terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Fumaça de incêndios na Austrália deve dar a volta ao mundo, diz Nasa

Nuvens, que também castigam a qualidade do ar na Nova Zelândia, já passaram pela América do Sul


Imagem do satélite SuomiNPP mostra os pontos de incêndio no leste da Austrália e as grandes nuvens de fumaça se movendo para leste, sobre a Nova Zelândia. Crédito: Nasa/NOAA

Os incêndios florestais na Austrália não estão apenas causando devastação no país. As condições sem precedentes, que incluem calor abrasador combinado com estiagem histórica, levaram à formação de um número anormalmente grande de eventos de pirocumulonimbus (pyroCbs), de acordo com a Nasa.

PyroCbs são essencialmente tempestades induzidas pelo fogo. Eles são acionados pelo aumento de cinzas, fumaça e material queimado através de correntes de ar superaquecidas. À medida que esses materiais esfriam, formam-se nuvens que se comportam como tempestades tradicionais, mas sem a precipitação que as acompanha.

Os eventos pyroCbs fornecem um caminho para que a fumaça atinja a estratosfera a mais de 16 km de altitude. Uma vez na estratosfera, a fumaça pode viajar milhares de quilômetros a partir de sua fonte, afetando as condições atmosféricas globalmente. Os efeitos desses eventos (se a fumaça fornece um resfriamento ou aquecimento atmosférico líquido, o que acontece com as nuvens subjacentes, etc.) atualmente são objeto de intenso estudo.

A Nasa está rastreando o movimento da fumaça dos incêndios na Austrália, através de eventos pyroCbs, com mais de 15 quilômetros de altura. A fumaça está causando um impacto dramático na Nova Zelândia, causando sérios problemas de qualidade do ar em todo o país e visivelmente escurecendo a neve dos topos das montanhas.
Escala e intensidade inéditas

Além da Nova Zelândia, em 8 de janeiro, a fumaça viajou a meio caminho da Terra, cruzando a América do Sul (no Brasil, na altura do Rio Grande do Sul), tornando o céu nebuloso e causando nascer e pôr do sol coloridos.

A Nasa espera que a fumaça faça pelo menos um circuito completo ao redor do mundo, retornando mais uma vez aos céus da Austrália.

Centenas de incêndios florestais queimaram em toda a Austrália, matando até agora pelo menos 28 pessoas e destruindo mais de 2 mil casas. Os estados mais castigados são Nova Gales do Sul e Victoria – os dois mais importantes do país. Segundo especialistas, a escala e a intensidade sem precedentes dos incêndios foram exacerbadas pelas mudanças climáticas.

Nesta terça-feira (14 de janeiro), os moradores de Melbourne, a segunda maior cidade australiana, em Victoria, passavam pelo segundo dia consecutivo de qualidade do ar “perigosa”, provocando preocupações com a saúde pública, informou a BBC.

Mais de 100 incêndios continuam ativos no leste do país. As condições mais frias dos últimos dias e a previsão de chuva, no entanto, têm ajudado nos esforços de combate ao fogo.

Reprodução: Revistaplaneta
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A má qualidade do sono desperta o Alzheimer

Dois estudos científicos sugerem um vínculo entre a insônia e o aumento do risco de desenvolver a doença



As noites sem dormir afetam o cérebro. Mais do que parece. Além do cansaço e da falta de concentração no dia seguinte, o desempenho cognitivo pode sofrer a longo prazo e de forma mais grave. Um estudo da Fundação Pasqual Maragall, especializada na pesquisa da doença de Alzheimer, encontrou mudanças na estrutura cerebral que sugerem uma ligação entre a insônia e o desenvolvimento dessa doença neurodegenerativa. Pesquisas realizadas com pessoas saudáveis ​​constataram que as que sofrem de insônia apresentam alterações em algumas áreas do cérebro que também são afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Os danos cerebrais nessa doença neurológica começam muito antes de o paciente desenvolver os primeiros sintomas.

Não é a primeira vez que distúrbios do sono são relacionados a um alto risco de demência. Um estudo multicêntrico publicado em 2018 na revista Alzheimer’s & Dementia já apontava que a insônia na meia idade está associada a um risco mais elevado desse tipo de doença neurodegenerativa. A pesquisa da Fundação Pasqual Maragall, realizada com 1.683 pessoas saudáveis ​​—615 delas com insônia— e publicada na revista Alzheimer’s Research and Therapy, confirma que os participantes com distúrbios do sono tinham um volume menor em regiões cerebrais como o precuneus ou o córtex cingulado posterior. "São áreas que participam de redes que trabalham no funcionamento da memória, do desempenho... É nessas áreas que se acumulam os danos neurológicos nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Pode ser que estejam acumulando danos ou que, por si só, tenham menos volume ", explica Oriol Grau, primeiro signatário do estudo.

Além disso, a pesquisa encontrou mudanças na substância branca do cérebro —onde estão os axônios, os “fios” que conectam os neurônios com outros. “Sabemos que uma perturbação nessa substância pode afetar a cognição. O perfil das mudanças que encontramos pode sugerir que existe um tipo de inflamação ligada à insônia. O que não sabemos é qual é o papel da inflamação”, diz Grau. Os pesquisadores também descobriram que os efeitos da insônia são potencializados nos portadores da variante genética APOE-ε4, que confere um maior risco de sofrer da doença de Alzheimer. “A conclusão é que, embora a magnitude do efeito seja pequena, este estudo traz a evidência de que há um elo entre a insônia e o risco da doença de Alzheimer: pessoas com insônia refletem alterações ligadas a essa doença”, conclui Grau.

Em linha com o estudo da Fundação Pasqual Maragall, pesquisadores suecos descobriram que, depois de submeter homens jovens saudáveis ​​a uma noite sem dormir, os níveis sanguíneos da proteína tau —um biomarcador da doença de Alzheimer— estavam mais altos. O acúmulo dessa proteína, responsável por estabilizar e ajudar a montar o esqueleto dos neurônios, é um dos sinais biológicos que aparecem no cérebro das pessoas com Alzheimer. A tau é, junto com a proteína beta-amiloide, o alerta de dano neurológico por causa desta doença degenerativa.

"A insônia é um fator de risco. Não causa, por si só, a doença de Alzheimer, mas aumenta o risco de demência. Mas os mecanismos não são claros." ALBERT LLEÓ, DIRETOR DA UNIDADE DE MEMÓRIA DO SERVIÇO DE NEUROLOGIA DO HOSPITAL SANT PAU, EM BARCELONA

O estudo sueco, publicado na revista científica Neurology, também reuniu 15 homens saudáveis, com cerca de 22 anos, em média, e sem distúrbios do sono. Numa primeira fase, eles foram autorizados a dormir normalmente por duas noites; na segunda parte da investigação, puderam dormir bem uma noite e foram privados do sono na segunda. Os níveis de tau no sangue aumentaram 17% após essa noite de falta de sono, em comparação com o índice de 2% em uma noite normal de sono “Nosso estudo sugere que a perda aguda de sono causa um aumento nos níveis sanguíneos de tau. Essas alterações proporcionam evidências adicionais de que a perda de sono pode ter efeitos prejudiciais à saúde do cérebro, mesmo em indivíduos mais jovens”, concluem os estudiosos.

A descoberta avança na linha de outros estudos que já encontraram, no líquido cefalorraquidiano, um aumento nas proteínas tau e beta-amiloide durante a privação aguda do sono. Um estudo publicado no Annals of Neurology em 2018 já indicava que a privação do sono elevava os níveis de beta amiloide entre 25% e 30%.

“A insônia é um fator de risco. Não causa, por si só, a doença de Alzheimer, mas aumenta o risco de demência. Mas os mecanismos não são claros. O que sabemos é que durante a noite o cérebro aproveita para eliminar as proteínas residuais”, avalia Albert Lleó, diretor da Unidade de Memória do Serviço de Neurologia do Hospital Sant Pau, em Barcelona. Quanto aos dois estudos publicados, dos quais Lleó não participou, o neurologista acredita que “demonstram que a insônia produz alterações biológicas, uma no nível da estrutura cerebral e outra através de exames de sangue”. No entanto, o médico pondera que, “para que essas alterações sejam relevantes, os distúrbios do sono têm que durar muitos anos e também deve ser considerada a sua intensidade”. A equipe de Lleó participou de estudos em que se descobriu que os distúrbios do sono são muito comuns em pessoas com síndrome de Down, um grupo especialmente vulnerável à doença de Alzheimer —aos 60 anos, 70% sofrem da doença.

A comunidade científica sabe que, enquanto durante o sono se ativam mecanismos que ajudam a limpar os resíduos do metabolismo cerebral, quando a pessoa está desperta a produção de beta-amiloide e tau aumenta. No entanto, os pesquisadores concordam em que muitas questões permanecem sem resposta, como o nível real de influência dos distúrbios do sono, o papel da inflamação na associação insônia-Alzheimer e a ação direta dessas proteínas. "A experiência nos diz que acumular tau no cérebro não é bom. Nas doenças neurológicas, o acúmulo de tau é interpretado como dano neuronal. O estudo publicado em Neurology tem 20 anos e não sabemos o que significa aquela tau. Ainda precisamos entender a fisiologia dessas proteínas e as mudanças que elas experimentam no sono-estado de vigília”, diz Grau.

Reprodução: EL PAÍS
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Pesquisadores da UFRN criam novo combustível diesel 'mais limpo'

Produto foi patenteado pela instituição no final de 2019. De acordo com participantes, fórmula tem eficiência similar, com ganho na 'lubricidade e emissões'.



Um novo combustível, com emissões mais limpas quando comparado com o diesel mineral, vendido atualmente nos postos de combustíveis, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De acordo com a instituição, o processo de formulação, que foi patenteado, exige um curto tempo de preparação e utiliza materiais de baixo custo.

Com o título de Formulação de Combustíveis Microemulsionados a Base de Diesel Glicerina, o estudo gerou a 21º carta-patente da UFRN, em dezembro de 2019. Um dos cientistas responsáveis pela descoberta, Igor Micael Alves Uchoa, explica que as atrações da nova fórmula são a eficiência similar, com ganho na lubricidade e das emissões.

De acordo com ele, a fórmula conta com a inserção de glicerina, fruto de resíduo do atual processo de formulação usado pela indústria.

"Em linhas gerais, ao parar em um posto de combustível, um ônibus ou caminhão, por exemplo, abastece com um combustível que é formado por 90% de diesel mineral e 10% do biodiesel. O biodiesel, no seu processo de produção, após a reação entre um óleo ou uma gordura de origem vegetal ou animal, gera o biodiesel em si e a glicerina, normalmente também em uma proporção de 90% e 10%. Então, com a nossa formulação, há uma destinação para esse resíduo, pois devolvemos a glicerina para ser aproveitada, sem descarte”, explicou Igor Uchoa, que desenvolveu a pesquisa durante o Mestrado em Engenharia Química na UFRN e que recentemente concluiu o doutorado no mesmo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química.

Atualmente lecionando no Instituto Federal da Bahia, ele pontuou que o mercado já não consegue absorver essa glicerina fruto do processo, apesar de aplicação na indústria de cosméticos e alimentícia. Para ele, a pesquisa se encaixa justamente em dois pontos: dar um destino à glicerina e melhorar o díesel.

O pesquisador acrescentou que as indústrias automobilísticas e distribuidoras de combustível são potencialmente interessados neste processo, porque, de acordo com a nova legislação, até 2023, o percentual de biodiesel no diesel terá incremento de 50% em relação aos números atuais.

Em função dos resultados promissores da nova tecnologia, o diretor da Agência de Inovação (AGIR) da UFRN, Daniel Pontes, pontuou que a equipe da unidade buscará transformar a tecnologia em produto rentável, disponibilizando-o para uso e benefício da sociedade, através do investimento da iniciativa privada.

A cientista Tereza Neuma de Castro, uma das participantes da pesquisa aponta algumas dificuldades.

“Patentear um processo ou produto tem importância para garantir os direitos de quem os desenvolveu e, assim, garantir os méritos e direitos sobre o trabalho. Porém, o mais importante e gratificante seria repassar os conhecimentos para o setor produtivo e fazer com que a invenção se torne útil a sociedade. Mas essa etapa não tem sido fácil, pois as empresas dificultam muito essa aquisição e assim, as patentes ficam estocadas aguardando oportunidades”, disse.

A pesquisa foi desenvolvida por Tereza Neuma de Castro Dantas, Manoel Reginaldo Fernandes, Eduardo Lins de Barros Neto, Igor Micael Alves Uchoa e Afonso Avelino Dantas Neto.


Reprodução: G1
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domingo, 5 de janeiro de 2020

Acelerador de partículas brasileiro gera primeiras imagens

As primeiras análises do Projeto Sirius foram de uma rocha com a mesma formação do pré-sal e o coração de um camundongo


As primeiras imagens de microtomografia de raio-x do novo acelerador de elétrons brasileiro, o Projeto Sirius, foram geradas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) na última semana. A equipe do centro já realizou as primeiras análises, utilizando raios-x, de duas amostras: uma rocha com a mesma formação do pré-sal e outro do coração de um camundongo.

O Sirius é o único acelerador de partículas desse porte na América Latina e o segundo do mundo, segundo o CNPEM, e já despertou interesse de pesquisadores dos países vizinhos. “Essas foram as primeiras imagens feitas com essa nova máquina, então é um importante marco no projeto porque a gente consegue comprovar que a máquina está funcionando bem. Ela foi inteira projetada e montada aqui no Brasil”, disse Nathaly Archilha, pesquisadora que lidera as primeiras análises.

As primeiras imagens do Sirius vão guiar os ajustes necessários para que a luz síncrotron, produzida pelo equipamento, atinja a qualidade exigida para a realização de experimentos científicos considerados de alto nível, alguns inéditos no mundo. Este foi o primeiro teste, mas a máquina foi projetada para operar em uma potência 10 mil vezes maior. O Projeto Sirius é financiado pelo Ministério de Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC).

De acordo com o CNPEM, a luz síncrotron consegue penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica. O amplo espectro dessa radiação permite que os pesquisadores utilizem os comprimentos de onda mais adequados para cada experimento. O alto fluxo e o alto brilho permitem experimentos mais rápidos e a investigação de detalhes cada vez menores.

“O Sirius vai conseguir produzir uma luz extremamente intensa, com muito fluxo, então são muitos fótons de luz por segundo sendo produzidos em uma área muito pequena. Em termos gerais, pesquisadores do mundo inteiro ganham com o fato de ter uma fonte de luz menor, você consegue estudar características das amostras menores, ou seja, a gente consegue estudar coisinhas cada vez menores, propriedades das amostras cada vez menores”, disse Nathaly.

A pesquisadora contou que, no antigo acelerador do CNPEM, demorava cerca de uma hora para fazer uma tomografia de raio-x de uma rocha, no caso específico de seus estudos. “No Sirius, vamos fazer em um segundo a mesma medida. Basicamente é uma melhor resolução espacial, você consegue estudar características menores da sua amostra e de forma muito mais rápida”.

Os pesquisadores poderão, por meio do Sirius, revelar detalhes de variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, solo, ligas metálicas. Esses conhecimentos podem causar impacto em tecnologias usadas para a produção de alimentos, energia, medicamentos e de materiais mais eficientes e sustentáveis.

“O Sirius tem uma capacidade muito grande de conseguir abranger diferentes áreas de conhecimento. Ele é um laboratório multiusuário, multitécnicas e que praticamente todo pesquisador consegue, de uma forma ou de outra, levar sua pesquisa para esse tipo de equipamento”, ressaltou a pesquisadora, que trabalha com fluxo de fluidos em meios porosos, por exemplo, casos científicos de limpeza de aquíferos.

Outro caso científico na área biológica que será beneficiado pelo Sirius é o estudo da morfologia de células do coração para tentar entender quais são as diferenças entre o coração que tem alguma patologia, alguma doença, e um coração saudável. Segundo Nathaly, os pesquisadores da área poderão investigar quais são as células afetadas por determinada doença, quais são as células que se regeneram mais facilmente, entre outras características.

O CNPEM opera quatro laboratórios nacionais, com instalações abertas à comunidade científica. Quando o Sirius estiver totalmente ajustado, sua infraestrutura estará disponível para pesquisadores do país e do exterior. “Vários pesquisadores já mandaram mensagem perguntando quando vai estar aberto”, disse Nathaly. Ela contou que pesquisadores de outros países têm grande interesse em fazer suas pesquisas usando esse acelerador de elétrons, porque a luz gerada pelo Sirius permitirá analises inéditas no mundo.

“A importância do Sirius, não só para o Brasil, mas para a América Latina, é resolver problemas da nossa região, então, por exemplo, para estudar alguma doença que ocorre na região, estudar plantas da região, é uma máquina que é muito importante para o Brasil, porque, se não é a gente tentando resolver nossos problemas, provavelmente não vai ter outro laboratório desse tipo no mundo querendo resolver. Eles estão interessados nos problemas deles”, acrescentou.

Reprodução: EXAME
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Estes passatempos podem aumentar sua inteligência, segundo a ciência

Sim, é possível ficar mais inteligente! E você pode começar agora com uma destas cinco atividades:



Está buscando formas para melhorar a si mesmo e seu bem-estar? Se for escolher um novo passatempo ou aprender uma nova habilidade no próximo ano, algumas experiências podem aumentar sua inteligência.

Certas atividades ajudam a melhorar a memória, concentração e a capacidade de resolução de problemas, por exemplo. E tudo comprovado por pesquisas científicas, de acordo com artigo do portal Business Insider.


Meditação

Estudo mostrou que pode ser possível controlar suas ondas cerebrais por meio da prática da meditação, assim um profissional poderia melhorar sua concentração e trabalhar sua confiança por meio da prática.

Jogos

Jogar videogames ou resolver as palavras cruzadas do jornal são formas de treinar seu cérebro e aumentar sua plasticidade. As atividades ajudam a criar novas ligações neurais, o que ajuda na habilidade de pensar em soluções inovadoras e encontrar relações e padrões com mais facilidade.

Aprender novas línguas

As aulas de inglês e espanhol podem ter uma vantagem além de aumentar as oportunidades no mercado de trabalho. Segundo estudo com crianças bilíngues, quem fala mais línguas tem facilidade para resolver quebra-cabeças. Esse aprendizado também pode melhorar sua capacidade de planejamento e de entender seu entorno.

Leitura

É prazeroso, reduz o estresse e aumenta três tipos de inteligência: fluída, cristalizada e emocional. Não importa o tipo de leitura ou o gênero de sua escolha, ler regularmente ajuda a memória, o aprendizado, interpretação e empatia.

Tocar instrumentos musicais

Quando uma pessoa toca um instrumento, são tantas áreas do cérebro se exercitando que cientistas apontam novas formas de conexões entre os dois hemisférios se formam. Isso é ótimo para a memória, na execução de funções diferentes e solução de problemas.

Reprodução: EXAME

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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Peixe de 400 milhões de anos atrás com pulmão é descoberto na África

O Isityumzi mlomomde vivia a cerca de 10 mil quilômetros de distância de uma espécie assemelhada anterior, em um ambiente de alta latitude



Um segundo peixe antigo com pulmão foi descoberto na África, acrescentando outra peça ao quebra-cabeça de formas de vida aquáticas em evolução há mais de 400 milhões de anos. O estudo a esse respeito foi publicado na revista “PeerJ”.

O novo gênero fóssil de peixe, Isityumzi mlomomde, foi encontrado a cerca de 10 mil quilômetros de uma espécie anterior descrita no Marrocos, e ele é interessante porque existia em um ambiente polar ou de alta latitude (70 graus sul) na época.

Segundo Alice Clement, pesquisadora da Universidade Flinders (Austrália), os restos fósseis “escassos”, incluindo placas dentárias e escamas, foram encontrados numa formação na costa oeste da África do Sul. “Esse material de peixe pulmonado é significativo por várias razões”, ressaltou ela.

“Em primeiro lugar, representa o único peixe pulmonado devoniano tardio conhecido no oeste de Gondwana (quando a América do Sul e a África eram um continente). Durante esse período, cerca de 372 a 359 milhões de anos atrás, a África do Sul estava situada próxima ao Polo Sul”, diz a pesquisadora.

“Em segundo lugar, os novos táxons da Formação Agrícola Waterloo parecem ter vivido em um ecossistema próspero, indicando que essa região não estava tão fria quanto as regiões polares de hoje.”

Períodos de escuridão

Segundo Clement, o animal ainda estaria sujeito a longos períodos de escuridão no inverno, muito diferentes dos habitats de água doce em que os peixes pulmonados vivem hoje. Atualmente, existem apenas seis espécies conhecidas de peixes pulmonados, vivendo na África, América do Sul e Austrália.

Isityumzi mlomomde significa “um dispositivo de boca comprida para esmagar” em isixhosa, uma das línguas oficiais da África do Sul.

Cerca de 100 tipos de peixes pulmonados primitivos (Dipnoi) evoluíram desde o início do período devoniano, mais de 410 milhões de anos atrás. Mais de 25 são originários da Austrália (Gondwana) e outros são conhecidos por viverem em águas tropicais e subtropicais temperadas da China e do Marrocos, no Hemisfério Norte.

Os peixes pulmonados são um grupo de peixes mais intimamente relacionado a todos os tetrápodes – todos os vertebrados terrestres, incluindo anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos.

“Dessa forma, um peixe pulmonado está mais relacionado aos seres humanos do que a um peixe-dourado!”, afirmou Clement, que esteve envolvida em nomear outros três novos peixes pulmonados antigos.

Reprodução: Revistaplaneta
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Como a nave espacial mais veterana cruzou a fronteira solar

'Voyager 2', que foi lançada há 42 anos, chegou no ano passado ao limite da bolha magnética que rodeia o sistema solar. Agora são divulgados os resultados de suas observações



A nave Voyager 2 está viajando pelo espaço interestelar há um ano. Em 5 de novembro de 2018, após 41 anos de viagem, quando estava a uma distância de 18 bilhões de quilômetros da Terra, seus sensores registraram uma espécie de salto. A sonda passou de estar envolvida pelo plasma mais quente e tênue gerado pelo vento solar para o mais frio e denso que banha o que está além. Embora o marco já tenha sido anunciado na época, nesta segunda-feira a revista Nature Astronomy publica uma série de artigos que descrevem em detalhes essa etapa histórica.

Em agosto de 2012, a Voyager 1 foi a primeira nave a passar pela heliosfera, uma bolha magnética que envolve o sistema solar, em sua jornada pela Via Láctea. Suas medidas não foram tão precisas quanto as oferecidas agora por sua irmã gêmea porque seu detector de plasma tinha ficado avariado em 1980. Os artigos publicados pela revista mostram que, antes de atingir o limite da heliosfera, há uma região de fronteira maior que a distância que separa a Terra do Sol. Depois dessa área em que o plasma diminui, esquenta e é mais denso, surge uma última fronteira mais fina, que a nave superou em menos de um dia, na qual o campo magnético é mais intenso. Então, começa o meio interestelar.

"Do ponto de vista histórico, a velha ideia de que o vento solar se extinguiria à medida que você entra no espaço interestelar não é verdadeira", diz Don Gurnett, professor da Universidade de Iowa (EUA) e coautor de um dos os estudos publicados na Nature Astronomy. “Com a Voyager 2, e antes com a Voyager 1, vimos que há uma fronteira clara. É impressionante como os fluidos, incluindo os plasmas, formam esses limites bem definidos”, acrescenta.

A Voyager 1 deixou a heliosfera a uma distância de 122 unidades astronômicas do Sol (uma unidade astronômica equivale à distância que separa o Sol da Terra) e a Voyager 2, lançada alguns dias antes, e que é a sonda ativa mais veterana da exploração espacial, até 119 unidades. Apesar de serem as sondas que se encontram mais distantes da Terra, e que nenhuma outra chegará lá em pelo menos 25 anos, não se pode dizer que nenhuma deles tenha deixado o sistema solar. A NASA lembrou certa vez o quanto duas missões mais longevas estão distantes de alcançar esse marco. Essa fronteira, marcada pela influência gravitacional de nossa estrela, está localizada na borda externa da Nuvem de Oort, uma região gigantesca de objetos gelados que começa a cerca de 1.000 unidades astronômicas do Sol e se estende até as 100.000. As Voyager precisarão de mais 300 anos somente para chegar lá e, a essa altura, seu combustível nuclear estará esgotado há séculos.

Agora, os cientistas tentarão extrair o máximo de informações que as Voyager 1 e 2 continuam a enviar em sua viagem pelo meio interestelar. Essas duas missões, que transportam a bordo informações da civilização terrestre, para o caso de algum dia encontrarem alienígenas inteligentes, são as únicas que coletaram informações no terreno para reconstruir a estrutura da fronteira solar. Essas informações serão complementadas com observações de outras, como a sonda IBEX (Explorador da Fronteira Interstellar, na sigla em inglês), que estuda a região a partir da órbita da Terra, e a IMAP (Sonda de Aceleração e Cartografia Interestelar), cujo lançamento está previsto para 2024.

Reprodução: EL PAÍS


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domingo, 29 de dezembro de 2019

Embriões de macaco cultivados fora do útero abrem nova porta à ciência

Cientista espanhol Juan Carlos Izpisúa investiga na China fases do desenvolvimento embrionário nunca vistas ao vivo em laboratório


Cultura de embriões de macaco no dia 17, com células marcadas para acompanhamento.

Cientistas chineses e o espanhol Juan Carlos Izpisúa pulverizaram um recorde mundial ao cultivar embriões de macaco em laboratório até 20 dias após a fecundação, obtendo uma visão sem precedentes do desenvolvimento dos primatas. Os pesquisadores caminham agora pelas difusas fronteiras da bioética: as leis da Espanha e dos EUA permitem o uso em pesquisa de embriões humanos que sobram nas clínicas de fertilidade, mas há décadas estabeleceram uma linha vermelha de 14 dias, tempo insuficiente para a formação do sistema nervoso central. Os 20 dias no embrião de macaco são “basicamente” equivalentes aos 20 dias nos humanos, segundo Izpisúa.

O avanço abre uma caixa preta. Há mais de três décadas, o embriologista britânico Lewis Wolpert cunhou uma frase mítica na disciplina: “O momento mais importante da sua vida não é o seu nascimento, seu casamento ou sua morte, mas a gastrulação”. A afirmação soa como piada, mas não é. A gastrulação, uma etapa fundamental no desenvolvimento de um embrião, ocorre entre duas e três semanas após a fecundação. Naquele momento, a bolinha de 200 células surgida da união de um óvulo e um espermatozoide começa a se tornar uma estrutura complexa com três camadas: a primeira dará lugar aos pulmões, o trato gastrointestinal e o fígado; a segunda camada se transformará no coração, nos músculos e órgãos reprodutivos; e a terceira se tornará a pele e o sistema nervoso. A equipe de Izpisúa pôde ver a gastrulação ao vivo fora do útero.

“Este método proporciona um primeiro olhar à caixa preta do desenvolvimento embrionário inicial”, comemora o pesquisador espanhol, do Instituto Salk, em La Jolla (EUA). Sua equipe cultivou embriões de macacos no Laboratório de Pesquisa Biomédica de Primatas de Kunming, cidade de seis milhões de habitantes no sul da China. Existem milhares de macacos nas instalações, alguns deles geneticamente modificados para estudar doenças como câncer, Parkinson e Alzheimer.

Izpisúa, nascido em Hellín (Albacete) em 1960, comemora que “o Governo e os cientistas chineses têm a visão que os estudos com primatas são essenciais para a saúde humana”. O pesquisador espanhol diz que suas experiências seriam “sem dúvida legais” nos EUA e na Europa. “Trabalho com os chineses porque eles têm a experiência e a infraestrutura para desenvolver esses projetos com primatas”, afirma Izpisúa, cuja equipe também gerou embriões de macacos com enxertos de células humanas na China, segundo o EL PAÍS publicou em julho. Seu objetivo final é cultivar órgãos humanos para transplantes.

A nova experiência de Izpisúa, publicada na quinta-feira na revista Science, aperfeiçoa os protocolos usados em pesquisas anteriores com embriões humanos. Até poucos anos atrás, a comunidade científica só podia estudar a primeira semana do desenvolvimento de um embrião, porque a partir desse momento a estrutura se desorganizava fora do útero. Em 2016, a equipe da bióloga Magdalena Zernicka-Goetz, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), apresentou um sistema de cultura –vitaminas e outras substâncias– que permitia se aproximar do limite legal de 14 dias. A linha vermelha, que antes era inalcançável, agora está acessível a qualquer um. Izpisúa a pulverizou em macacos.

“Pouco se sabe sobre os processos moleculares e celulares que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário”, explica o pesquisador espanhol. A gastrulação é bem conhecida em camundongos e moscas, mas não em humanos, nem sequer em macacos. A equipe de Izpisúa usou macacos-caranguejeiros. “Nosso método nos permite observar os principais processos do desenvolvimento pela primeira vez. Esta pesquisa, embora a tenhamos feito com células de primatas não humanos, pode ter implicações diretas para a saúde humana, como a geração de células, tecidos e organoides [para a medicina regenerativa]”, enfatiza Izpisúa.

A bióloga Elisa Martí pesquisa com ratos, galinhas e peixes o desenvolvimento embrionário da medula espinhal e suas patologias no Instituto de Biologia Molecular de Barcelona. Em sua opinião, chegou a hora de repensar as linhas vermelhas. “É preciso muita cautela com a ética, mas os cientistas têm de fazer um esforço para convencer a sociedade de que devemos ir além do limite de 14 dias”, afirma. “A pesquisa em biologia do desenvolvimento é a base das futuras terapias celulares para recuperar lesões em qualquer órgão, desde ataques cardíacos a lesões na medula”, alerta.

“O limite de 14 dias foi imposto na época por uma série de questões morais e religiosas”, concorda Javier López Ríos, do Centro Andaluz de Biologia do Desenvolvimento, em Sevilha. Em sua opinião, o debate sobre essa linha vermelha deve ser aberto o mais rápido possível. “Alguns pensam que um indivíduo surge no momento da fecundação, mas outros dizem que um embrião de 14 dias é apenas um conjunto de células que não sente nem sofre”, diz. Um embrião tão primitivo é menor que um grão de areia.

López Ríos estuda o desenvolvimento embrionário dos membros em camundongos, mas está ciente das limitações deste animal de experiência. “No desenvolvimento embrionário inicial acontecem muitas coisas sobre as quais sabemos muito pouco em seres humanos”, reconhece. “Recapitular o desenvolvimento embrionário em laboratório não é o autêntico processo que acontece no útero, mas é um sistema fantástico que permite acompanhar as células com o microscópio, fazer modificações e ver o que acontece”, aplaude. Agora que é possível, é apenas uma questão de tempo até que alguém cruze essa fronteira artificial de 14 dias com embriões humanos.

Reprodução: EL PAÍS
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Fukushima: Japão define opções para descarte de resíduos radiativos

Para reduzir efeitos da radiação, técnicos propõem descarte de água radiativa nos oceanos ou no ar



Um painel do governo do Japão declarou esta semana que as conversações sobre como fazer o descarte de água radiativa utilizada na usina nuclear Fukushima 1 devem ser centradas em duas opções: nos oceanos ou no ar.
O painel de especialistas criado pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria apresentou o esboço da proposta inicial.
A água utilizada para resfriar o combustível nuclear derretido no acidente de março de 2011 é tratada para que a maior parte das substâncias radiativas seja retirada, mas algumas partículas, como o trítio, não podem ser removidas. Ao todo, 1,2 milhão de toneladas de água contaminada encontram-se em tanques no complexo da usina, com a quantidade aumentando 170 toneladas por dia.

Reprodução: Revistaplaneta
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