segunda-feira, 1 de junho de 2020

Como o coronavírus ataca o corpo nos casos mais letais

Metade da população mundial sofrerá com a redução de benefícios naturais como a polinização e a limpeza da água nos próximos trinta anos



Em 30 anos, mais de metade da população mundial sofrerá as consequências de uma natureza gravemente ferida. Um amplo estudo modelou o que os diferentes ecossistemas e processos biológicos oferecem hoje aos seres humanos e o que poderão lhes dar em 2050. Por diversas causas, a maioria antropogênicas, processos naturais como a polinização dos cultivos e a renovação da água reduzirão sua contribuição ao bem-estar humano. A pior parte caberá a regiões que hoje têm um maior capital natural, como a África e boa parte da Ásia.

Os autores da pesquisa determinaram a contribuição natural dos diversos ecossistemas a três processos cruciais para os humanos: a polinização por parte de insetos e aves, a regeneração da água mediante a retirada do excesso de nitrogênio procedente da agropecuária e a proteção que diversas barreiras naturais oferecem na linha de costa. "A natureza oferece muito mais aos humanos: em um anterior trabalho propusemos 18 grandes famílias de contribuições naturais, mas não há dados de todas elas e para todo o planeta", diz o pesquisador Unai Pascal, do Basque Centre for Climate Change (BC3), coautor do estudo, explicando a escolha destas três contribuições.

Sobrepuseram esses dados aos da população atual e a prevista em 2050 em escala local. O modelo incluiu também os diferentes fatores que mais estão deteriorando a natureza, como as mudanças no uso da terra em forma de desmatamento e o avanço da agricultura, a acelerada urbanização e a mudança climática. Por último, aplicaram seu modelo a três possíveis cenários: um em que as sociedades continuarão baseadas no uso dos combustíveis fósseis, como agora, outro emergente, que denominaram de rivalidade regional, e um terceiro protagonizado pela sustentabilidade.

O trabalho, publicado na Science, conclui que, no pior dos cenários, até 4,45 bilhões de pessoas poderiam ter problemas com a qualidade da água por causa da incapacidade dos diferentes ecossistemas para regenerá-la. Além disso, quase cinco bilhões de humanos sofrerão uma diminuição significativa no rendimento de seus cultivos por causa da polinização deficiente.

Os piores resultados não se dão no cenário onde o petróleo (e as emissões de CO2) são a base do sistema, e sim no novo, de rivalidade regional. "É num cenário de geração de blocos, onde o comércio internacional se regionaliza, algo que já estamos vendo com o Brexit e Trump", comenta Pascal, que é também copresidente do relatório de Avaliação sobre os Valores da Natureza da IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas). Neste panorama de nacionalização da globalização, o aumento da população intensificará a pressão sobre os recursos que a natureza pode oferecer em muitas regiões do planeta.

Só uma aposta por uma trajetória sustentável poderia reduzir a um terço ou até um décimo o número de pessoas afetadas pela deterioração dos ecossistemas. Entretanto, seja qual for o cenário que se dê dentro de 30 anos, 500 milhões de habitantes das zonas costeiras enfrentarão um maior risco de erosão do litoral ou de inundações.

O trabalho, plasmado numa poderosa ferramenta visual do Projeto Capital Natural, permite saber quem serão os maiores perdedores. Até 2,5 bilhões de pessoas do leste e sul da Ásia e outros 1,1 bilhão na África sofrerão uma redução na qualidade de sua água. Os riscos costeiros se concentrarão no sul e o norte da Ásia. Enquanto isso, os maiores problemas com a polinização natural caberão de novo ao Sudeste Asiático e África, mas também à Europa e América Latina. Nessas regiões, as pessoas afetadas poderiam se aproximar de 900 milhões.
A população crescente da África central e o Sudeste Asiático será a mais afetada

"Os países em desenvolvimento, que já estavam em desvantagem social e econômica, contavam com supostas vantagens do maior capital natural, mas é aqui onde se degrada mais rapidamente", diz Pascal.

Embora a tecnologia venha suprindo um número crescente de serviços antes prestados pela natureza, desta vez ela poderia não ser a resposta. "Se nos referimos a tecnologias como aquelas que substituam por completo as contribuições da natureza, como a polinização manual de cultivos que fazem na China, ou usinas de tratamento de água para eliminar o nitrogênio, ou a elaboração de estruturas sólidas para proteger as costas, não me parece que sejam a solução", opina por email a pesquisadora da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) Patricia Balvanera, não relacionada com o estudo.

Especializada na inter-relação entre biodiversidade e bem-estar humano, Balvanera explica: "Não são soluções, por um lado, porque elas não cumprem todas as funções que cumpre a natureza. Ter vegetação ao longo dos rios ou à beira dos lagos não só contribui para a retenção de nitrogênio, mas também para a infiltração da água, para bombear água para a atmosfera, além de ser um lugar apto para a recreação. O mesmo com os mangues, recifes, pastos marinhos. Não só contribuem para a proteção costeira como também são os ninhais dos peixes e, portanto, contribuem para a regulação pesqueira". 
A tecnologia não parece ser a solução já que "não cumpre todas as funções que a natureza cumpre"

A concentração das maiores perdas de capital natural nas zonas mais pobres revelada pelo estudo também torna inviável a aposta tecnológica. Assim argumenta a pesquisadora mexicana: "Não é realista que Madagascar possa investir em construções custosas para a proteção costeira. Não é realista que a Índia pudesse instalar centenas ou milhares de usinas de tratamento de água. Tampouco é realista que a China compense toda a polinização com trabalho manual".

Mais realista parece ser conservar a biodiversidade onde ela mais tem a oferecer. E, como diz em nota a cientista Becky Chaplin-Kramer, do Projeto Capital Natural e coautora do estudo, "contamos com a informação que necessitamos para evitar os piores cenários que projetam nossos modelos e avançar para um futuro justo e sustentável".

Reprodução: EL PAIS
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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Estudo sugere qual foi o primeiro animal terrestre da história

Artrópode de 2,5 cm é uma possibilidade viável para encarnar a transição da vida aquática para a terrestre



Um dos grandes mistérios da biologia gira em torno de qual teria sido o primeiro animal terrestre da história. Sabe-se que os seres mais antigos eram aquáticos e que, em algum ponto, há milhões de anos, eles fizeram a transição para a terra. No entanto, não se conhece ao certo qual teria sido o animal pioneiro no solo. Agora, um grupo de cientistas norte-americanos e alemães revelou, em estudo, ter identificado um ótimo candidato para o posto de primeiro ser terrestre: um tipo de escorpião achado nos Estados Unidos.

Trata-se de um artrópode de cerca de 2,5 centímetros de comprimento e que teria vivido há cerca de 435 milhões de anos. Descoberto no estado de Wisconsin (EUA), o animal é o aracnídeo mais antigo já encontrado. Assim como escorpiões modernos, possui duas garras e uma cauda com ferrão.

Mas o mais importante para os pesquisadores é o que estava dentro do aracnídeo: estruturas respiratórias compatíveis com a vida na terra, e não na água, e com a respiração do ar. O escorpião é o mais antigo animal a apresentar tais evidências.

Apesar de ter uma estrutura semelhante à dos escorpiões atuais, o fóssil não apresentava pulmões, prova cabal de um ser que vive na terra. Por isso, é recomendado que se tenha cautela em estabelecer o animal como pioneiro definitivo da vida terrestre. Existe também a possibilidade de que o artrópode tenha vivido tanto em ambientes terrestres quanto aquáticos.

Além disso, é possível debater que, se esse aracnídeo vivia na terra, outros animais similares poderiam ter povoado o novo ambiente antes dele, como aranhas e outros artrópodes. Por isso, não é possível afirmar com precisão que o escorpião foi de fato o pioneiro nesse meio — pelo menos por enquanto.

Reprodução: VEJA
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terça-feira, 26 de maio de 2020

Cachorros também passam pela adolescência, diz estudo

Cientistas britânicos orientam tutores a não se afastarem emocionalmente dos cães e nem os punirem por desobediência quando atingirem a puberdade



Um estudo realizado pelas Universidades de Newcastle e de Nottingham, na Inglaterra, conseguiu encontrar evidências de um comportamento adolescente em cachorros.

Em geral, os cães passam pela "puberdade" aos 8 meses de idade. Foi nessa época que os pesquisadores observaram que os animais estavam mais propensos à rebeldia, ignorando os comandos dados por seus cuidadores e tornando seu treinamento mais difícil. Mas, assim como nos seres humanos, esta é apenas uma fase — e vai passar.

Pesquisando cães

Primeiro, a equipe analisou um grupo de 69 cães para investigar seu comportamento durante a adolescência. Eles monitoraram a obediência de labradores, golden retrievers e outros cães que nasceram de um cruzamento entre essas duas raças. Todos tinham idades de cinco (antes da adolescência) e oito meses (durante a adolescência).

Aos observá-los, os pesquisadores viram que os cachorros de oito meses desobedeciam o treinador ao dar o comando de "sentar", mas obedeciam a mesma ordem dada por um estranho. O padrão se repetiu quando a equipe trabalhou com um grupo maior, composto por 285 labradores, golden retrievers, pastores alemães e cães do cruzamento entre eles.

Os cuidadores relataram aos pesquisadores que os cães na adolescência pareciam não aprender totalmente os comandos, em comparação com a idade de 5 ou 12 meses. Os especialistas também viram que as cadelas mais inseguras e apegadas aos treinadores tinham mais probabilidade de atingir a puberdade mais cedo.

"É muito importante que os tutores não punam seus cães por desobediência ou que se afastem emocionalmente deles neste momento", disse Lucy Asher, conferencista sênior da Universidade de Newcastle e líder do estudo, em nota. "Isso provavelmente tornará qualquer problema de comportamento pior, como acontece em adolescentes humanos."

Reprodução: Revista Galileu
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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Estudo reitera ineficácia de cloroquina e hidroxicloroquina contra Covid-19

Equipe liderada por cientistas da Universidade Harvard analisou dados de quase 100 mil pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus



Um grande estudo observacional indica que tratar pacientes de Covid-19 com a droga antimalárica cloroquina ou seu análogo hidroxicloroquina (tomado com ou sem os antibióticos azitromicina ou claritromicina) não beneficia os doentes. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e publicada nesta sexta-feira (22) na respeitada revista científica The Lancet.

A equipe analisou dados de quase 15 mil pessoas que testaram positivo para o novo coronavírus e foram tratadas com um dos medicamentos. Os pesquisadores compararam a evolução do quadro desses pacientes com os de outros 81 mil que tiveram Covid-19, mas não receberam cloroquina ou hidroxicloroquina.

Entre os que receberam o tratamento, os cientistas dividiram em quatro grupos: tratados só com cloroquina; só hidroxicloroquina; cloroquina em combinação com um antibiótico; e hidroxicloroquina em combinação com um antibiótico. Esses quatro grupos foram então comparados com o de pessoas que não receberam nenhuma dessas drogas.

Ao final do período do estudo, cerca de uma em cada 11 pessoas do grupo controle (que não utilizou nenhum dos medicamentos) morreu. Já entre os pacientes tratados apenas com a cloroquina ou com a hidroxicloroquina, um em cada seis pacientes perdeu a vida. Quando essas drogas foram utilizas ​​em combinação com um antibiótico, a taxa de mortalidade subiu ainda mais: uma em cada cinco pessoas tratadas com cloroquina e uma em cada quatro tratadas com hidroxicloroquina faleceu.

"Este é o primeiro estudo em larga escala a encontrar evidências estatisticamente robustas de que o tratamento com cloroquina ou a hidroxicloroquina não beneficia pacientes com a Covid-19. Muito pelo contrário, nossas descobertas sugerem que [essas drogras] podem estar associadas a um risco aumentado de problemas cardíacos graves e morte", afirmou Mandeep Mehra, líder do estudo, em declaração à imprensa.

Os especialistas ponderam que algumas das diferenças nas taxas de mortalidade podem ter relaçåo com diferenças de raça e gênentre os pacientes que receberam os tratamentos ou não. Ainda assim, eles destacam que a utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina deve ser feito apenas com recomendação médica e por profissionais que estejam participando de estudos científicos.

"Vários países defenderam o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, isoladamente ou em combinação, como possíveis tratamentos para a Covid-19. A justificativa para redirecionar esses medicamentos dessa maneira é baseada em um pequeno número de experiências anedóticas que sugerem que eles podem ter efeitos benéficos para pessoas infectadas com o Sars-CoV-2", disse, Frank Ruschitzka, coautor da pesquisa.

O profissional ressalta, entretanto, que estudos anteriores em pequena escala não conseguiram identificar evidências robustas de benefícios do uso desses medicamentos. Ainda de acordo com Ruschitzka, com a nova pesquisa "agora sabemos que a chance desses medicamentos melhorarem os resultados [em pacientes com a] Covid-19 é bastante baixa".

Reprodução: Revista Galileu
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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Enem 2020 será adiado e enquete deve escolher datas entre 30 a 60 dias depois do previsto, diz Inep

No cronograma antigo, versão digital seria em 22 e 29 de novembro e a prova tradicional estava prevista para 1º e 8 de novembro. Novas datas serão decididas em enquete com os participantes




O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será adiado "de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais", de acordo com decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Ministério da Educação (MEC).

A decisão ocorre depois de o governo enfrentar questionamentos judicias cobrando o adiamento da prova por causa dos efeitos da pandemia da Covid-19, que levaram escolas a suspender as aulas presenciais. O debate sobre o adiamento da prova chegou ao Congresso: na terça-feira (19), o Senado aprovou projeto que adia Enem, e o texto seguiu para avaliação da Câmara dos Deputados.

Cronograma


No mês passado, o Inep adiou apenas a versão digital, que seria realizada nos dias 11 e 18 de outubro e passou para os dias 22 e 29 de novembro. A aplicação da prova impressa estava prevista para 1º e 8 de novembro.

As novas datas não foram divulgadas.

Ministro cita líderes do Centro

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, adotou posição contrária ao adiamento desde que foi acionado por órgãos e entidades como a Defensoria Pública da União (DPU) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). No começo do mês, chegou a afirmar para os senadores que reavaliaria a situação do Enem novamente apenas em agosto.

Entretanto, nesta manhã, Weintraub disse que considerou a movimentação no Congresso e ouviu os líderes do Centro para decidir pelo adiamento.

"Diante dos recentes acontecimentos no Congresso e conversando com líderes do centro, sugiro que o ENEM seja adiado de 30 a 60 dias. Peço que escutem os mais de 4 milhões de estudantes já inscritos para a escolha da nova data de aplicação do exame" - Abraham Weintraub

Na terça, o MEC disse que iria, em junho, consultar os inscritos para decidir se adiaria o exame. Agora, no novo posicionamento, o governo afirmou que vai fazer uma enquete com os participantes para definir as novas datas.

Posicionamento do Inep e MEC

Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Inep:


"NOTA OFICIAL | Adiamento do Enem 2020

Atento às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e digital. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais.

Para tanto, o Inep promoverá uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante. As inscrições para o exame seguem abertas até as 23h59 desta sexta-feira, 22 de maio."

Reprodução: G1
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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Nova espécie de fungo é descoberta a partir de foto publicada no Twitter

Parasita presente em um piolho-de-cobra foi notado por uma bióloga portuguesa e recebeu o nome de Troglomyces twitteri, em homenagem à rede social


A bióloga portuguesa Ana Sofia Reboleira, professora associada ao Museu de História Natural da Dinamarca, estava apenas conferindo seu Twitter quando uma foto compartilhada pelo cientista norte-americano Derek Hennen, da Virginia Tech, chamou sua atenção. O que parecia ser apenas mais uma imagem de um piolho-de-cobra qualquer era, na verdade, o novo objeto de estudo da professora. Não o animal, exatamente, mas os pequenos pontos brancos que ele apresentava em parte de sua superfície (circulados em vermelho na imagem acima).

"Eu pude ver algo parecido com fungos na superfície do diplópode. Até então, esses fungos nunca haviam sido encontrados em diplópodes norte-americanos. Então, fui ao meu colega [Henrik Enghoff] e mostrei a imagem. Foi quando corremos para as coleções do museu e começou a procurar", conta Ana Sofia Reboleira, em comunidado à imprensa.

Durante a pesquisa no acervo do museu, os pesquisadores observaram a mesma marca em outros espécimes de vermes norte-americanos — algo que nunca haviam sido documentado antes. O achado confirmou a existência de uma nova espécie da ordem dos Laboulbeniales, ainda pouco conhecida, mas que inclui uma série de fungos parasitários que atacam principalmente insetos e diplópodes.

"Por causa de nossa vasta coleção de museus, foi relativamente fácil confirmar que estávamos, de fato, observando uma espécie inteiramente nova para a ciência", diz Reboleira. "Isso demonstra o quão valiosas são as coleções de museus. Há muito mais coisas escondidas nessas coleções do que sabemos." Espécimes encontradas no Museu Nacional de História Natural (MNHN) em Paris, França, também ajudaram os cientistas a comprovarem e descreverem a nova espécie.

Twitteri

Ainda pouco estudada, a ordem Laboulbeniales tem cerca de 30 espécies de fungos que atacam diplópodes, sendo que a maioria delas só foi descoberta depois de 2014.

Conhecidos por parecerem pequenas larvas, esses fungos parasitários costumam viver no exterior do hospedeiro. Na imagem acima, por exemplo, vemos os fungos atacando os órgãos reprodutivos de um piolho-de-cobra. Em geral, eles são capazes de perfurar a camada externa dos hospedeiros usando uma estrutra especial de sucção, por onde podem se alimentar enquanto projetam a outra parte de seu corpo para fora.

Em homenagem à rede social onde Reboleira encontrou a foto do fungo, a nova espécie foi chamada de Troglomyces twitteri. De acordo com os cientistas, essa é a primeira vez que uma descoberta semelhante é feita através do Twitter.SAIBA MAIS

"Até onde sabemos, é a primeira vez que uma nova espécie é descoberta no Twitter. Isso destaca a importância dessas plataformas para o compartilhamento de pesquisas — e, portanto, a obtenção de novos resultados", afirma Reboleira. "Espero que isso motive profissionais e pesquisadores amadores a compartilhar mais dados através da mídia social. Isso é algo que tem sido cada vez mais óbvio durante a crise do coronavírus, numa época em que tantos estão impedidos de entrar em campo ou em laboratórios."

O artigo sobre a descoberta foi publicado na última quinta-feira (14), na revista MycoKeys, e também contou com a participação do biólogo Sergi Santamaria, da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha.

Reprodução: Revista Galileu
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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Transmissão assintomática é vantagem evolutiva para Sars-CoV-2

Ausência ou demora em apresentar sintomas garante ao novo coronavírus que o hospedeiro continuará "circulando" por mais tempo, o que é benéfico para reprodução e disseminação do microrganismo



A rápida disseminação da Covid-19 em todo o mundo é resultado, em partes, da capacidade do novo coronavírus de permanecer em seu hospedeiro sem causar sintomas. Essa habilidade, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, é uma estratégia evolutiva.

A conclusão é resultado de um estudo que examinou prós e contras da transmissão silenciosa na sobrevivência a longo prazo do Sars-CoV-2. Os resultados foram compartilhados em um artigo no Proceedings of the National Academy of Sciences na última sexta-feira (8).

Como organismos mais complexos, os vírus podem evoluir por seleção natural, ou seja, os seres vivos mais adaptados ao ambiente têm mais facilidade para sobreviver. Isso ocorre porque novas variantes de determinada espécie surgem como resultado de mutações genéticas e, se o organismo tiver os mecanismos evolutivos adequados para sua sobrevivência, conseguirá prosperá e reproduzir, gerando descendentes com as mesmas características.

No caso de um patógeno como o novo coronavírus, demorar para causar sintomas em seu hospedeiro pode ser vantajoso. Para compreender o porquê disso, basta imaginar o cenário oposto: se um microrganismo afeta seu hospedeiro e o mata muito rapidamente, ele não tem tempo para se reproduzir e é transmitido para menos pessoas — o que, para o patógeno, é uma desvantagem.

"A evolução viral envolve uma troca entre aumentar a taxa de transmissão e manter o hospedeiro como base de transmissão", explicou Simon Levin, um dos pesquisadores, em comunicado. "As espécies que navegam nessa troca de forma mais eficaz do que outras virão para substituir essas outras na população."

Como bem exemplificado pela pandemia de Covid-19, uma infecção silenciosa tem vantagens a curto prazo: ela dificulta a implementação de estratégias de controle como identificação, quarentena e rastreamento de contatos. Isso permite que quem está infectado mas ainda não apresenta sintomas continue circulando por aí e disseminando o novo coronavírus.

No entanto, também existem desvantagens evolutivas para esses vírus. De acordo com os especialistas, as pessoas assintomáticas geram menos partículas infecciosas e, portanto, menos microrganismos "escapam" quando elas espirram ou falam.

Método


Para estudar o efeito da transmissão assintomática, a equipe fez modificações em um modelo matemático padrão de como uma doença se espalha pela população. O modelo divide a sociedade em setores, representando indivíduos suscetíveis, infectados e recuperados.

Os especialistas de Princeton, então, dividiram os "infectados" em dois estágios: total ou parcialmente sintomáticos e os que apresentaram todos os problemas de saúde relacionados à Covid-19. Como explicam os pesquisadores, eles não se concentraram apenas no efeito da variação dos sintomas na propagação da doença, mas também nas consequências evolutivas dessa divergência.

A equipe descobriu que estratégias evolutivas bem-sucedidas (para o vírus) surgiram quando o primeiro estágio da infecção era completamente assintomático ou o extremo oposto. Além disso, os pesquisadores concluíram que o alcance do organismo (sua capacidade de não causar nenhum sintoma e de causar sintomas máximos) poderia ser alterado por pequenas mudanças nas estratégias de controle da doença.

Esta última parte da análise indica que as estratégias de controle de doenças podem influenciar qual aspecto evolutivo será mais bem-sucedido em determinado patógeno, o que tem impactos enormes em pandemias como a do novo coronavírus. "Com base em nosso modelo, [esta estratégia evolutiva] é um ponto final evolutivo natural para certas doenças", afirmou Chadi Saad-Roy, coautor do estudo.

Reprodução: Revista Galileu
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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Arraias e peixes da costa brasileira estão migrando para o Atlântico Norte

Analisando o DNA presente na água do mar, pesquisadores norte-americanos encontraram pela primeira vez espécies que não costumam visitar essa parte do oceano




Pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriram novos padrões de migração da vida marinha no Oceano Atlântico: pela primeira vez, espécies que habitam a costa brasileira foram encontradas na parte norte. 

Os cientistas encontraram espécimes da arraia Rhinoptera brasiliensis no norte do Golfo do México e do peixe Menticirrhus littoralis em Chesapeake Bay, no estado norte-americano da Virgínia. Segundo os especialistas, os animais vão para essas regiões nas estações mais quentes do ano no Hemisfério Norte.

É possível que essas migrações aconteçam por causa da mudança na temperatura da água ou até mesmo pelas mudanças no oceano causadas por fatores como clima, poluição química, detritos, ruído e iluminação noturna. Outra teoria é que os peixes podem simplesmente ter escapado das redes de arrasto, usadas na pesca.

Para realizar o estudo, publicado na revista científica Frontiers in Marine Science, os cientistas analisaram o DNA encontrado na água do mar. Eles coletaram o líquido do oceano duas vezes por mês entre os anos de 2017 e 2019. O material foi filtrado para concentrar o material genético liberado pelos animais quando nadam, defecam, se machucam ou morrem. Por fim, foi feita a análise desse material em um software que conta o número de cópias de cada sequência genética, e os pesquisadores buscaram correspondentes em uma biblioteca de referência online.

Segundo Mark Stoeckle, autor da pesquisa, o próximo passo é relacionar a concentração do DNA de uma espécie com sua abundância na água. "Se as amostras de água puderem fornecer um índice do número ou peso total de peixe de uma dada espécie em uma área oceânica definida, é possível prever um potencial salto para a pesca sustentável e o monitoramento dos oceanos", disse, em nota. "Isso melhora a racionalidade com a qual as cotas de peixes são definidas e a qualidade e confiabilidade de seu monitoramento em todo o mundo", complementa o especialista.

Reprodução: Revista Galileu
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sábado, 9 de maio de 2020

Nova espécie de serpente homenageia personagem de Harry Potter

A descoberta da Trimeresurus salazar, na Índia, é importante para enriquecer o conhecimento sobre a biodiversidade na região do Himalaia



Durante uma expedição herpetológica — estudo dos répteis e anfíbios — em Arunachal Pradesh, na Índia, uma nova espécie de víbora verde do gênero Trimeresurus foi descoberta. O achado foi comandado por pesquisadores de diversos institutos científicos indianos e publicado na revista Zoosystematics and Evolution.

A descoberta não é legal só por trazer novos conhecimentos sobre a biodiversidade do Himalaia: os cientistas batizaram a serpente de Trimeresurus salazar, em homenagem a Salazar Slytherin, personagem de Harry Potter que é cofundador da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e capaz de conversar com serpentes. Slytherin também é chamada de "víbora de salazar".

As serpentes Trimeresurus são venenosas e estão espalhadas pelo sudeste da Ásia. O gênero inclui pelo menos 48 espécies e 15 delas estão na Índia. Elas conseguem se camuflar facilmente, o que dificulta sua distinção e subestima sua real diversidade. Ou seja, pode haver muito mais espécies do que se pensava.

A nova víbora é verde, e os machos possuem uma faixa laranja-avermelhada presente na cabeça e no corpo. Essa já é a segunda espécie descoberta no curso da expedição a Arunachal Pradesh, que busca enriquecer o conhecimento da biodiversidade do nordeste do território indiano.

Reprodução: Revista Galileu
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