Nas células da espécie humana existem 23 pares de cromossomos, dos quais 22 pares não apresentam diferenças entre machos e fêmeas - e são chamados de autossomos. Os dois outros cromossomos, chamados de heterossomos ou cromossomos sexuais apresentam diferenças: enquanto as mulheres apresentam dois cromossomos sexuais perfeitamente homólogos, que foram denominados XX, os homens possuem um cromossomo X e um outro, não totalmente homólogo a X, e que foi denominado Y.
Todos os gametas (óvulos) formados por meiose em uma mulher possuem o
cromossomo X, enquanto os homens podem formar gametas (espermatozoides) que
apresentam o cromossomo X e outros, que apresentam o cromossomo Y. Por isso
dizemos que as mulheres são o sexo homogamético e
os homens são o sexo heterogamético.
Embora não sejam totalmente homólogos, os cromossomos X e Y possuem
pequenas regiões homólogas nas pontas, o que garante, num indivíduo do sexo
masculino, o emparelhamento dos dois cromossomos e sua distribuição normal para
as células filhas na primeira divisão da meiose.
Entretanto, o fato de apresentarem regiões sem homologia tem implicações
na herança de algumas características. Os genes localizados na região do
cromossomo X, que não possui homologia em Y, seguem um padrão de herança
denominada herança ligada ao cromossomo X ou herança ligada ao sexo. Herança
ligada ao cromossomo Y ou herança restrita ao sexo é
a que se refere aos genes localizados somente no cromossomo Y, chamados
de genes holândricos.
1 - Herança ligada ao cromossomo
X ou herança ligada ao sexo
Daltonismo e hemofilia
A incapacidade de distinguir entre as cores verde e vermelha que alguns
indivíduos apresentam é chamada de daltonismo ou cegueira para cores e é uma
característica determinada por um gene localizado no cromossomo X, na região
não homóloga de Y. Chamamos de gene D aquele que
determina pessoas com visão normal, enquanto seu alelo recessivo d, determina daltonismo.


Exemplo de teste para verificação do
daltonismo. Pessoas daltônicas não distinguem o número dentro do círculo.
Como esses genes seguem o padrão de herança ligada ao cromossomo X,
dizemos que mulheres de visão normal apresentam genótipo XDXD ou XDXd, enquanto
mulheres daltônicas são XdXd. No caso dos homens, o genótipo XDY determina visão normal para cores, enquanto homens
XdY são daltônicos. Note que os homens precisam de
apenas um gene d para que o daltonismo se
manifeste e que esse gene seja sempre herdado de sua mãe, já que está ligado ao
cromossomo X. A característica é, portanto, mais frequente em homens do que em
mulheres.
Outro exemplo desse tipo de herança é a hemofilia, que é uma doença
hereditária em que ocorre uma falha no processo da coagulação do sangue. O
gene H determina a produção de uma substância
denominada fator VIII, importante para a coagulação do sangue, enquanto seu
alelo h determina a ausência dessa substância. A tabela
a seguir mostra os genótipos e fenótipos de homens e mulheres para essa
característica.

2 - Herança ligada ao cromossomo Y (Genes holândricos)
Os genes holândricos, que se localizam nas regiões do cromossomo Y sem
homologia no X, são herdados apenas pelos homens, sendo transmitidos
diretamente de pais para filhos. Um exemplo de gene holândrico é o SRY, que
condiciona o desenvolvimento dos testículos nos embriões de mamíferos
(incluindo a espécie humana) e, portanto, relaciona-se à determinação das
características sexuais masculinas.
3 - Herança influenciada pelo
sexo
Por fim, temos algumas características que, embora sejam determinadas
por genes autossômicos, apresentam um padrão de herança influenciado pela
presença de hormônios masculinos. É o caso da calvície, que é muito mais frequente
em homens. Essa característica é determinada por um gene C que atua como dominante no sexo masculino em
homo e heterozigose e homozigose no sexo feminino. Portanto, enquanto as
mulheres precisam apresentar dois genes para serem calvas, basta um gene C para a calvície se manifestar nos homens.
SÍNDROME DA FEMINILIZAÇÃO TESTICULAR
A síndrome da
insensibilização androgênica (AIS), também conhecida como feminilização
testicular, é uma condição na qual indivíduos, que geneticamente são do sexo
masculino, não respondem aos andrógenos (hormônios masculinos). Isso resulta em
indivíduo com composição genética de um homem, mas com algumas ou todas as
características físicas de uma mulher.
Esta condição está
ligada ao cromossomo Y, afetando pacientes com cariótipo 46,XY, nos quais há
prejuízo total ou parcial do processo de virilização intra-útero em decorrência
da alteração funcional de andrógenos.
Divide-se esta
síndrome em duas categorias:
- CAIS
(forma completa);
- PAIS
(forma parcial).
CAIS (completa)
Forma
relativamente rara. Estes indivíduos nascem fenotipicamente do sexo feminino,
mas genotipicamente do sexo masculino.
As
manifestações clínicas desta condição surgem somente na puberdade, que pode ser
retardada, mas que se apresenta normalmente, com exceção da ausência de
menstruação e diminuição ou ausência de pelos pubianos e axilares.
Externamente, a vagina apresenta-se normal, embora em certos casos haja um
subdesenvolvimento dos lábios e o clitóris.
As gônadas
nestes indivíduos são testículos, que podem estar localizados na região intra-abdominal,
no interior do anel inguinal, ou pode herniar nos grandes lábios, fator que
pode levar à descoberta da desordem.
Uma vez que a
sensibilidade aos andrógenos é fundamental para a maturação das células
espermatogênicas, indivíduos com esta síndrome não concluem a espermatogênese.
A vagina
destas mulheres termina em fundo cego, não havendo colo, útero e nem trompas de
Falópio.
PAIS (parcial)
Indivíduos com
este tipo da síndrome apresentam genótipo masculino, mas a genitália externa é
somente parcialmente masculinizada.
O fenótipo
genital varia muito nesses indivíduos, sendo considerada a forma mais grave a
apresentação de fenótipo feminino com discreta clitoromegalia e função parcial
dos pequenos lábios. Em outros casos o paciente apresenta um micropênis,
hipospádia peritoneal e criptorquidia. Além disso, também há casos de
indivíduos que manifestam ginecomastia em homens férteis, ou ainda hipospádia
ou esterelidade.
O
desenvolvimento do indivíduo irá depender do nível de sensibilidade aos andrógenos,
podendo haver feminização ou virilização durante a puberdade.
O diagnóstico
da CAIS raramente é feito durante a infância, a não ser que seja possível
identificar visualmente o testículo no abdômen ou virilha. Geralmente, estes
indivíduos são diagnosticados somente na puberdade, período no qual deveriam
menstruar. Já no caso da PAIS, há a suspeita do diagnóstico quando uma criança
com cariótipo 46,XY apresenta genitália ambígua ou fenótipo feminino, na qual a
resposta a testosterona e a diidrotestosterona é normal para o sexo masculino.
Por meio de exames de imagem, como a ultra-sonografia pélvica, é possível
confirmar a ausência de útero. A confirmação é feita por meio da evidenciação
de ligação alterada dos andrógenos aos seus receptores em cultura de
fibroblastos da pele genital ou a identificação de mutações através de testes
genéticos.
O tratamento e
definição do sexo é uma decisão complexa, devendo ser tomada caso a caso, com
acompanhamento especializado. Quando houver a presença de testículo em locais
inadequados, os mesmos devem ser removidos cirurgicamente somente após o
indivíduo atingir a puberdade, evitando o risco de desenvolvimento de
neoplasias nesses locais.
TESTE DA CROMATINA SEXUAL OU CORPÚSCULO DE BARR
O Corpúsculo de Barr ou Cromatina
sexual é encontrado em indivíduos do sexo feminino, genótipo XX dos
genes sexuais, visível nas células somáticas durante a
intérfase. O corpúsculo de Barr é compensação natural para a dupla carga genética dos indivíduos femininos da espécie humana. Um dos
cromossomos X fica espiralizado, ou seja, inativo, fazendo com que só um
dos alelos x se manifeste. Essa espiralização é aleatória nas células
do organismo, porém o cromossomo X que por acaso possuir alguma anomalia será
preferencialmente inativado. Nos indivíduos masculinos da espécie humana,
genótipo XY, não há corpúsculo de Barr ou cromatina sexual, pois somente se
manifesta um cromossomo X.
A
importância da cromatina sexual está no fato de através dela diferenciarmos as
células masculinas das femininas e também identificarmos a ocorrência de
síndromes ou anomalias cromossômicas sexuais. Onde suas anomalias podem
acarretar em doenças como a Síndrome de Klinefelter.O
indivíduo portador da síndrome de Klinefelter apresentará cromatina sexual
positiva. O cariótipo mais comum da síndrome de Klinefelter é 47XXY e exibe 1
corpúsculo de Barr. Outros cariótipos possíveis da síndrome de Klinefelter e o
número de corpúsculos de Barr:
48XXY----- 1 corpúsculo de Barr
48XXXY----- 2 corpúsculos de Barr
49XXXY--- 2 corpúsculos de Barr
49XXXXY---- 3 corpúsculos de Barr
Bases
da herança:
Os
fatores ou unidades determinantes da herança chamam-se genes, e a ciência que
os estuda é denominada genética. As características transmissíveis do ser
humano estão contidas nos 46 cromossomos, estruturas encontradas no núcleo das células
do organismo. Esses cromossomos dispõem-se emparelhados dois a dois, em 23
pares, no núcleo de cada célula. Vinte e dois deles formam os chamados
autossomos, idênticos em ambos os sexos. O par restante é constituído pelos
cromossomos sexuais XY no homem e XX na mulher.
Estão emparelhados, nos cromossomos, dois grupos de genes, os paternos e os maternos. Todo indivíduo possui em seus cromossomos um correspondente paterno para cada gene materno. Quando surge um gene diferente daqueles que foram herdados dos pais, diz-se que ocorreu uma mutação, surgimento espontâneo de características hereditárias novas, que podem dar origem a alterações e malformações.
As anomalias e doenças hereditárias podem apresentar causas diferentes. Destacam-se entre elas as variações no número e na estrutura dos cromossomos. É o que ocorre no mongolismo (síndrome de Down), em que a existência de três cromossomos no par 21, ao invés de dois, origina alterações físicas e mentais. Também ocorrem mutações espontâneas em filhos de indivíduos sãos (que podem dar origem à maioria das doenças hereditárias propriamente ditas). Deve-se considerar também a coexistência desfavorável de vários genes, nenhum dos quais é por si só patogênico. Nesse último grupo incluem-se as chamadas heredopatias complexas ou multifatoriais, entre as quais estão o diabetes, a obesidade e a epilepsia.
Existe um grupo de doenças hereditárias que depende da existência de genes patológicos situados no cromossomo sexual X. Entre elas, estão a hemofilia -- tendência espontânea à hemorragia produzida por problemas de coagulação sangüínea que só se manifesta em homens, embora seja transmissível por mulheres -- e o daltonismo, ou incapacidade de distinguir cores. A primeira é uma doença hereditária provocada pela não-atuação de fatores coaguladores do sangue. No sexo masculino, uma porção do cromossomo X não tem homólogo no cromossomo Y, e é precisamente em tal porção ímpar que se localizam os genes recessivos da hemofilia (transmissíveis por ambos os progenitores). Na mulher, ao contrário, o efeito de um eventual gene hemofílico em X é compensado pela presença de um gene normal no outro cromossomo X, que se torna dominante. O daltonismo é também uma doença que se manifesta exclusivamente nos homens, já que as mulheres são apenas portadoras do gene. O distúrbio visual pode afetar a distinção de todas as cores, mas é mais freqüente que o daltônico confunda vermelho e verde exibidos simultaneamente, em ambientes de pouca luz.
Além da herança ligada aos genes dos cromossomos sexuais X e Y, distingüem-se outros processos patológicos ligados aos cromossomos autossômicos (normais, não-sexuais). Nesse grupo, enquadra-se a maioria das doenças hereditárias. A herança pode ser de tipo dominante, quando o gene determina o efeito patógeno presente em apenas um dos cromossomos (os genes dominantes se manifestam de forma obrigatória na descendência, mesmo que presentes em apenas um dos progenitores) e do tipo recessivo, quando, para que se manifeste um caráter ou anomalia, os genes devem estar nos cromossomos paterno e materno. Algumas vezes, a herança não é dominante nem recessiva, mas intermediária. Nesse caso, o traço hereditário se manifesta, de forma mais ou menos acentuada, de acordo com os fatores ambientais.
Entre as doenças hereditárias de caráter dominante estão, por exemplo, a aracnodactilia ou síndrome de Marfan (em que indivíduos têm mãos e, sobretudo, dedos muito longos e finos), os rins policísticos e a polipose intestinal. Nas de caráter recessivo, destacam-se a surdo-mudez congênita e a maior parte das alterações congênitas do metabolismo.
Estão emparelhados, nos cromossomos, dois grupos de genes, os paternos e os maternos. Todo indivíduo possui em seus cromossomos um correspondente paterno para cada gene materno. Quando surge um gene diferente daqueles que foram herdados dos pais, diz-se que ocorreu uma mutação, surgimento espontâneo de características hereditárias novas, que podem dar origem a alterações e malformações.
As anomalias e doenças hereditárias podem apresentar causas diferentes. Destacam-se entre elas as variações no número e na estrutura dos cromossomos. É o que ocorre no mongolismo (síndrome de Down), em que a existência de três cromossomos no par 21, ao invés de dois, origina alterações físicas e mentais. Também ocorrem mutações espontâneas em filhos de indivíduos sãos (que podem dar origem à maioria das doenças hereditárias propriamente ditas). Deve-se considerar também a coexistência desfavorável de vários genes, nenhum dos quais é por si só patogênico. Nesse último grupo incluem-se as chamadas heredopatias complexas ou multifatoriais, entre as quais estão o diabetes, a obesidade e a epilepsia.
Existe um grupo de doenças hereditárias que depende da existência de genes patológicos situados no cromossomo sexual X. Entre elas, estão a hemofilia -- tendência espontânea à hemorragia produzida por problemas de coagulação sangüínea que só se manifesta em homens, embora seja transmissível por mulheres -- e o daltonismo, ou incapacidade de distinguir cores. A primeira é uma doença hereditária provocada pela não-atuação de fatores coaguladores do sangue. No sexo masculino, uma porção do cromossomo X não tem homólogo no cromossomo Y, e é precisamente em tal porção ímpar que se localizam os genes recessivos da hemofilia (transmissíveis por ambos os progenitores). Na mulher, ao contrário, o efeito de um eventual gene hemofílico em X é compensado pela presença de um gene normal no outro cromossomo X, que se torna dominante. O daltonismo é também uma doença que se manifesta exclusivamente nos homens, já que as mulheres são apenas portadoras do gene. O distúrbio visual pode afetar a distinção de todas as cores, mas é mais freqüente que o daltônico confunda vermelho e verde exibidos simultaneamente, em ambientes de pouca luz.
Além da herança ligada aos genes dos cromossomos sexuais X e Y, distingüem-se outros processos patológicos ligados aos cromossomos autossômicos (normais, não-sexuais). Nesse grupo, enquadra-se a maioria das doenças hereditárias. A herança pode ser de tipo dominante, quando o gene determina o efeito patógeno presente em apenas um dos cromossomos (os genes dominantes se manifestam de forma obrigatória na descendência, mesmo que presentes em apenas um dos progenitores) e do tipo recessivo, quando, para que se manifeste um caráter ou anomalia, os genes devem estar nos cromossomos paterno e materno. Algumas vezes, a herança não é dominante nem recessiva, mas intermediária. Nesse caso, o traço hereditário se manifesta, de forma mais ou menos acentuada, de acordo com os fatores ambientais.
Entre as doenças hereditárias de caráter dominante estão, por exemplo, a aracnodactilia ou síndrome de Marfan (em que indivíduos têm mãos e, sobretudo, dedos muito longos e finos), os rins policísticos e a polipose intestinal. Nas de caráter recessivo, destacam-se a surdo-mudez congênita e a maior parte das alterações congênitas do metabolismo.