domingo, 23 de setembro de 2018

Estudo diz que animal terrestre mais rápido do mundo é um ácaro

Bicho percorre 322 vezes por segundo o comprimento do próprio corpo. 'Paratarsotomus macropalpis' desbancou o besouro-tigre australiano.
O mundo animal tem um novo recordista de velocidade, segundo um estudo apresentado no domingo, dia 27 de maio de 2014, na reunião científica "Experimental Biology 2014", em San Diego, nos Estados Unidos. O bicho terrestre mais rápido do mundo, aponta a pesquisa, percorre uma distância equivalente a 322 vezes o comprimento do próprio corpo em apenas um segundo.
Trata-se do ácaro Paratarsotomus macropalpis. Com o tamanho inferior ao de um grão de gergelim, ele desbancou o antigo recordista mundial: o besouro-tigre australiano, capaz de percorrer 171 vezes seu próprio comprimento em um segundo.
Essa medida diz respeito à velocidade do animal proporcionalmente ao tamanho de seu corpo. Conhecido por sua rapidez, um guepardo que corra a uma velocidade de cerca de 95 km/h, por exemplo, percorre somente 16 vezes seu próprio comprimento por segundo.


Um dos estudantes responsáveis por encontrar esse tipo de ácaro e documentar sua velocidade no hábitat natural foi Samuel Rubin, aluno do Pitzer College, na Califórnia."É muito legal descobrir algo que seja mais rápido que qualquer outra coisa. E apenas imaginar um humano correndo tão rápido, levando em conta seu tamanho, é realmente surpreendente", diz.
Caso o homem tivesse uma velocidade equivalente à da espécie Paratarsotomus macropalpis, levando em conta seu tamanho, ele seria capaz de percorrer mais de 580 metros a cada segundo.
Para Rubin, o estudo sobre como esses aracnídeos conseguem atingir velocidades tão grandes pode inspirar novas tecnologias revolucionárias para a construção de veículos, robôs e outros equipamentos.
Esse tipo de ácaro é natural do sul da Califórnia, onde é comumente encontrado em rochas e calçadas. Para determinar sua velocidade, os cientistas usaram câmeras de alta velocidade no laboratório e também em no ambiente natural dos animais.
"Era muito difícil pegá-los e, quando filmávamos ao ar livre, era preciso segui-los de forma incrivelmente rápida, já que o campo de visão da câmera era de apenas 10 centímetros", conta Rubin.



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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Petróleo tem efeitos tóxicos sobre o coração dos peixes

Cientistas estudaram impacto do vazamento no Golfo do México, em 2010. Substância afeta capacidade das células cardíacas dos peixes.
Imagens mostram que algumas áreas do sul do estado de Louisiana, nos Estados Unidos, ainda apresentam grande degradação causada pelo vazamento da plataforma de petróleo da companhia BP no Golfo do México, mesmo um ano após o acidente.
O petróleo tem efeitos tóxicos sobre o coração dos peixes, provocando uma irregularidade no ritmo cardíaco, segundo um estudo americano sobre o atum do Golfo do México após o vazamento de combustível da BP em 2010.
Cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), que estudavam o impacto da maré negra sobre o atum após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, descobriram que o petróleo afeta a capacidade das células cardíacas destes peixes de funcionar de modo eficaz.


Desta maneira, bloqueiam os canais de distribuição de potássio nas membranas das células do coração, o que aumenta o tempo entre cada batida. Este mecanismo é similar em todos os vertebrados, incluindo o homem.
Os efeitos negativos do petróleo sobre larvas e jovens peixes já são conhecidos há muito tempo, destacaram os autores dos trabalhos publicados na revista americana Science e apresentados na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Chicago.
'Esta descoberta define mais claramente as ameaças das substâncias químicas derivadas dos combustíveis para os peixes e outras espécies costeiras, assim como para o ecossistema oceânico, com consequências que vão além da maré negra', afirmaram os cientistas, que citam outras fontes de contaminação, como o vazamento de águas pluviais no meio urbano.
Os autores também destacam os riscos - anteriormente subestimados - de algumas substâncias dos combustíveis sobre a fauna e os humanos, especialmente o hidrocarboneto aromático policíclico (HAP), que está presente na poluição do ar em níveis elevados.
O vazamento da British Petroleum após a explosão da plataforma Deepwater Horizon despejou mais de quatro milhões de barris de petróleo no Golfo do México, a maioria durante o período de reprodução do atum vermelho do Atlântico.

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domingo, 16 de setembro de 2018

Descoberta nova região do cérebro que torna o ser humano único

Os cientistas identificaram uma parte do cérebro que parece ser única nos seres humanos.
A região do cérebro, chamada de pólo frontal lateral do córtex pré-frontal, foi descrita dia 28 de janeiro de 2014 na revista Neuron, e está ligada a processos de pensamento mais elevados.
"Nós tendemos a pensar que o ser capaz de planear o futuro, e ser flexível na abordagem e aprender com os outros são coisas que são particularmente impressionantes sobre os seres humanos", disse Matthew Rushworth, psicólogo experimental na Universidade de Oxford.
"Nós identificamos uma área do cérebro que parece ser exclusivamente humana e é provável que tenha algo a ver com esses poderes cognitivos". A nova região do cérebro está localizada dentro de uma região maior chamada córtex frontal ventrolateral, que em estudos anteriores foi associada a um pensamento mais elevado.


Por exemplo, esta parte do cérebro abriga a região de Broca, que desempenha um papel crítico na linguagem. As diferenças no córtex frontal ventrolateral também têm sido vinculadas a transtornos psiquiátricos, como distúrbios de comportamento compulsivo e défice de atenção e hiperatividade (TDAH).
Rushworth e seus colegas colocaram 25 pessoas com 20 anos de idade numa ressonância magnética. A equipa de pesquisa mapeou as conexões entre as diferentes regiões do córtex frontal ventrolateral, tendo então dividido a região do cérebro em 12 áreas que pareciam ser constantes em todos os participantes.
Os pesquisadores então compararam a região mapeada para a mesma região do cérebro em 25 macacos Rhesus, que também haviam sido submetidos a exames de ressonância magnética. Os cérebros dos macacos eram bastante semelhantes aos cérebros humanos em 11 das 12 áreas identificadas.
No entanto, uma área, chamada de pólo lateral frontal do córtex pré-frontal, existia apenas nos voluntários humanos. Além disso, todo o córtex frontal ventrolateral estava mais ligado a partes auditivas do cérebro em humanos, talvez para facilitar um melhor processamento da linguagem.
"Nós descobrimos uma área no córtex frontal humano que parece não ter equivalente no macaco", disse o co-autor Franz-Xaver Neubert, da Universidade de Oxford. "Esta área tem sido associada com o planeamento estratégico e com a tomada de decisão, assim como com multi-tarefas.

Reprodução:Sóbiologia
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Alimentos têm resíduo de agrotóxico acima do permitido no País, diz Anvisa

Terra teve acesso a relatório que aponta irregularidades em 36% das amostras analisadas em 2011 e 29% em 2012
Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que boa parte de frutas, legumes e verduras consumidos pelos brasileiros apresenta altas taxas de resíduos de agrotóxico. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), ao qual o Terra teve acesso, mostra que 36% das amostras analisadas em 2011 e 29% das amostras de 2012 apresentaram irregularidades.
A pesquisa estabelece dois tipos de irregularidades, uma quando a amostra contém agrotóxico acima do Limite Máximo de Resíduo (LMR) permitido e outra quando a amostra apresenta resíduos de agrotóxicos não autorizados para o alimento pesquisado. Das amostras insatisfatórias, cerca de 30% se referem a agrotóxicos que estão sendo reavaliados pela Anvisa.


A Anvisa analisou 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados: abacaxi, alface, arroz, cenoura, feijão, laranja, maçã, mamão, morango, pepino, pimentão, tomate e uva. A escolha dos alimentos baseou-se nos dados de consumo obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na disponibilidade destes alimentos nos supermercados no Distrito Federal e nos Estados e no perfil de uso de agrotóxicos nestes alimentos.
De acordo com a Anvisa, pelo menos dois agrotóxicos que nunca foram registrados no Brasil foram detectados nas amostras: o azaconazol e o tebufempirade. "Isto sugere que os produtos podem ter entrado no Brasil por contrabando", diz a agência.

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Desaparecimento de grandes carnívoros ameaça ecossistema

Redução de leões, lobos ou pumas provoca desequilíbrio no ecossistema. Escassez de predadores leva à superpopulação de herbívoros.
O desaparecimento progressivo de grandes carnívoros, como leões, lobos ou pumas, ameaça os ecossistemas do planeta, advertiu uma equipe internacional de cientistas que fez um apelo para a proteção desses predadores.
Mais de 75% das 31 espécies desses animais viram reduzida sua população e 17 delas estão ocupando atualmente menos da metade do território que habitavam inicialmente, segundo um estudo publicado na edição do dia 10 de janeiro da revista americana "Science".
Os grandes carnívoros já foram amplamente exterminados em um grande número de países desenvolvidos, principalmente na Europa Ocidental e no leste dos Estados Unidos. E essa caçada se estende ainda a várias partes do mundo, criticaram os cientistas. No entanto, advertiram que tudo indica que esses animais desempenham um papel crucial para manter o equilíbrio delicado dos ecossistemas.
"Em escala planetária perdemos nossos grandes carnívoros", afirmou William Ripple, professor no departamento de ecossistemas florestais da Universidade do Estado do Oregon e principal autor deste estudo.

"Vários desses animais estão ameaçados enquanto seus territórios diminuem rapidamente. E a maioria deles corre o risco de extinção, localmente ou em escala global", advertiu Ripple, considerando "paradoxal que estas espécies desapareçam em um momento em que estamos tomando consciência de sua importância na manutenção do equilíbrio ecológico".
Esses cientistas americanos, europeus e australianos afirmam que já é hora de lançar uma iniciativa mundial para reintroduzir esses animais na natureza e reconstituir suas populações, citando como exemplo a chamada "Large Carnivore Initiative", celebrada na Europa. Esta iniciativa pretende introduzir
Para desenvolver seu trabalho científico, Ripple e seus colegas se concentraram em sete espécies, cujo impacto sobre o ecossistema foi objeto de muitos estudos. São elas o leão africano, o lince europeu, o leopardo, o lobo cinzento, o puma, a lontra marinha e o dingo australiano.
Estas pesquisas mostram que uma diminuição da população de pumas e lobos nos parques de Yellowstone, nos Estados Unidos, provocou um crescimento no número de animais que se alimentam de folhas de árvores e arbustos, como os cervídeos. Este fenômeno perturba o crescimento da vegetação e afeta aves e pequenos mamíferos, explicaram os cientistas.
Na Europa, o desaparecimento dos linces foi vinculado à superpopulação de corços e lebres, enquanto o desaparecimento de um grande número de leões e leopardos na África provocou uma explosão do número de babuínos-oliva, que destroem as colheitas e atacam os rebanhos.
Finalmente, a diminuição das populações de lontras no Alasca levou a um forte crescimento dos ouriços-do-mar e em uma redução das algas castanhas, das quais se alimentam.
"A natureza é interdependente, como indicam estes estudos em Yellowstone e em todo o mundo. Eles revelam como uma espécie afeta outras espécies de diferentes formas" e o conjunto do ecossistema, acrescentou Ripple.
Desta forma, evitar uma superpopulação de herbívoros permite à flora se desenvolver mais e armazenar mais dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, o que permitiria lutar melhor contra o aquecimento global.
Mas os autores deste estudo admitem que será muito difícil fazer com que as pessoas aceitem a reintrodução em larga escala destes predadores.
Estes animais inspiram temor nos humanos, que há muito tempo declararam guerra contra eles para proteger seu gado e suas comunidades, explicaram. Por causa disso, os grupos americanos de defesa da fauna e da flora não conseguiram se opor ao levantamento da proteção federal aos lobos em Montana e Idaho em 2011, uma medida que foi seguida em 2012 pelo Wyoming sob pressão dos pecuaristas.

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domingo, 9 de setembro de 2018

Filtro de barro brasileiro é o mais eficiente do mundo

Considerado um sistema ‘mais calmo’, ele garante que micro-organismos e sedimentos não passem pelo filtro devido a uma grande pressão exercida pelo fluxo de água.
Nós, brasileiros, temos provavelmente o melhor sistema de filtragem de água nas mãos. Nada de purificadores, torneira de cozinha com filtros, nem galões com água mineral.
O melhor mesmo para limpar a água das impurezas é o bom e velho filtro de barro.
Segundo pesquisas norte-americanas, os filtros tradicionais de barro com câmara de filtragem de cerâmica são muito eficientes na retenção de cloro, pesticidas, ferro, alumínio, chumbo (95% de retenção) e ainda retém 99% de Criptosporidiose (parasita causador de doenças).
Os estudos relacionados ao tema, que foram publicadas no livro The Drinking Water Book, também indicam que esses sistemas de filtro de barro do Brasil, considerados mais eficientes, são baseados na filtragem por gravidade, em que a água lentamente passa pelo filtro e goteja num reservatório inferior.


Considerado um sistema ‘mais calmo’, ele garante que micro-organismos e sedimentos não passem pelo filtro devido a uma grande pressão exercida pelo fluxo de água.
O processo lento é o que o diferencia dos filtros de forte pressão, que recebem água da torneira ou da tubulação, os quais são prejudicados exatamente pela força da água, o que pode fazer com que micro-organismos, sedimentos ou mesmo elementos químicos, como ferro e chumbo, cheguem ao copo do consumidor.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Cientistas descobrem causa do sumiço de abelhas

Não é aquecimento global nem Wi-Fi: combinação de pesticidas e fungicidas está contaminando o pólen coletado pelas abelhas
Você já deve ter ouvido falar sobre o sumiço das abelhas. Não é lenda ou teoria da conspiração: nos últimos seis anos nos EUA, mais de 10 milhões de colmeias foram dizimadas, causando um prejuízo de mais de US$ 2 milhões e danos incalculáveis ao ecossistema.
Além disso, a população norte-americana de Apis mellifera, a abelha europeia, bem comum no Brasil, é fundamental para a polinização das produções agrícolas e portanto é responsável por boa parte da comida que chega às nossas mesas.
Nos últimos anos, enquanto cientistas tentavam descobrir as causas da CCD (a sigla em inglês para o fenômeno, que é conhecido como Desordem de Colapso de Colônias), a internet nos brindou com citações falsas sobre o tema (uma, creditada a Einstein, diz "quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem terá apenas mais quatro anos de sobrevida") e com hipóteses mirabolantes para a tragédia ambiental, como que os sinais de Wi-Fi e de celular estariam confundindo o inseto.


Um novo estudo, no entanto, aponta que o que tem dizimado abelhas nos EUA é algo bem familiar ao nosso cotidiano e que é muito mais difícil de ser combatido. Realizado por cientistas da Universidade de Maryland e pelo Departamento de Agricultura dos EUA, ele identificou que uma combinação de pesticidas e fungicidas está contaminando o pólen coletado pelas abelhas para alimentar as colmeias.
Os pesquisadores descobriram que abelhas contaminadas com essa mistura se tornam muito mais vulneráveis a uma infecção por um parasita chamado Nosema ceranae, que é um dos maiores responsáveis por CCDs identificadas em outros momentos da história. O pólen analisado no estudo, coletado de colmeias na costa oeste dos EUA, estava contaminado com uma média de nove pesticidas e fungicidas, embora em um caso, os cientistas tenham encontrado 21 diferentes químicos agrícolas em apenas uma amostra.
Desses químicos, cerca de oito estão associados a maiores riscos de infecção das abelhas pelo parasita, de acordo com o estudo. Para ser mais preciso, abelhas alimentadas com pólen contaminado têm três vezes mais chances de serem infectadas pelo Nosema ceranae.
De acordo com os cientistas responsáveis pela pesquisa, as descobertas lançam uma nova luz sob a discussão do uso de pesticidas e fungicidas, da interação entre eles e das orientações que devem seguir nos rótulos dessas substâncias, já que a pesquisa também descobriu que os químicos estão contaminando inclusive espécies próximas aos locais onde os pesticidas estão sendo aplicados diretamente.

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Alunos da UFSM fazem foto inédita de tarântula devorando uma cobra

Uma incrível descoberta feita por um grupo de estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ganhou as páginas de publicações nacionais e internacionais, como a revista National Geographic: o primeiro registro de uma tarântula (aranha caranguejeira) devorando uma cobra na natureza. O flagrante fotográfico foi feito em uma pastagem na Serra do Caverá, em Rosário do Sul.

Conrado Mario da Rosa, Gabriela Franzoi Dri e Leandro Malta Borges, estudantes de Ciências Biológicas, estavam no local quando avistaram parte de uma cobra de mais de 50cm escondida embaixo de uma rocha. Ao se aproximarem, viram que o animal estava sendo devorado por uma grammostola quirogai, tipo de tarântula bastante comum nos campos daquela região e alvo dos estudos do grupo.



– É conhecido o fato de grandes aranhas terem capacidade de subjugar grandes presas, e existem registros de casos de aranhas comendo cobras. Porém, em quase totalidade, são aranhas que usam a teia como armadilha para captura, o que não é o caso das caranguejeiras – conta Leandro, 25 anos, que, assim como seus colegas, integra o Laboratório de Biologia Evolutiva da UFSM.

Depois que o trabalho foi publicado, o grupo recebeu o relato de evento semelhante ocorrido no Nordeste. Porém, naquele episódio, a serpente escapou.

– Então, é um registro importante, que afirma a capacidade de elas se alimentarem de animais com tamanhos muito superiores a seus próprios corpos. Creio que a raridade da situação, aliada ao fato de esse ser o primeiro registro da espécie para o Brasil, e ainda ser um evento envolvendo dois grupos animais que trazem tanto medo a muitas pessoas, levou a essa propagação que nunca imaginávamos quando publicamos o trabalho – avalia Leandro.

Reprodução: Gauchaz

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Conheça algumas peças destruídas no incêndio do museu nacional

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Reprodução: Megacurioso

No fim da tarde do último domingo (02), o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, pegou fogo após o final do expediente de visitas. O incêndio se espalhou pelos três andares do casarão histórico chamado Palácio de São Cristóvão, que abrigou a família real portuguesa – e posteriormente a família imperial brasileira – de 1808 até 1892, quando passou a sediar o Museu Nacional, fundado há exatamente 200 anos.
A instituição abrigava um acervo impressionante com 20 milhões de peças – divididas entre as áreas de antropologia, botânica, entomologia, geologia e paleontologia, e das quais cerca de 3 mil estavam expostas ao público –, uma biblioteca com mais de 474 mil volumes, entre livros, periódicos e outras publicações sobre ciências naturais, e em torno de 2,4 mil obras raras.
Dinossauros
O Museu Nacional do Rio de Janeiro abrigava em seu acervo os fósseis do Maxakalisaurus topai, o primeiro dinossauro de grande porte encontrado e montado no Brasil. Tratava-se de um animal herbívoro com cerca de 13 metros de comprimento e 9 toneladas. Os fósseis que permitiram a descoberta desse dinossauro foram encontrados no estado de Minas Gerais, na Serra da Boa Vista, perto da cidade de Prata, que rendeu a ele o nome popular de “dinoprata”,
Além do museu abrigar os fósseis originais do Maxakalisaurus topai, ele exibia ao público uma réplica perfeita do esqueleto do animal, além de outros fósseis de outras espécies já conhecidas da paleontologia, todos descobertos em sítios arqueológicos brasileiros e importantes para retratar quais desses animais caminhavam pelo solo que hoje constitui o Brasil.

Acervo egípcio

Dom Pedro II era um grande admirador das Ciências Naturais e da História e um grande colecionador de artefatos que remetiam ao Egito Antigo. Entre os que se encontravam no Museu nacional estava o esquife de Sha-amun-em-su, uma cantora/sacerdotisa que teria vivido em torno de 750 a.C. no Egito e morrido com seus 50 anos de idade. O imperador brasileiro ganhou o caixão do quediva Ismail – uma espécie de soberano local na época do Império Otomano – em uma visita ao país africano. Deu a ele em troca um livro sobre o Brasil.
Também se encontravam no Museu Nacional antes de seu incêndio uma máscara dourada datada de 304 a.C., período conhecido como ptolemaico; a Estela de Raia, de 1.300 a 1.200 a.C.; a múmia da princesa Kherima, de raríssimo método de mumificação com apenas outros oito exemplos no mundo e mais cerca de 700 peças de arqueologia egípcia, a maior e mais importante coleção dessa área na América Latina, que foi iniciada por Dom Pedro I e ampliada por seu filho e herdeiro.

Luzia 

Talvez o item mais singular e importante presente no Museu Nacional fosse o fóssil de Luzia, um dos esqueletos humanos mais antigos já encontrados nas Américas e certamente o mais antigo do Brasil, com cerca de 11.500 anos. Luzia foi encontrada em Lagoa Santa, perto de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no ano de 1975 por um grupo de arqueólogos brasileiros e franceses. Ganhou esse nome do arqueólogo Walter Neves em homenagem à Lucy, o fóssil de australopiteco (esse com 3,5 milhões de anos) encontrado na Etiópia um ano antes. Seria a nossa versão brasileira do mais antigo habitante humano do nosso território.
A descoberta de Luzia fez muitos estudiosos reverem suas teorias de ocupação humana das Américas, pois suas feições, de acordo com análises de diversos tipos, mostram que o esqueleto encontrado pertencia a uma jovem de etnia mais similar aos negros africanos ou aborígenes australianos, diferente dos povos mongoloides que teriam chegado à América do Norte inicialmente vindo da Sibéria por meio do estreito de Bering.
A descoberta de Luzia é sem sombra de dúvida um dos marcos mais importantes para a compreensão da ocupação humana das Américas e, portanto, para a antropologia do mundo como um todo. A perda dos fósseis que compunham seu esqueleto é gigantesca para o mundo das ciências naturais e, claro, da cultura como um todo.
Sem nenhuma dúvida, é impossível calcular o tamanho da perda causada pelo incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro. São 200 anos de História queimados pelo descaso das autoridades responsáveis pela produção de cultura no Brasil e, como diz a sabedoria popular, um país sem história é, infelizmente, um país sem futuro.
Reprodução: Megacurioso
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