação e oficial de saúde Nadine Lamberski decidiu encomendar a vacina da Zoetis.

Animais com covid no mundo

Em vários lugares do mundo, veterinários confirmaram infecções em tigres, leões, visons, leopardos das neves, pumas, furões, cães e gatos domésticos. Mas a informação de que os grandes símios eram suscetíveis ao vírus SARS-CoV-2 preocupou sobremaneira os cientistas.

Como a população global de gorilas é hoje inferior a 5 mil indivíduos, que vivem em grupos familiares próximos, o que os pesquisadores mais temem é que, se um deles contrair o vírus, a infecção se espalhe rapidamente e ponha em risco toda a espécie. Como ainda são pouco conhecidos os efeitos do vírus sobre os animais, dados como o do Zoológico de San Diego são importantes para a comunidade científica.

Depois que o cão de Hong Kong testou positivo para o vírus, quando a pandemia começava a dar sinais de sua amplitude, a farmacêutica norte-americana Zoetis começou a desenvolver uma vacina da covid-19 específica para cães e gatos. Em outubro, a empresa declarou que a nova vacina era segura para as duas espécies.

A vacina e o Zoológico de San Diego


Na época, Lamberski já estava acompanhando o desenvolvimento da vacina da Zoetis. Quando a turma de gorilas testou positivo para a covid-19 em janeiro, a oficial de saúde do zoológico decidiu vacinar todos, mesmo sabendo que o imunizante havia sido testado apenas em cães e gatos.

A ansiedade dos administradores do zoológico centrava-se principalmente na segurança da população de 14 gorilas, oito bonobos e quatro orangotangos que, além de potencialmente vulneráveis ao vírus, dividem espaço em alojamentos fechados, propícios à propagação de doenças.

Em fevereiro, enquanto se deliciavam com suas comidinhas preferidas, os nove grandes macacos receberam sem notar a espetada da agulha da vacina e, segundo a National Geographic, não apresentaram reações adversas e encontram-se atualmente em ótimo estado de saúde.

O sangue da orangotango Karen e de um bonobo foi colhido para verificar se eles desenvolveram anticorpos, sinal de que a vacina é eficaz. Os oito símios restantes, que vivem em outro setor do zoológico, no parque safári, e não contraíram o vírus, receberão as doses 60 a 90 dias após a infecção, como recomenda o protocolo

Reprodução: Tecmundo
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