quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Molusco lança insulina na água para paralisar presa por hipoglicemia

Pesquisa revela a captura de presas como papel inédito da substância. Insulina ajuda os moluscos a paralisar cardumes inteiros de peixes.
Cientistas descobriram que uma espécie de molusco tem uma estratégia peculiar para capturar suas presas. Esses animais lançam insulina na água para provocar hipoglicemia em cardumes de pequenos peixes. Dessa forma, eles ficam mais lentos e desorientados, tornando-se alvos mais fáceis.
A espécie que desenvolveu essa estratégia, Conus geographus, move-se lentamente, por isso conta com seu veneno para caçar as presas. Mas, até então, não se imaginava que a insulina fazia parte desse processo. Acreditava-se que o molusco disparava na água uma mistura de toxinas imobilizadoras por meio de uma falsa boca. Quando os peixes eram atingidos e paravam de se mexer, eram engolidos pelo molusco.


Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, queriam descobrir o mecanismo que fazia as presas do molusco ficarem mais lentas a partir do contato com seu veneno. Ao analisarem as proteínas produzidas na glândula da Conus geographus, encontraram duas que eram muito parecidas com o hormônio insulina, responsável pelo controle do açúcar no sangue.
Constatou-se que a espécie Conus tulipa também usa a mesma estratégia de caça. "Este é um tipo único de insulina. É mais curto do que qualquer outro tipo de insulina descrita em qualquer animal", diz Baldomero M. Oliveira, professor da Universidade de Utah e um dos autores do estudo.

Hipoglicemia

Para testar se essa insulina realmente tinha a função de ajudar na caça, os cientistas sintetizaram em laboratório a mesma substância produzida pelos moluscos e testaram seus efeitos no peixe paulistinha, ou zebrafish. A substância fez os níveis de glicose caírem e prejudicou os movimentos do peixe.
Os resultados sugerem que a insulina ajuda os moluscos a paralisar cardumes inteiros de peixes por meio de choque hipoglicêmico, ou choque insulínico.
De acordo com os autores do estudo, publicado nesta segunda-feira, dia 19 de janeiro de 2015 na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", os resultados revelam um papel até então desconhecido da insulina como forma de capturar presas. Estudar a insulina produzida pelo Conus geographus pode ajudar a entender a ação da insulina no corpo humano, segundo os pesquisadores.

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sábado, 6 de outubro de 2018

Musgo renasce 1.500 anos depois de ficar congelado na Antártica

Pesquisa descreveu pela 1ª vez espécie que sobreviveu por longo tempo.
Um musgo na Antártica renasceu após passar mais de 1.500 anos sob uma camada de gelo, um recorde que marca o maior ciclo vital de qualquer planta conhecida, revelou um estudo feito por cientistas britânicos e divulgado esta semana nos Estados Unidos.
A pesquisa, publicada no periódico "Current Biology", descreve a primeira vez que um musgo conseguiu sobreviver durante um longo período de tempo.
Até agora, tinha-se o registro de um musgo que renasceu após apenas 20 anos. As bactérias eram, até então, a única forma de vida conhecida por sobreviver durante milhares, inclusive milhões de anos.


"Este experimento demonstra que organismos multicelulares, plantas neste caso, podem sobreviver a períodos de tempo muito mais longos do que se pensava anteriormente. Este musgo, parte chave do ecossistema, conseguiu sobreviver a períodos centenários ou milenares de avanço do gelo, como a Pequena Era do Gelo na Europa", disse Peter Convey, do British Antarctic Survey, um dos autores do estudo.
Os cientistas capturaram amostras das profundezas de um banco de musgos congelados na Antártica.
Eles cortaram os núcleos desta planta e os colocaram em uma incubadora, a temperaturas e níveis de luz que estimulariam seu crescimento em condições normais. Depois de algumas semanas, o musgo começou a crescer.
Técnicas de datação de carbono mostraram que as plantas originais tinham pelo menos 1.530 anos de antiguidade.
"Apesar de ser um grande salto com relação à descoberta atual, isto representa a possibilidade de formas de vida complexas sobrevivendo a períodos ainda mais longos ao permanecer presos no permafrost ou no gelo", disse Convey.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Brasileiro faz música em dueto com fungo

Compositor Eduardo Miranda usa culturas de mofo como componente central de biocomputador que recebe sinais de som e envia respostas.
Um músico brasileiro apresentou na Grã-Bretanha um dueto inédito: no piano, ele interagiu com um fungo. E mofo toca música? Nas mãos de Eduardo Miranda, sim.
Especialista em música computadorizada, ele transformou a decomposição em composição: seu novo trabalho usa culturas do fungo Physarum polycephalum como um componente central de um biocomputador interativo, que recebe sinais de som e envia de volta as respostas.


"A composição, Biocomputer Music, se desenvolve como uma interação entre mim e a máquina Physarum," disse Miranda.
"Eu toco alguma coisa, o sistema escuta, toca alguma coisa de volta, e então eu respondo, e assim por diante."
Brasileiro de Porto Alegre, Miranda leciona na Universidade de Plymouth, na Inglaterra. Ele disse à BBC Brasil que Heitor Villa-Lobos tem uma grande inflluência em sua obra e que gostaria de levar a apresentação Biocomputer para o Brasil, mas que, por enquanto, questões técnicas impedem que ele viaje com o equipamento.

Funcionamento


Biocomputer Music from Eduardo Miranda on Vimeo.

O mofo Physarum forma um componente eletrônico vivo e mutante em um circuito que processa sons captados por um microfone treinado no piano.
Pequenos tubos formados pelo Physarum têm a propriedade elétrica de agir como uma resistência variável que muda de acordo com tensões aplicadas anteriormente, de acordo com Ed Braund, aluno de doutorado no Centro Interdisciplinar de Computer Music Research na Universidade de Plymouth.
"As notas de piano são transformadas em uma onda elétrica complexa que enviamos através de um desses túbulos Physarum. A resistência Physarum muda em função das entradas anteriores, e as notas musicais viram, então, uma nova saída que é então enviada de volta para o piano. O biocomputador atua como um dispositivo de memória", acrescenta Miranda.
"Quando você diz a ele para tocar novamente, ele vai embaralhar as notas enviadas. Pode até gerar alguns sons que não estavam nas notas tocadas. A máquina tem um pouco de 'criatividade'."
Enquanto o pianista toca piano na forma convencional, utilizando as teclas, o biocomputador induz notas por pequenos eletroímãs que pairam milímetros acima das cordas de metal, imbuindo a música com um tom etéreo.

Acaso

Miranda compara seu uso de um biocomputador às técnicas "aleatórias" do compositor de vanguarda americano John Cage (1912-1992), que se voltou para o livro chinês de mudanças i-ching e ao lançamento de dados para controlar partes de suas composições.
"John Cage acreditava no acaso, mas não na aleatoriedade. Ele queria aproveitar a estrutura que estava fora de seu controle. Aqui nós temos o efeito, programado em uma máquina viva. Eu acho que isso é o sonho de John Cage realizado."
Miranda vem explorando há algum tempo o uso de computadores em peças interativas de composições eletrônicas, mas valoriza a simplicidade do processador Physarum.
"O que eu ouço é muito diferente de ter um computador digital programado com cadeias de dados. Não é inteligente, mas é vivo. O que é interessante..."

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sábado, 29 de setembro de 2018

Não tirar os olhos do celular pode prejudicar sua coluna

Nossos telefones celulares e tablets têm transformado a maneira como lidamos com nossos corpos – e não para melhor.
Olhar para o seu dispositivo é como ter um peso de 27 quilos em seu pescoço, de acordo com o Dr. Kenneth K. Hansraj, chefe de cirurgia da coluna no New York Spine Surgery & Rehabilitation Medicine (Centro de Cirurgia na Coluna e Reabilitação Médica de Nova York, em tradução livre). Isso é como segurar uma criança de oito anos no pescoço enquanto você está de pé lendo suas mensagens.


Hansraj desenvolveu o modelo de computador acima. Como é de se esperar, mover a cabeça para a frente e ter a mesma quantidade de força em seu pescoço e coluna vertebral não é bom para a saúde. A má notícia é que o ser-humano médio gasta de 2 a 4 horas por dia nesta posição.
Uma vez que as nossas cabeças são bastante pesadas – com peso de até 5,5 kg, ou – quando estamos frequentemente olhando para baixo por longos períodos, estamos aumentando a atração gravitacional sobre elas. E, como se vê, essa força é muito grande.
O estudo observa que ter uma boa postura é ter seus ouvidos alinhados com os ombros e as omoplatas para trás. Isto reduz o stress do corpo e diminui o cortisol. Má postura, por outro lado, acentua a coluna vertebral e pode levar a um desgaste precoce, e talvez à uma intervenção cirúrgica.
Algumas soluções para corrigir a postura: segure o celular diretamente na sua frente, em vez de dobrar a cabeça para baixo; coloque o seu tablet em um ângulo de 30 graus ao digitar ou tocar (o ângulo protege seus pulsos) ou mais perpendicularmente se for apenas leitura; e estique o pescoço para trás para corrigir a postura.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Estudo detecta alterações no sangue de macacos da região de Fukushima

Hipótese é que radiação tenha contribuído para mudanças no sangue. Macacos da região apresentam menos glóbulos brancos e vermelhos.
Exames de sangue feitos em macacos que moram na região de Fukushima, após a catástrofe nuclear, puseram em evidência uma presença menor de glóbulos brancos e vermelhos, o que poderia causar maior vulnerabilidade nesses primatas, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira (24 de julho de 2014) na revista "Scientific Reports", do grupo "Nature".
Entre abril de 2012 e março de 2013, a equipe de Shin-ichi Hayama (Universidade Japonesa de Ciências da Vida e Veterinárias) analisou o sangue de 61 macacos que vivem em um raio de 70 km da usina de Fukushima Daiichi, danificada pelo tsunami de 11 de março de 2011.


Para dispor de um ponto de comparação, os cientistas também analisaram o sangue de 31 macacos da península de Shimokita, situada a 400 km da usina nuclear.
"Comparados com os macacos de Shimokita, os símios de Fukushima tinham quantidades significativamente menores de glóbulos brancos e vermelhos, de hemoglobina e hematócritos", afirmaram os pesquisadores.
"Os resultados sugerem que a exposição a substâncias radioativas contribuiu para causar modificações hematológicas nos macacos de Fukushima", acrescentaram.
Ao mesmo tempo em que excluem doença infecciosa ou desnutrição como outra causa possível das alterações, advertiram que serão necessários novos estudos para confirmar suas conclusões.

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domingo, 23 de setembro de 2018

Estudo diz que animal terrestre mais rápido do mundo é um ácaro

Bicho percorre 322 vezes por segundo o comprimento do próprio corpo. 'Paratarsotomus macropalpis' desbancou o besouro-tigre australiano.
O mundo animal tem um novo recordista de velocidade, segundo um estudo apresentado no domingo, dia 27 de maio de 2014, na reunião científica "Experimental Biology 2014", em San Diego, nos Estados Unidos. O bicho terrestre mais rápido do mundo, aponta a pesquisa, percorre uma distância equivalente a 322 vezes o comprimento do próprio corpo em apenas um segundo.
Trata-se do ácaro Paratarsotomus macropalpis. Com o tamanho inferior ao de um grão de gergelim, ele desbancou o antigo recordista mundial: o besouro-tigre australiano, capaz de percorrer 171 vezes seu próprio comprimento em um segundo.
Essa medida diz respeito à velocidade do animal proporcionalmente ao tamanho de seu corpo. Conhecido por sua rapidez, um guepardo que corra a uma velocidade de cerca de 95 km/h, por exemplo, percorre somente 16 vezes seu próprio comprimento por segundo.


Um dos estudantes responsáveis por encontrar esse tipo de ácaro e documentar sua velocidade no hábitat natural foi Samuel Rubin, aluno do Pitzer College, na Califórnia."É muito legal descobrir algo que seja mais rápido que qualquer outra coisa. E apenas imaginar um humano correndo tão rápido, levando em conta seu tamanho, é realmente surpreendente", diz.
Caso o homem tivesse uma velocidade equivalente à da espécie Paratarsotomus macropalpis, levando em conta seu tamanho, ele seria capaz de percorrer mais de 580 metros a cada segundo.
Para Rubin, o estudo sobre como esses aracnídeos conseguem atingir velocidades tão grandes pode inspirar novas tecnologias revolucionárias para a construção de veículos, robôs e outros equipamentos.
Esse tipo de ácaro é natural do sul da Califórnia, onde é comumente encontrado em rochas e calçadas. Para determinar sua velocidade, os cientistas usaram câmeras de alta velocidade no laboratório e também em no ambiente natural dos animais.
"Era muito difícil pegá-los e, quando filmávamos ao ar livre, era preciso segui-los de forma incrivelmente rápida, já que o campo de visão da câmera era de apenas 10 centímetros", conta Rubin.



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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Petróleo tem efeitos tóxicos sobre o coração dos peixes

Cientistas estudaram impacto do vazamento no Golfo do México, em 2010. Substância afeta capacidade das células cardíacas dos peixes.
Imagens mostram que algumas áreas do sul do estado de Louisiana, nos Estados Unidos, ainda apresentam grande degradação causada pelo vazamento da plataforma de petróleo da companhia BP no Golfo do México, mesmo um ano após o acidente.
O petróleo tem efeitos tóxicos sobre o coração dos peixes, provocando uma irregularidade no ritmo cardíaco, segundo um estudo americano sobre o atum do Golfo do México após o vazamento de combustível da BP em 2010.
Cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), que estudavam o impacto da maré negra sobre o atum após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, descobriram que o petróleo afeta a capacidade das células cardíacas destes peixes de funcionar de modo eficaz.


Desta maneira, bloqueiam os canais de distribuição de potássio nas membranas das células do coração, o que aumenta o tempo entre cada batida. Este mecanismo é similar em todos os vertebrados, incluindo o homem.
Os efeitos negativos do petróleo sobre larvas e jovens peixes já são conhecidos há muito tempo, destacaram os autores dos trabalhos publicados na revista americana Science e apresentados na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Chicago.
'Esta descoberta define mais claramente as ameaças das substâncias químicas derivadas dos combustíveis para os peixes e outras espécies costeiras, assim como para o ecossistema oceânico, com consequências que vão além da maré negra', afirmaram os cientistas, que citam outras fontes de contaminação, como o vazamento de águas pluviais no meio urbano.
Os autores também destacam os riscos - anteriormente subestimados - de algumas substâncias dos combustíveis sobre a fauna e os humanos, especialmente o hidrocarboneto aromático policíclico (HAP), que está presente na poluição do ar em níveis elevados.
O vazamento da British Petroleum após a explosão da plataforma Deepwater Horizon despejou mais de quatro milhões de barris de petróleo no Golfo do México, a maioria durante o período de reprodução do atum vermelho do Atlântico.

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domingo, 16 de setembro de 2018

Descoberta nova região do cérebro que torna o ser humano único

Os cientistas identificaram uma parte do cérebro que parece ser única nos seres humanos.
A região do cérebro, chamada de pólo frontal lateral do córtex pré-frontal, foi descrita dia 28 de janeiro de 2014 na revista Neuron, e está ligada a processos de pensamento mais elevados.
"Nós tendemos a pensar que o ser capaz de planear o futuro, e ser flexível na abordagem e aprender com os outros são coisas que são particularmente impressionantes sobre os seres humanos", disse Matthew Rushworth, psicólogo experimental na Universidade de Oxford.
"Nós identificamos uma área do cérebro que parece ser exclusivamente humana e é provável que tenha algo a ver com esses poderes cognitivos". A nova região do cérebro está localizada dentro de uma região maior chamada córtex frontal ventrolateral, que em estudos anteriores foi associada a um pensamento mais elevado.


Por exemplo, esta parte do cérebro abriga a região de Broca, que desempenha um papel crítico na linguagem. As diferenças no córtex frontal ventrolateral também têm sido vinculadas a transtornos psiquiátricos, como distúrbios de comportamento compulsivo e défice de atenção e hiperatividade (TDAH).
Rushworth e seus colegas colocaram 25 pessoas com 20 anos de idade numa ressonância magnética. A equipa de pesquisa mapeou as conexões entre as diferentes regiões do córtex frontal ventrolateral, tendo então dividido a região do cérebro em 12 áreas que pareciam ser constantes em todos os participantes.
Os pesquisadores então compararam a região mapeada para a mesma região do cérebro em 25 macacos Rhesus, que também haviam sido submetidos a exames de ressonância magnética. Os cérebros dos macacos eram bastante semelhantes aos cérebros humanos em 11 das 12 áreas identificadas.
No entanto, uma área, chamada de pólo lateral frontal do córtex pré-frontal, existia apenas nos voluntários humanos. Além disso, todo o córtex frontal ventrolateral estava mais ligado a partes auditivas do cérebro em humanos, talvez para facilitar um melhor processamento da linguagem.
"Nós descobrimos uma área no córtex frontal humano que parece não ter equivalente no macaco", disse o co-autor Franz-Xaver Neubert, da Universidade de Oxford. "Esta área tem sido associada com o planeamento estratégico e com a tomada de decisão, assim como com multi-tarefas.

Reprodução:Sóbiologia
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Alimentos têm resíduo de agrotóxico acima do permitido no País, diz Anvisa

Terra teve acesso a relatório que aponta irregularidades em 36% das amostras analisadas em 2011 e 29% em 2012
Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que boa parte de frutas, legumes e verduras consumidos pelos brasileiros apresenta altas taxas de resíduos de agrotóxico. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), ao qual o Terra teve acesso, mostra que 36% das amostras analisadas em 2011 e 29% das amostras de 2012 apresentaram irregularidades.
A pesquisa estabelece dois tipos de irregularidades, uma quando a amostra contém agrotóxico acima do Limite Máximo de Resíduo (LMR) permitido e outra quando a amostra apresenta resíduos de agrotóxicos não autorizados para o alimento pesquisado. Das amostras insatisfatórias, cerca de 30% se referem a agrotóxicos que estão sendo reavaliados pela Anvisa.


A Anvisa analisou 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados: abacaxi, alface, arroz, cenoura, feijão, laranja, maçã, mamão, morango, pepino, pimentão, tomate e uva. A escolha dos alimentos baseou-se nos dados de consumo obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na disponibilidade destes alimentos nos supermercados no Distrito Federal e nos Estados e no perfil de uso de agrotóxicos nestes alimentos.
De acordo com a Anvisa, pelo menos dois agrotóxicos que nunca foram registrados no Brasil foram detectados nas amostras: o azaconazol e o tebufempirade. "Isto sugere que os produtos podem ter entrado no Brasil por contrabando", diz a agência.

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