segunda-feira, 7 de junho de 2021

As mutações genéticas perigosas ou acidentais que podem mudar o futuro da humanidade.


As novas tecnologias podem já ter introduzido erros no patrimônio genético humano. Quanto tempo eles vão durar? E como podem nos afetar?

He Jiankui parecia nervoso.

Na época, ele era um pesquisador desconhecido que trabalhava na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, em Shenzhen, na China.

Mas vinha se dedicando a um projeto ultrassecreto nos últimos dois anos, e estava prestes a subir ao palco da Cúpula Internacional sobre Edição do Genoma Humano para anunciar seus resultados.

Havia um burburinho generalizado de expectativa no ar. A plateia olhava ansiosamente. Algumas pessoas começaram a filmar com o celular.

Ele havia feito os primeiros bebês geneticamente modificados da história da humanidade. Após 3,7 bilhões de anos de evolução contínua e sem interferências pela seleção natural, uma forma de vida manipulou com as próprias mãos a biologia inata.

O resultado foram gêmeas que nasceram com cópias alteradas de um gene conhecido como CCR5, que o cientista esperava que as tornassem imunes ao HIV, vírus causador da Aids.

Mas as coisas não eram o que pareciam.

"Fiquei meio que seduzido nos primeiros cinco ou seis minutos, ele parecia muito sincero", diz Hank Greely, professor de direito da Universidade de Stanford, nos EUA, e especialista em ética médica, que assistiu à conferência ao vivo pela internet em novembro de 2018.

"Mas, à medida que ele prosseguia, fiquei cada vez mais desconfiado."

Uma invenção genética

Nos anos que se seguiram, ficou claro que o projeto de He não era tão inocente quanto poderia parecer.

Ele havia infringido leis, falsificado documentos, enganado os pais dos bebês a respeito dos riscos e não havia feito os testes de segurança adequados.

Todo o processo deixou vários especialistas horrorizados — foi descrito como "monstruoso", "amador" e "profundamente perturbador" —, e o responsável agora está na prisão.

No entanto, o maior revés sem dúvida neste caso foram os erros. No fim das contas, as gêmeas, Lulu e Nana, não foram agraciadas com genes perfeitamente editados.

Não só não são necessariamente imunes ao HIV, como também foram acidentalmente dotadas de versões do CCR5 inteiramente inventadas — que provavelmente não existem em nenhum outro genoma humano do planeta.

E essas mudanças são hereditárias — podem ser transmitidas a seus filhos, netos, e assim por diante.

Na verdade, não faltam surpresas nessa área.

De coelhos geneticamente modificados para serem mais magros que inexplicavelmente acabaram com línguas muito mais longas, a bovinos com gene editado para não terem chifres que foram inadvertidamente dotados de um longo trecho de DNA bacteriano em seus genomas (incluindo, ainda por cima, alguns genes que conferem resistência a antibióticos) — a história está repleta de erros e mal-entendidos.

Mais recentemente, pesquisadores do Francis Crick Institute, em Londres, alertaram que editar a genética de embriões humanos pode levar a consequências indesejadas.

Ao analisar dados de experimentos anteriores, eles descobriram que aproximadamente 16% deles apresentavam mutações acidentais que não teriam sido detectadas por meio de testes padrão.

Por que esses erros são tão comuns? Eles podem ser superados? E como podem afetar as futuras gerações?

Pode parecer um problema para o futuro. Afinal, He foi amplamente condenado e bebês geneticamente projetados são ilegais em muitos países — pelo menos por enquanto.

Por anos, Lulu, Nana e um misterioso terceiro bebê — cuja existência só foi confirmada durante o julgamento do cientista — foram as únicas pessoas com genes editados no planeta. Mas isso pode estar prestes a mudar.

Entrou em cena a edição de "células somáticas", uma nova técnica que está sendo desenvolvida atualmente para tratar uma série de doenças devastadoras, desde obscuros distúrbios metabólicos até a principal causa da cegueira infantil.

A tecnologia é vista como um grande avanço no tratamento de alguns dos transtornos hereditários mais intratáveis, assim como de doenças comuns, como o câncer.

"No conjunto global das terapias Crispr [edição de genes], a edição do genoma de células somáticas vai representar uma fração importante", diz Krishanu Saha, bioengenheiro da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, que atualmente faz parte de um consórcio que investiga a segurança da técnica.

"Quero dizer, este certamente é o caso agora, se você olhar para onde os testes estão, onde os investimentos estão."

Funciona assim. Em vez de alterar o genoma de uma pessoa enquanto ela é um óvulo fertilizado ou embrião em uma placa de Petri, esse método visa alterar células comuns, como aquelas de órgãos específicos, como o olho.

Isso significa que as mudanças não devem ser herdadas pela próxima geração — mas, como acontece com toda edição de genes, não é tão simples.

"Digamos que estejamos injetando um editor de genoma no cérebro que tem como alvo os neurônios do hipocampo", diz Saha.

"Como podemos nos certificar de que esses editores de genoma não viajem para os órgãos reprodutivos e acabem atingindo um espermatozoide ou óvulo? Assim, esse indivíduo poderia potencialmente passar a edição para seus filhos."

No momento, ainda não se sabe a probabilidade de isso acontecer — mas Saha explica que é algo que eles estão analisando com cuidado, especialmente porque o tratamento parece pronto para se tornar significativamente disponível na próxima década.

Um editor de genes foi injetado em humanos pela primeira vez no ano passado, como parte de um teste clínico histórico da tecnologia.

Se as células reprodutivas acabassem sendo alteradas, "certamente, teríamos indivíduos com novas variantes de genes que poderiam ser potencialmente muito problemáticas", diz Saha, que afirma ter colegas que acham que nunca será possível reduzir o risco a zero — embora ele também tenha colegas que são mais otimistas.

Um experimento fracassado

Mas, primeiro, vamos voltar aos bebês chineses com genes editados, para uma aula sobre o que pode dar errado quando a técnica é usada sem o devido cuidado.

He tinha como objetivo fornecer a eles uma versão do CCR5 que está naturalmente presente em cerca de 1% dos europeus do norte — os asiáticos orientais tendem a ter um tipo diferente.

Esta variante rara não contém 32 pares de letras (ou pares de bases) do código genético.

Portanto, embora a proteína que ela produz normalmente fique na superfície dos glóbulos brancos, as pessoas com essa mutação criam um tipo de proteína atrofiada que não chega à superfície.

Quando esse grupo excepcional de pessoas é exposto ao HIV, o vírus não consegue se agarrar ao CCR5 e entrar furtivamente — consequentemente, elas são imunes.

Este era o objetivo, mas não funcionou dessa maneira.

Em vez disso, Lula e Nana carregam genes CCR5 inteiramente novos. Como de costume, cada bebê tem duas cópias do gene — uma herdada de cada pai —, mas elas não foram editadas de maneira uniforme.

Nana teve acidentalmente um único par de bases extra adicionado a um, e quatro removidos do outro.

Enquanto isso, Lulu herdou uma cópia com 15 pares de bases inadvertidamente deletados, assim como uma versão totalmente inalterada.

"Nunca vimos essas proteínas CCR5 antes e não sabemos sua função no contexto de um ser humano", diz Saha. "Estamos basicamente fazendo esse experimento agora."

No momento, a maior parte da edição de genes envolve o método "Crispr" — uma série de tesouras genéticas desenvolvidas pela primeira vez pelas cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer A Doudna, ganhadoras do prêmio Nobel, em 2012.

A tecnologia se baseia em uma espécie de sistema imunológico antigo encontrado em um grande número de bactérias.

Quando encontram uma ameaça viral em potencial, elas copiam e colam parte de seu DNA em seu próprio genoma e, em seguida, o utilizam para desenvolver uma tesoura que pode identificar a sequência exata.

Se elas encontrarem com a ameaça novamente, simplesmente a cortam e desativam.

Este é mais ou menos o mesmo processo de edição de células humanas — os cientistas usam uma sequência guia para mostrar ao sistema Crispr onde se vincular e cortar, permitindo atingir certos genes com precisão e cortar segmentos indesejados.

O próprio sistema de reparo da célula remenda o corte, deixando um genoma perfeitamente alterado.

No entanto, isso nem sempre sai conforme o planejado. A confusão com os bebês chineses geneticamente editados ocorreu por causa dos chamados "efeitos fora do alvo", em que o sistema Crispr se vincula a uma sequência que, por acaso, parece semelhante àquela que deveria estar cortando.

É um problema comum: um estudo recente mostrou que a edição de genes causou alterações não intencionais mais da metade das vezes.

Embora acredite-se que os dois genes CCR5 de Nana podem ter sido distorcidos o suficiente para protegê-la do HIV, a única cópia natural de Lulu significa que é provável que ela ainda seja suscetível ao vírus.

Não só o experimento acabou inventando novas mutações — como ele não alterou todas as células. Tanto Lulu quanto Nana têm algumas células que foram editadas e algumas que carregam as versões do CCR5 que herdaram de seus pais.

Ninguém sabe que porcentagem do corpo humano precisa ser convertida ao tipo resistente para fornecer proteção contra o HIV.

Esse "mosaicismo" surge do fato de que é mais fácil editar embriões do que alterar um óvulo recém-fertilizado, que consiste em apenas uma única célula.

Isso significa que nem todo o embrião é necessariamente afetado de maneira uniforme pelas edições — algumas células manterão sua composição genética original, enquanto outras serão alteradas.

Como esse grupo original se divide e se desenvolve em diferentes órgãos e tecidos, essa variação permanece — então, se você tivesse quatro células iniciais, e uma delas tivesse recebido uma mutação CCR5, ela poderia acabar em 25% das células do corpo.

Em 2018, o CCR5 era mais conhecido por sua capacidade de deixar o vírus HIV entrar nas células.

Hoje, há um consenso emergente de que ele tem uma variedade de funções — incluindo no desenvolvimento do cérebro, na recuperação de derrames, na doença de Alzheimer, na propagação de certos tipos de câncer e no resultado da infecção por outros patógenos.

"Não sabemos como as vidas dos bebês serão afetadas", diz Saha, "quão suscetíveis eles serão a vários tipos de doenças infecciosas e o que isso significa em termos da pandemia atual e futuras."

Na verdade, acredita-se que as proteínas CCR5 habituais protegem contra uma variedade de patógenos, como malária, febre do nilo ocidental, encefalite transmitida por carrapatos, febre amarela e vírus respiratórios, como a gripe — sugerindo que He pode ter privado os bebês de uma adaptação útil.

Uma potencial solução

Mas nem tudo é má notícia.

Em primeiro lugar, não é certo que a edição de células somáticas altere necessariamente as células reprodutivas — é apenas uma possibilidade teórica.

Para descobrir se isso está realmente acontecendo, Saha e sua equipe desenvolveram sistemas de gene-repórter em ratos de laboratório, que marcam qualquer célula alterada com uma proteína vermelha fluorescente, permitindo que sejam encontradas no microscópio.

Isso significa que é possível ver visualmente se, ao injetar em um camundongo um editor destinado, digamos, ao cérebro, ele vai acabar afetando seus espermatozoides ou óvulos.

"Vimos muitas células vermelhas no cérebro", diz Saha.

"Até agora, não vimos nada nos órgãos reprodutores, o que é um resultado bom e tranquilizador."

Em segundo lugar, nem toda edição somática precisa acontecer dentro do corpo.

Para alguns distúrbios, como a anemia falciforme, o tecido afetado — no caso, os glóbulos vermelhos — pode ser extraído e tratado fora do corpo, em uma placa de Petri.

Isso significa que o editor sempre encontra apenas as células que estão sendo atacadas, e quase não há risco de mutações serem transmitidas de geração para geração.

Por fim, quaisquer riscos potenciais podem acabar ditando a quem é oferecida a edição de células somáticas, a fim de limitá-la.

Por exemplo, se houver a possibilidade de alterar o DNA hereditário de uma pessoa, a técnica pode só ser oferecida a pacientes que já passaram da idade fértil ou que estão chegando ao fim de suas vidas.

"Em alguns casos, zero provavelmente não é o limite necessário para entrar na clínica", diz Saha, explicando que é provável que muitas pessoas estejam dispostas a sacrificar a chance de um dia terem filhos em troca de melhorar sua qualidade de vida.

Ele acredita que o caminho a seguir é garantir que os pacientes estejam bem informados sobre os riscos antes de concordar com tais procedimentos.
Um experimento intergeracional

Mas digamos que a gente acabe com erros artificiais no patrimônio genético humano. Exatamente o quão permanentes eles poderiam se tornar?

Será que as novas mutações criadas hoje ainda podem ocorrer daqui a 10 mil anos, enquanto os humanos do futuro observam a explosão prevista de Antares em uma supernova tão brilhante quanto a Lua cheia?

De acordo com Greely, que escreveu um livro sobre as implicações do projeto de He, a resposta depende do que as edições fazem e como são herdadas.

"Elas podem simplesmente desaparecer ou serem oprimidas pelo vasto mar de alelos normais e variações genéticas normais", diz.

"Algumas pessoas têm medo de que, se você fizer uma mudança, todos os humanos vão acabar carregando essa mudança. Isso é realmente improvável, a menos que a mudança seja enormemente benéfica."

Esta última hipótese é, claro, uma possibilidade. Quer uma mutação seja gerada por meio de um erro de edição ou erros naturais à medida que o DNA é acondicionado em espermatozoides ou óvulos, eventualmente as mutações são úteis.

Alguns especialistas até sugeriram que os bebês CCR5 podem ter tido seus cérebros inadvertidamente aprimorados.

Acredita-se que a versão mais comum do receptor CCR5 protege as pessoas de vírus pandêmicos — mas também oferece uma porta de entrada para o HIV

O argumento vem de pesquisas que mostram que a versão selvagem do gene que a maioria dos humanos herda — o tipo que os bebês teriam — suprime, na verdade, a "neuroplasticidade" do cérebro, ou a capacidade de crescer e se reorganizar.

Alguns estudos sugerem que as pessoas que não possuem um CCR5 normal podem se recuperar de derrames mais rápido e supostamente se saem melhor na escola, enquanto camundongos sem uma versão funcional desse gene têm uma memória melhor.

No entanto, há algumas situações em que mutações raras podem se espalhar amplamente, sejam úteis ou não.

Veja o caso da doença de Huntington, uma condição angustiante que gradualmente interrompe o funcionamento normal do cérebro, levando à morte.

É incomum para uma doença genética em que mesmo que você tenha uma cópia saudável do gene, você ainda a desenvolverá — o que significa que você pode esperar que acabe desaparecendo.

No entanto, no Lago Maracaibo, no noroeste da Venezuela — na verdade, uma grande enseada do Mar do Caribe —, há uma concentração maior de pessoas com a doença do que em qualquer outra parte do mundo.

As comunidades da região são formadas em sua maioria por pequenas vilas de pescadores e, embora a incidência da doença seja de cerca de uma em cada 37 mil pessoas no resto do mundo, lá mais de 50% dos habitantes de algumas vilas podem ter o risco de desenvolver a doença.

Acredita-se que isso tenha acontecido por duas razões.

Uma é o fato de que a doença de Huntington normalmente se materializa por volta dos 40 anos, ou seja, após a idade em que a maioria das pessoas tem filhos — e, consequentemente, a doença é quase invisível para a evolução, que se preocupa principalmente se um organismo sobreviveu até a idade de reprodução.

O Efeito Fundador pode distorcer a frequência dos genes em uma população e acredita-se que tenha levado à alta prevalência da doença de Huntington no Lago Maracaibo

A segunda é o Efeito Fundador, que distorce a distribuição de genes em pequenas populações, permitindo que os genes incomuns dos "fundadores" — os primeiros membros da comunidade — se propaguem mais amplamente.

Acredita-se que a doença de Huntington no Lago Maracaibo tenha começado com apenas uma mulher, Maria Concepción Soto, que se mudou da Europa para uma aldeia de palafitas na região no início do século 19.

Ela era portadora da mutação mortal que causa a doença, que foi transmitida a mais de 10 gerações de descendentes — abrangendo mais de 14.761 pessoas vivas em 2004.

Se Nana ou Lulu se mudassem para uma área menos povoada com baixa migração, como uma ilha isolada, ou se juntassem a um grupo religioso com regras rígidas sobre casamento interracial, é possível que suas mutações pudessem estabelecer uma prevalência relativamente alta nessa comunidade.

Na China, onde acredita-se que elas vivam, há atualmente altas taxas de migração interna, então é supostamente menos provável que os genes se incorporem.

Outra possibilidade é que os erros genéticos estejam localizados próximos a um traço altamente benéfico no genoma, de modo que sejam herdados juntos — uma situação que permite que mutações neutras ou prejudiciais peguem carona rumo a uma prevalência maior do que merecem.

No entanto, Saha destaca que pode levar muitas gerações para que qualquer padrão na distribuição de erros genéticos se materialize.

"Estamos falando sobre experimentos que estão acontecendo ao longo de centenas de anos, não apenas alguns anos, como estamos acostumados em testes clínicos", diz ele.

"Estou tentando pensar em outro tipo de experimento que fizemos assim, ao longo desse período — a mudança climática é a única que me vem à mente. É uma questão muito grande para nós pensarmos coletivamente."

Há uma solução óbvia — embora não haja garantia de que os humanos com genes editados concordariam com ela, e depende de a pessoa estar ciente de que suas células reprodutivas foram editadas, o que pode não ser o caso daqueles que foram submetidos a uma edição somática para uma doença que se manifesta em outras partes do corpo.

Em vez de permitir que quaisquer mutações artificiais se propaguem, poderíamos simplesmente corrigi-las, usando a mesma técnica que foi usada para criá-las.

"Acho que é uma possibilidade real", diz Greely.

"Ou [se uma pessoa tem uma cópia saudável, como Lulu] você deve ser capaz de usar a seleção de embriões, para se certificar de que sua prole não receba a versão alterada."

Dado o quão pouco sabemos sobre as funções de certos genes em nosso ambiente atual, Saha acredita que devemos ser extremamente cautelosos ao fazer mudanças potencialmente milenares.

"Me surpreendo todos os dias, mas com tantas funções diferentes que os genes têm — tento ser o mais humilde possível em termos de supor que sei tudo o que uma determinada mutação genética faria em uma célula humana", diz ele.

"São genes que estiveram envolvidos em nosso genoma por milhares de anos, se não mais — então, para nós, saber como eles vão funcionar para humanos em contextos variados nos próximos cem anos é realmente um desafio."

Para decidir se uma edição é ética, pode ser que a gente precise entender primeiro em que tipo de mundo ela pode permanecer no futuro.

Reprodução: UOL
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quinta-feira, 3 de junho de 2021

Criatura das profundezas do oceano aparece em praia nos EUA


Semanas depois de uma criatura que normalmente vive em profundidades de mais de 914 metros ter sido surpreendentemente encontrada na praia de Crystal Cove
, na cidade de Newport Beach, na Califórnia, desta vez uma esbelta enguia narceja (Nemichthys scolopaceus) apareceu no domingo (23) em San Clemente, na costa sul do estado americano.

Um homem chamado Matt Glaze viu gaivotas mexendo em algo no mar e decidiu, juntamente com o amigo James Kessler e seus filhos, entrar na água para investigar. “Já vi algumas coisas estranhas, nunca vi isso antes. Este foi um achado interessante. Esse tipo de coisa acontece, você só tem sorte e encontra essas joias de vez em quando”, afirmou Glaze ao The Beach Reporter.

Uma multidão ficou observando a criatura que normalmente vive entre 90 a quase 4.000 metros de profundidade. Jim Serpa, guarda florestal aposentado da Praia Estadual de Doheny, colocou o animal de cerca de 75 centímetros de comprimento em um frasco cheio de álcool. Ele prometeu oferecer a esbelta enguia narceja para o departamento de biologia marinha da San Clemente High School. “Está completamente intacto”, comemorou ele.

O peixe chega a atingir 1,5 m de comprimento e a maioria das espécimes encontradas em museus foram cuspidas por peixes maiores capturados em redes de arrasto. A Nemichthys scolopaceus vive cerca de 10 anos e tem um bico parecido com o de um pássaro, com pontas curvas.

De acordo com a bióloga marinha Julianne Steers, da Beach Ecology Coalition, os dentes do animal são em forma de gancho dispostos em ângulo para trás: “Quando os camarões são colocados na boca, eles ficam presos nos dentes de gancho ao tentar escapar”.

Segundo a Oceana.org, enguias têm mais ossos na coluna vertebral – até 750 – do que qualquer outra espécie. “É importante continuar a estudar esta espécie e outras semelhantes, a fim de determinar tendências populacionais e aprender mais sobre a história de vida das espécies no fundo do mar”, diz o site.Esbelta enguia narceja. Créditos: Leonard Ortiz


A Nemichthys scolopaceus tem uma característica curiosa: seu ânus avançou durante sua evolução e agora está localizado em sua garganta.

Por que criaturas das profundezas do oceano estão aparecendo em praias nos EUA?

“Acho que é principalmente uma coincidência de como as correntes estão trabalhando em nossa costa. Coisas que normalmente se acomodariam no fundo do mar, são apanhadas pela corrente e empurradas para a costa e as encontramos aqui”, explicou Steers.Esbelta enguia narceja. Créditos: Leonard Ortiz

“A enguia narceja vive em oceanos em todo o mundo, nas profundezas onde há temperaturas de água mais frias. A enguia moray é mais comumente vista ao longo da Califórnia”, finalizou.

Reprodução: Olhar digital


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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Pesquisa: Células de pessoas deprimidas envelhecem mais rápido

De acordo com estudo, células de pessoas gravemente deprimidas envelhecem em média dois anos antes do normal


Um novo estudo revelou que a depressão pode acelerar o envelhecimento celular e levar a morte prematura. Além disso, já se sabia que esse transtorno é um fator de risco para doenças cardiovasculares, mal de Alzheimer e osteoporose. A pesquisa foi publicada no periódico científico Translational Psychiatry.

Os cientistas partiram da ideia de essas doenças, as quais indivíduos com depressão grave possuem grandes chances de desenvolver, estão ligadas à idade avançada e a riscos de mortalidade precoce. Assim, eles decidiram olhar para o envelhecimento celular para entender o que pode causar essa correlação.

Dessa forma, os pesquisadores passaram a observar as mudanças químicas no DNA que indicam o envelhecimento e o quão rápido elas ocorriam em pessoas deprimidas. Como resultado, eles constataram que as células desses indivíduos envelhecem em média dois anos antes do normal.

Ainda não está claro se a depressão acelera o processo de envelhecimento celular ou se ambos esses processos estão ligados a um terceiro fator. Para entender mais sobre o assunto, é preciso organizar mais estudos acerca do tema, que permanece um tabu para grande parte da sociedade.

Reprodução: VEJA
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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Qual é a vacina mais eficaz contra o coronavírus?


Um
artigo publicado pelo jornal científico The Lancet indica que existem ao menos 96 vacinas contra covid-19 em desenvolvimento ao redor do globo. Oito delas já estão em uso. A pergunta de 1 milhão de dólares é: qual é a mais eficaz? A resposta é: depende.

Fatores como a população influenciam nos resultados. Por enquanto, em números absolutos, a maior taxa de eficácia é da Pfizer, criada em parceria com a BioNtech, que atingiu 95% de eficácia, sem efeitos colaterais significativos.


A vacina da Pfizer já está disponível para uso emergencial no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, todos os estados e o Distrito Federal receberão as doses de maneira proporcional. No entanto, a vacina deve ser utilizada somente nas capitais devido às particularidades de seu armazenamento, que deve ser feito entre -25 °C e -15 °C por, no máximo, 14 dias.

Eficácia das vacinas disponíveis no Brasil

Além da vacina da Pfizer, o Brasil está aplicando doses das vacinas CoronaVac, produzida em parceria com a chinesa Sinovac e Astrazeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. A vacina da Johnson & Johnson (J&J) também deve começar a ser aplicada em julho no país.

Astrazeneca

A vacina mostrou eficácia de 82,4% com um intervalo de três meses entre as duas aplicações. Ela também pode reduzir em 67% a transmissão do vírus após a administração da primeira dose, segundo ensaios realizados pela Universidade de Oxford. O imunizante demonstrou 76% de proteção após a primeira dose – nível alcançado após 22 dias da imunização.

CoronaVac

A CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, tem eficácia geral de 50,38%. Esse percentual, segundo dados do governo brasileiro, refere-se a estudos feitos no país. A eficácia em casos leves de covid-19 foi de 77,96%.

Johnson & Johnson

A vacina de uma só dose da norte-americana J&J tem 72% de efetividade global, evitando 66% dos casos moderados a graves de covid-19, segundo declaração da empresa. Também previne 85% das infecções graves e 100% das hospitalizações e mortes decorrentes da infecção.
Vacinas disponíveis pelo mundo

Moderna

A vacina da farmacêutica americana Moderna é a segunda mais eficaz em termos absolutos, atingindo 94,1% de eficácia na prevenção da covid-19. A vacina também aparenta conseguir evitar que os voluntários fiquem gravemente doentes.

Novavax

A vacina da norte-americana Novavax atingiu 89,3% de eficácia nos ensaios clínicos. Apesar de ter atingido eficácia de 100% contra casos graves da doença causados pela cepa original do novo coronavírus, o imunizante se mostrou pouco eficaz contra a variante sul-africana – um reforço está sendo produzido pelo laboratório.

Sinopharm

A vacina do laboratório chinês Sinopharm, recém-aprovada pela OMS para uso emergencial, tem 86% de eficácia comprovada. Também tem 79% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos graves e hospitalizações.

Sputnik V

O imunizante russo Sputnik V, produzido pelo Instituto Gamaleya, tem eficácia geral de 91,6%, de acordo com resultados da fase três de ensaios clínicos publicados na revista The Lancet.

Eficácia é relativa

Segundo o artigo citado no início desta notícia, o entendimento completo da eficácia das vacinas é menos simples do que pode parecer. A eficácia da vacina é geralmente relatada como uma redução do risco relativo (RRR). No entanto, o RRR deve ser visto no contexto do risco de infecção e adoecimento, que varia entre as populações e ao longo do tempo.

Enquanto o RRR considera apenas os participantes que poderiam se beneficiar da vacina, a redução do risco absoluto (ARR) – que é a diferença entre as taxas de ataque com e sem vacina – considera toda a população. Os ARRs tendem a ser ignorados porque fornecem um tamanho de efeito muito menos impressionante do que os RRRs.


O ARR também é utilizado para obter uma estimativa da eficácia da vacina, que é o número necessário para vacinar (NNV). A vacina mais eficaz então, segundo o artigo, seria o imunizante com maior RRR e menor NNV – que, no caso das vacinas analisadas, seria a da Moderna.

Reprodução: Tecmundo
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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Estudante de biologia captura peixe com parasita no lugar da língua

Crustáceo é conhecido popularmente como peixe-comedor-de-língua. A espécie fotografada pelo aluno ainda era desconhecida



Um estudante de biologia marinha da Cidade do Cabo, capital da África do Sul, fotografou um peixe com um parasita no lugar da língua. Nada muito tenebroso para um aluno da área. No entanto, ao enviar o clique a um professor de zoologia veio a surpresa: Don Marx, 27, foi informado de que a espécie na boca do hospedeiro ainda era desconhecida pela ciência.


O parasita é popularmente conhecido como peixe-comedor-de-língua. Mas, de peixe não tem nada. Trata-se de um crustáceo, que começa a vida como macho, à deriva no oceano. Até que identifique uma boa oportunidade para colocar o plano de simbiose em prática, confome Marx explicou no Facebook, em texto compartilhado com a foto abaixo.


"Eles encontram um peixe hospedeiro e entram pelas guelras", explicou, "se prendem aos arcos das guelras, até que tenham idade suficiente para mudar para o gênero feminino."

E é como fêmea que a situação fica um tanto, digamos, visceral: "Ela se move para a língua, onde morde e interrompe a circulação sanguínea, fazendo com que se desintegre."

Todo esse esforço tem uma recompensa. O parasita simplesmente substitui a função da língua do peixe e sobrevive do sangue e da mucosa do hospedeiro, ricos em nutrientes.

Marx ressalta que a perda de sangue é insignificante para o peixe, que não sofre nenhum outro dano — com exceção de uma língua decepada em uma das etapas do processo. "O piolho morre quando o peixe morre, então não é vantagem evolutiva o parasita matar o hospedeiro", acrescentou. "Portanto, para que ambas as espécies completem seus ciclos de vida, um relacionamento saudável é mantido."

Em entrevista ao tabloide Daily Mail, o estudante conta que a biologia e as pescarias que realiza desde jovem o colocaram frente a frente com muito parasitas marinhos. "Mas, nada poderia realmente me preparar para o momento em que abri a boca do peixe e vi um alienígena de olhos azuis e bigode me encarando", brincou.

Marx fisgou a dupla durante visita ao Cabo das Agulhas, no extremo sul do continente africano. Segundo ele, o crustáceo comedor de língua recém-catalogado usa exclusivamente a espécie de peixe da foto, que o estudante se refere pelo termo "carpinteiro". Aparentemente, cada uma das 280 espécie desses parasitas identificadas até agora possuem como alvo apenas um tipo de hospedeiro.

"Quando nos permitimos desacelerar e olhar ao nosso redor, a natureza revela toda a magia dela para nós", concluiu o estudante. Uma magia em estado profundamente bruto, quando analisada sob a perspectiva humana...

Reprodução: R7
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segunda-feira, 10 de maio de 2021

É possível transmitir covid-19 mesmo estando vacinado?


“Aqueles que foram vacinados não deveriam jogar fora suas máscaras neste momento. Esta pandemia não acabou”, disse o virologista John Moore, da Weill Cornell Medicine de Nova York. A pergunta feita a ele foi se as pessoas já imunizadas podem espalhar o
SARS-CoV-2. A resposta: não se sabe.

A polêmica veio à tona depois que a diretora do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos EUA, a médica Rochelle P. Walensky, disse que pessoas que receberam duas doses de vacinas contra a covid-19 “não carregam o vírus” e, por isso, não seriam capazes de infectar ninguém. A afirmação vai contra as recomendações do próprio órgão para o uso contínuo de máscaras e para distanciamento social.

“É possível que algumas pessoas que estão totalmente vacinadas possam pegar Covid-19. A evidência não está clara se elas podem espalhar o vírus para outras pessoas. Continuamos avaliando as evidências”, disse logo depois um porta-voz do CDC ao jornal The Times.

Prevenção

A declaração da diretora do CDC, proferida na última quinta-feira (8), veio acompanhada da divulgação de um estudo sobre se as vacinas aprovadas nos EUA são eficazes na prevenção de infecções. O estudo envolveu 3.950 profissionais de saúde na linha de frente do combate ao vírus. Duas semanas depois de serem imunizadas, a grande maioria permaneceu livre do vírus.

O consórcio Pfizer/BioNTech divulgou dados de acompanhamento daqueles que receberam sua vacina gênica: 77 pessoas que receberam a vacina tiveram covid-19, em comparação a 850 pessoas que receberam um placebo.

“Os dados sugerem que é muito mais difícil para as pessoas vacinadas serem infectadas, mas não é impossível. Claramente, algumas pessoas vacinadas são infectadas”, disse o virologista Paul Duprex, diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas da Universidade de Pittsburgh.

Propagação

Há chances de quem foi vacinado passar a doença adiante? É isso o que o governo americano quer descobrir e, para isso, está financiando um estudo, a ser conduzido pela Rede de Prevenção COVID-19 (CoVPN), com 12 mil alunos, com idades entre 18 e 26 anos, de 21 campi universitários.


Os estudantes estão sendo divididos aleatoriamente em dois grupos: a metade será imunizada com a vacina de RNAm da Moderna que, em testes clínicos, mostrou eficácia de 94% na prevenção de covid-19; a outra metade só poderá se vacinar daqui a quatro meses. O estudo será desenvolvido ao longo de cinco meses.

Os dados coletados no estudo com os dois grupos poderão determinar quão bem as vacinas funcionam para deter a propagação do SARS-CoV-2, quais os perigos que as variantes representam e se o vírus continuará circulando, sendo passado adiante por aqueles que se vacinaram, tornando-se disseminadores assintomáticos.

Cargas baixas

O objetivo é determinar a duração da infecção em pessoas vacinadas e não vacinadas, medir a carga viral presente nos voluntários e, ainda, testar ao longo do tempo as pessoas no círculo pessoal dos participantes e as amostras coletadas, em busca de variantes. O resultado poderá determinar se pessoas com infecções assintomáticas, mesmo já vacinadas, podem espalhar covid-19.


Um estudo publicado na revista Nature Medicine em fins de março por pesquisadores israelenses mostrou que pessoas imunizadas no país com a vacina da Pfizer e que contraíram covid-19 tinham cargas virais mais baixas do que pessoas não vacinadas que foram infectadas.

O estudo publicado, porém, foi observacional e não, um ensaio clínico randomizado (padrão-ouro em testes clínicos). A carga viral necessária para a contaminação também pode variar, a depender das cepas hoje em circulação.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Dos 12 animais mais venenosos do mundo, quem lidera a lista é um caracol


Qual é o animal mais venenoso do mundo? Se pensou numa cobra, sua resposta está errada! Há cobras com venenos super tóxicos, mas o animal mais venenoso do mundo, por incrível que pareça, é um molusco marinho. Aliás, está cheio de animais venenosos no fundo do mar.

Para criar esta lista, comparamos a toxicidade do veneno de acordo com sua DL50 (Dose Letal Mediana). Esse número mostra a quantidade de veneno (em mg) que é mortal para 50% de uma população testada (geralmente, camundongos). Quanto menor o número, mais potente é o veneno.

12. Escorpião perseguidor-da-morte


Nome científico: Leiurus quinquestriatus
Onde vive: regiões áridas do nordeste da África e do Oriente Médio
Tamanho: entre 3 e 8 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,25 mg/kg

Também conhecido como escorpião- amarelo da Palestina, o perseguidor-da-morte faz jus ao nome macabro: seu veneno é o mais tóxico dentre todos os escorpiões, com DL50 de 0,25 mg/kg - ou seja, são necessários apenas 0,25 mg de veneno por quilo de massa corporal para matar um ser vivo.

Apesar de toda essa potência, dificilmente um ser humano adulto irá morrer com um picada desse escorpião. O grupo de risco é formado por crianças e idosos. Uma picada causa reações alérgicas (anafilaxia) que podem levar à morte.

11. Aranha-teia-de-funil


Nome científico: Atrax robustus
Onde vive: florestas do sudeste da Austrália
Tamanho: 3 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,16 mg/kg

Esta é a aranha com o veneno mais tóxico do mundo! Essa potência extrema é reconhecida pelo Guinness, o livro dos recordes! Conhecida por seu comportamento agressivo, essa aranha não curte ser incomodada. E se isso acontece, ela logo põe suas enormes presas para funcionar, desferindo uma picada que provoca intensa dor local. Em casos extremos, a neurotoxina da teia-de-funil pode causar complicações como distúrbios cardiovasculares e edema pulmonar.

Apesar da toxicidade de seu veneno, mortes humanas são bastante raras. O antídoto já salvou muitas vidas na Austrália.

10. Serpente-tigre


Nome científico: Notechis scutatus
Onde vive: sudeste e sudoeste da Austrália
Tamanho: entre 1 e 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,118 mg/kg

Há muitos bichos venenosos na Austrália. E as cobras, sem dúvida alguma, são aqueles que mais assustam. Uma das espécies mais temidas pelos australianos é a Notechis scutatus, conhecida como serpente-tigre (tiger snake) em razão dos padrões em seu corpo, que se assemelham às faixas cruzadas da pelagem dos grandes felinos.

Essa cobra vive em lugares com água, como pântanos e represas. E apesar de ser agressiva e possuir um veneno neurotóxico super potente, ela só irá atacar caso se sinta ameaçada. Em caso de picada, uma pessoa adulta pode vir a óbito em apenas 30 minutos...

9. Taipan-costeira


Nome científico: Oxyuranus scutellatus
Onde vive: norte e leste da Austrália e Nova Guiné
Tamanho: 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,099 mg/kg

Outra cobra australiana bem venenosa - e perigosa! - é a taipan-costeira, também conhecida como taipan-oriental. Sim, ela é prima da cobra mais venenosa do mundo, a taipan-do-interior, mas, por incrível que pareça, chega a ser mais perigosa que sua parente. Isso se deve ao fato dela viver próximo de povoações e também pelo seu comportamento bastante agressivo (apenas quando se sente ameaçada).

É uma das cobras mais temidas da Austrália. Seu veneno neurotóxico, quando inoculado por seus dentões de 12 mm, provoca distúrbios de coagulação do sangue e afeta o sistema nervoso central. Em casos graves, uma mordida dessa serpente pode causar danos nos rins, destruição dos tecidos e hemorragia interna. Sorte que já existe antídoto!

8. Cobra-marrom


Nome científico: Pseudonaja textilis
Onde vive: leste e centro da Austrália e sul da Nova Guiné
Tamanho: 2 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): entre 0,0365 e 0,053 mg/kg

Eis a cobra mais perigosa da Austrália - e talvez de todo o mundo! Só ela é responsável por mais da metade das ocorrências de picadas de cobra na Austrália. É famosa por sua agilidade e agressividade. Mas não custa lembrar que cobras não saem caçando pessoas por aí. Elas só reagem quando são incomodadas.

Uma serpente-marrom de tamanho médio pode injetar até 10 mg de veneno por picada. Isso significa que uma única picada dessa cobra inocula veneno suficiente para matar até três pessoas de 70 kg.


7. Polvo-de-anéis-azuis


Nome científico: Hapalochlaena maculosa e Hapalochlaena lunulata
Onde vive: costa sul da Austrália
Tamanho: de 10 a 20 cm (contando os tentáculos)
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,08 a 0,14 mg/kg

Ele é pequenino e bem fofinho. Tanto que turistas desavisados chegam a pegá-los com as mãos para tirar fotos. Mal sabem eles o perigo que correm... Conhecido como o cefalópode mais venenoso do mundo, o polvo-de-anéis-azuis carrega um veneno chamado tetrodotoxina, uma neurotoxina que interfere na transmissão neuromuscular, provocando paralisia dos músculos. A morte geralmente ocorre por parada respiratória.

O envenenamento é fatal para os seres humanos. A boa notícia é que esses polvos não atacam. A liberação de veneno é um comportamento de defesa, que só será acionado caso o bichinho se sinta ameaçado. Portanto, tirá-lo da água é uma péssima ideia.


6. Vespa-do-mar


Nome científico: Chironex fleckeri
Onde vive: costa norte da Austrália e sudeste asiático
Tamanho: 20 cm de comprimento com tentáculos de até 3 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,04 mg/kg

Outro perigo dos mares é esta água-viva conhecida como vespa-do-mar, cubomedusas ou água-viva-caixa. Trata-se da água-viva mais letal do mundo. E o perigo está em seus tentáculos, que possuem células urticantes chamadas de cnidoblastos. Quando algo toca a parte exterior do cnidoblasto, é liberada a toxina mortal.

A intoxicação pela vespa-do-mar pode levar à morte em poucos minutos. Alguns dos sintomas são dor extrema e falta de ar. Em casos graves, pode ocorrer parada cardíaca.

5. Peixe-pedra


Nome científico: Synanceia verrucosa
Onde vive: Nova Zelândia e Austrália
Tamanho: 35 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,038 mg/kg

Ele parece uma rocha ou parte de um coral. Mas não se engane! Esta é sua tática de camuflagem, que lhe permite enganar suas presas e se esconder de possíveis predadores, como os tubarões. O peixe-pedra possui 13 espinhas na barbatana dorsal capazes de injetar um veneno altamente tóxico. Trata-se do peixe mais venenoso do mundo.

A boa notícia para nós, humanos, é que em 1959 foi criado um antídoto para o veneno do peixe-pedra.

4. Taipan-do-interior


Nome científico: Oxyuranus microlepidotus
Onde vive: regiões semiáridas do centro-leste da Austrália
Tamanho: 1,8 m
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,025 mg/kg

Além de ser mais "tímida" que outras serpentes australianas, a poderosa taipan vive em regiões remotas, de modo que os contatos com pessoas são bastante raros. Por isso, apesar possuir o veneno mais poderoso dentre todas as serpentes do mundo, ela não é a mais nociva aos seres humanos.

Como a taipan-do-interior é capaz de injetar num ataque 17,3 mg de veneno, uma única mordida dessa serpente libera toxinas suficientes para matar quase 10 pessoas de 70 kg. Sorte que existe antídoto e os encontros com seres humanos são pouco frequentes.

3. Baiacu


Nome científico: Sphoeroides spengleri
Onde vive: mares tropicais e subtropicais do Pacífico, Índico e Atlântico
Tamanho: 90 cm (máximo)
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,01 mg/kg

Há cerca de 120 espécies desse peixe, conhecido como baiacu, peixe-balão ou até mesmo sapo-do-mar. Estes dois últimos nomes se explicam por uma característica bem curiosa desses animais: eles inflam o corpo com água quando se sentem ameaçados. Com isso, multiplicam o seu tamanho normal, assustando seus predadores.

Mas o que mais assusta no baiacu não é esse truque, e sim seu veneno: a tetrodotoxina, uma substância poderosíssima que, se ingerida por um ser humano, pode matar em poucas horas. Um um único peixe, há veneno suficiente para matar 30 seres humanos adultos!

2. Rã-venenosa-dourada


Nome científico: Phyllobates terribilis
Onde vive: nas florestas tropicais da Colômbia
Tamanho: de 4 a 6 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): 0,002 mg/kg

Achou esta rã bonitinha? Pois saiba que seu veneno (a batracotoxina) é tão tóxico que uma quantidade equivalente a dois grãozinhos de sal de cozinha é suficiente para matar um ser humano. Suas toxinas são 20 vezes mais poderosas que as de qualquer outra rã que existe. Uma única rã contém veneno suficiente para matar 10 homens.

O veneno é tão forte que os índios nativos da região o usam nos dardos de suas zarabatanas. Esse veneno, armazenado sob a pele do animal, é "transpirado" quando a rã se sente ameaçada. Por isso, qualquer contato com sua pele pode ser mortal.

1. Caracol-do-cone


Nome científico: Conus geographus
Onde vive: costa norte da Austrália
Tamanho: de 7 a 15 cm
Toxicidade do veneno em DL50 (Dose Letal Mediana): entre 0,001 e 0,005


Em termos de veneno, o pequeno caracol-do-cone (composto por uma concha calcária e um corpo macio) é imbatível. Esse predador age lentamente - e com extrema frieza. O veneno é injetado por meio de um duto (uma espécie de tromba) que funciona como um arpão venenoso. O veneno age em um ou dois segundos, deixando a presa completamente paralisada.

O envenenamento de seres humanos é raro. Abelhas e vespas, por exemplo, matam muito mais do que o Conus geographus. Mas, caso esse pequeno animal venha a picar alguém, a picada provoca dor forte, dormência e tontura. Mortes geralmente ocorrem por paralisia respiratória. Ainda não há antídoto para esse veneno mortal

Reprodução: hipercultura
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domingo, 2 de maio de 2021

Instituto de Biologia Molecular do Paraná desenvolve teste rápido para detectar Covid-19

Teste já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Foto: Reprodução/RPC

Resultado fica pronto em 15 em minutos; o teste já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a produção comercial deve começar nas próximas semanas.

Um teste desenvolvido no Paraná para detectar o novo coronavírus foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana. Ele é mais rápido, mais barato e pode ser usado no controle da pandemia.

O teste do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) foi desenvolvido em Curitiba, em quatro meses. O resultado fica pronto em 15 em minutos.

"Nós precisamos saber com rapidez, e o teste rápido antígeno tem potencial de 15 minutos depois que você faz o teste, você sabe se é positivo ou negativo e pode se isolar. Fazendo isso, a gente tem um impacto muito grande para a pandemia. Se a gente conseguir fazer isso, testar, isolar as pessoas, a gente consegue impedir a transmissão", disse Fabrício Marchini, gerente de desenvolvimento tecnológico do IBMP.

O Paraná chegou a 942.038 casos confirmados do novo coronavírus e 22.254 mortes causadas pela Covid-19, de acordo com boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) desta sexta-feira (30).

A produção comercial do teste do Instituto de Biologia Molecular do Paraná deve começar nas próximas semanas.

"Nós já perdemos 400 mil vidas no Brasil, já tivemos um prejuízo imenso, mas existem mais vidas que podem ser perdidas e mais prejuízo econômico. Então, a testagem em massa pode ajudar a minimizar os futuros prejuízos", afirmou o infectologista Renato Grinbaum.

Reprodução: G1


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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Cientistas criam robô que 'imita' estrela-do-mar para estudar oceano

 


Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão desenvolvendo um robô que imita a aparência de uma estrela-do-mar. A ideia surgiu após os pesquisadores notarem que os peixes estranham a forma do robô, tornando o ambiente mais hostil. O objetivo do projeto é estudar a vida marinha e levar equipamentos de pesquisa para ambientes mais apertados sem interferir no comportamento dos animais. Ou seja, ao criar uma estrela-do-mar "falsa", o grupo espera estudar o ambiente sem chamar atenção.

Os cientistas contaram que a decisão de imitar uma estrela-do-mar surgiu pela simplicidade de seus movimentos, facilitando a simulação do "andar" do animal.

O desafio, segundo Josephine Hughes, uma das autoras da pesquisa, é desenvolver um sistema que funcione de forma 100% confiável embaixo d'água. “As interações passivas entre um robô subaquático e as forças fluidas ao seu redor, como ondas e correntes marítimas, são muito mais complicadas do que quando um robô está caminhando em terreno estável, o que torna a criação de seus sistemas de controle bastante difícil”, conta.

Segundo a equipe, o resultado foi muito positivo e o objetivo agora é criar robôs inspirados em tartarugas marinhas, raias e tubarões. Para isso, o grupo já está estudando o desenvolvimento de estruturas mais complexas, como as juntas e nadadeiras mais semelhantes às originais.

“No futuro, projetando e construindo instrumentos robóticos inspirados em animais de verdade, será possível criar observatórios personalizados que podem ser usados para entender melhor a vida em todo o planeta”, comenta o professor, Tao Du.

Reprodução: Tecmundo
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