sexta-feira, 19 de março de 2021

Gorilas são os primeiros não-humanos a se vacinar contra a covid


Na quarta-feira passada (3), o Zoológico de San Diego nos EUA se tornou a primeira instituição no mundo a vacinar não-humanos contra a covid-19
. Segundo a National Geographic, nove grandes símios receberam duas doses de uma vacina experimental, sendo quatro orangotangos e cinco bonobos.

Mas esses imunizantes não são, de forma alguma, variações das vacinas que estamos tomando ou uma dose diferenciada das mesmas. Essa medicação foi desenvolvida especificamente para animais pela empresa farmacêutica veterinária Zoetis, que tem pesquisado formas de imunização desde que um cachorro testou positivo para o coronavírus em fevereiro de 2020.

Em janeiro deste ano, após o gorila Winston, de 49 anos, adoecer com uma doença cardíaca e pneumonia, os oito grandes macacos do Zoológico de San Diego fizeram testes para a covid-19, e todos deram positivo. Após um tratamento experimental com anticorpos, eles se recuperaram, mas a chefe da conservação e oficial de saúde Nadine Lamberski decidiu encomendar a vacina da Zoetis.

Animais com covid no mundo

Em vários lugares do mundo, veterinários confirmaram infecções em tigres, leões, visons, leopardos das neves, pumas, furões, cães e gatos domésticos. Mas a informação de que os grandes símios eram suscetíveis ao vírus SARS-CoV-2 preocupou sobremaneira os cientistas.

Como a população global de gorilas é hoje inferior a 5 mil indivíduos, que vivem em grupos familiares próximos, o que os pesquisadores mais temem é que, se um deles contrair o vírus, a infecção se espalhe rapidamente e ponha em risco toda a espécie. Como ainda são pouco conhecidos os efeitos do vírus sobre os animais, dados como o do Zoológico de San Diego são importantes para a comunidade científica.

Depois que o cão de Hong Kong testou positivo para o vírus, quando a pandemia começava a dar sinais de sua amplitude, a farmacêutica norte-americana Zoetis começou a desenvolver uma vacina da covid-19 específica para cães e gatos. Em outubro, a empresa declarou que a nova vacina era segura para as duas espécies.

A vacina e o Zoológico de San Diego


Na época, Lamberski já estava acompanhando o desenvolvimento da vacina da Zoetis. Quando a turma de gorilas testou positivo para a covid-19 em janeiro, a oficial de saúde do zoológico decidiu vacinar todos, mesmo sabendo que o imunizante havia sido testado apenas em cães e gatos.

A ansiedade dos administradores do zoológico centrava-se principalmente na segurança da população de 14 gorilas, oito bonobos e quatro orangotangos que, além de potencialmente vulneráveis ao vírus, dividem espaço em alojamentos fechados, propícios à propagação de doenças.

Em fevereiro, enquanto se deliciavam com suas comidinhas preferidas, os nove grandes macacos receberam sem notar a espetada da agulha da vacina e, segundo a National Geographic, não apresentaram reações adversas e encontram-se atualmente em ótimo estado de saúde.

O sangue da orangotango Karen e de um bonobo foi colhido para verificar se eles desenvolveram anticorpos, sinal de que a vacina é eficaz. Os oito símios restantes, que vivem em outro setor do zoológico, no parque safári, e não contraíram o vírus, receberão as doses 60 a 90 dias após a infecção, como recomenda o protocolo

Reprodução: Tecmundo
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quinta-feira, 18 de março de 2021

Conheça Elizabeth, 1º clone de furão em risco de extinção dos EUA


Pesquisadores de diversas áreas buscam, constantemente, soluções para a preservação de espécies em extinção, e uma dessas ações trouxe à luz Elizabeth Ann, um furão-do-pé-preto nascido em 10 de dezembro de 2020. Gêmea genética de um exemplar chamado Willa, que morreu em 1988 e cujas células foram armazenadas em um criobanco por décadas no Frozen Zoo, de San Diego, ela é o primeiro clone do tipo criado nos Estados Unidos.

Elizabeth representa um marco importante no esforço contínuo de aumento de diversidade dos bichinhos. Por um tempo, acreditou-se que os animais haviam, de fato, desaparecido, mas, em 1981, um fazendeiro em Wyoming encontrou um grupo deles em suas terras, utilizado, a partir dali, em programas de reprodução em cativeiros.


Após a redescoberta, conservacionistas passaram a se dedicar à recuperação da espécie. Se por um lado hoje várias populações existem em todo o país, o que, infelizmente, não foi o suficiente para tirá-las da lista dos mamíferos mais ameaçados da região norte-americana, por outro, todos os furões-do-pé-preto (Mustela nigripes) descendem de apenas sete animais.

Problemas como aumento da suscetibilidade a doenças e distúrbios genéticos, diminuição da capacidade de adaptação à natureza e taxas de fertilidade mais baixas são comuns à endogamia, acasalamento que consiste na união entre indivíduos aparentados. Sendo assim, a clonagem tem o potencial de se tornar uma aliada e tanto da resistência dos indivíduos expostos ao perigo de um fim definitivo.
Criatura única

Por mais desafiadores que sejam os obstáculos enfrentados pelos animais e pelos cientistas que os defendem, a recuperação da espécie está dentro do alcance daqueles que se propuserem a alterar o destino dos furões-do-pé-preto, concluiu um estudo de 5 anos do Fish and Wildlife Service (USFWS), unidade do Departamento do Interior dos Estados Unidos dedicada a preservar a vida selvagem. Elizabeth Ann é peça importante desse jogo.

Em 2018, a instituição emitiu uma licença permitindo a pesquisa de clonagem em espécies ameaçadas de extinção, e a estrela da vez, como uma duplicata genética de Willa, não é parente dos exemplares encontrados na década de 1980. Além disso, ela contém uma abundância de variações únicas em comparação com a população viva e, caso possa se acasalar e se reproduzir, trará descendentes diferentes para a Terra.


A conquista poderia impulsionar os esforços de repovoamento, o que vai ao encontro dos objetivos do Frozen Zoo, "criado há mais de 40 anos com a esperança de fornecer soluções para os desafios de conservação do futuro", explica Oliver Ryder, diretor do instituto. "Estamos muito satisfeitos por termos sido capazes de criar um criobanco e, anos depois, fornecer culturas de células viáveis para esse projeto inovador."

Elizabeth Ann e sua mãe estão sendo mantidas no Centro Nacional de Conservação de Furões-do-pé-Preto do USFWS, no Colorado, onde a dupla passará a vida inteira, de acordo com o comunicado. "A clonagem genética bem-sucedida não diminui a importância de se combater as ameaças ao habitat das espécies", pondera Noreen Walsh, diretora do USFWS Mountain-Prairie Region.

Revive & Restore (organização de conservação da vida selvagem), ViaGen Pets & Equine (empresa de clonagem de animais) e Association of Zoos and Aquariums (organização sem fins lucrativos focada em conservação) fizeram parte do experimento.

Reprodução: Tecmundo
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segunda-feira, 15 de março de 2021

Cepas de bactérias achadas na ISS podem ajudar cultivo em Marte

Uma das quatro linhagens descobertas na estação espacial já era conhecida; as outras três são novidade



Para resistir aos rigores do espaço em missões no espaço profundo, os alimentos cultivados fora da Terra precisam de uma ajudinha extra de bactérias. Agora, segundo pesquisadores, uma descoberta recente a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) pode ajudar a criar o “combustível” para auxiliar as plantas a resistir a tais situações estressantes. Seu estudo foi publicado na revista “Frontiers in Microbiology”.

No trabalho, pesquisadores que trabalham com a Nasa descreveram a descoberta e o isolamento de quatro cepas de bactérias pertencentes à família Methylobacteriaceae de diferentes locais a bordo da ISS em dois voos consecutivos.

Uma cepa foi identificada como Methylorubrum rhodesianum. As outras três, no entanto, não haviam sido descobertas ainda e pertencem a uma nova espécie. As bactérias móveis em forma de bastonete receberam as designações IF7SW-B2T, IIF1SW-B5 e IIF4SW-B5. Uma análise genética mostrou que elas estão intimamente relacionadas com Methylobacterium indicum.

As espécies de Methylobacterium estão envolvidas na fixação de nitrogênio, solubilização de fosfato, tolerância ao estresse abiótico, promoção do crescimento de plantas e atividade de biocontrole contra patógenos de plantas.

Potencial para missões a Marte

Agora, em homenagem ao renomado cientistas indianos de biodiversidade dr. Ajmal Khan, a equipe propôs chamar a nova espécie de Methylobacterium ajmalii.

Comentando a descoberta, o dr. Kasthuri Venkateswaran (Venkat) e o dr. Nitin Kumar Singh, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), disseram que as cepas podem possuir “determinantes genéticos biotecnologicamente úteis” para o cultivo de safras no espaço. São necessários mais estudos de biologia experimental, porém, para provar que se trata mesmo de uma virada de jogo em potencial para a agricultura no espaço.

“Para cultivar plantas em locais extremos onde os recursos são mínimos, o isolamento de novos micróbios que ajudam a promover o crescimento das plantas em condições estressantes é essencial”, disseram eles.

Além do JPL, colaboraram nessa descoberta pesquisadores baseados na Universidade do Sul da Califórnia, na Universidade Cornell (ambas nos EUA) e na Universidade de Hyderabad (Índia).

Banco de teste

Com a Nasa procurando um dia levar humanos à superfície de Marte – e potencialmente além –, a Pesquisa Decadal do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA recomenda que a agência espacial use a ISS como um “banco de teste para pesquisa de microrganismos”, de acordo com Venkat e Singh.

“Uma vez que nosso grupo possui experiência em cultivar microrganismos de nichos extremos, fomos incumbidos pelo Programa de Biologia Espacial da Nasa de pesquisar a ISS para a presença e persistência dos microrganismos”, acrescentam.

“Desnecessário dizer que a ISS é um ambiente extremo com manutenção limpa. A segurança da tripulação é a prioridade número 1. Portanto, compreender os patógenos humanos/vegetais é importante, mas micróbios benéficos como esse novo Methylobacterium ajmalii também são necessários.”

Laboratório em expansão

Como parte de uma missão de vigilância contínua, oito locais na ISS têm sido monitorados para crescimento de bactérias nos últimos seis anos. Essas áreas de amostra incluem o espaço onde a equipe se reúne ou onde os experimentos são conduzidos, como a câmara de crescimento da plantas.

Centenas de amostras bacterianas da ISS já foram analisadas até agora. Aproximadamente mil amostras coletadas de vários outros locais na estação espacial estão aguardando uma viagem de volta à Terra, onde poderão ser examinadas.

De acordo com Venkat e Singh, o objetivo final é contornar esse longo processo e encontrar novas cepas novas usando equipamentos de biologia molecular desenvolvidos para a ISS.

“Em vez de trazer amostras de volta à Terra para análises, precisamos de um sistema de monitoramento microbiano integrado que coleta, processa e analisa amostras no espaço usando tecnologias moleculares”, disseram Venkat e Singh. “Essa tecnologia miniaturizada – um desenvolvimento de biossensor – ajudará a Nasa e outras nações que fazem viagens espaciais a alcançar uma exploração espacial segura e sustentável por longos períodos de tempo.”

Reprodução: Revista Planeta
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Girinos de espécie brasileira desenvolveram tática inédita para sobreviver

Endêmica da Mata Atlântica, a espécie Bokermannohyla astartea se acasala e bota seus ovos em "tanques de folhas", de onde os girinos devem saltar para conseguirem crescer



Um estudo publicado na revista Plos One nesta quarta-feira (17) e realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) traz o relato de algo bastante incomum no reino animal: uma estratégia inédita de girinos da espécie Bokermannohyla astartea em busca da sobrevivência.

Endêmica da Mata Atlântica brasileira, a B. astartea foi estudada pelos autores do artigo durante 11 anos, período em que dados sobre seu comportamento, acasalamento e desova foram coletados.

Segundo os autores, as fêmeas dessa espécie acasalam com machos dentro de "piscinas" ou "lagos" de bromélias, também chamados de "tanques de folhas". Esse comportamento já foi observado em outros anfíbios — mas os B. astartea tem algumas particularidades. Eles botam seus ovos no mesmo local onde acasalaram. Os girinos da espécie, no entanto, não completam seu desenvolvimento ali nos tanques. Ao invés disso, as observações feitas durante o estudo indicam que eles caem, saltam ou são arrastados para fora dessas "piscinas" para completar o processo. Isso porque girinos em fases avançadas de desenvolvimento foram encontrados apenas no riacho ao lado dos tanques de folhas, e não dentro delas.

A estratégia de desenvolvimento incomum observada entre essas pererecas permite que os girinos cresçam em um local seguro e escapem antes que a comida e o espaço limitados no tanque de folhas acabem. Os autores sugerem que as chuvas de alto verão nas florestas atlânticas do sudeste do Brasil possam ter ajudado a desenvolver essa estratégia única.

O estudo acrescenta novas informações sobre a notável diversidade reprodutiva de anfíbios, que exibem o maior número de diferentes táticas de reprodução entre todos os vertebrados de quatro patas.

Reprodução: Revista Galileu
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quarta-feira, 10 de março de 2021

Sem lockdown, Brasil pode criar variantes potentes do coronavírus


A combinação entre o descontrole da epidemia, vacinação lenta e falta de medidas mais rígidas de isolamento social pode fazer com que cepas poderosas do
coronavírus surjam no Brasil. O alerta é feito por pesquisadores do Reino Unido.

De acordo com os especialistas, ouvidos pela BBC Brasil, ações mais severas como lockdowns podem ser necessárias neste estágio da pandemia no país. O fechamento completo pode evitar com que vacinados sejam expostos às mutações do vírus que estão circulando.

O virologista Julian Tang, da Universidade de Leicester, usa o exemplo da variante P.1 do coronavírus, que surgiu no estado de Amazonas. Ele explica sobre um cenário em que uma pessoa recém vacinada, que ainda não está protegida, pode acabar tendo contato com a P.1.


Esse encontro possui altos riscos de gerar mutações mais perigosas que são resistentes aos anticorpos do imunizante.

"Se esses anticorpos da vacina surgem enquanto a infecção está ocorrendo e replicando no seu corpo, o vírus pode se replicar de maneira a evadir o anticorpo que está sendo produzido, num movimento de seleção natural”, pontua Tang.

A possível transformação do vírus faria com que a pessoa, mesmo vacinada, pudesse passar essa nova versão adiante. O perigo aumenta em um cenário em que não há medidas rígidas de distanciamento social como o lockdown, diz o especialista.


"Se há uma replicação descontrolada do vírus, ou seja, transmissão num ambiente sem regras de distanciamento social, lockdown e uso de máscaras, as pessoas suscetíveis vão se misturar com as vacinadas. Sem barreiras, o vírus pode se transmitir de uma população para outra, potencialmente gerando variantes que escapam à vacina", argumenta o virologista.
Defesa de ações mais rígidas

Peter Baker, professor de Saúde Global da Imperial College London, diz que o lockdown é uma alternativa necessária para "controlar" a pandemia temporariamente.

"Do ponto de vista científico, fechar fronteiras e implementar quarentenas em casa são eficazes em diminuir a infecções. E há benefícios em reduzir infecções. Você diminui o risco de surgirem variantes, ganha tempo para a campanha de vacinação avançar e para pesquisas concluírem vacinas adaptadas às variantes existentes hoje", defende.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro atacou as ações restritivas que têm sido adotadas por vários governadores e prefeitos do país. Ele defendeu a livre circulação de pessoas, comércios abertos e chegou a dizer que ficar em casa era “frescura” e “mimimi”. As falas aconteceram na semana em que o Brasil atingiu um novo recorde de mortos por covid-19 em um dia.

O Reino Unido é justamente um exemplo de que lockdowns funcionam, dizem os cientistas. A medida está em vigor no país desde janeiro e reduziu as infecções em dois terços. Na capital Londres, as infecções de coronavírus tiveram queda de 80%.

Reprodução: tecmundo
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Ressurgimento do ebola na Guiné preocupa OMS


Quando a Guiné determinou o fim, em seu território, da epidemia de ebola que grassou pela África Ocidental entre 2014 e 2016 (a maior desde que o vírus foi descoberto em 1976), a doença havia deixado 11,3 mil mortos entre 28 mil casos, depois de cruzar as fronteiras e invadir a Libéria e Serra Leoa. Por isso, a notícia de que sete casos da doença haviam sido confirmados na comunidade rural de Gouéké, no sul do país, acendeu o alerta na comunidade médica mundial.

“É uma grande preocupação ver o ressurgimento do ebola na Guiné, país que já sofreu muito com a doença. No entanto, com base na perícia e experiência acumuladas durante o surto anterior, as equipes de saúde do país estão se movendo para rastrear rapidamente o caminho do vírus e reduzir outras infecções”, disse a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, a médica Matshidiso Moeti, ao anunciar a irrupção da doença.

Segundo as autoridades sanitárias do país, uma investigação inicial aponta como a origem do surto uma enfermeira da unidade de saúde local, que morreu no dia 28 de janeiro. Seis pessoas que compareceram ao enterro testaram positivo para a doença: duas morreram, enquanto as outras quatro continuam hospitalizadas.

Cinco variantes

Amostras dos casos confirmados foram enviadas a um laboratório do Instituto Pasteur, no Senegal, para que seja identificada, via sequenciamento do genoma, a cepa do ebola responsável pelo surto (existem cinco variantes: Bundibugyo, Costa do Marfim, Sudão, Reston – que infecta humanos mas não gera sintomas – e Zaire, nomes dados a partir dos locais de origem).

Segundo o representante da OMS na Guiné, Alfred George Ki-Zerbo, “vamos disponibilizar rapidamente recursos cruciais para ajudar a Guiné, que já tem uma experiência considerável no tratamento da doença. A resposta agora será mais forte e vamos aproveitar isso para conter a situação o mais rapidamente possível”.


O arsenal à disposição inclui uma vacina que conta com um estoque global de emergência de 500 mil doses, em poder da Global Alliance for Vaccines and Immunisation (Aliança Global para Vacinas e Imunização, ou GAVI Alliance).

Mas elas serão poucas se a doença se espalhar: Guiné, Libéria e Serra Leoa têm uma população conjunta de 22,5 milhões de habitantes, e o surto de ebola ocorre quando os laboratórios estão ocupados produzindo vacinas contra a pandemia de covid-19.
Três meses

A grande preocupação agora é impedir que a doença cruze as fronteiras. Desde o surto de 2014-2016, os países vizinhos desenvolveram mecanismos de pronta resposta para o caso de a doença ressurgir na região.

Enquanto na Libéria o presidente George Weah elevou o alerta sanitário no país, em Serra Leoa a OMS está ajudando a reforçar a vigilância comunitária de casos nas comunidades da fronteira, além de aumentar a testagem não apenas no país, como também na Costa do Marfim, em Mali, no Senegal e em outros países em risco na região.

A Guiné não é o único país que está lutando contra a doença: a República Democrática do Congo registrou três novos casos de ebola depois de declarar, em novembro, o fim da epidemia que infectou 130 pessoas, matando 55. Cerca de 40 mil pessoas foram vacinadas, o que conteve a doença no país.

Reprodução: Tecmundo
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sábado, 20 de fevereiro de 2021

Criaturas misteriosas são descobertas em camada da Antártica



Uma equipe de cientistas polares descobriu criaturas misteriosas nas profundezas da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártica. A observação ocorreu ao acaso, enquanto se perfurava o local, situado no sudoeste do mar de Weddell, para coletar amostras de sedimentos. Com o uso de uma câmera GoPro, foram identificados 22 organismos em uma rocha, a 800 metros de profundidade no oceano.


A pesquisa Breaking All the Rules: The First Recorded Hard Substrate Sessile Benthic Community Far Beneath an Antarctic Ice Shelf foi comandada pela British Antarctic Survey (BAS) e publicada na revista Frontiers in Marine Science. Ela é a primeira a documentar os animais, descritos como esponjas e, possivelmente, outros invertebrados ainda desconhecidos.

A notícia surpreendeu especialistas no assunto por até então ser inédita a vida em camadas profundas. Isso porque a falta de nutrientes, em uma região sob completa escuridão e com temperaturas de -2,2 °C, dificulta as condições de manutenção de outras espécies.

“Esperávamos recuperar um núcleo de sedimento debaixo da plataforma de gelo, por isso foi uma surpresa quando batemos na rocha e vimos no vídeo que havia animais vivendo nela”, revelou James Smith, geólogo do departamento de ciência polar do Reino Unido.

“Essa descoberta é um daqueles acidentes animadores que empurram as ideias [de possibilidade de estudos] em uma direção diferente e nos mostram que a vida marinha na Antártica é incrivelmente especial”, disse em comunicado do BAS Huw Griffiths, biólogo marinho e líder da pesquisa .

“[A observação dos organismos no local] levanta muito mais perguntas do que respostas. Por exemplo, como eles teriam chegado lá? Do que se alimentam? Há quanto tempo estão escondidos? Assim, teremos que encontrar maneiras inovadoras para dar continuidade ao estudo e responder a todas as novas perguntas que tivermos”, apontou o cientista.


Nesse contexto, há a sugestão de que talvez as criaturas possam ser muito antigas e detentoras de um sistema de sobrevivência avançado. Até o momento, os responsáveis pelo trabalho analisaram cerca de 200 metros quadrados na região, de um habitat composto de uma extensão superior a 1,5 milhão de quilômetros quadrados.

Como não se sabe muito sobre as origens e as composições dos organismos, Griffiths questiona o que aconteceria com as comunidades caso a plataforma de gelo entrasse em colapso. Elas também podem estar ameaçadas devido às mudanças climáticas, que acabariam com seus abrigos.

“Embora seja baseada em observações limitadas, é uma descoberta surpreendente e uma peça importante para o quebra-cabeça das esponjas antárticas”, disse César Cárdenas Alarcón, biólogo do Instituto Antártico Chileno em entrevista ao Gizmodo.

“O trabalho destaca a importância de se desenvolver pesquisas interdisciplinares para melhorar nossa compreensão dessas comunidades raras e para entender os cenários potenciais, já que se espera que o colapso das plataformas de gelo aumente à medida que o aquecimento continua afetando a Antártica”, ele completou.

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Conselho de Biologia alerta sobre doenças mais incidentes no verão

Estação de calor e chuvas cria condições para proliferação da dengue, zika, chikungunya, febre amarela, leishmaniose, leptospirose e doenças gastrointestinais



Biólogos especialistas do Conselho Regional de Biologia da 1ª Região (CRBio-01) chamam a atenção da população para os cuidados relativos a enfermidades mais incidentes no verão, como a dengue, zika, chikungunya, febre amarela, leishmaniose, leptospirose e doenças gastrointestinais.

Mesmo com a justificada preocupação com a pandemia do novo coronavírus, é importante não esquecer e tomar medidas para prevenir essas doenças. A elevação da temperatura e umidade cria condições para a multiplicação das populações de insetos, como os mosquitos Aedes aegypti (responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, e também da febre amarela); Phlebotominae (leishmaniose); e Haemagogus (febre amarela).

A proliferação de insetos como moscas, baratas e formigas contribui para a contaminação de alimentos por micro-organismos patogênicos, que provocam doenças gastrointestinais.

Com relação à leptospirose, as enchentes causadas pelas chuvas de verão propiciam as condições para a contaminação de pessoas expostas à urina de roedores (ratos urbanos).

O Biólogo Sérgio Bocalini, conselheiro do CRBio-01 e vice-presidente executivo da Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas (Aprag), explica que os insetos, ao contrário dos mamíferos, não têm regulação própria da temperatura corporal, e, assim, dependem das condições do ambiente. Nas regiões Sudeste e Sul, a chegada do verão oferece o binômio necessário para a aceleração do metabolismo dos insetos: a combinação de temperatura e umidade elevadas.

Segundo o Biólogo, uma mosca põe de 720 a 750 ovos na sua fase adulta. No inverno, com a temperatura entre 18 e 22 graus, ela demora de 40 a 60 dias para completar o seu ciclo de vida. No verão, com temperaturas a partir de 26 ou 27 graus, ela demora apenas de 7 a 10 dias para completar o seu ciclo de vida e ovipositar a mesma quantidade de ovos.

A umidade também cumpre um papel fundamental na aceleração do metabolismo dos insetos, o que explica a pouca presença de moscas e mosquitos em regiões de deserto, mesmo com o calor intenso.

Dengue, chikungunya e zika

Entre as doenças que sazonalmente aumentam no verão, a dengue é a de maior incidência. Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2020, até o dia 12 de dezembro, foram notificados 979.764 casos prováveis de dengue no Brasil. Nesse período, também foram notificados 80.914 casos prováveis de chikungunya. As notificações de casos prováveis de zika chegaram a 7.119 até 5 de dezembro.

Ainda não há dados sobre a incidência da dengue neste verão. Mas Sérgio Bocalini alerta que, com as atenções voltadas para a pandemia do novo coronavírus, houve uma redução, no ano passado, nas fiscalizações de algumas prefeituras para a eliminação de criadouros de Aedes aegypti e na divulgação de campanhas educacionais.

“O poder público é fundamental, mas a população precisa fazer a sua parte. A regra básica é aquela já bem difundida: eliminar os criadouros de Aedes. O criadouro é qualquer coisa que permita acúmulo de água”, ressalta Sérgio Bocalini. “Seria ótimo se os moradores dedicassem cinco minutos do dia para vistoriar seus quintais. Mas essa fiscalização tem que acontecer durante o ano inteiro”, defende o Biólogo.

O acúmulo de água pode acontecer em pneus, vasos de plantas, garrafas, tampas de garrafa, papeis de bala, folhas de árvores, enfim, qualquer recipiente capaz de reter líquidos.

Febre amarela

O Aedes aegypti também pode ser responsável pela transmissão da febre amarela, sobretudo em áreas urbanas. Já em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus.

Sérgio Bocalini esclarece que, em 2021, até o momento, não há registro de casos de febre amarela no Estado de São Paulo. A doença é tradicionalmente restrita à região amazônica, mas incidiu de forma atípica no Sudeste do país entre 2016 e 2018, o que motivou a realização de campanhas de vacinação em cidades.

Uma forma de se antecipar a um surto de febre amarela é monitorar as populações de macacos-bugios em florestas da região. Os bugios têm baixa resistência à doença e muitas vezes morrem ao contraí-la. As mortes servem como alerta para a adoção de medidas, como a vacinação. Neste ano, até o momento, as autoridades não detectaram mortes de bugios por febre amarela.

Leishmaniose

A leishmaniose, endêmica em populações de baixa renda, é considerada uma “doença negligenciada”, por não receber investimentos adequados em pesquisa, produção de medicamentos e controle epidemiológico. Ela é transmitida ao homem pelo mosquito Phlebotominae, chamado popularmente como mosquito-palha ou birigui, entre outros nomes regionais.

O cão doméstico é considerado o reservatório mais importante para a leishmaniose visceral, a forma mais grave da doença, que afeta órgãos internos, sobretudo fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea, e pode levar à morte, quando não tratada. A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitido comumente do cão infectado para a pessoa, por meio do mosquito.

O Brasil está entre os cinco países que apresentam maior ocorrência da leishmaniose visceral. A Caatinga e o Cerrado são tradicionalmente as regiões de maior incidência da doença no nosso país, mas Sérgio Bocalini adverte que a leishmaniose “vem se aproximando das áreas urbanas”.

Não há vacina contra as leishmanioses humanas. Uma medida de prevenção é manter os quintais limpos, principalmente de fezes de animais e outros materiais orgânicos que possam atrair o mosquito Phlebotominae. Outras medidas são evitar que os mosquitos entrem em casa, valendo-se de tela, rodos de borracha nas portas etc. e colocando coleiras repelentes de insetos nos cães domésticos.

Leptospirose

Além de prejuízos humanos e materiais, as enchentes provocadas por tempestades de verão criam condições para a propagação da leptospirose. A doença é causada pela urina de animais infectados, principalmente roedores. O xixi dos ratos urbanos contamina as águas represadas com a bactéria Leptospira, que invade o corpo humano através de pequenas feridas na pele, das mucosas ou mesmo de poros dilatados após longos períodos de imersão.

Ao contrário dos mosquitos e outros insetos, não há aumento da população de ratos no verão. A elevação da incidência de leptospirose na estação é resultado dos alagamentos causados pelas chuvas, que facilita a contaminação das pessoas pela Leptospira.

“Tem muito roedor nas galerias de esgoto e boa parte está contaminada com a bactéria Leptospira. A recomendação é evitar o contato com a água e lama de enchentes. Uma pessoa que teve esse contato e está com febre deve procurar imediatamente o serviço médico. A leptospirose pode causa a morte”, adverte Sérgio Bocalini.

Doenças gastrointestinais

As doenças gastrointestinais, que não são de comunicação obrigatória, também tendem a aumentar no verão. Uma das causas para a elevação da incidência é o já citado fenômeno da multiplicação das populações de insetos. Nesse caso, os vetores principais são as moscas, baratas e formigas. Esses animais promovem a transmissão mecânica de micro-organismos patogênicos para alimentos (tanto frescos como preparados) e utensílios, como talheres e pratos.

As mocas e baratas são as mais visadas, mas as formigas, que em geral gozam de boa reputação, podem ser bastante danosas pela capacidade de locomoção e de trabalho em grupo.

“A recomendação para a população é redobrar os cuidados diários de limpeza e organização dos ambientes, sobretudo nas cozinhas e dispensas. É importante fechar as frestas nas paredes e pisos. Um azulejo quebrado ou não rejuntado na cozinha pode servir de abrigo para insetos”, ressalta o Biólogo Sérgio Bocalini.

Reprodução: Paranashop
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Sistema aponta mamíferos que podem originar novos coronavírus

Cientistas usaram método de machine learning para identificar espécies com potencial de serem hospedeiras de novas recombinações do vírus


As alpacas podem ser suscetíveis a hospedar o novo coronavírus (Foto: Paul Summers / Unsplash)


Um estudo realizado por especialistas da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e publicado na última terça-feira (16) na revista Nature Communications, identifica mamíferos que são fontes potenciais para gerar novos coronavírus, incluindo espécies relacionadas a surtos anteriores, como morcego-ferradura, civetas de palmeira e pangolins.

Prever quais animais são candidatos a originar epidemias de coronavírus pode orientar abordagens para evitar a propagação entre bichos e humanos. "Novos coronavírus podem surgir quando duas cepas diferentes coinfectam um animal, fazendo com que o material genético viral se recombine", explica, em nota, a pesquisadora colíder Maya Wardeh, do Instituto de Infecção, Ciências Veterinárias e Ecológicas da universidade. "Nossa compreensão de como diferentes mamíferos são suscetíveis a diferentes coronavírus foi limitada, mas tais informações podem oferecer insights sobre onde a recombinação viral pode ocorrer."

Os especialistas usaram um sistema de machine learning para prever relações entre 411 cepas de coronavírus e 876 espécies hospedeiras de mamíferos em potencial. O método prediz os animais com maior probabilidade de serem coinfectados e, portanto, virarem hospedeiros de recombinações de coronavírus.

Os resultados sugerem que há pelo menos 11 vezes mais associações entre espécies de mamíferos e cepas de coronavírus do que estudos observaram até agora. Além disso, estima-se que o número de espécies suscetíveis a essas infecções seja 40 vezes maior do que se pensava.

"Dado que os coronavírus frequentemente sofrem recombinação quando coinfectam um hospedeiro, e que a Covid-19 é altamente infecciosa para humanos, a ameaça mais imediata à saúde pública é a recombinação de outros coronavírus com o Sars-CoV-2", avalia Marcus Blagrove, colíder do estudo.

Os pesquisadores observam que seus resultados baseiam-se em dados limitados sobre genomas de coronavírus e associações vírus-hospedeiro, e que há vieses de estudo para certas espécies animais. No entanto, testes recentes de hospedeiros mamíferos já confirmaram várias das previsões da pesquisa de Liverpool, como o cão-guaxinim, a cabra doméstica e a alpaca. Novos hospedeiros previstos incluem o macaco verde africano e o morcego amarelo asiático.

"É importante notar que recombinação viram é distinta de mutação. Recombinação ocorre ao longo de períodos maiores e pode gerar cepas ou espécies completamente novas", pontua Blagrove. "Nosso trabalho pode ajudar a direcionar programas de vigilância para descobrir cepas futuras antes que se espalhem para os humanos, dando-nos uma vantagem no combate a elas."


Reprodução: Revista Galileu
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