sábado, 30 de novembro de 2019

Biólogo brasileiro recebe prêmio internacional por projeto para salvar o pirarucu na Amazônia

“O pirarucu é um peixe fantástico. Ele tem alimentado o povo amazônico desde os mais antigos registros dessa sociedade”, diz o biólogo João Vitor Campos e Silva.



Foi a paixão por esse peixe símbolo da Amazônia e o lindo trabalho pela sua proteção e pela recuperação de sua população que garantiram ao brasileiro, de 36 anos, ser um dos cinco ganhadores do Rolex Award for Enterprise 2019, premiação internacional, promovida pela marca de relógios suíça, que desde 1976, apoia o trabalho de “indivíduos excepcionais, que têm a coragem e a convicção de enfrentar grandes desafios – homens e mulheres com espírito de empreendedorismo, iniciando projetos extraordinários para tornar o mundo um lugar melhor”.

Chegando a medir até três metros de comprimento e a pesar 250 quilos, o pirarucu (Arapaima gigas) é o maior peixe de água doce e de escamas do mundo. Espécie nativa da Bacia Amazônica, ou seja, ele só é encontrado em lagos, remansos de rios, meandros abandonados e várzeas dos principais afluentes do Amazonas, e em nenhum outro lugar do mundo.

Infelizmente, no último século, a pesca predatória fez com que houvesse uma alarmante redução no número de pirarucus na região amazônica.

“Mesmo em lugares remotos, como próximo ao rio Juruá, as pessoas saem para pescar o dia todo e voltam sem nada para casa”, conta o brasileiro.

O projeto desenvolvido por Campos e Silva envolve o engajamento de comunidades locais, que são conscientizadas sobre a necessidade da conservação da espécie. Elas constroem casas de madeiras perto de lagos e nesses locais impedem que a pesca predatória seja realizada.

Através do manejo do pirarucu, as comunidades rurais conseguiram melhorar a geração de renda e também, promover a igualdade de gênero, pois pela primeira vez, mulheres se beneficiam, economicamente, com a atividade pesqueira nessas áreas. O dinheiro que circula localmente também ajuda na melhoria da infraestrutura de escolas e postos de saúde. “Salvar o peixe é, portanto, um antídoto para a pobreza”, acredita Silva.

“O pirarucu é uma das espécies com maior importância cultural da Amazônia, então é muito fácil que as comunidades se engajem no projeto e fiquem animadas e querendo começar a realizar o manejo”, diz. 


Conservação da espécie

Antes do início do projeto, em uma das comunidades do rio Juruá, a população de pirarucus beirava os 50 indivíduos. Atualmente já são mais de 4 mil. E não é só. Outras espécies, como manatis, tartarugas e jacarés também estão sendo beneficiadas.

Este ano, o júri do Rolex Award for Enterprise escolheu os ganhadores entre quase 1 mil candidatos, de 111 países. Os cinco vencedores são cientistas que trabalham com meio ambiente, saúde e tecnologia e receberão investimento para seus trabalhos.

No ano passado, o biólogo, nascido em Piedade, no interior de São Paulo, também venceu a 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista, na categoria Mestre e Doutor.

Agora ele sonha em implementar seu projeto em outras 60 comunidades, localizadas em mais de 2 mil km do rio Juruá.

Reprodução: Conexão Planeta
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Poluição sonora dos humanos prejudica animais marinhos e terrestres

Pesquisa aponta que os bichos utilizam sons para comunicar informações vitais, e o barulho ao redor dificulta a sobrevivência das espécies



Diversos animais se comunicam com sinais sonoros, compartilhando informações vitais como, por exemplo, a escolha de um parceiro ou avisar os membros da família sobre possíveis ameaças de predadores. E o barulho em volta pode prejudicar essa comunicação, afetando a sobrevivência dos bichos.

Novo estudo publicado na revista Biology Letters aponta que a poluição sonora afeta o comportamento de muitas espécies de anfíbios, pássaros, peixes, mamíferos e répteis. Enquanto a poluição sonora evita que alguns animais escapem de predadores, também atrapalha outros bichos na busca por presas.

No mundo aquático, as larvas de peixes encontram seu lar com base no som emitido pelos recifes. O aumento da poluição sonora no mar, provocado principalmente por navios, dificulta que as larvas encontrem recifes adequados, o que significa que muitas escolherão ambientes piores e terão sua vida útil reduzida.

Já morcegos e corujas, que se baseiam nos sons das presas para buscar alimentos, a poluição sonora atrapalha na caça. Com isso, as espécies demoram mais tempo para obter alimentos, o que poderia levar ao seu um declínio.

O barulho também afeta a migração das aves, que evitam áreas poluídas por ruídos para escolher onde viverão com os filhotes. As mudanças na distribuição das espécies podem afetar a saúde do meio ambiente, visto que os animais dependem um do outro para manter o equilíbrio da natureza.

"O estudo fornece evidências significativas de que a poluição sonora deve ser considerada uma forma séria de mudança e poluição ambiental provocada pelo homem, ilustrando como isso afeta espécies aquáticas e terrestres", afirmou em comunicado Hansjoerg Kunc, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Queen's Belfast, que é autor da pesquisa.

Reprodução: Revista Galileu
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Nasa encontra moléculas essenciais à vida na Terra em meteoritos

Nasa encontra moléculas essenciais à vida na Terra em meteoritos



Em um estudo junto a cientistas japoneses, especialistas da Nasa concluíram que o ácido ribonucleico (RNA), responsável por ler as informações do nosso DNA e transformá-las em proteínas essenciais à vida, pode ter vindo diretamente do espaço.

A pesquisa, publicada no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences, constatou que meteoritos que caíram na Terra há bilhões de anos tinham em sua composição diversos tipos açúcar. Não estamos falando do açúcar que você coloca no cafezinho, é claro, mas de moléculas essenciais para o surgimento da vida, como a ribose, que compõe o RNA.

A descoberta vai ao encontro de uma teoria que diz que a vida na Terra teve origem em "ingredientes" do espaço. Segundo essa hipótese, os compostos chegaram aqui por meio de meteoritos que caíram na superfície terrestre.

De acordo com o novo estudo, a ribose seria apenas um deles. “Outros 'blocos' importantes para formar a vida foram encontrados em meteoritos antes como aminoácidos (que compõem proteínas) e bases nitrogenadas (que formam o DNA e o RNA)”, disse em comunicado Yoshihiro Furukawa, líder do estudo.

Para realizar a pesquisa, os especialistas coletaram pó de dois meteoritos mais velhos do que a Terra. Ambos se formaram há pelo menos 4,5 bilhões de anos. Um deles, o meteorito de Murchison, foi descoberto na Austrália em 1969, e o outro, o NWA 801, foi encontrado no Marrocos em 2001.

Após analisarem as duas rochas espaciais, os pesquisadores viram que os meteoritos tinham aminoácidos e açúcares como xilose, arabinose e uma pequena quantidade de ribose. Além disso, descobriram que a ribose chegou à Terra antes da desoxirribose, outro açúcar que compõe moléculas genéticas de seres vivos.

Outras descobertas estão por vir: a sonda Hayabusa2, do Japão, e a OSIRIS-Rex, da Nasa, prometem trazer dados sobre os asteroides Bennu e Ryugu que poderão ser úteis para comprovar os achados da equipe de Furukawa.

Reprodução: Revista Galileu
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

A partícula descoberta por cientistas que pode mudar nossa compreensão do Universo

Uma partícula batizada como X17 pode ser evidência da existência de uma quinta força da natureza e um elo entre com a matéria escura, de acordo com um grupo de cientistas húngaros.



Durante décadas, a comunidade científica reconheceu a existência de quatro forças fundamentais que controlam o Universo: eletromagnetismo, gravidade, força nuclear fraca e força nuclear forte.

Mas, agora, um estudo publicado por cientistas húngaros diz ter observado evidências de uma quinta força da natureza, o que pode revolucionar nossa compreensão de como o mundo funciona.

A análise foi realizada por cientistas do Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Húngara de Ciências (Atomki), que estudaram o comportamento de um átomo de hélio e como ele emite luz quando se decompõe.

Os átomos estudados estavam em um estado chamado "excitado", quado um de seus elétrons, tendo maior energia, salta da órbita que ocupava para uma órbita externa, mais distante do núcleo.

Durante o experimento, a equipe liderada por Attila Krasznahorkay observou que as partículas do átomo foram divididas em ângulos de 115 graus, muito mais do que o esperado.

Acredita-se que, no momento em que o átomo decai, o excesso de energia produzido cria brevemente uma nova partícula desconhecida, que se decompõe rapidamente em pósitrons e elétrons.

É um fenômeno que não pode ser explicado no atual modelo padrão da física de partículas, a teoria científica que descreve a estrutura fundamental da matéria e do vácuo, levando em consideração as partículas elementares.

Qualificado como um "bóson X protofóbico", porque teria "medo de prótons", acredita-se que essa nova partícula, batizada como X17, seja capaz de transportar forças que atuam a pequenas distâncias e seria evidência da existência de uma quinta força da natureza.

33 vezes mais massa que um elétron

De acordo com a equipe de Krasznahorkay, que publicou sua análise no site da Universidade Cornell, essa partícula desconhecida teria uma massa de cerca de 17 megaeletronvolts, que é aproximadamente 33 vezes mais do que um elétron, e daí vem seu nome.

As descobertas do Instituto Atomki ocorrem três anos após a publicação de um resultado similar de um experimento realizado com a decomposição de um átomo de berílio-8, durante o qual uma anomalia foi observada.

De acordo com a lei de conservação de energia, à medida que a energia da luz produzida pelo berílio aumenta quando libera um elétron e um pósitron, o ângulo entre os dois deve diminuir.

Mas não foi o que aconteceu no experimento de 2016. De fato, houve um aumento inesperado na quantidade de elétrons e pósitrons que se afastaram um do outro em um ângulo de 140 graus, muito mais do que o esperado. Uma irregularidade que teria sido causada pela partícula X17.

Possível ligação entre mundo visível e matéria escura

A equipe de Krasznahorkay acredita que esse novo experimento produziu resultados semelhantes à "anomalia" observada quando o berílio-8 foi analisado, o que parece seguir o "cenário de decomposição do bóson X17", diz o estudo.

Os cientistas húngaros também acreditam que a partícula poderia ser o elo entre o mundo visível e a matéria escura. 
A matéria escura é uma entidade invisível, mas essencial, que compõe cerca de um quarto de toda a matéria do Universo, cuja existência é prevista no modelo científico que usamos, mas que nunca foi encontrada.

Se a existência da partícula X17 for comprovada, ela poderia ajudar a resolver esse mistério que persiste por décadas.

Estudos experimentais independentes sobre a partícula X17 são esperados nos próximos anos.

Reoridução: G1
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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Câncer de pâncreas: a combinação de drogas que pode 'matar de fome' as células do câncer

     Cientistas observaram que, misturando dois medicamentos, conseguiam resultados positivos para redução de tumores

Uma equipe de cientistas acaba de demonstrar a eficácia de um tratamento contra uma das doenças mais letais que afetam os seres humanos: o câncer de pâncreas.

A enfermidade representa apenas 3% de todos os diagnósticos, mas os médicos classificam esse tipo de câncer como o mais agressivo, com uma taxa de mortalidade de 99%. E a porcentagem de pessoas afetadas aumentou na última década.

Mas a combinação de dois medicamentos pode vir a oferecer uma nova esperança a quem sofre com a doença.
Por que mais de 70% dos casos de câncer de mama no Brasil são diagnosticados em estágio avançado

Pesquisadores do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute, localizado na Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que uma combinação de dois fármacos usados atualmente para tratar leucemia e tumores como melanoma pode ser a chave para tratar o câncer de pâncreas.

De acordo com seus resultados, tais medicamentos combinados "podem reduzir tumores"


.Os estudiosos comprovaram que o tratamento reduziu com êxito os tumores pancreáticos em ratos e pretendem respaldar esse achado com testes clínicos, segundo artigo publicado na revista científicaNature Cell Biology.

Os fármacos em questão são L-asparaginasa — uma enzima com potencial terapêutico usada para combater a leucemia — e um inibidor de MEK (um tipo de proteína). Eles deixam os tumores sem os nutrientes necessários para que cresçam, além de impedir que se adaptem para sobreviver.

Em outras palavras, a técnica "mata de fome" as células com câncer.


     Algumas proteínas deixam os tumores sem os nutrientes necessários para seu crescimento

Sem tratamento efetivo

As versões dos dois compostos são aprovadas pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration, ou FDA, em inglês).

"A triste realidade é que, hoje em dia, o tratamento para o câncer de pâncreas está atrasado (em relação a outras terapias) porque não existe um que seja efetivo para esses tumores", disse Ze'ev Ronai, professor do Programa de Iniciação e Manutenção de Tumores, do Sanford Burnham Prebys, o principal autor do estudo.

O diagnóstico dessa enfermidade é difícil e só acontece quando já está em estado avançado.

Um quarto dos pacientes morre em até um mês após o diagnóstico e o restante, no prazo de um ano.

"Nossa pesquisa identifica um possível tratamento combinado que pode ser testado imediatamente contra esses tumores agressivos."

"Já estamos nos reunindo com os oncologistas da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon (Estados Unidos) para discutir como levar essa descoberta para avaliação clínica", completou o especialista.

'Promissor'

"É evidente que não encontraremos uma varinha mágica que cure o câncer", afirmou Rosalie C. Sears, da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon. "Precisaremos de vários medicamentos que ataquem múltiplas vulnerabilidades."

"Esse estudo identifica um tratamento duplo promissor para o câncer de pâncreas, um dos mais mortíferos. Espero ver esses medicamentos testados em pacientes", explicou Sears, especializada em genética molecular e codiretora do centro Brenden-Colson para Saúde Pancreática.

Os cientistas esperam abrir caminho para que o teste clínico em humanos ocorra em breve.

O experimento demonstrou que a terapia não só reduziria os tumores pancreáticos, mas também os melanomas.

Entretanto, os responsáveis pela pesquisa focaram no câncer de pâncreas, devido à falta de medicações eficazes existentes.


Sinais e sintomas do câncer de pâncreas

Icterícia: coloração amarelada na pele aparece quando o tumor se origina na cabeça do pâncreas e causa a compressão do duto biliar;
Alteração dos níveis de glicose no sangue: o pâncreas é responsável por gerar a insulina que por controlar os níveis de glicose do sangue. Se o tumor afeta tal função, pode haver alterações;

Má digestão: dor abdominal originada na região do estômago e irradiada até as costas ou regiões laterais;
Perda de peso: acontece em poucos meses, acompanhada da perda de apetite.

Fonte: Fundação para Excelência e Qualidade da Oncologia (ECO), na Espanha.
Reprodução: BBC
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terça-feira, 19 de novembro de 2019

O que é a peste pulmonar e por que sua aparição na China preocupa

A forma mais rara, porém mais letal de peste, apareceu na China.



Duas pessoas foram hospitalizadas em Pequim após contraírem a peste pulmonar ou pneumônica - uma variante altamente infecciosa da doença e muitas vezes fatal - confirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (13/11).

Os dois pacientes, originários da Mongólia Interior - região do norte da China - foram colocados em quarentena após serem diagnosticados com a doença, segundo autoridades de saúde do distrito de Chaoyang, a leste da capital chinesa.

Segundo a OMS, o governo chinês está tentando conter e tratar os dois casos e aumentou sua vigilância.

A peste pulmonar é uma doença que afeta humanos e outros mamíferos. Ela é causada pela bactéria Yersinia pestis.

Os seres humanos geralmente se contagiam pela picada de pulgas infectadas, que vivem em pequenos mamíferos como ratos, ou ao manipular um animal infectado com a doença.

Sua taxa de mortalidade pode ser alta, mas o tratamento com antibióticos é eficaz se administrado até 24 horas depois do contágio.

Segundo a OMS, existem três formas de infecção por peste: a bubônica - a mais comum, que afeta os gânglios linfáticos -, a septicêmica - ocorre quando a infecção se propaga pelo fluxo sanguíneo - e a pulmonar, quando afeta os pulmões.

A bubônica, também chamada de peste negra, é talvez a mais famosa, já que na Idade Média ocasionou um dos surtos mais mortais da história da humanidade.

Menos comum, ela é a forma mais virulenta de peste. Geralmente ocorre devido à disseminação para os pulmões de uma infecção bubônica avançada e geralmente é transmitida por ratos, embora também seja possível passar de uma pessoa para outra através de uma simples tosse.

Se não for tratada, a peste pulmonar tem uma taxa de letalidade próxima a 100%.

As autoridades de saúde chinesas disseram que todas as pessoas em risco de exposição à doença foram localizadas e tratadas, e que os hospitais intensificaram o monitoramento de pessoas com sintomas semelhantes.

Eles acrescentaram ainda que o risco de um surto de peste pulmonar no país é mínimo.

Outros casos

Os surtos na China não são frequentes, mas grande parte da cidade de Yumen, no Noroeste, foi colocada em quarentena em 2014, depois que um morador de 38 anos morreu de peste bubônica.

     A peste geralmente é transmitida por ratos

As populações de roedores aumentaram na Mongólia Interior após secas persistentes, agravadas pelas mudanças climáticas.

Na vizinha Mongólia, duas pessoas morreram na primavera passada depois de comer marmota crua, um alimento que pode transportar a bactéria Yersinia pestis.

Em Madagascar, um surto de peste em 2017 deixou mais de 200 mortos.

Reprodução: BBC
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domingo, 17 de novembro de 2019

Buraco na camada de ozônio atingiu menor tamanho desde 1982, revela NASA

Mas não se anime: o recorde não se deve aos esforços da humanidade para isso



Desde que começou a ser monitorado, em 1982, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida – oficialmente descoberto em 1985 – vem crescendo ano a ano. Quer dizer, não em 2019. Medições do satélite NOAA, da NASA, apontam que a falha atingiu o pico anual no dia 8 de setembro, quando chegou a 16,4 milhões de quilômetros quadrados. Entre setembro e outubro, é comum que o buraco diminua de tamanho – e, este ano, ele chegou a 10 milhões de quilômetros quadrados.

Esses números chamam atenção porque, em outros anos, o pico aconteceu entre o fim de setembro e o começo de outubro, atingindo uma média de 20 milhões de quilômetros quadrados. A notícia é ótima, mas ainda não podemos comemorar. “É importante reconhecer que o que estamos vendo este ano é devido às maiores temperaturas estratosféricas. Não é um sinal de que a camada de ozônio está se recuperando rapidamente”, pondera Paul Newman, cientista-chefe do núcleo de Ciências da Terra do Goddard Space Flight Center, da NASA, em nota.

A camada de ozônio está localizada na estratosfera, que fica entre 11 e 40 quilômetros de altura. A concentração de ozônio nessa altitude funciona como um protetor solar para o planeta, barrando a radiação ultravioleta que prejudica a vida na Terra – seja causando câncer de pele, por exemplo, seja danificando plantas.

De acordo com Susan Strahan, cientista atmosférica da NASA, essa é a terceira vez nos últimos 40 anos que as temperaturas mais quentes na estratosfera limitaram o crescimento do buraco na camada de ozônio. As outras ocorrências foram em 1988 e 2002. “É um evento raro que ainda estamos tentando entender”, comenta Strahan.

Em setembro, a temperatura a 20 quilômetros da superfície terrestre ficou em torno de 16 ºC mais quente do que o normal para esse mesmo mês nos últimos 40 anos. Mas, segundo a cientista, não há evidências de que o aquecimento estratosférico tem relação com as mudanças climáticas.

Apesar de o buraco na camada de ozônio ainda ser preocupante, nossos esforços estão valendo a pena: desde o ano 2000, vêm diminuindo os níveis de substâncias lançadas pela humanidade na atmosfera que contribuem para destruir o ozônio. De qualquer forma, a quantidade ainda é alta o suficiente para que a camada continue sendo destruída. A expectativa é que só em 2070 o buraco sobre a Antártida volte ao mesmo tamanho da década de 1980.

Reprodução: revistagalileu
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Diabetes já atinge meio bilhão de adultos no mundo

Metade da população diabética no mundo não sabe que tem a doença por falta de exames



Cerca de 9% da população mundial, ou 463 milhões de adultos, têm diabetes em 2019 e metade delas não sabe disso. Nesse contexto, o Brasil é o quinto país com maior número de pessoas com a condição, segundo dados do Atlas do Diabetes, lançado na última quinta (14/11), Dia Mundial do Diabetes.

A diabete mellitus é uma síndrome metabólica caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue. Segundo as informações do relatório, a maior parte (79%) das pessoas com diabetes vivem em países em desenvolvimento, como o Brasil. A condição está relacionada, de forma geral, a hábitos de vida não saudáveis, como dietas não saudáveis e falta de atividade física, e obesidade (já o diabetes tipo 1 é uma deficiência autoimune).

Se os números atuais parecem preocupantes, as projeções do estudo para as próximas décadas são ainda mais. A tendência é que, até 2030, 578 milhões de pessoas no mundo tenham a doença. O número pode chegar a 700 milhões de adultos em 2045 (pouco mais de 10% da população mundial).

Segundo projeções, a doença e complicações relacionadas levaram à morte, em 2019, a 4,2 milhões adultos. Estimativas apontam que a doença está associada a 11% de todas as mortes ocorridas em pessoas entre 20 e 79 anos.

Um dos pontos presentes no atlas que chama a atenção é o número de casos de diabetes não diagnosticados. Segundo o documento, cerca de 231 milhões de pessoas vivem com diabetes (a maior parte com o tipo 2). Muitas não sabem que estão com o problema.

No Brasil, cerca de 46% (7,7 milhões) das pessoas que têm a doença não estão cientes disso.

Reprodução: Terra
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terça-feira, 12 de novembro de 2019

Cientistas da UFRJ abrem caminho para diagnósticos precoces de Parkinson



Uma descoberta de cientistas brasileiros lançou luz sobre um dos mecanismos mais misteriosos do mal de Parkinson e abriu caminho para diagnosticar e tratar a doença.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenarativa mais frequente, atrás apenas do mal de Alzheimer. Como ela, também não tem cura, tratamento específico —apenas paliativo — ou diagnóstico preciso.

O grupo integrado por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e brasileiros que trabalham na Escola de Medicina da Universidade da Virgínia (EUA) investigou pequenas estruturas de proteínas chamadas oligômeros, cujo papel até hoje permanece pouco conhecido.

Por sua relevância, o estudo foi publicado na revista científica internacional “Communications Biology”, ligada ao grupo “Nature”.

Já se sabia que os oligômeros —a grosso modo, um estágio intermediário de proteínas— formam placas no cérebro associadas ao mal de Parkinson. Essas placas geram as fibras amilóides presentes no cérebro dos doentes.

Mas quais oligômeros estavam envolvidos na doença permanecia uma pergunta sem resposta.

Guilherme de Oliveira, um dos coautores do estudo e pesquisador da University of Virginia e da UFRJ, explica que "uma pessoa desenvolve Parkinson ao longo de toda uma vida”.

A conversão entre os estágios da proteína acontece lentamente e as estruturas intermediárias e os filamentos se acumulam por muito tempo. A ciência ainda não sabe o que desencadeia o surgimento dos sintomas.

Como o papel dessas estruturas em condições normais é desconhecido, o ataque indiscriminado não pode ser feito porque poderia ter consequências extremamente graves e, potencialmente, letais. A chave era identificar os culpados em meio a uma multidão de suspeitos.

— O que fizemos foi flagrar o estágio inicial da acumulação de oligômeros. Descobrimos quais oligômeros se juntam para formar as placas ligadas à doença — explica um dos líderes do estudo, o professor titular do Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ e presidente da Faperj, Jerson Lima Silva.

Ele acrescenta que moléculas que ataquem esses oligômeros específicos abrem caminho para o tratamento precoce, o que impediria não apenas o aparecimento de sintomas, como tremores e distúrbios motores, mas também sequelas. Outro aspecto fundamental é a possibilidade de um diagnóstico precoce, hoje impossível.


Técnica vencedora do Nobel

Para realizar o estudo, os cientistas recorreram a técnicas altamente sofisticadas de bioimagem, que permitem observar estruturas moleculares muito pequenas.

Foi empregada inclusive a técnica de criomicroscopia eletrônica, que rendeu aos seus criadores o Prêmio Nobel de Química em 2017. Com ela, observaram processos que ocorrem dentro do cérebro humano em escala molecular.

O alvo foram estruturas, os tais oligômeros, da proteína alfa-sinucleína, comprovadamente ligada ao mal de Parkinson.

No estudo foram analisadas quatro variantes da alfa-sinucleína: três ligadas a casos hereditários precoces da doença e a última presente nos casos de envelhecimento.

Lima Silva diz que eles verificaram diferenças significativas nos processos de agregação de cada variante da proteína. Nos casos de Parkinson precoce, a evolução é muito mais rápida.

A pesquisa teve financiamento do CNPq, da Faperj e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB).

Além de receber apoio do Pew Charitable Trusts, nos EUA. Para que essa fase do estudo possa ter desdobramento, será preciso investir mais, destaca Guilherme de Oliveira, que retornará ao Brasil em dezembro.

Reprodução: oglobo
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