segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Em descoberta inédita no mundo, cientistas brasileiros encontram parasita preservado dentro de ossos de dinossauro

Pesquisadores da UFRN, da UFSCar e da Unicamp identificaram microrganismo em 'dino zumbi' que sofria de osteomielite aguda, doença que até hoje afeta animais e também humanos.



Uma equipe de cientistas brasileiros encontrou, em uma descoberta inédita no mundo, um parasita sanguíneo preservado dentro dos ossos de um dinossauro. A pesquisa foi publicada na quinta-feira (15) na revista científica "Cretaceous Research".

Os pesquisadores – da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Unicamp – acharam o parasita nos ossos de um titanossauro (os dinos de pescoço comprido) que sofria com uma doença chamada osteomielite aguda, uma infecção óssea que até hoje atinge animais e humanos.

Antes da descoberta dos brasileiros, parasitas pré-históricos só haviam sido encontrados dentro de insetos preservados em âmbares ou em fezes fossilizadas – ou seja, nenhum dentro de um hospedeiro.

Como foi feita a descoberta?

Em 2017, enquanto fazia seu pós-doutorado, a cientista Aline Ghilardi, da UFRN, autora sênior da pesquisa, notou que um dos ossos dos dinossauros que estudava – que havia sido descoberto em São Paulo e que hoje é mantido em um laboratório da UFSCar – tinha caroços esponjosos.

A equipe resolveu, então, estudá-lo mais a fundo. No ano seguinte, o pesquisador Tito Aureliano, que fazia mestrado na Unicamp, decidiu estudar os ossos com um microscópio – e, depois, com uma tomografia, feita na Faculdade de Medicina da USP.

Com as análises, foi feito o diagnóstico da osteomielite aguda, uma infecção que pode causar deformações nos ossos e que, provavelmente, causava muita dor ao titanossauro (veja detalhes mais abaixo).

Depois, os cientistas fizeram uma biópsia do material – algo que ninguém nunca tinha feito antes – para ver o desenvolvimento da doença. (A maioria das pesquisas do tipo descreve as amostras a olho nu ou com uma radiografia simples – o máximo que fazem é uma tomografia, explica Tito Aureliano, que é o primeiro autor do estudo.)

Foi aí que veio a surpresa.

A paleontóloga Fresia Ricardi-Branco, da Unicamp, detectou a presença de um microfóssil dentro dos canais vasculares do osso do dinossauro. Ao examiná-lo, Aureliano achou mais de dez microrganismos fossilizados.

Entrou em cena, então, a paleoparasitóloga Carolina Nascimento, da UFSCar, para analisar detalhadamente a amostra. Ela conseguiu achar mais de 70 microrganismos similares preservados dentro do osso do titanossauro e determinou que eles eram algum tipo de parasita sanguíneo.

"Quando descobrimos que era um parasita e que estava dentro dos canais do dinossauro, começamos a ficar nervosos para sermos os primeiros [a publicar]", relata Tito Aureliano. "Não acreditamos que nunca tinham feito isso [a biópsia]".

Os pesquisadores ainda não sabem, entretanto, se foram os parasitas que causaram a osteomielite. Isso porque eles encontraram, também, uma colônia de bactérias no fóssil.


"Não sabemos se esses parasitas compridinhos causaram a doença ou se a doença causou a presença deles", diz Aureliano.

"O máximo que a gente se atreveu a dizer é que é um parasita – um pouco maior do que os que são encontrados em âmbar – e que mais estudos são necessários", afirma.

A equipe trabalha nesses próximos resultados, que deverão ser publicados em breve.

Dino sentiu muita dor

O que os pesquisadores podem determinar, por enquanto, é que o titanossauro "sentiu dor – e muita dor – para morrer", diz Aureliano.

"Ele estava apodrecendo vivo", afirma.

Em um vídeo em que explicam a pesquisa, Aureliano e Ghilardi dizem que, considerando o modo como essa doença age em organismos atuais, o dinossauro deve ter sofrido muito até atingir o estado grave que eles viram – com a formação de feridas abertas expelindo pus pelas pernas, braços e corpo.

"Neste fóssil recuperado, o estágio da doença estava tão agressivo que a gente apelidou esse espécime de 'Dino Zumbi'", diz Aureliano.

Eles conseguiram determinar também que, quando morreu, o titanossauro era idoso. Analisando as feridas, esclareceram como a inflamação evoluiu até a formação dos caroços e identificaram, até mesmo, o momento em que a ferida se abriu e foi colonizada por bactérias.

Os pesquisadores perceberam que a lesão ia desde a parte mais interna do osso até a parte de fora – onde formava os caroços esponjosos vistos por Ghilardi.

"Esses dados todos serão muito importantes para o avanço da compreensão da doença na medicina atual e no tratamento em humanos", afirma Ghilardi.

Os achados dos pesquisadores só foram possíveis graças a um processo chamado fosfatização, que garantiu uma "fossilização excepcional" ao dino.

"A fossilização é um processo muito destrutivo – é raro ter essa preservação excepcional, quando são preservadas partes moles. A química dentro do osso petrificou muito rápido os microrganismos", explica Aureliano.

A descoberta decorre de um conjunção de fatores certos ocorridos na hora certa: os cientistas encontraram o titanossauro "certo" e que morreu "do jeito certo", mantendo o grau de preservação alto necessário para exame no microscópio.

Contribuições

"Esse trabalho foi inovador, pois uniu, pela primeira vez, os campos da histologia, patologia e parasitologia aplicados aos fósseis, o que abrirá novas possibilidades para a paleontologia de agora em diante", diz Ghilardi.

"É, também, um exemplo de como a ciência de base pode acabar causando impacto na medicina moderna, contribuindo para a compreensão de doenças que até hoje acometem animais, inclusive a espécie humana."

"Estamos muito satisfeitos, muito felizes, de fazer uma contribuição sólida na nossa área, de abrir novas possibilidade para a paleontologia. Agora a gente sabe que pode tirar parasitas de amostragens, incluindo nossos ancestrais humanos", lembra Aureliano.

Reprodução: G1
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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Glitter biodegradável prejudica meio ambiente tanto quanto versão comum, aponta estudo


O glitter biodegradável também gera prejuízos ao meio ambiente, assim como o glitter comum, segundo um estudo realizado no Reino Unido.

A procura pela versão ecológica desse produto, que é bastante popular no Carnaval, aumentou após cientistas apontarem que as pequenas partículas de plástico brilhantes da versão original chegam aos rios e mares por meio do sistema de esgoto e levam anos para se degradar.

No entanto, a pesquisa feita pela Universidade Anglia Ruskin, em Cambridge, e publicada no Journal of Hazardous Materials indica que a alternativa biodegradável também é prejudicial ao meio ambiente.

O glitter tradicional consiste em um núcleo de plástico feito de um filme poliéster PET, que é revestido com alumínio e, em seguida, coberto com outra fina camada de plástico.

Com a denúncias sobre seu impacto ambiental, foram criadas versões biodegradáveis. Uma delas tem um núcleo de celulose, revestido com alumínio para refletividade e coberto com uma fina camada de plástico. Outra é o glitter de mica, um tipo de mineral cada vez mais utilizado em cosméticos.

Em testes feitos em laboratório, todos os tipos de glitter afetaram o crescimento das plantas e algas de um lago.

"O glitter é um tipo de microplástico e pode ter os mesmos efeitos que outros microplásticos e não deve ser lançado em grandes quantidades no meio ambiente", diz Dannielle Green, professora sênior de Biologia na Universidade Anglia Ruskin, à BBC News.

"Se você está usando como maquiagem, seria sensato limpá-lo e colocá-lo no lixo ao invés de lavá-lo com água."

Como foi feita a pesquisa


De acordo com os pesquisadores, este é o primeiro estudo a avaliar o impacto ambiental do glitter em corpos d'água.

Para testar esses efeitos, os pesquisadores coletaram água, sedimentos e plantas do rio Glaven, em Norfolk.

Eles criaram lagos em miniatura no laboratório, nos quais lançaram seis tipos diferentes de glitter. Todos diminuíram a abundância de plantas comuns, bem como de algas microscópicas. Não houve diferença significativa entre os efeitos das versões ecológicas e tradicionais.

O glitter biodegradável também dobrou a presença de caramujos não nativos, que normalmente encontrados em águas poluídas. Segundo os cientistas, isso pode gerar a interrupções na cadeia alimentar de um ecossistema.

Os experimentos testaram os efeitos de grandes quantidades de purpurina, semelhante a quando o glitter é usado por um grande número de pessoas ao mesmo tempo.

Os cientistas dizem ser menos preocupante os efeitos de quantidades menores, como as usadas na maquiagem.

O impacto em plantas e caramujos foi observado após 36 dias. O estudo não avaliou o impacto no longo prazo.

Reprodução: BBC
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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Como é a morte por veneno de baiacu?


Todos os anos, cerca de cinco pessoas morrem – e muitas outras são internadas – por causa do veneno de um dos peixes mais controversos da culinária mundial: o baiacu (ou Fugu, aquele mesmo que pode se inflar para espantar os inimigos). As mortes acontecem porque o peixe (considerado o segundo vertebrado mais venenoso do mundo) pode liberar Tetrodotoxina (uma neurotoxina 1.200 vezes mais mortal que o cianeto).

A substância não é fabricada pelos baiacus, mas por bactérias que ficam alojadas nos peixes. E elas podem ser espalhadas por todo o corpo do animal – desde as escamas até o fígado. O veneno encontrado em um deles pode ser o suficiente para matar 30 pessoas. Segundo o io9, mesmo com toda essa força, a morte causada pela Tetrodotoxina não é indolor, apesar de ser rápida.

Nos primeiros instantes, lábios e dedos começam a amortecer e apresentar espasmos (nesse ponto, ainda existe tempo de chegar ao hospital para um internamento emergencial). Depois começa a fraqueza muscular e surtos de diarreia e vômito até que os espasmos começam a ser percebidos também nos pulmões. Muitas vítimas sofrem parada respiratória enquanto ainda estão conscientes. A morte vem logo em seguida.

Há casos também de "zumbificação" das vítimas. A Tetrodotoxina pode encontrar em sintonia com outras neurotoxinas e fazer com que o corpo seja completamente paralisado, fazendo com que a pessoa apenas pareça morta. Depois as funções cerebrais voluntárias são retiradas e a pessoa torna-se um cadáver que pode se mexer, mas não sabe o que está fazendo.

Reprodução: Tecmundo
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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

As flores mudaram sua pigmentação por causa das mudanças do clima


Há muito já se sabe que as mudanças climáticas estão afetando o comportamento dos animais no planeta – seja nos padrões de migração ou nas temporadas de acasalamento. Um estudo publicado na revista Current Biology mostrou que as flores também tiveram alterações por causa da degradação do meio ambiente nos últimos 75 anos – e isso pode ter consequências funestas.

Invisíveis ao olho humano, os pigmentos para absorção da radiação ultravioleta das flores é o que se poderia chamar de filtro solar vegetal: quanto mais desse tipo de pigmento a flor produz, menos efeito a radiação prejudicial tem sobre as pétalas e, principalmente, o pólen. Não podemos ver esses pigmentos, mas os animais polinizadores, sim.

O botânico Matthew Koski, da Universidade Clemson, e os coautores do estudo — o geógrafo Drew MacQueen, da Universidade da Virginia, e a ecologista evolucionária Tia-Lynn Ashman, da Universidade de Pittsburgh — visitaram herbários da Europa, da Austrália e da América do Norte para obter um histórico de espécimes de flores desde 1941. Os dados coletados permitiram mensurar as mudanças na pigmentação das flores, responsável pela absorção da radiação ultravioleta, ao longo do tempo.

Ação do ser humano

Em um trabalho anterior, os três haviam examinado flores expostas a mais radiação ultravioleta, como em montanhas altas e perto da linha do Equador, e chegado à conclusão de que todas apresentavam mais pigmento ultravioleta em suas pétalas. A questão que norteou esse novo trabalho foi se dois dos piores danos causados pela atividade humana também entrariam nessa equação: a diminuição da camada de ozônio e o aumento global da temperatura.

Foram examinadas 1.238 flores de 42 espécies diferentes. Além disso, os três fotografaram pétalas de flores da mesma espécie coletadas em momentos e locais diferentes, usando uma câmera sensível ao UV. Então, eles compararam os resultados da análise das flores com dados sobre a camada de ozônio e a temperatura, descobrindo que a quantidade de pigmentos responsáveis pela absorção de UV nas flores mudou em todo o mundo nos últimos 75 anos – em média, um aumento anual de 2%.

“Algumas espécies aumentaram sua pigmentação ao longo do tempo; em outras, ela diminuiu. Para entender essas respostas diferentes às mudanças no clima global, observamos a quantidade de ozônio e a mudança de temperatura experimentada por cada espécie ao longo do tempo”, disse Koski.

Padrão "olho de boi"

O resultado a que eles chegaram mostrou que a pigmentação aumentou para flores cujo pólen foi exposto à crescente radiação por conta da diminuição da camada de ozônio; nas espécies em que o pólen é protegido pelas pétalas, a pigmentação diminuiu com o aumento da temperatura.

Nós não vemos quaisquer diferenças, mas animais polinizadores, como abelhas e beija-flores, percebem a mudança. Segundo Koski, "a maioria dos polinizadores prefere flores com um padrão ‘olho de boi': pétalas com pigmentos que refletem os raios ultravioleta nas pontas e, no centro da flor, pigmentos que absorvem a radiação".


“Isso tem implicações para a reprodução das plantas — tanto de flores silvestres nativas quanto de espécies de culturas domesticadas que têm padrões florais para o ultravioleta, como a colza e os girassóis. A coloração floral alterada para o ultravioleta pode mudar e até interromper os padrões de polinização”, diz Koski.

Reprodução: Tecmundo

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Setembro registra aumento de 180% de fogo no Pantanal e 60% na Amazônia

2020 é o pior ano para o Pantanal desde o início das medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998; e o segundo mais dramático para a Amazônia desde 2010



Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na última quarta-feira (30) apontam que, em setembro deste ano, foram registrados mais focos de calor em comparação com o mesmo período de 2019. No Pantanal, o aumento foi de 180,7%, enquanto na Amazônia o crescimento chegou a 60,6%.

Comparando com a série histórica, as queimadas deste ano foram as mais severas para o Pantanal desde o início das medições, em 1998, com 18.259 focos de incêndio registrados. Já na Amazônia, 2020 é o segundo pior ano desde 2010.

"A gravidade da situação é, sobretudo, reflexo da política antiambiental do governo Bolsonaro que, apesar da previsão de um período mais seco no Pantanal, não empregou esforços para prevenir os incêndios", disse Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia e gestora ambiental do Greenpeace Brasil, em declaração à imprensa. "Além disso, tem estimulado deliberadamente a impunidade e o crime ambiental, a partir do enfraquecimento da capacidade de fiscalização dos órgãos competentes como Ibama e ICMBio. Essa política desastrosa coloca em xeque o futuro ambiental e econômico do país."

Na Amazônia, grande parte das queimadas e dos incêndios florestais estão relacionados ao processo do desmatamento na região. Enquanto isso, no Pantanal, novas investigações apontam para origem criminosa dos incêndios em poucas fazendas, prática que é pontencializada pela pior seca das últimas décadas na área.

"De um lado, a crise ambiental que estamos vivendo agrava a emergência climática e pode intensificar a perda de biodiversidade", pontuou Mazzetti. "De outro, o aumento das queimadas, incêndios e desmatamento tem colocado o Brasil em maus lençóis com investidores e importantes relações comerciais, já que a cada dia está mais difícil garantir que os produtos brasileiros não estejam relacionados à destruição ambiental."

Os impactos econômicos da devastação ambiental que vem ocorrendo no Brasil já estão sendo sentidos. Na Cúpula da Organização das Nações Unidas de Biodiversidade realizada na quarta-feira (30), o presidente da França, Emmanuel Macron, reforçou que não assinará o Acordo entre União Europeia e Mercosul devido ao desmatamento na Amazônia.

Já o Reino Unido e a União Europeia estão discutindo legislações para controlar a entrada de commodities em seus países cuja proveniência possa estar ligada ao desmatamento. Além disso, a rede de supermercados ParknShop, de Hong Kong, China, anunciou que não comprará mais carne bovina da empresa JBS em decorrência do seu envolvimento com desmatamento.

"Ao invés de assumir a gravidade da crise ambiental no Brasil e direcionar esforços contundentes para resolver o problema, Bolsonaro se esquiva da sua responsabilidade nessa crise dizendo que as narrativas e os dados que indicam a destruição seriam falsos, além de atacar mais uma vez as ONGs", pontuou Mazzetti. "Os satélites, porém, não o deixam mentir e estampam nos números de focos de calor os efeitos dessa política desastrosa e do seu descaso com o meio ambiente."

Com informações do Inpe e da assessoria de Imprensa Greenpeace.

Reprodução: Revista Galileu
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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Espermatozoide mais antigo é revelado por paleontólogos: 'gigante' e com 100 milhões de anos


Dentro da conchinha de um crustáceo cujo fóssil ficou escondido por 100 milhões de anos em um âmbar no território de Mianmar, paleontólogos encontraram o que, segundo eles, seriam os espermatozoides animais mais antigos de que se tem notícia.

Além de serem do período Cretáceo, as células reprodutivas masculinas encontradas se destacam por seu tamanho "gigante" em comparação com as de outras espécies — como os próprios seres humanos —, trazendo novas informações sobre diferentes estratégias de reprodução animal.

Os espermatozoides foram encontrados dentro do fóssil de um ostracode (classe de crustáceos) fêmea, que possivelmente acasalou antes de ser capturada pela resina de uma árvore (que forma o âmbar). O fóssil estava muito bem preservado, então foi possível, com a ajuda de raio-X 3D, reconstruir a anatomia do seu sistema reprodutivo. Os espermatozoides estavam armazenados em receptáculos, prontos para serem liberados quando os óvulos da fêmea amadurecessem.

A partir deste ostracode, a equipe internacional revelou também uma nova espécie, denominada Myanmarcypris hui.

Os ostracodes existem há pelo menos 500 milhões de anos, e milhares de espécies vivas hoje já foram descritas. Eles costumam ser encontrados nos oceanos, em lagos e rios.

Durante o Cretáceo e no território do que é hoje Mianmar, os ostracodes provavelmente viviam na costa e também na água doce, rodeados por florestas cujas árvores produziam grandes quantidades de resina. A nova espécie descrita foi um dos muitos organismos envoltos — e preservados — por gotas desta substância pegajosa.

Tanto que a província de Kachin tem revelado um impressionante conjunto de fósseis, incluindo sapos, cobras e um ser que cientistas ainda estão tentando concluir se era um dinossauro ou um lagarto. Nos últimos cinco anos, diversas novas espécies foram reveladas a partir de achados feitos ali.

Aposta em espermatozoides gigantes

Segundo os paleontólogos, a descoberta sobre a intimidade da fêmea de Myanmarcypris hui contribui para o entendimento da evolução de espécies ao longo de centenas de milhões de anos, e também para o conhecimento de diferentes "apostas" reprodutivas.

Os machos da maioria das espécies animais, incluindo a humana, produzem um grande número de espermatozoides muito pequenos. Alguns pouco animais, como as moscas de frutas e, claro, os ostracodes, evoluíram com uma estratégia diferente: produzem um número relativamente pequeno de espermatozoides "gigantes", cujas caudas móveis podem ser mais longas que o próprio animal.

Os espermatozoides encontrados em Mianmar mediam até 4,6 vezes o corpo do macho.

"Seria o equivalente a cerca de 7,3 metros para um corpo humano de 1,7 m, isso requer muita energia para sua produção", disse a geobióloga Renate Matzke-Karasz, da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians, na Alemanha, à agência AFP.

"A complexidade do sistema reprodutivo encontrada nessas amostras levanta a pergunta se o investimento em espermatozoides gigantes é uma estratégia evolutiva consistente", explicou ela.

"Para provar que espermatozoides gigantes não são um capricho extravagante da evolução, mas sim uma estratégia viável que pode conferir uma vantagem (evolutiva) duradoura, fazendo com que espécies sobrevivam por um longo tempo, devemos definir quando esse modo de reprodução apareceu pela primeira vez."

Exemplares de espermatozoides fossilizados são extremamente raros — até então, o mais antigo era de uma espécie de verme de 50 milhões de anos. Para os ostracodes, o espermatozoide mais antigo tinha 17 milhões de anos.

A nova descoberta em Mianmar multiplica por ao menos duas vezes essa linha do tempo, o que indica que a estratégia reprodutiva pode ter sido realmente bem sucedida por milhões de anos.

"Esse é um registro bastante impressionante para uma característica que requer um investimento considerável de machos e fêmeas da espécie. Do ponto de vista evolutivo, a reprodução sexuada com espermatozoides gigantes deve, portanto, ser uma estratégia totalmente vantajosa", afirma Matzke-Karasz.

Reprodução: BBC
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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Estudo revela como o novo coronavírus pode infectar o cérebro


Segundo o que já se sabe sobre os mecanismos de ação do novo coronavírus
, ele infecta os humanos por meio de uma proteína presente na superfície das células, a ACE2, que pode ser encontrada em todo o organismo, principalmente nos pulmões, o que explica o fato de esses órgãos serem especialmente afetados pela COVID-19. Entretanto, o vírus também pode infectar outros tecidos, como vasos sanguíneos, rins e fígado, ainda que em menor medida – e as evidências de que as células nervosas também podem ser contaminadas e desencadear problemas neurológicos graves são cada vez mais robustas.

Vírus sorrateiro

De acordo com Apoorva Mandavilli, do The New York Times, desde o início da pandemia, entre 40% e 60% dos pacientes hospitalizados em virtude do contágio do Sars-CoV-19 apresentaram complicações neurológicas. Estas incluem cefaleias, delírios e confusão mental, assim como lesões nervosas sérias, e um estudo recente – apresentado por cientistas da Universidade de Yale, nos EUA – mapeou o possível processo através do qual o novo coronavírus desencadeia esses problemas.

A pesquisa envolveu diferentes frentes, como a análise de “mini cérebros” feitos em laboratório e do tecido cerebral obtido de um indivíduo que faleceu em decorrência da Covid-19, assim como o exame de diagnósticos por imagem de pacientes contaminados e até o estudo de 3 grupos de ratinhos – 1 com receptores para a proteína ACE2 apenas nos pulmões, outro com receptores somente nos neurônios e um terceiro grupo de controle.

Os resultados não só apontaram que o novo coronavírus pode, sim, invadir as células nervosas e contaminar o cérebro, como pode usar os neurônios para fazer cópias de si mesmo no hospedeiro. Além disso, conforme observaram os cientistas, o vírus, em vez de prejudicar as células invadidas, ele suprime o fornecimento de oxigênio aos neurônios próximos, fazendo com que eles enfraqueçam e morram.

O interessante é que, normalmente, quando o cérebro é infectado por um vírus – como seria o caso do Zika, por exemplo –, o sistema imunológico é acionado e parte para o ataque. Mas, em pacientes diagnosticados com a Covid-19 que desenvolveram complicações neurológicas, parece que não ocorre qualquer resposta imune.

Risco

No caso dos ratinhos, ao serem infectados com o novo coronavírus, os pesquisadores observaram uma rápida e importante redução no número de sinapses – nome dado às conexões entre os neurônios – nos bichinhos do grupo com a proteína ACE2 nas células cerebrais. Os bichinhos apresentaram ainda uma dramática perda de peso e muitos evoluíram para óbito em apenas 6 dias – o que não foi observado nos animais do grupo com a ACE2 nos pulmões, sugerindo que, quando o cérebro é infectado, a doença pode ser bastante mais grave.

Com relação aos humanos, a suspeita é de que os vírus cheguem aos neurônios através da corrente sanguínea, por meio dos olhos ou do bulbo olfativo. Mas os pesquisadores precisam investigar mais amostras humanas para determinar como exatamente o Sars-CoV-19 chega ao cérebro, com qual frequência a infecção realmente provoca danos neurológicos e o que torna determinados pacientes mais susceptíveis do que outros. Ademais, não ficou claro ainda se os quadros decorrentes dessa situação são ou não reversíveis, nem que tipo de sequelas eles deixam.

Vale destacar que, segundo Mandavilli, apesar de as evidências estarem ganhando cada vez mais peso, pode que em muitos pacientes os danos neurológicos não sejam resultantes necessariamente da infecção de células cerebrais, mas dos diferentes processos inflamatórios desencadeados no organismo pelo Sars-CoV-19, e que também podem ocasionar complicações no sistema nervoso central.

Reprodução: Tecmundo
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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Médicos se preparam para o primeiro transplante de olhos biônicos


Um dispositivo biônico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Monash, em Melbourne, na Austrália, poderá ser capaz de devolver a visão a pessoas cegas por meio de um implante cerebral. Em fase de testes, a tecnologia está em preparação para ser implantada pela primeira vez em humanos e poderá também auxiliar em casos de paralisia.

O dispositivo, chamado de Gennaris bionic vision system ("Sistema Gennaris de Visão Biônica", em tradução livre), está em desenvolvimento há 10 anos e funciona através de um aparelho similar a um headset, que se comunica com microelétrodos implantados no cérebro. Ao ignorar os nervos ópticos danificados, o sistema permitirá que sinais de informação sejam transmitidos da retina diretamente para os receptores cerebrais.

O aparato externo do sistema Gennaris, composto de tecnologias similares a de um celular, inclui uma câmera e um transmissor wireless. Uma unidade de processador no corpo do dispositivo lida com o processamento de dados, enquanto o sistema interno de microelétrodos os transmite para o cérebro.

De acordo com um dos desenvolvedores do projeto, o professor Arthur Lowery, a tecnologia poderá criar padrões visuais com até 172 pontos de luz, que auxiliarão os usuários a se localizarem melhor em diversos ambientes.

Outras aplicações

Com o possível sucesso do implante cerebral para a visão biônica, os pesquisadores esperam adaptar a tecnologia para ajudar no tratamento de problemas neurológicos severos, como a paralisia em determinados membros e até mesmo a perda completa ou parcial de movimentos.

Embora os testes humanos ainda estejam sem data prevista, estudos feitos em ovelhas no último mês de julho mostraram resultados promissores. O Sistema Gennaris foi implantado no cérebro das cobaias por meio de um sensor pneumático e não apresentou problemas ou adversidades à saúde mesmo após 2,7 mil horas de estímulo.

Reprodução: Tecmundo
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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O que é um pirocumulonimbus, a perigosa nuvem 'artificial' de tempestade criada por queimadas


Como acontece todos os anos, partes da Califórnia se transformaram recentemente em um inferno em chamas: centenas de pessoas precisaram ser deslocadas, o ar foi tomado por partículas de poluição, propriedades foram destruídas, florestas e cidades inteiras viraram cinzas.

Em 2020, no entanto, os incêndios e a fumaça não apenas escureceram o céu de grande parte do Estado, mas também geraram fenômenos meteorológicos incomuns: de tornados de fogo a nuvens de tempestade em decorrência da fumaça.

Uma delas foi gravada na semana passada e, segundo a Nasa, pode ser a maior da história dos Estados Unidos.

Trata-se de uma gigantesca pirocumulonimbus, uma nuvem "artificial" gerada pela fumaça que se espalhou por 15 quilômetros sobre o condado de Fresno e podia ser vista do espaço, por meio satélites da agência espacial norte-americana, mas que também foi observada por passageiros de aviões que cruzavam a área.

De acordo com a agência espacial americana, ela chegou a bloquear a visibilidade de seus satélites sobre partes da Califórnia no dia 6 de setembro, tornando impossível o acompanhamento da evolução dos incêndios desde o espaço.

O que são pirocumulonimbus?

Ainda segundo a Nasa, esse tipo de nuvem, também chamada de cumulonimbus flammagenitus, é produzido "artificialmente" como resultado de uma fonte natural de calor, como um incêndio florestal ou um vulcão.

“O ar quente que sai do fogo pode levar vapor d'água para a atmosfera e gerar nuvens. (...) Nesse caso, foi criado um cumulonimbo ou nuvem de tempestade”, aponta o texto.

A agência acrescenta que este tipo de formação costuma ser a mais perigosa, pois, ao gerar uma nuvem de tempestade, os raios e os ventos que ela provoca podem fazer com que o fogo se espalhe ou ainda gerar novos focos de incêndios.

Medições já feitas e outras que ainda estão em análise sugerem que esta pode ser a maior pirocumulonimbus já registrado no país.

"Os valores do índice de aerossol criado pela nuvem indicam que este é um dos maiores eventos, senão o maior, visto nos Estados Unidos", disse Colin Seftor, cientista atmosférico do Goddard Space Flight Center, no texto da Nasa

Qual é a situação dos incêndios nos EUA?

De acordo com o National Interagency Fire Center, atualmente há mais de 100 incêndios em pelo menos 12 Estados dos EUA.

A Califórnia, o estado de Washington e Oregon, todos na costa oeste dos Estados Unidos, foram os mais afetados, registrando pelo menos 12 mortes, milhares de desabrigados e cidades inteiras destruídas.

O governador do Oregon disse que os incêndios podem causar "a maior perda de vidas e propriedades" da história do Estado.

Enquanto isso, em Washington, autoridades indicaram que o incêndio é um dos piores já registrados em 50 anos.

A Califórnia, que vive uma estiagem prolongada junto a uma onda de calor, é o Estado que mais registra incêndios: mais de 25, incluindo três dos cinco maiores de sua história.

Segundo dados oficiais, mais de 3,1 milhões de hectares foram queimados nos últimos dias, um recorde.

"Essa área é do tamanho de mais de dez vezes a cidade de Nova York. É uma loucura. Ainda não entramos na temporada de incêndios de outubro e novembro e já quebramos o recorde de todos os tempos", disse o bombeiro-chefe Richard Cordova à emissora CNN.

O que há por trás desses incêndios?

O grande número de incêndios na região oeste foi causado por uma série de razões, desde linhas de transmissão derrubadas até uma festa na qual fogos de artifício foram lançados.


No entanto, especialistas notam que, nos últimos anos, a área passou por eventos climáticos extremos.

De acordo com um estudo da Universidade da Califórnia em San Diego, esta é em grande parte uma tendência causada por efeitos maiores associados às mudanças climáticas.

Embora as mudanças climáticas em si não sejam a causa direta, elas ajudam a estabelecer as condições para incêndios florestais em larga escala, dizem os cientistas.

O oeste dos EUA experimentou recentemente sérias ondas de calor, incluindo um dia que levou ao que poderia ser a temperatura mais alta já registrada de forma confiável no planeta, 54,4°C, também na Califórnia.

Na semana passada, outra onda de calor no sul daquele estado também levou a temperaturas recordes e apagões.

Essas condições quentes e secas tornaram a região mais sujeita a incêndios florestais.

Temperaturas recorde e até neve em outros Estados, como no Colorado, também geraram ventos fortes de oeste.

As correntes de ar seco conhecidas como ventos de Santa Ana ou do Diablo (dependendo se afetam o norte ou o sul da Califórnia) também tendem a contribuir para a propagação dos incêndios durante os meses de outono. E neste ano elas começaram mais cedo.

De acordo com o jornal Los Angeles Times, além das mudanças climáticas, outros fatores, como mais pessoas vivendo em áreas sujeitas a incêndios florestais e crescimento excessivo de ervas daninhas em algumas áreas, também contribuíram com a tragédia.
Reprodução: BBC
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