sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

'Superanticorpos' são a nova aposta para combater a covid-19


Os “superanticorpos” desenvolvidos por um pequeno grupo de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, que possuem uma grande capacidade de neutralizar o Sars-CoV-2, podem ser a nova arma da ciência para frear de vez o avanço da pandemia, juntamente com a vacinação em massa iniciada recentemente, em diversos países.

Uma das pessoas que possuem esses anticorpos raros é o gerente de comunicações da George Mason University John Hollis. Em entrevista à NBC na última quinta-feira (14), ele contou ter se infectado durante uma viagem à Europa com o filho, em março de 2020, antes do fechamento temporário dos aeroportos americanos.

Logo após retornar do continente europeu, Hollis apresentou uma leve congestão nasal, na época associada à sinusite, cujos sintomas desapareceram em pouco tempo. Mas ele acabou transmitindo (sem querer) a covid-19 para o colega de quarto, que teve uma reação completamente diferente, ficando mais de um mês isolado e em estado grave.

Sem saber que ficou doente e já estava imune, ele resolveu se oferecer para participar de um estudo conduzido pela universidade onde trabalha, localizada em Fairfax, no estado da Virgínia, e aí veio a grande surpresa. Os responsáveis pela pesquisa descobriram que ele apresentava superanticorpos contra o novo coronavírus.
Encontrados em apenas 5% dos infectados

John Hollis mantém todos os cuidados de prevenção contra a covid-19, mesmo tendo uma "super proteção" contra o coronavírus.

Algumas semanas depois de ceder o material para os cientistas, John recebeu uma ligação do patologista e bioengenheiro Lance Liotta. O líder do estudo contou que ele não só já tinha contraído a doença como também trazia em seu sangue anticorpos raros, desenvolvidos em apenas 5% dos infectados pelo Sars-CoV-2.

Outra descoberta feita por Liotta e sua equipe é que os superanticorpos de Hollis ainda estavam em níveis elevados no material analisado, mesmo tendo se passado alguns meses da contaminação. Eles foram capazes de eliminar seis cepas diferentes do novo coronavírus nos testes em laboratório.

A pesquisa revelou que os poderosos anticorpos do gerente de comunicações mantiveram pelo menos 90% de sua força nove meses após ele ter pegado covid-19. O resultado indica uma forte imunidade presente no voluntário, protegendo-o contra a reinfecção em todo esse período.

Curiosamente, os anticorpos semelhantes encontrados em outras sete pessoas, nos testes realizados pela equipe de Liotta, mostraram uma força bem menor em comparação com os de Hollis, desaparecendo após um período entre 60 e 90 dias.

Uso em medicamentos

Desde agosto, Hollis tem doado amostras de saliva e sangue à universidade, a cada duas semanas. Os pesquisadores estão testando maneiras de usar os superanticorpos dele para neutralizar o Sars-CoV-2 de forma mais eficiente.

Uma das possibilidades é utilizá-los na produção de medicamentos que aumentem a proteção da população contra o novo coronavírus, desenvolvendo opções como o remédio Regeneron, coquetel de anticorpos ministrado a Donald Trump depois que ele testou positivo para a doença.

Novos coquetéis de anticorpos podem ser desenvolvidos a partir do material, aumentando a proteção da população.

Na próxima fase do ensaio clínico também serão realizados testes em pessoas que receberam a vacina, com o objetivo de verificar se a produção de anticorpos semelhantes a estes foi induzida no organismo após a aplicação do imunizante.

Enquanto isso, Hollis contou que ainda usa máscara e optou por manter o distanciamento social, mesmo apresentando uma “super proteção” contra a covid-19.

Reprodução: Tecmundo
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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Confira o gabarito extraoficial do primeiro dia de provas do Enem

 


O Bernoulli Sistema de Ensino, de Belo Horizonte, divulgou o gabarito extraoficial do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, realizado nesse domingo (17), em todo o país.

Para conferir as questões, é só acessar este link. Nele, é preciso escolher entre os cadernos (Amarelo, Azul, Branco ou Rosa), além da redação.

O gabarito

De acordo com o colégio, o gabarito contém as resoluções comentadas das questões do Enem e de outras provas. O objetivo é permitir que o aluno compreenda melhor os problemas e as soluções, orientando o raciocínio.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Enem 2020: Como o coronavírus pode cair na prova?


O primeiro dia de prova do Enem acontece no próximo domingo (17). Ao todo, o exame terá 45 questões de cada uma das quatro áreas do conhecimento (humanas, exatas, ciências da natureza e linguagens), além de uma redação.

Em geral focada na leitura e na interpretação de texto, a prova foi elaborada em meados de 2020, quando a pandemia da covid-19 se aproximava dos 100 mil mortos.

Em meio a pressões pelo adiamento do teste e da morte do diretor responsável pelo exame devido ao vírus, os 5,8 milhões de inscritos podem se deparar com questões sobre a pandemia.

A primeira fase da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), por exemplo, trouxe questões sobre o novo vírus em todas as áreas do conhecimento, ora como contexto, ora como foco. A USP (Universidade de São Paulo), por outro lado, falou menos da pandemia.

Como, no entanto, as questões do Enem passam por etapas de teste e, atendidos os parâmetros esperados pelo Inep, entram num banco de perguntas, é possível que o foco principal não seja a doença, que foi declarada como pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde) apenas em março de 2020.

Ainda assim, temáticas relacionadas a epidemias, vírus, saúde e seus desdobramentos sociais podem ser exigidas, ficando mais fácil para o candidato com repertório relacionado à atual pandemia.

Veja como o novo coronavírus pode cair nas provas do Enem, segundo professores do Curso Anglo, do Sistema de Ensino pH e da Organização Educacional Farias Brito.

Ciências humanas

As epidemias e pandemias ao longo da história podem trazer a covid como mero contexto ou como foco da questão.

A primeira onda da peste negra na Europa, que devastou o continente no século 14, e os surtos de gripe espanhola no começo do século 20 são exemplos mais evidentes, mas outras epidemias --e seus desdobramentos históricos-- podem ser alvo da prova.

A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro também no início do século 20, pode servir como ponte e comparação para a discussão de movimentos antivacina atuais.

A prova de humanas também pode trazer questões sobre o posicionamento de organismos mundiais, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS quanto aos protocolos sanitários e a comunicação global da pandemia.

Além disso, diante dos impactos econômicos dessa doença, questões que comparam a ação dos países quanto às medidas de contenção do vírus e que falam sobre as cadeias produtivas interconectadas e o comércio mundial podem cair no exame.

Matemática

A prova de matemática pode trazer gráficos com a evolução da contaminação pelo mundo. "Ali são funções exponenciais, análise de gráfico dessa função e a diferença entre as funções exponencial e linear. Podemos falar também de progressões geométricas e aritméticas", diz Ricardo Suzuki, do pH.

Um assunto que aparece frequentemente nas provas do Enem é a porcentagem, que esteve nas manchetes ao longo de todo o ano em relação à pandemia, com infectados e dados de eficácia de vacinas.

Também pode ser trabalhada a probabilidade e análise combinatória na identificação de chances de contágio por covid-19 em grupos de indivíduos, por exemplo.

Ciências da natureza

A prova de ciências da natureza, que contém questões específicas e interdisciplinares de biologia, química e física, talvez seja a mais diretamente relacionável à pandemia, com várias possibilidades de questões.

"Uma delas pode ser sobre os mecanismos básicos das estruturas virais, não necessariamente da covid", diz Heloisa Simões, do pH.

Também podem surgir questões sobre os mecanismos de defesa dos organismos, como a produção de anticorpos, respostas celulares via linfócitos e o papel das vacinas.

"Como elas induzem imunidade, a base molecular delas, especialmente das mais tradicionais feitas com vírus atenuados ou inativados", diz Simões.

A forma como os vírus se multiplicam é outro assunto atual. A alta frequência de multiplicação do vírus favorece o surgimento de novas mutações, e o candidato pode ter que explicar como e por que isso ocorre, além de discutir as possíveis consequências para a saúde pública.

Os cuidados sanitários para evitar a propagação do vírus e a contaminação também podem ser pedidos.

Na primeira fase da Unicamp, por exemplo, algumas questões falaram sobre o álcool, substância que tradicionalmente aparece em provas de química e que, com a pandemia, esteve em evidência.

Na prova de física, os professores ouvidos indicam que assuntos como escalas termométricas (Celsius, Fahrenheit e Kelvin) podem aparecer relacionadas ao uso de termômetros.

Além disso, a covid pode contextualizar questões sobre o estudo dos gases relacionados a respiradores mecânicos e sobre a óptica geométrica relacionada a microscópios que analisam o vírus.

Linguagens

"A compreensão dos textos nunca depende exclusivamente do que está na superfície da página. O leitor precisa mobilizar conhecimentos e repertório cultural para construir o significado a partir do texto", diz Henrique Braga, professor do Anglo.

Bastante focada nas habilidades de leitura e interpretação de texto, a prova de linguagens do Enem também gosta de trazer questões relativas à publicidade e comunicação institucionais, que também podem conter mensagens relativas a programas governamentais de saúde.

Redação

Professores avaliam que dificilmente o tema da redação do Enem será diretamente relacionado com o novo coronavírus.

O assunto, porém, pode aparecer como parte da contextualização de temas que, ao longo do ano, foram afetados pela pandemia. Além disso, o aluno que souber relacionar efeitos e desdobramentos da pandemia pode demonstrar repertório que pode aumentar sua nota.

A saúde mental, por exemplo, é um tema que pode aparecer sem qualquer texto de apoio relativo à covid, mas diante das medidas de isolamento, da crise econômica e das mortes durante a emergência sanitária, relaciona-se à pandemia.

A educação e seus problemas, também evidenciados pela pandemia, como o acesso desigual à educação, a evasão escolar e a alfabetização, são assuntos aos quais as contextualizações relativas à pandemia podem se juntar, mesmo que elas não sejam o foco principal.

Reprodução: UOL
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Justiça Federal mantém calendário de provas do Enem 2020

Juíza acatou argumentos da AGU de que o adiamento poderia causar prejuízos financeiros e prejudicar formação dos estudantes



A Justiça Federal de São Paulo negou o adiamento das provas e manteve as datas do Enem 2020 (Exame Nacional do Ensino Médio). Juíza acatou os argumentos da AGU (Advocacia Geral da União) de que nova alteração de datas causaria prejuízos financeiros e também prejudicaria a formação dos estudantes, uma vez que o exame é a principal porta de entrada para as universidades federais.

Pela decisão da Justiça Federal, as provas impressas devem ocorrer nos dias 17 e 14 de janeiro e a versão digital será realizada nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

A juíza Marisa Cláudia Gonçalves Cucio afirmou, na decisão, que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), responsável pela aplicação do exame, oferece todas as medidas necessárias: "há informações suficientes sobre as medidas de biossegurança para a realização da edição 2020 do Enem."

Ela também reforçou em seu texto que medidas e cuidadas individuais deverão ser tomados: "sem deixar de confiar na responsabilidade do cuidado individual de cada participante".

As provas colocarão em circulação mais de 5 milhões de estudantes em todo o país. Segundo a decisão da Justiça Federal, nas regiões em que os números de casos de covid-19 esteja elevado e o risco de contágio seja alto, caberá às autoridades locais o cancelamento do exame e ao Inep a reaplicação das provas.

O Enem deveria ser aplicado originalmente no mês de novembro, mas após forte mobilização social devido à pandemia de coronavírus, as provas foram remarcadas para o mês de janeiro.

Na semana passada, a Defensoria Pública da União entrou na Justiça pedindo um novo adiamento do Enem diante do aumento de casos da covid em todo o país. A ação foi realizada em conjunto com entidades estudantis como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).

Antes da ação na Justiça, estudantes já se mobilizavam com a #adiaenem nas redes sociais pedindo a revisão do calendário de provas.

A AGU (Advocacia Geral da União) argumentou que uma nova mudança de data implicaria em prejuízos financeiros e também prejudicaria a formação dos estudantes.

De acordo com nota, os integrantes da AGU "entendem que todas as medidas de segurança sanitária estão sendo tomadas para a realização do exame neste ano." Uma força-tarefa foi montada para garantir a segurança jurídica do Enem. Até o dia 7 de fevereiro, data da última prova, pelo menos 75 procuradores federais irão monitorar os processos judiciais em regime de plantão, 24 horas por dia.

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, informou que todas as medidas de segurança estão sendo tomadas para a realização do exame e que as medidas foram pensadas em um contexto de pandemia.

Reprodução: R7
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

CoronaVac: Butantan divulga eficácia da vacina contra Covid-19; entenda o que significa o percentual

Imunizante, desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto, atingiu 78% de eficácia no Brasil. Nos casos graves, proteção foi total.


O governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (7) que a eficácia da vacina CoronaVac no combate coronavírus é de 78%. O imunizante é desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto Butantan.

Ainda de acordo com o governo, a vacina garantiu a proteção total (100%) contra mortes, casos graves e internações nos voluntários vacinados que foram contaminados. Isso significa que, entre os infectados, nenhum morreu, desenvolveu formas graves da Covid-19 ou foi internado.

O governo solicitou nesta quinta a aprovação do uso emergencial do imunizante no país à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a solicitação para obter o registro definitivo do imunizante.

A taxa de eficácia é um conceito que se aplica a vacinas em estudos e representa a proporção de redução de casos da doença contra a qual ela quer proteger entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado.

Na prática, se uma vacina tem 78% de eficácia, isso significa dizer que 78% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. A taxa mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50%.

O índice registrado pela CoronaVac no Brasil é menor que os das vacinas desenvolvidas pelos laboratórios Pfizer e Moderna, que já foram aprovadas na União Europeia e nos Estados Unidos. As vacinas, que usam a tecnologia de RNA mensageiro, alcançaram eficácias de 95% e 94%, respectivamente.

A microbiologista Natália Pasternak explica que já era esperado que a CoronaVac tivesse uma eficácia menor que as das outras vacinas, por ser feita com o vírus inativado.

"É completamente esperado. Uma vacina de vírus inativado dificilmente vai ter a mesma eficácia do que vacinas de RNA ou vacinas de adenovírus [vetor viral], que conseguem entrar na célula e imitar, de uma forma muito mais efetiva, a infecção natural. Elas acabam provocando uma resposta imune que é tanto de anticorpos como de resposta celular", explica.

"A vacina inativada não consegue provocar uma resposta tão completa. É esperado que ela tenha uma eficácia menor. A eficácia de 78% da CoronaVac, ao que tudo indica, é uma eficácia excelente e compatível com uma vacina de vírus inativado. Com uma boa campanha, vai ser uma ótima vacina para o Brasil", afirma.

O virologista Eduardo Flores, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, concorda.

"Se essa vacina da CoronaVac conseguiu 78% de eficácia, é muito bom. Muito bom mesmo. É uma vacina cuja tecnologia é muito antiga, se conhece bem os efeitos colaterais, que são muito poucos. Eu acredito que essa é uma vacina que é uma importante ferramenta nessa luta contra o coronavírus", afirma Flores.

Plataforma da vacina

A CoronaVac utiliza vírus inativados para induzir a resposta do sistema de defesa do corpo. Esta técnica usa vírus que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para que se tornem incapazes de se reproduzir.

Vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, Denise Garrett, explica que o vírus inativado induz uma resposta imune para todo o vírus - e não só para a proteína S, que é a que ele usa para entrar na célula.

"Você tem a produção de anticorpos para todas as proteínas na superfície do vírus. É como se diluísse a resposta imune - para isso, eles usam adjuvantes, nesse caso, o alumínio", afirma. Os adjuvantes servem para reforçar a indução da resposta imune gerada pela vacina.

Testes

No Brasil, a fase 3 de testes da CoronaVac é realizada em 12,4 mil profissionais de saúde voluntários distribuídos em 16 centros de pesquisas, em sete estados e no Distrito Federal. A previsão é a de que os testes completos sejam finalizados apenas no final de 2021.

Os dados completos da fase 3 de estudos da CoronaVac ainda não foram divulgados. É de praxe na comunidade científica que os desenvolvedores submetam suas conclusões ao comitê independente de uma revista científica.

Além da revisão dos pares, a publicação deve esclarecer detalhes como a taxa de eficácia em diferentes faixas etárias, os dados de segurança, que incluem as principais reações adversas e em quanto tempo após a segunda dose a imunidade contra a doença é atingida.

Na China, a vacina foi aprovada em julho para uso emergencial como parte de um programa do país asiático para vacinar grupos de alto risco, como médicos. Além do Brasil, outros quatro países planejam usar ou já usam a CoronaVac: China, Indonésia, Turquia e Chile.

No final do ano passado, a Turquia informou publicamente ter chegado ao percentual de 91,25% de eficácia da CoronaVac em testes preliminares feitos com 1,3 mil voluntários.

O governo de São Paulo afirma ter comprado 46 milhões de doses da vacina. Desse total, 6 milhões seriam importadas prontas da China, enquanto as demais 40 milhões seriam finalizadas na fábrica do Butantan.

Até esta quarta (6), o Butantan já recebeu o equivalente a 10,8 milhões de doses da vacina, entre doses prontas para uso e matéria-prima. Segundo o governo, outras 15 milhões devem chegar até fevereiro.

Para a imunização são necessárias duas doses da CoronaVac, com intervalo de alguns dias ou semanas entre as aplicações.

Na apresentação do plano estadual, o governo de SP afirmou que a a primeira fase da campanha de vacinação vai contemplar 9 milhões de pessoas que correspondem à estimativa dos seguintes grupos prioritários em São Paulo: 7,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e mais 1,5 milhão de trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas.

A vacina CoronaVac utiliza esquema já consagrado de armazenamento e transporte e pode se armazenada em refrigeração padrão, como a vacina da gripe. Ela também pode ser armazenada por até três anos sem que perca sua eficácia.

Segurança e resposta imune

Um estudo publicado em revista científica aponta que a vacina produzida pela Sinovac é segura e produz resposta imune. Os resultados publicados na revista científica "The Lancet" tratam dos estudos de fase 1 e 2 com 743 pacientes. O efeito colateral mais comum relatado foi dor no local da injeção.

Segundo a pesquisa, as respostas de anticorpos foram induzidas no prazo de até 28 dias após a primeira imunização. Os pesquisadores não avaliaram também o comportamento das células T (ou linfócitos T), que fazem parte do sistema imunológico e são capazes de identificar e destruir células infectadas.

Ainda de acordo com a publicação, a taxa de anticorpos neutralizantes encontrada no sangue dos voluntários esteve abaixo (entre 2,5 e até seis vezes) do que é verificado em pacientes que já foram infectados pela Covid.

Apesar deste dado, os pesquisadores afirmaram à revista The Lancet que acreditam que a CoronaVac pode fornecer proteção suficiente contra a Covid-19, avaliação que eles fizeram com base em suas experiências com outras vacinas e nos dados de estudos pré-clínicos com macacos.

Compra pelo governo federal

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quarta-feira (6) que a vacinação contra a Covid-19 no Brasil começará em janeiro e que o país tem mais de 300 milhões de doses de vacina garantidas, inclusive 100 milhões de doses da CoronaVac negociadas junto à Sinovac e Butantan. ​

Segundo Pazuello, "todos os estados e municípios receberão a vacina de forma simultânea, igualitária e proporcional à população. No que depender do Ministério da Saúde e do presidente da República, a vacina será gratuita e não obrigatória".

Em 17 de dezembro, o Ministério da Saúde disse que poderia comprar 9 milhões de doses da vacina do Butantan, mas o governo estadual afirmou que manteria o cronograma de início de vacinação em janeiro mesmo com eventual inclusão em plano nacional. O governo de São Paulo disse ainda que aguardava a formalização da compra da vacina pelo governo federal.

O governo de SP já anunciou também que negociou outras 4 milhões de doses para governadores de outros estados, mas também não deu detalhes desses acordos.

A utilização da CoronaVac no Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi alvo de disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria.

Em 20 de outubro, o ministro Eduardo Pazuello chegou a anunciar a compra da vacina em uma reunião com governadores. No dia seguinte, Bolsonaro desautorizou publicamente o ministro. Depois de pressão de governadores e até do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo voltou atrás e retomou as negociações.

Reprodução: G1
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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

CRISPR: doentes com genes editados estão a um passo da cura


A anemia falciforme e a talassemia são doenças genéticas que resultam na produção de hemoglobina (proteína que carrega oxigênio) anômala e hemácias deformadas. Não existe cura para essas enfermidades, mas dez pacientes que tiveram seus genes editados estão a caminho de se livrarem delas, graças à técnica Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) ou, simplesmente, CRISPR
.

"É possível editar células humanas e infundi-las com segurança em pacientes; esse tratamento mudou totalmente a vida dessas pessoas", disse o hematologista Haydar Frangoul, do Sarah Cannon Research Institute. Ele é o médico que está acompanhando a primeira voluntária do estudo, a dona de casa e mãe de três crianças Victoria Gray.

A edição de genes tem sido usada principalmente na agricultura e foi, em uma ocasião eticamente questionável, responsável por criar bebês geneticamente “aprimorados”.


O caminho trilhado por cientistas da CRISPR Therapeutics e da Vertex Pharmaceuticals, ambas nos EUA, foi usar a técnica para editar um gene de células-tronco retiradas da medula óssea dos pacientes.

O trabalho consistiu em ativar a geração de hemoglobina fetal, produzida ainda no útero e que resulta em hemácias saudáveis. Quando o bebê nasce, o gene se desliga e, em pacientes com talassemia e anemia falciforme, o resultado é a produção de hemoglobina anômala, causando a deformação e a morte das hemácias, escassez de glóbulos vermelhos saudáveis, obstrução do fluxo sanguíneo, anemia, cansaço, dores e fraqueza.

Recriar do zero

Para receber as células-tronco editadas pelo CRISPR, os pacientes precisaram primeiro passar por uma etapa dolorosa: inúmeras rodadas de quimioterapia para destruir a maior parte de sua medula óssea (os efeitos colaterais do tratamento experimental somente foram registrados nessa fase).

Depois de todas as células-tronco que produziram a hemoglobina anômala serem destruídas, aquelas editadas foram infundidas nos pacientes para que se reproduzissem e fabricassem hemoglobina fetal.

Os pacientes foram acompanhados entre 6 e 18 meses. As células da medula óssea de Victoria Gray foram examinadas 6 meses e 1 ano depois de iniciado o tratamento (ela recebeu a infusão em 2 de julho de 2019). As células editadas ainda estavam no corpo dela, indicando que o CRISPR conseguiu alterar permanentemente seu DNA – um efeito provavelmente vitalício.

Segundo o estudo, publicado no The England Journal of Medicine, com os resultados do tratamento de Victoria e de um dos pacientes com talassemia, a forma fetal da proteína está compensando a hemoglobina adulta defeituosa originalmente produzida. "Isso nos dá confiança de que essa pode ser uma terapia única para a cura permanente", disse Samarth Kulkarni, CEO da CRISPR Therapeutics.

Cura para outras doenças

Os resultados foram relatados em novembro, na última reunião da Sociedade Americana de Hematologia: os dez pacientes (três com anemia falciforme e sete com talassemia beta) continuam a apresentar níveis cada vez mais altos de hemoglobina fetal no sangue.

Esse progresso tem animado a comunidade científica a usar essa técnica para outras doenças, como no tratamento contra alguns tipos de câncer e em cegueira causada por falhas genéticas. Existem ainda planos de testá-la em tratamentos contra doenças mortais, como Aids e distúrbios cardíacos.

"Os pacientes parecem estar curados, o que é simplesmente notável”, disse a bioquímica e bióloga americana Jennifer Doudna. Ela dividiu com a microbiologista e imunologista francesa Emanuelle Charpentier o prêmio Nobel de Química deste ano pelo desenvolvimento da tesoura genética CRISPR.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O que é o Enem seriado, que começa a ser aplicado em 2021



Em 2021, uma nova forma de ingressar no ensino superior no país deve ser colocada em prática: o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) seriado.

Nesse modelo, os estudantes poderão fazer uma prova em cada um dos três anos do ensino médio. Ao final, o aluno terá uma pontuação que poderá ser utilizada em diferentes processos seletivos, incluindo o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

O Enem seriado não deve substituir o modelo regular da prova, que continuará acontecendo normalmente. Alunos de escolas públicas e privadas poderão participar do Enem seriado. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo exame, essas provas serão 100% digitais. Saiba mais sobre esse novo modelo do exame a seguir.

O que é o Enem seriado?

O Enem seriado será um conjunto de provas realizadas ao longo dos três anos do ensino médio. O modelo é semelhante aos vestibulares seriados que existem no país, como o PAS (Programa de Avaliação Seriada), da UnB (Universidade de Brasília).

A aplicação do Enem seriado será possível com a reformulação do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Isso porque as provas do chamado Enem seriado serão, na verdade, as provas do novo Saeb.

Hoje, o Saeb é aplicado a cada dois anos para o 2º, 5º e 9º ano do ensino fundamental, além do 3º ano do ensino médio, e são avaliadas apenas as áreas de português e matemática. No novo Saeb, os alunos de todas as séries serão avaliados anualmente. Além disso, no novo modelo, outras áreas de conhecimento serão analisadas.

Na prática, os alunos devem realizar uma prova ao final de cada ano do ensino médio: um aluno do 1º ano, por exemplo, fará o exame com questões correspondentes apenas ao conteúdo do 1º ano. O formato é diferente do vestibular tradicional, que avalia todos os conteúdos dos três anos do ensino médio em apenas uma prova.

Para que serve o Enem seriado?

Segundo o Inep, o Enem seriado será uma nova alternativa para ingressar no ensino superior. Assim como acontece com o Enem regular, o desempenho obtido no Enem seriado poderá ser utilizado em programas como o Prouni, que oferece bolsas de estudo em universidades particulares, e o Fies, que oferece financiamento para cursos de graduação.

A expectativa é que a nota do Enem seriado também seja utilizada no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que oferece vagas em instituições públicas de todo o país. Isso, no entanto, dependerá da adesão das universidades, que têm autonomia para oferecer vagas pelo Sisu.

Como vai ser calculada a nota do Enem seriado?

Ao final do ensino médio, será calculada uma média com base nas notas obtidas nas provas feitas em cada ano. Ainda não se sabe se haverá pesos diferentes para cada uma dessas provas e se o aluno que por ventura não realizar algum dos exames em determinado ano terá a média calculada.

Em que datas serão aplicadas as provas do Enem seriado?

Ainda não há uma data confirmada para a realização do Enem seriado em 2021, mas já se sabe que essas provas não serão aplicadas nas mesmas datas que o Enem tradicional.

"O aluno que fizer o Enem seriado em 2021 também pode fazer o Enem regular. As duas provas não serão na mesma data, para que o aluno possa concorrer a uma vaga por meio dos dois processos seletivos", disse Eduardo Carvalho Sousa, coordenador-geral de exames para certificação do Inep, em novembro deste ano.

Quem vai poder fazer o Enem seriado?

Alunos de escolas públicas e privadas poderão participar do Enem seriado. Não será obrigatório fazer o exame. Segundo o Inep, a implementação desse novo modelo de prova será gradual: em 2021, apenas os alunos do 1º ano do ensino médio poderão optar por fazer a prova seriada.

Em 2022, estudantes do 1º e do 2º ano do ensino médio poderão fazer o exame. De 2023 em diante, estudantes do 1º, do 2º e do 3º ano do ensino médio poderão realizar o Enem seriado.

Quais provas os alunos farão em cada um dos três anos do ensino médio?

Para os dois primeiros anos do ensino médio, serão aplicadas apenas provas de português e matemática. Já os estudantes do 3º ano devem passar por duas etapas de avaliação: uma para avaliar a formação geral básica, que, conforme prevê a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), pode trazer questões de linguagens e códigos, matemática, ciências da natureza e ciências humanas; e outra para os itinerários formativos previstos para o novo ensino médio.

Ainda não se sabe se as provas serão aplicadas em um ou mais dias. Segundo o Inep, esses detalhes serão conhecidos em fevereiro de 2021.

Quem fizer o Enem seriado vai poder fazer o Enem regular?

Sim. O Enem seriado não surge para substituir o Enem regular, mas sim como uma alternativa ao exame tradicional.

Quem fizer o Enem seriado, portanto, poderá participar ainda do Enem regular.

As provas do Enem seriado vão ser em papel ou vão ser digitais?

Segundo o Inep, as provas do Enem seriado serão 100% digitais. Ainda não se sabe, no entanto, como isso será realizado.

Em janeiro de 2021, o Enem regular terá pela primeira vez na história uma aplicação em formato digital, feito no computador.

Reprodução: UOL
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Covid-19: AstraZeneca diz ter encontrado fórmula mais eficaz para a vacina


O grupo farmacêutico britânico AstraZeneca afirma ter realizado pesquisas suplementares e ter encontrado "a fórmula vencedora" da vacina contra a Covid-19 que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford. A agência reguladora de medicamentos do Reino Unido deve se pronunciar nos próximos dias sobre o produto. 

O grupo farmacêutico britânico AstraZeneca afirma ter realizado pesquisas suplementares e ter encontrado "a fórmula vencedora" da vacina contra a covid-19 que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford. A agência reguladora de medicamentos do Reino Unido deve se pronunciar nos próximos dias sobre o produto.

Em entrevista publicada neste domingo (27) pelo jornal britânico Sunday Times, o diretor-geral da AstraZeneca, Pascal Soriot, garantiu que o imunizante oferece uma proteção de "100% contra formas graves da covid-19". "Acreditamos ter encontrado a fórmula vencedora", declarou.

Após exames clínicos em larga escala realizados no Reino Unido e no Brasil, o laboratório britânico anunciou em novembro que a versão inicial de sua vacina tinha uma eficácia média de 70%. No entanto, por trás destes resultados, se escondiam disparidades de protocolos utilizados. A eficácia foi de 90% em voluntários que inicialmente receberam uma meia-dose do produto e uma dose completa um mês mais tarde. Em outro grupo vacinado com duas doses completas, a eficácia foi de 62%.

Após duras críticas, a AstraZeneca revelou que a meia-dose foi aplicada por engano nos voluntários. Devido à forte repercussão negativa, a empresa decidiu então realizar exames suplementares com o produto.

Pontos positivos da vacina da AstraZeneca/Oxford É grande a expectativa da vacina desenvolvida pelo laboratório britânico porque o produto é de baixo custo, apenas US$ 4 por dose. A outra vantagem é que o imunizante pode ser conservado em congeladores convencionais e não a -70°C, como é o caso da vacina da Pfizer/BioNTech. Isso facilitaria a realização de uma grande operação de imunização em larga escala.

Primeiro país ocidental a ter começado a injetar o produto da Pfizer/BioNTech, o Reino Unido aposta alto na vacina da AstraZeneca/Oxford para acelerar o combate contra a doença no país, especialmente após a detecção de uma nova variante do vírus. Ao ser questionado sobre a eficácia de seu imunizante, Soriot não conseguiu camuflar dúvidas. "Pensamos que a vacina deveria funcionar, mas não podemos ter certeza, então faremos novos testes", ponderou.

O governo britânico anunciou na última quarta-feira (23) ter submetido os dados completos da vacina da AstraZeneca/Oxford à agência que regulamenta medicamentos no país, a MHRA. Segundo a imprensa britânica, o órgão deve se pronunciar sobre o produto nos próximos dias para o início de sua utilização em 4 de janeiro.

Mais de 350 milhões de doses reservadas ao Reino Unido

O Reino Unido encomendou 100 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, dos quais 40 milhões devem estar disponíveis até o fim de março de 2021. No total, o país garantiu o acesso a mais de 350 milhões injeções junto a sete fabricantes da vacina.

Cerca de 600 mil pessoas já receberam a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech no Reino Unido. O país, que é um dos mais castigados pela Covid-19 na Europa e contabiliza mais de 70 mil mortos, observa um forte aumento no número de casos nas últimas semanas. Segundo as autoridades, o fenômeno se deve à nova variante do vírus, que teria capacidade de transmissão seria entre 50% e 74% maior do que a linhagem inicial.

Reprodução: UOL
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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Prouni 2021 abrirá inscrições em 12 de janeiro e usará nota do Enem 2019


Os candidatos do Programa Universidade Para Todos (Prouni
) 2021 poderão se inscrever entre os dias 12 e 15 de janeiro do ano que vem. O edital foi publicado nesta segunda-feira (14), no Diário Oficial da União.

Como os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 só serão divulgados no fim de março, as notas usadas no processo seletivo serão as da edição de 2019.

Para participar, é necessário se encaixar em uma das seguintes categorias:

ter cursado o ensino médio completo na rede pública;
ter sido bolsista integral em escolas particulares durante todo o ensino médio;
ter alguma deficiência;
ser professor da rede pública de ensino, na educação básica.

Com exceção dos docentes, os demais candidatos não podem ter diploma do ensino superior.

Critérios de renda

O Prouni dá direito a bolsas de estudo em universidades particulares. São duas modalidades:

bolsa integral: renda familiar mensal per capita de até 1,5 salário mínimo;
bolsa parcial (50% da mensalidade): renda familiar mensal per capita de 1,5 a 3 salários mínimos.

Resultados

O candidato poderá inscrever sua nota do Enem 2019 em dois cursos diferentes. O resultado da seleção será publicado em 19 de janeiro de 2021. A segunda lista de convocados sairá em 1º de fevereiro.

Lista de espera

Os estudantes não convocados nas duas primeiras chamadas deverão manifestar interesse em continuar no processo seletivo entre os dias 18 e 19 de fevereiro.

A lista de espera estará disponível para consulta em 22 de fevereiro.

Fies

O Programa de Financiamento Estudantil (Fies) também abrirá as inscrições em janeiro - ou seja, assim como o Prouni, não usará os resultados do Enem 2020.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o estudante poderá utilizar a nota de qualquer edição do exame, de 2010 a 2019.

Sisu

Já o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona alunos para universidades públicas, ficará para abril. Como as notas do Enem 2020 sairão em março, haverá tempo de usá-las no processo de seleção.

Cronograma do Prouni

Inscrições: 12 a 15 de janeiro de 2021
Resultados: 19 de janeiro de 2021
2ª lista de convocados: 1º de fevereiro de 2021
Interesse em participar da lista de espera: 18 e 19 de fevereiro de 2021
Resultado da lista de espera: 22 de fevereiro de 2021


Reprodução: G1
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