segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Ressurgimento do ebola na Guiné preocupa OMS


Quando a Guiné determinou o fim, em seu território, da epidemia de ebola que grassou pela África Ocidental entre 2014 e 2016 (a maior desde que o vírus foi descoberto em 1976), a doença havia deixado 11,3 mil mortos entre 28 mil casos, depois de cruzar as fronteiras e invadir a Libéria e Serra Leoa. Por isso, a notícia de que sete casos da doença haviam sido confirmados na comunidade rural de Gouéké, no sul do país, acendeu o alerta na comunidade médica mundial.

“É uma grande preocupação ver o ressurgimento do ebola na Guiné, país que já sofreu muito com a doença. No entanto, com base na perícia e experiência acumuladas durante o surto anterior, as equipes de saúde do país estão se movendo para rastrear rapidamente o caminho do vírus e reduzir outras infecções”, disse a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, a médica Matshidiso Moeti, ao anunciar a irrupção da doença.

Segundo as autoridades sanitárias do país, uma investigação inicial aponta como a origem do surto uma enfermeira da unidade de saúde local, que morreu no dia 28 de janeiro. Seis pessoas que compareceram ao enterro testaram positivo para a doença: duas morreram, enquanto as outras quatro continuam hospitalizadas.

Cinco variantes

Amostras dos casos confirmados foram enviadas a um laboratório do Instituto Pasteur, no Senegal, para que seja identificada, via sequenciamento do genoma, a cepa do ebola responsável pelo surto (existem cinco variantes: Bundibugyo, Costa do Marfim, Sudão, Reston – que infecta humanos mas não gera sintomas – e Zaire, nomes dados a partir dos locais de origem).

Segundo o representante da OMS na Guiné, Alfred George Ki-Zerbo, “vamos disponibilizar rapidamente recursos cruciais para ajudar a Guiné, que já tem uma experiência considerável no tratamento da doença. A resposta agora será mais forte e vamos aproveitar isso para conter a situação o mais rapidamente possível”.


O arsenal à disposição inclui uma vacina que conta com um estoque global de emergência de 500 mil doses, em poder da Global Alliance for Vaccines and Immunisation (Aliança Global para Vacinas e Imunização, ou GAVI Alliance).

Mas elas serão poucas se a doença se espalhar: Guiné, Libéria e Serra Leoa têm uma população conjunta de 22,5 milhões de habitantes, e o surto de ebola ocorre quando os laboratórios estão ocupados produzindo vacinas contra a pandemia de covid-19.
Três meses

A grande preocupação agora é impedir que a doença cruze as fronteiras. Desde o surto de 2014-2016, os países vizinhos desenvolveram mecanismos de pronta resposta para o caso de a doença ressurgir na região.

Enquanto na Libéria o presidente George Weah elevou o alerta sanitário no país, em Serra Leoa a OMS está ajudando a reforçar a vigilância comunitária de casos nas comunidades da fronteira, além de aumentar a testagem não apenas no país, como também na Costa do Marfim, em Mali, no Senegal e em outros países em risco na região.

A Guiné não é o único país que está lutando contra a doença: a República Democrática do Congo registrou três novos casos de ebola depois de declarar, em novembro, o fim da epidemia que infectou 130 pessoas, matando 55. Cerca de 40 mil pessoas foram vacinadas, o que conteve a doença no país.

Reprodução: Tecmundo
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sábado, 20 de fevereiro de 2021

Criaturas misteriosas são descobertas em camada da Antártica



Uma equipe de cientistas polares descobriu criaturas misteriosas nas profundezas da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártica. A observação ocorreu ao acaso, enquanto se perfurava o local, situado no sudoeste do mar de Weddell, para coletar amostras de sedimentos. Com o uso de uma câmera GoPro, foram identificados 22 organismos em uma rocha, a 800 metros de profundidade no oceano.


A pesquisa Breaking All the Rules: The First Recorded Hard Substrate Sessile Benthic Community Far Beneath an Antarctic Ice Shelf foi comandada pela British Antarctic Survey (BAS) e publicada na revista Frontiers in Marine Science. Ela é a primeira a documentar os animais, descritos como esponjas e, possivelmente, outros invertebrados ainda desconhecidos.

A notícia surpreendeu especialistas no assunto por até então ser inédita a vida em camadas profundas. Isso porque a falta de nutrientes, em uma região sob completa escuridão e com temperaturas de -2,2 °C, dificulta as condições de manutenção de outras espécies.

“Esperávamos recuperar um núcleo de sedimento debaixo da plataforma de gelo, por isso foi uma surpresa quando batemos na rocha e vimos no vídeo que havia animais vivendo nela”, revelou James Smith, geólogo do departamento de ciência polar do Reino Unido.

“Essa descoberta é um daqueles acidentes animadores que empurram as ideias [de possibilidade de estudos] em uma direção diferente e nos mostram que a vida marinha na Antártica é incrivelmente especial”, disse em comunicado do BAS Huw Griffiths, biólogo marinho e líder da pesquisa .

“[A observação dos organismos no local] levanta muito mais perguntas do que respostas. Por exemplo, como eles teriam chegado lá? Do que se alimentam? Há quanto tempo estão escondidos? Assim, teremos que encontrar maneiras inovadoras para dar continuidade ao estudo e responder a todas as novas perguntas que tivermos”, apontou o cientista.


Nesse contexto, há a sugestão de que talvez as criaturas possam ser muito antigas e detentoras de um sistema de sobrevivência avançado. Até o momento, os responsáveis pelo trabalho analisaram cerca de 200 metros quadrados na região, de um habitat composto de uma extensão superior a 1,5 milhão de quilômetros quadrados.

Como não se sabe muito sobre as origens e as composições dos organismos, Griffiths questiona o que aconteceria com as comunidades caso a plataforma de gelo entrasse em colapso. Elas também podem estar ameaçadas devido às mudanças climáticas, que acabariam com seus abrigos.

“Embora seja baseada em observações limitadas, é uma descoberta surpreendente e uma peça importante para o quebra-cabeça das esponjas antárticas”, disse César Cárdenas Alarcón, biólogo do Instituto Antártico Chileno em entrevista ao Gizmodo.

“O trabalho destaca a importância de se desenvolver pesquisas interdisciplinares para melhorar nossa compreensão dessas comunidades raras e para entender os cenários potenciais, já que se espera que o colapso das plataformas de gelo aumente à medida que o aquecimento continua afetando a Antártica”, ele completou.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Conselho de Biologia alerta sobre doenças mais incidentes no verão

Estação de calor e chuvas cria condições para proliferação da dengue, zika, chikungunya, febre amarela, leishmaniose, leptospirose e doenças gastrointestinais



Biólogos especialistas do Conselho Regional de Biologia da 1ª Região (CRBio-01) chamam a atenção da população para os cuidados relativos a enfermidades mais incidentes no verão, como a dengue, zika, chikungunya, febre amarela, leishmaniose, leptospirose e doenças gastrointestinais.

Mesmo com a justificada preocupação com a pandemia do novo coronavírus, é importante não esquecer e tomar medidas para prevenir essas doenças. A elevação da temperatura e umidade cria condições para a multiplicação das populações de insetos, como os mosquitos Aedes aegypti (responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, e também da febre amarela); Phlebotominae (leishmaniose); e Haemagogus (febre amarela).

A proliferação de insetos como moscas, baratas e formigas contribui para a contaminação de alimentos por micro-organismos patogênicos, que provocam doenças gastrointestinais.

Com relação à leptospirose, as enchentes causadas pelas chuvas de verão propiciam as condições para a contaminação de pessoas expostas à urina de roedores (ratos urbanos).

O Biólogo Sérgio Bocalini, conselheiro do CRBio-01 e vice-presidente executivo da Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas (Aprag), explica que os insetos, ao contrário dos mamíferos, não têm regulação própria da temperatura corporal, e, assim, dependem das condições do ambiente. Nas regiões Sudeste e Sul, a chegada do verão oferece o binômio necessário para a aceleração do metabolismo dos insetos: a combinação de temperatura e umidade elevadas.

Segundo o Biólogo, uma mosca põe de 720 a 750 ovos na sua fase adulta. No inverno, com a temperatura entre 18 e 22 graus, ela demora de 40 a 60 dias para completar o seu ciclo de vida. No verão, com temperaturas a partir de 26 ou 27 graus, ela demora apenas de 7 a 10 dias para completar o seu ciclo de vida e ovipositar a mesma quantidade de ovos.

A umidade também cumpre um papel fundamental na aceleração do metabolismo dos insetos, o que explica a pouca presença de moscas e mosquitos em regiões de deserto, mesmo com o calor intenso.

Dengue, chikungunya e zika

Entre as doenças que sazonalmente aumentam no verão, a dengue é a de maior incidência. Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2020, até o dia 12 de dezembro, foram notificados 979.764 casos prováveis de dengue no Brasil. Nesse período, também foram notificados 80.914 casos prováveis de chikungunya. As notificações de casos prováveis de zika chegaram a 7.119 até 5 de dezembro.

Ainda não há dados sobre a incidência da dengue neste verão. Mas Sérgio Bocalini alerta que, com as atenções voltadas para a pandemia do novo coronavírus, houve uma redução, no ano passado, nas fiscalizações de algumas prefeituras para a eliminação de criadouros de Aedes aegypti e na divulgação de campanhas educacionais.

“O poder público é fundamental, mas a população precisa fazer a sua parte. A regra básica é aquela já bem difundida: eliminar os criadouros de Aedes. O criadouro é qualquer coisa que permita acúmulo de água”, ressalta Sérgio Bocalini. “Seria ótimo se os moradores dedicassem cinco minutos do dia para vistoriar seus quintais. Mas essa fiscalização tem que acontecer durante o ano inteiro”, defende o Biólogo.

O acúmulo de água pode acontecer em pneus, vasos de plantas, garrafas, tampas de garrafa, papeis de bala, folhas de árvores, enfim, qualquer recipiente capaz de reter líquidos.

Febre amarela

O Aedes aegypti também pode ser responsável pela transmissão da febre amarela, sobretudo em áreas urbanas. Já em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus.

Sérgio Bocalini esclarece que, em 2021, até o momento, não há registro de casos de febre amarela no Estado de São Paulo. A doença é tradicionalmente restrita à região amazônica, mas incidiu de forma atípica no Sudeste do país entre 2016 e 2018, o que motivou a realização de campanhas de vacinação em cidades.

Uma forma de se antecipar a um surto de febre amarela é monitorar as populações de macacos-bugios em florestas da região. Os bugios têm baixa resistência à doença e muitas vezes morrem ao contraí-la. As mortes servem como alerta para a adoção de medidas, como a vacinação. Neste ano, até o momento, as autoridades não detectaram mortes de bugios por febre amarela.

Leishmaniose

A leishmaniose, endêmica em populações de baixa renda, é considerada uma “doença negligenciada”, por não receber investimentos adequados em pesquisa, produção de medicamentos e controle epidemiológico. Ela é transmitida ao homem pelo mosquito Phlebotominae, chamado popularmente como mosquito-palha ou birigui, entre outros nomes regionais.

O cão doméstico é considerado o reservatório mais importante para a leishmaniose visceral, a forma mais grave da doença, que afeta órgãos internos, sobretudo fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea, e pode levar à morte, quando não tratada. A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitido comumente do cão infectado para a pessoa, por meio do mosquito.

O Brasil está entre os cinco países que apresentam maior ocorrência da leishmaniose visceral. A Caatinga e o Cerrado são tradicionalmente as regiões de maior incidência da doença no nosso país, mas Sérgio Bocalini adverte que a leishmaniose “vem se aproximando das áreas urbanas”.

Não há vacina contra as leishmanioses humanas. Uma medida de prevenção é manter os quintais limpos, principalmente de fezes de animais e outros materiais orgânicos que possam atrair o mosquito Phlebotominae. Outras medidas são evitar que os mosquitos entrem em casa, valendo-se de tela, rodos de borracha nas portas etc. e colocando coleiras repelentes de insetos nos cães domésticos.

Leptospirose

Além de prejuízos humanos e materiais, as enchentes provocadas por tempestades de verão criam condições para a propagação da leptospirose. A doença é causada pela urina de animais infectados, principalmente roedores. O xixi dos ratos urbanos contamina as águas represadas com a bactéria Leptospira, que invade o corpo humano através de pequenas feridas na pele, das mucosas ou mesmo de poros dilatados após longos períodos de imersão.

Ao contrário dos mosquitos e outros insetos, não há aumento da população de ratos no verão. A elevação da incidência de leptospirose na estação é resultado dos alagamentos causados pelas chuvas, que facilita a contaminação das pessoas pela Leptospira.

“Tem muito roedor nas galerias de esgoto e boa parte está contaminada com a bactéria Leptospira. A recomendação é evitar o contato com a água e lama de enchentes. Uma pessoa que teve esse contato e está com febre deve procurar imediatamente o serviço médico. A leptospirose pode causa a morte”, adverte Sérgio Bocalini.

Doenças gastrointestinais

As doenças gastrointestinais, que não são de comunicação obrigatória, também tendem a aumentar no verão. Uma das causas para a elevação da incidência é o já citado fenômeno da multiplicação das populações de insetos. Nesse caso, os vetores principais são as moscas, baratas e formigas. Esses animais promovem a transmissão mecânica de micro-organismos patogênicos para alimentos (tanto frescos como preparados) e utensílios, como talheres e pratos.

As mocas e baratas são as mais visadas, mas as formigas, que em geral gozam de boa reputação, podem ser bastante danosas pela capacidade de locomoção e de trabalho em grupo.

“A recomendação para a população é redobrar os cuidados diários de limpeza e organização dos ambientes, sobretudo nas cozinhas e dispensas. É importante fechar as frestas nas paredes e pisos. Um azulejo quebrado ou não rejuntado na cozinha pode servir de abrigo para insetos”, ressalta o Biólogo Sérgio Bocalini.

Reprodução: Paranashop
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Sistema aponta mamíferos que podem originar novos coronavírus

Cientistas usaram método de machine learning para identificar espécies com potencial de serem hospedeiras de novas recombinações do vírus


As alpacas podem ser suscetíveis a hospedar o novo coronavírus (Foto: Paul Summers / Unsplash)


Um estudo realizado por especialistas da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e publicado na última terça-feira (16) na revista Nature Communications, identifica mamíferos que são fontes potenciais para gerar novos coronavírus, incluindo espécies relacionadas a surtos anteriores, como morcego-ferradura, civetas de palmeira e pangolins.

Prever quais animais são candidatos a originar epidemias de coronavírus pode orientar abordagens para evitar a propagação entre bichos e humanos. "Novos coronavírus podem surgir quando duas cepas diferentes coinfectam um animal, fazendo com que o material genético viral se recombine", explica, em nota, a pesquisadora colíder Maya Wardeh, do Instituto de Infecção, Ciências Veterinárias e Ecológicas da universidade. "Nossa compreensão de como diferentes mamíferos são suscetíveis a diferentes coronavírus foi limitada, mas tais informações podem oferecer insights sobre onde a recombinação viral pode ocorrer."

Os especialistas usaram um sistema de machine learning para prever relações entre 411 cepas de coronavírus e 876 espécies hospedeiras de mamíferos em potencial. O método prediz os animais com maior probabilidade de serem coinfectados e, portanto, virarem hospedeiros de recombinações de coronavírus.

Os resultados sugerem que há pelo menos 11 vezes mais associações entre espécies de mamíferos e cepas de coronavírus do que estudos observaram até agora. Além disso, estima-se que o número de espécies suscetíveis a essas infecções seja 40 vezes maior do que se pensava.

"Dado que os coronavírus frequentemente sofrem recombinação quando coinfectam um hospedeiro, e que a Covid-19 é altamente infecciosa para humanos, a ameaça mais imediata à saúde pública é a recombinação de outros coronavírus com o Sars-CoV-2", avalia Marcus Blagrove, colíder do estudo.

Os pesquisadores observam que seus resultados baseiam-se em dados limitados sobre genomas de coronavírus e associações vírus-hospedeiro, e que há vieses de estudo para certas espécies animais. No entanto, testes recentes de hospedeiros mamíferos já confirmaram várias das previsões da pesquisa de Liverpool, como o cão-guaxinim, a cabra doméstica e a alpaca. Novos hospedeiros previstos incluem o macaco verde africano e o morcego amarelo asiático.

"É importante notar que recombinação viram é distinta de mutação. Recombinação ocorre ao longo de períodos maiores e pode gerar cepas ou espécies completamente novas", pontua Blagrove. "Nosso trabalho pode ajudar a direcionar programas de vigilância para descobrir cepas futuras antes que se espalhem para os humanos, dando-nos uma vantagem no combate a elas."


Reprodução: Revista Galileu
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Vacina da UFPR contra covid-19 pode ser fabricada 100% no Brasil


Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão desenvolvendo uma
vacina contra o coronavírus com 100% de insumos nacionais. Os testes com o imunizante estão na fase pré-clínica, ou seja, animais estão recebendo as doses. Essa é a etapa anterior à testagem em humanos.

A técnica utilizada pelo grupo de trabalho paranaense é diferente das principais vacinas já aprovadas no mundo. A vacina da AstraZeneca, produzida em parceria com a universidade de Oxford e a russa Sputnik V utilizam um vírus modificado geneticamente para induzir o corpo a combater o Sars-Cov-2, por exemplo.

Já o imunizante da UFPR utiliza um componente chamado polihidroxibutirato (PHB), que é um polímero produzido por bactérias. A ideia dos pesquisadores é cobrir o PHB com a proteína chamada “Spike”, responsável pela interligação entre o coronavírus e as células dos humanos.

Benefícios

Marcelo Müller dos Santos, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR e um dos responsáveis pelo estudo, explicou em entrevista à Gazeta do Povo que a produção do polímero é bem simples.

“Temos indústria aqui no Brasil que produz a molécula. Além disso, não se trata de um material com alta demanda, ou seja, não há risco de escassez no mercado”, pontuou o pesquisador ao jornal.

aso o trabalho avance para a fase clínica e a eficácia seja comprovada, entre os benefícios o imunizante será muito mais barato do que as outras vacinas e não precisará de insumos importados.

Atualmente, os testes estão sendo realizados em camundongos. Em experimentos realizados no final do ano passado, os roedores que foram imunizados com o composto produziram um volume de anticorpos maior do que os gerados pela vacina Oxford/AstraZeneca.

Próximos passos

De acordo com os acadêmicos, a pesquisa está na etapa chamada de “neutralização”. Nessa fase é verificado se os anticorpos realmente impedem a entrada do vírus no organismo. Porém, para avançar no trabalho, a UFPR tem buscado parcerias com outras instituições, já que a classificação de biossegurança da universidade paranaense não permite a manipulação do coronavírus.

Nesse sentido, laboratórios de São Paulo e do Rio de Janeiro estão sendo consultados. Se esses locais não tiverem agenda para a parceria, os pesquisadores devem utilizar um “pseudovírus” para continuar os estudos, que ainda não tem previsão de término.

Reprodução: Tecmundo
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Cientistas captam imagens de primeiras formações celulares em embriões

Estudo microscópico possibilitou observar movimentos que ajudam a compreender a formação do eixo corporal em animais. 




Imagine três tábuas grandes, cada uma delas capaz de dividir seu corpo em duas partes: a primeira estaria entre seu tronco e suas pernas, a segunda separaria sua barriga de suas costas e a terceira afastaria simetricamente seu lado direito do esquerdo. As tábuas são, na verdade, os planos anatômicos do corpo humano, usados hipoteticamente para nos ajudar a entender como funcionam a movimentação e a estrutura corporal.

Esses planos baseiam-se em eixos anatômicos, que são uma característica presente em todos os animais. Pesquisadores do Laboratório de Biologia Marinha (MBL, na sigla em inglês) da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, conseguiram captar imagens do início da organização celular que forma esse eixo corporal. Até agora, os cientistas apenas supunham como se dava essa formação, mas não enxergavam os processos por trás dela.

Em estudo publicado no fim de janeiro na revista científica Molecular Biology of the Cell, os pesquisadores Tomomi Tani e Hirokazu Ishii mostraram que tanto a célula materna quanto a paterna influenciam na orientação corporal do filho. Na espécie estudada, a ascídia (animal marinho acéfalo), os resultados indicaram que, durante o desenvolvimento do embrião, o traço materno define o eixo barriga-costas e o traço paterno, o eixo cabeça-cauda.

Visualizar essa evolução pode fornecer pistas quanto a falhas na orientação corporal. A teoria mais aceita pelos cientistas sobre a origem do eixo corporal em animais está relacionada aos filamentos de actina, fibras proteicas responsáveis pelo suporte esquelético e pelos movimentos das células. Os microfilamentos — como também são chamados — de dentro do óvulo propulsionam o rearranjo do material citoplasmático após a fecundação.

Captar imagens desse processo é um desafio grande, porque ele se inicia muito rapidamente e ocorre em distâncias minúsculas dentro das células vivas. O método escolhido pelos cientistas do MBL foi utilizar um microscópio de polarização de fluorescência, que permitiu a observação de eventos medidos em nanômetros, com uma espessura milhares de vezes menor do que a de um fio de cabelo.


À esquerda: óvulo de ascídia antes e depois da fecundação. À direita: mudanças de alinhamento da molécula acoplada à actina desde antes da fecundação até a primeira divisão celular do zigoto. A orientação dos microfilamentos é indicada pelas barras amarelas.

Tani e Ishii pegaram moléculas que brilham quando iluminadas com a luz certa e as anexaram à actina em óvulos de ascídias. Quando o sistema recebeu a luz polarizada, isto é, oscilando em apenas uma direção (para cima e para baixo ou para esquerda e para direita, por exemplo), as moléculas se acoplaram aos filamentos de actina de modo tão forte que foi possível que o microscópio detectasse a orientação deles, conforme mostra o vídeo. Isso permitiu que os pesquisadores observassem a actina independentemente de ela estar ordenada ou desordenada na célula.

Outra constatação é que, antes da fecundação, os microfilamentos estavam ordenados de forma aleatória nos óvulos. Após a fecundação, eles se juntaram em um arranjo mais organizado, movendo o citoplasma e identificando o início do processo de formação do plano corporal. Em caso de problemas na formação, a falha também seria mostrada pelo microscópio.

Reprodução: Revista Galileu

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Mutações no coronavírus podem torná-lo mais mortal


Uma das características dos vírus é sua extraordinária capacidade de reprodução e, no processo, cópias com mudanças tendem a aparecer. Por isso, não foi surpresa quando aquele que causa a covid-19 (chamado SARS-CoV-2) começou a gerar variantes à medida que se espalhava pelo mundo.

Hoje, existem cerca de 30 mil conhecidas, e elas são acompanhadas de perto desde que coronavírus surgiu na cidade de Wuhan, na China. Dentre todas as cepas, três têm o potencial de mudar os rumos da pandemia e, por isso, são chamadas de variants of concern (variantes de preocupação, ou VOC). Quanto mais o vírus se replica e se espalha, maiores as chances de variantes surgirem.

A velocidade com que o vírus se replica não prima pelo cuidado em reproduzir seu código genético sem erros, o que acaba gerando mutações. Muitas são perdidas pela morte do vírus; outras são inócuas, mas uma parte é viável e torna o vírus mais resistente, a doença mais contagiosa, seu efeito mais mortal.



As variações se espalham e se acumulam, dada a velocidade com que o vírus entra nas células, reproduz-se freneticamente e toma o organismo, pulando de um indivíduo para outro. Esse é o grande desafio na produção de uma vacina.
Variante B.1.1.7

A primeira variante que suscitou preocupação entre os pesquisadores surgiu no Reino Unido. Um pouco antes do Natal de 2020, amostras colhidas de dois pacientes mostraram que o coronavírus havia mudado, e muito. Foram registradas 23 mutações: 13 alteraram as sequências de proteínas do vírus e oito, na proteína das espículas – as pontas da coroa do vírus e responsáveis por fazer com que ele se prenda ao receptor ACE2 na membrana e assim, consiga infectar a célula.

A proporção da variante entre os casos de covid-19 começou a subir rapidamente nas semanas seguintes, o que levou os pesquisadores a perceber que o vírus havia incorporado uma mutação que o fazia ser capaz de se espalhar mais facilmente de pessoa para pessoa. Uma das mutações dessa variante, a N501Y, altera o aminoácido na posição 501 da sequência da proteína da espícula.

Essa troca aconteceu exatamente na região onde o vírus se liga ao receptor ACE2; em camundongos, a mudança mostrou que o vírus se tornou mais eficiente em se ligar à célula, tornando a doença mais infecciosa e virulenta. Outra mutação, chamada de P681H, aumentou a capacidade do vírus de se fundir à membrana e despejar seu conteúdo dentro da célula.

Essas e outras mutações elevaram a capacidade de transmissão do vírus em até 56%, contaminando a população de mais de 60 países – segundo o americano Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), deverá ser a cepa predominante do país até março. No Brasil, os primeiros dois casos foram detectados em São Paulo.

Mais mortes

Mesmo que em números relativos não haja evidências de que a B.1.1.7 aumente a gravidade da doença ou provoque mais mortes, a velocidade maior de contágio (e a superlotação das unidades de saúde) elevou o número total de casos mais graves e mortes, em números absolutos.

No último dia 21 de janeiro, o New and Emerging Respiratory Virus Threats Advisory Group (Grupo Consultivo de Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes, ou NERVTAG) disse que "há uma possibilidade realista de que a infecção com VOC B.1.1.7 esteja associada a um risco aumentado de morte”.

A preocupação então se voltou para as vacinas que estão sendo usadas para combater a pandemia e sua eficácia contra a nova variante. Pfizer/BioNTech e Moderna, os laboratórios que produzem as chamadas vacinas gênicas (baseadas em RNA mensageiro), já declararam que os imunizantes continuam eficazes frente à nova cepa.

Variante 501Y.V2

Um pouco antes de o mundo tomar conhecimento da B.1.1.7 varrendo o Reino Unido, autoridades sanitárias da África do Sul anunciaram que uma variante estava prevalecendo entre os casos da doença relatados nas províncias de Eastern Cape, Western Cape e KwaZulu-Natal: a 501Y.V2, assim nomeada por ter uma das mutações encontradas na B.1.1.7 – aquela que aumenta a eficiência do vírus para se ligar à membrana da célula, 
aumentando a virulência da covid-19.

Foram detectadas nessa variante 21 mutações, incluindo a citada acima. Outras duas, porém, têm deixado especialistas preocupados quanto à resposta imunológica. As mutações (ambas nas proteínas das espículas) são conhecidas como K417N e E484K. Se a primeira torna a ação dos anticorpos menos eficaz, a segunda reduz a resposta imunológica em até dez vezes. As vacinas baseadas em RNAm, porém, ainda protegem quem recebe o imunizante, mesmo que haja queda na eficiência.

Variante P.1

Quanto mais vírus de espalham, mais chances existem de que ele sofra mutações e crie variantes – o tempo e o número de hospedeiros contam a seu favor. A terceira variante surgiu em Manaus (AM), depois de a cidade ter sido devastada pela covid-19 até meados de 2020 – em outubro, 75% da população já havia sido infectada. Dois meses depois, os casos voltaram a subir mas, dessa vez, com mais velocidade: o SARS-Cov-2 havia evoluído para a 
variante P.1.


Ela reúne, em suas espículas, dez mutações, incluindo as citadas N501Y, E484K e K417T, o que pode indicar que a doença é transmitida mais facilmente, mais virulenta e provoca menos resposta imunológica – se ela é mais mortal, ainda não se sabe, mas as consequências de sua evolução são também medidas pelo colapso da rede hospitalar do Estado.

Há um mês, a variante respondia por 42% das amostras de SARS-CoV-2 sequenciados em Manaus; agora, ela está em 91,4% das amostras colhidas este mês no estado, segundo o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.

A P.1 já está em sete países, e o temor das autoridades sanitárias agora é que ela se espalhe pelo Brasil através do envio de pacientes para outros estados, por conta da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. Ainda não há dados sobre a eficácia das vacinas hoje distribuídas no Brasil no combate a essa variante do SARS-CoV-2.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

'Superanticorpos' são a nova aposta para combater a covid-19


Os “superanticorpos” desenvolvidos por um pequeno grupo de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, que possuem uma grande capacidade de neutralizar o Sars-CoV-2, podem ser a nova arma da ciência para frear de vez o avanço da pandemia, juntamente com a vacinação em massa iniciada recentemente, em diversos países.

Uma das pessoas que possuem esses anticorpos raros é o gerente de comunicações da George Mason University John Hollis. Em entrevista à NBC na última quinta-feira (14), ele contou ter se infectado durante uma viagem à Europa com o filho, em março de 2020, antes do fechamento temporário dos aeroportos americanos.

Logo após retornar do continente europeu, Hollis apresentou uma leve congestão nasal, na época associada à sinusite, cujos sintomas desapareceram em pouco tempo. Mas ele acabou transmitindo (sem querer) a covid-19 para o colega de quarto, que teve uma reação completamente diferente, ficando mais de um mês isolado e em estado grave.

Sem saber que ficou doente e já estava imune, ele resolveu se oferecer para participar de um estudo conduzido pela universidade onde trabalha, localizada em Fairfax, no estado da Virgínia, e aí veio a grande surpresa. Os responsáveis pela pesquisa descobriram que ele apresentava superanticorpos contra o novo coronavírus.
Encontrados em apenas 5% dos infectados

John Hollis mantém todos os cuidados de prevenção contra a covid-19, mesmo tendo uma "super proteção" contra o coronavírus.

Algumas semanas depois de ceder o material para os cientistas, John recebeu uma ligação do patologista e bioengenheiro Lance Liotta. O líder do estudo contou que ele não só já tinha contraído a doença como também trazia em seu sangue anticorpos raros, desenvolvidos em apenas 5% dos infectados pelo Sars-CoV-2.

Outra descoberta feita por Liotta e sua equipe é que os superanticorpos de Hollis ainda estavam em níveis elevados no material analisado, mesmo tendo se passado alguns meses da contaminação. Eles foram capazes de eliminar seis cepas diferentes do novo coronavírus nos testes em laboratório.

A pesquisa revelou que os poderosos anticorpos do gerente de comunicações mantiveram pelo menos 90% de sua força nove meses após ele ter pegado covid-19. O resultado indica uma forte imunidade presente no voluntário, protegendo-o contra a reinfecção em todo esse período.

Curiosamente, os anticorpos semelhantes encontrados em outras sete pessoas, nos testes realizados pela equipe de Liotta, mostraram uma força bem menor em comparação com os de Hollis, desaparecendo após um período entre 60 e 90 dias.

Uso em medicamentos

Desde agosto, Hollis tem doado amostras de saliva e sangue à universidade, a cada duas semanas. Os pesquisadores estão testando maneiras de usar os superanticorpos dele para neutralizar o Sars-CoV-2 de forma mais eficiente.

Uma das possibilidades é utilizá-los na produção de medicamentos que aumentem a proteção da população contra o novo coronavírus, desenvolvendo opções como o remédio Regeneron, coquetel de anticorpos ministrado a Donald Trump depois que ele testou positivo para a doença.

Novos coquetéis de anticorpos podem ser desenvolvidos a partir do material, aumentando a proteção da população.

Na próxima fase do ensaio clínico também serão realizados testes em pessoas que receberam a vacina, com o objetivo de verificar se a produção de anticorpos semelhantes a estes foi induzida no organismo após a aplicação do imunizante.

Enquanto isso, Hollis contou que ainda usa máscara e optou por manter o distanciamento social, mesmo apresentando uma “super proteção” contra a covid-19.

Reprodução: Tecmundo
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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Confira o gabarito extraoficial do primeiro dia de provas do Enem

 


O Bernoulli Sistema de Ensino, de Belo Horizonte, divulgou o gabarito extraoficial do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, realizado nesse domingo (17), em todo o país.

Para conferir as questões, é só acessar este link. Nele, é preciso escolher entre os cadernos (Amarelo, Azul, Branco ou Rosa), além da redação.

O gabarito

De acordo com o colégio, o gabarito contém as resoluções comentadas das questões do Enem e de outras provas. O objetivo é permitir que o aluno compreenda melhor os problemas e as soluções, orientando o raciocínio.

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