sábado, 23 de setembro de 2017

Maconha é 114 vezes menos fatal que cigarro, diz estudo


Um estudo publicado na revista Scientific Reports nesta terça-feira traz números reveladores sobre o uso da maconha: segundo o estudo realizado no Reino Unido, o risco de morte associado ao uso de maconha é de longe o menos fatal comparado a outras drogas como cigarro e álcool. As informações são do The Independent.



A erva é a menos perigosa da lista estudada que inclui tabém: álcool, heroína, cocaína, cigarro, ecstasy e metanfetamina.

Além disso, a maconha é a única droga que possui baixa taxa de risco de morte entre os usuários, sendo 114 vezes menor que o cigarro, por exemplo, que é uma droga lícita em grande parte dos países onde a erva é proibida.

Para chegar aos números obtidos, os autores do estudo compararam doses letais de cada substância em comparação com o que uma pessoa comum usa. Apesar disso, o estudo reafirma que fumar maconha não é “seguro”, mas encontraram que é, sim, mais do que outras comuns.
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Estudantes criam conceito de preservativo que muda de cor ao detectar DSTs

Um grupo de estudantes entre 13 e 14 anos da Isaac Newton Academy, em Londres, ganhou um prêmio por criarem uma camisinha inteligente que muda de cor quando é detectada uma doença sexualmente transmissível. As informações são do BuzFeed.



Ainda em fase de produção e finalização, a invenção chamada “S.T.EYE” recebeu o prêmio TeenTech Aeawrs, que promove a ciência, engenharia e tecnologia em escolas. Na competição, o grupo de amigos mostrou como a camisinha pode tornar a vida “melhor, mais simples e mais fácil”. O preservativo usa um indicador que muda para uma cor diferente, dependendo das bactérias ou da infecção detectados. Os alunos Muaz Nawaz, Daanyaal Ali, e Chirag Shah explicaram que ela fica verde para clamídia, amarela para herpes, roxa para o papilomavírus humano (HPV), ou azul para a sífilis.

“Nós queríamos fazer algo que detectasse as DSTs, sendo mais seguro do que nunca, de modo que as pessoas possam tomar medidas imediatas na privacidade de suas próprias casas, sem os procedimentos invasivos dos médicos", disse um dos criadores, Ali. “Temos a certeza que somos capazes de dar paz de espírito aos usuários e garantir que as pessoas possam ser ainda mais responsáveis do que nunca”.

É importante destacar que os preservativos coloridos ainda estão em fase conceitual, de acordo com um porta-voz da TeenTech. "[As camisinhas] são muito mais um conceito e ... não um projeto finalizado", afirmou.
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Estudo diz que mundo terá "Google do DNA" em 10 anos

Até 2025, ao menos um bilhão de pessoas terão seu próprio genoma sequenciado e os dados estarão em uma espécie de "Google do DNA", diz um estudo da revista PLoS Biology através de uma pesquisa do Cold Spring Harbor Laboratory de Nova York.



Segundo as informações da publicação, isso será possível pelo crescimento muito mais veloz do recolhimento dos dados das pessoas. Se continuar nesse ritmo, explicando os autores da pesquisa, a quantidade de informações genéticas armazenadas por dia dobrará a cada sete meses.

Isso quer dizer que até 2025 se produzirão entre dois e 40 exabytes - cada exabyte equivale ao espaço de mais de um trilhão de megabytes.
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Revista usa tinta misturada a sangue com HIV para publicação

Uma revista austríaca imprimiu sua mais recente edição usando sangue de três pessoas soropositivas como um ato simbólico para lutar contra "medos irracionais" e o "estigma" social que ainda rodeia a vida de quem vive com o vírus da aids




A revista Vangardist lançou este mês uma edição limitada de três mil exemplares impressos com tinta misturada a 150 mililitros de sangue doado por três portadores de HIV. Cada exemplar, dedicado a "homens progressistas, curiosos e de mente aberta", traz textos em inglês e alemão, e é vendida por 50 euros (R$ 170).

O dinheiro arrecadado com a venda deste número especial será doado a projetos destinados aos pacientes afetados pelo vírus. Para o leitor, a revista é totalmente segura e não apresenta qualquer risco de contágio.

"Queríamos enviar uma mensagem contra o estigma porque depois de 30 anos de pesquisa, a medicação agora é muito boa, mas o estigma ainda é um peso para as pessoas que têm o vírus e isso pode ser visto em certos comentários sobre a nossa campanha. Alguns pensam que podem se infectar

com a revista, nos chamaram de assassinos, como se quiséssemos matar alguém", disse à Agência Efe Julian Wiehl, fundador e diretor da Vangardist.

Há muito tempo se sabe que o HIV morre com rapidez fora do corpo e só pode ser transmitido por contato direto com fluidos corporais, principalmente no sangue e no sêmen.

Além disso, para garantir a plena segurança para os leitores, os responsáveis da revista receberam orientação de médicos e cientistas das universidades de Harvard (Estados Unidos) e de Innsbruck (Áustria).

Os pesquisadores de Innsbruck esterilizaram o sangue e voltaram a analisá-la depois sem encontrar rastros de patógenos. A quantidade de sangue usada é simbólica, e segundo explica o diretor, a medida corresponde a uma unidade para cada 28 de tinta.

"Utilizamos muito pouco sangue. A cor vermelha nas letras da revista não é pelo sangue, mas sim pela tinta vermelha que foi misturada a ele", afirmou.

Wiehl acredita que esta campanha servirá para lutar contra os preconceitos que as pessoas com HIV positivo convivem diariamente e que leva muitas delas a se isolar socialmente e entrar em depressão.

"Os medos irracionais são o que nos freiam como sociedade, porque não têm nenhuma base e estão causando muito prejuízo as pessoas", comentou.

O tema desta edição é "Heróis do HIV" e a revista se apresenta dentro de uma embalagem metálica transparente lacrada.

"Romper o lacre da revista é uma forma de romper o estigma, e se você tem uma delas nas mãos e fala sobre isso é parte da solução", acrescentou.


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sábado, 16 de setembro de 2017

Saúde anuncia R$ 27 milhões para tratamento de vítimas da zika



Recursos serão usados para ampliar serviços dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família; para avaliar os 5,3 mil casos confirmados e em investigação em todo o País; e para fortalecer as ações de vigilância

O Ministério da Saúde anunciou, nesta semana, novas ações para reforçar a rede de cuidado às crianças com microcefalia, doença associada à infecção pelo zika vírus. No total, serão investidos R$ 27 milhões para ampliar e qualificar os serviços na Atenção Básica, por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs); avaliar os 5,3 mil casos confirmados e em investigação em todo o País; além de fortalecer as ações de vigilância.

Do total dos recursos (R$ 27 milhões), R$ 15 milhões serão repassados para 4.143 equipes de Núcleo de Apoio à Saúde da Família que possuam profissionais de fisioterapia. Os valores serão destinados à aquisição de kits para reforçar a estimulação precoce, como colchonetes, bolas, brinquedos que estimulem os sentidos e a coordenação motora, trena antropométrica, martelo de reflexo, entre outros materiais. Cada equipe de NASF receberá cerca de R$ 3,6 mil para adquirir o material. Os municípios receberão os recursos em parcela única, por meio do Piso da Atenção Básica (PAB variável). Esses são os serviços mais próximos das famílias.

Também para reforçar a continuidade da assistência às crianças vítimas da síndrome congênita associada ao zika, o Ministério da Saúde repassará R$ 11,8 milhões aos estados e municípios, com o objetivo de fortalecer os serviços de avaliação, diagnóstico e acompanhamento dos 5,3 mil casos confirmados e em investigação neste momento. Serão destinados cerca de R$ 2,2 mil de recursos para cada criança investigada. A ação visa a promover ações de cuidado e organização de toda a rede assistencial para atender às diversas necessidades das crianças. As informações referentes à avaliação dos casos permitirá sistematizar evidências sobre a síndrome e apoiar o desenvolvimento de pesquisas.

Atualmente, a rede de reabilitação em todo o País conta com 2.323 serviços de reabilitação e estimulação credenciados no SUS, com 190 Centros Especializados em Reabilitação (CERs), 33 Oficinas Ortopédicas, 238 serviços de reabilitação em modalidade única e 1.862 serviços de reabilitação credenciados pelos gestores locais.

Campanha

O Ministério também lança o primeiro episódio da websérie Viva Mais SUS, que irá tratar sobre microcefalia. A campanha contará, em 16 episódios, histórias de pessoas impactadas pelos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.

O episódio de estreia conta a história de duas mães, Vera e Josimary, e seus filhos com microcefalia, Abraão e Gilberto, e a rede de solidariedade entre elas e os profissionais do SUS que ajudam no acompanhamento e no desenvolvimento das crianças. A websérie estará disponível em www.saude.gov.br/vivamaissus.

Histórico da doença

No início de 2016, quando cresceram os casos de microcefalia, o Ministério da Saúde criou a Primeira Estratégia de Ação Rápida, garantindo o acesso ao cuidado e à proteção social de todas as crianças com suspeita da síndrome, e de suas famílias. A medida permitiu esclarecer o diagnóstico de mais de 100% dos casos notificados naquele momento.

Ao todo, foram esclarecidos mais de 6.690 casos. A Estratégia de Ação Rápida foi lançada por meio de Portaria entre ministérios da Saúde e Desenvolvimento Social, com o objetivo de garantir a busca ativa às crianças com suspeita da síndrome, acesso aos serviços diagnósticos, com transporte e hospedagem quando necessários, organização do serviço nos Centros de Referência e articulação entre as áreas de Saúde e Assistência Social para o acesso aos serviços socioassistenciais.

O Ministério da Saúde investiu mais de R$ 15 milhões para busca ativa, diagnóstico e encaminhamento aos serviços de saúde. Foram habilitados 67 CERs, 63% das novas unidades estão na região Nordeste. Também foram habilitadas nove Oficinas Ortopédicas com o repasse de R$ 128,5 milhões por ano em custeio. Foram habilitadas, ainda, 51 novas equipes de NASF, com o custeio anual de R$ 11 milhões. Além disso, foram concedidos mais de 2,2 mil Benefícios de Prestação Continuada (BPC) às crianças, nascidas a partir de 2015, diagnosticadas com microcefalia. Uma ação integrada entre as redes SUS e Assistência Social (SUAS).

Entre 2015 e 2017 foram registrados 14.577 casos e 883 óbitos causados pela síndrome. Em agosto deste ano, de acordo com o novo boletim epidemiológico, 20% dos casos foram confirmados, 21% permanecem em investigação e 44% foram descartados. Os casos de microcefalia vêm diminuindo desde maio de 2016.

Reprodução: Health Care
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Conheça a síndrome que causa dores e desânimo e tirou Lady Gaga dos palcos

Fadiga, indisposição, distúrbios do sono e, principalmente, dor. Estas são as principais manifestações da fibromialgia, que afastou a cantora Lady Gaga dos palcos do Rock in Rio 2017 .
"Brasil, estou arrasada de não estar bem o bastante para ir ao Rock in Rio", disse a cantora nas redes sociais. ""Fui levada ao hospital, não é apenas dor no quadril ou lágrimas da turnê, estou com muita dor", completou ela.
A doença é uma forma de reumatismo --pois envolve músculos, tendões e ligamentos – associada à forte sensibilidade frente a um estímulo doloroso. Nesta síndrome a dor é a própria doença, e não o alarme de algo a ser descoberto. E, com incômodo constante em diversas partes do corpo, é difícil manter a qualidade de vida.
"Sentindo dor sem um motivo aparente, o indivíduo sofre também com mudanças de humor, como irritabilidade e ansiedade", destaca Cláudio Correa, coordenador do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital Nove de Julho (SP) e presidente do Instituto Simbidor (SP). 

"Além das alterações emocionais, são muito comuns a indisposição e a falta de energia", completa Suely Roizenblatt, especialista em reumatologia e professora adjunta da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que desenvolve estudo sobre a fibromialgia desde 1990. 

O paciente ainda pode ser acometido por sonolência, sensação de edema nas mãos, dor de cabeça, síndrome do cólon irritável (diarreia crônica) e outros distúrbios gastrointestinais, síndrome de Raynaud (alteração temporária na coloração da pele) e bruxismo (ato de apertar e ranger os dentes durante a noite).

Mulheres

A fibromialgia é prevalente em mulheres - em uma proporção de dez para cada homem com o problema -, especialmente na faixa etária entre 36 e 60 anos. Estudos com crianças, adolescentes e grupos especiais são escassos e pouco conclusivos.
No Brasil, o número de diagnósticos vem crescendo. Em 2004, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia afetava cerca de 2% da população e era motivo de aproximadamente 15% a 20% das consultas em ambulatórios de reumatologia. Hoje, acredita-se que acometa até 10% da população, de acordo com a Associação Brasileira de Fibromiálgicos (Abrafibro). A maioria dos casos (cerca de 80%) é de mulheres acima dos 25 anos.
Mesmo com o tratamento adequado, a cura nem sempre é garantida. "Muito embora a fibromialgia seja conhecida e estudada há muitos anos, ainda não se chegou a uma conclusão sobre sua origem. Por isso, não há um caminho a percorrer ou mesmo garantia quando o propósito é a cura. O grande desafio, no momento, é fazer com que a adesão ao tratamento aconteça", analisa Correa. 

Alarme defeituoso

Quem apresenta o distúrbio tem maior suscetibilidade à dor e uma falha na modulação da mesma: quando ela é desencadeada, fica difícil inibi-la. "É como um alarme defeituoso, que dispara por qualquer razão e não para de soar", destaca Moisés Cohen, professor e chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp, diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte (SP). 

O organismo é afetado por inteiro. "Trata-se de uma condição sistêmica – acomete todo o corpo – e crônica, que evolui com períodos de exacerbação e remissão. Nesse sentido, o tratamento deve ser o mais abrangente possível", completa Alexandre Walter de Campos, neurocirurgião responsável pelo Ambulatório de Dor do Hospital São Camilo (SP). 

Em pesquisa feita em 2002 pela "Arthritis & Rheumatism", revista oficial do Colégio Americano de Reumatologia, com 20 mulheres diagnosticadas com o mal e dez sem a doença, estudiosos detectaram alterações no cérebro daquelas com fibromialgia. O processo de análise incluiu uma tomografia computadorizada.
Foi possível, então, observar que as que sofriam da doença apresentavam modificações no fluxo sanguíneo na região cerebral conhecida por mensurar a intensidade da dor. "E tais alterações se mostraram proporcionais à gravidade da disfunção", atesta o cirurgião vascular Wilson Rondó, especializado em medicina preventiva molecular e terapias antioxidantes pelo The Robert W. Bradford Institute (EUA).

Tratamentos

O tratamento envolve três pilares fundamentais, segundo Campos: medicamentos, em geral moduladores de humor que atuam em vias nervosas e alteram a concentração de alguns neurotransmissores; acompanhamento psicológico e eventualmente psiquiátrico, para ajudar em quadros ansiosos ou depressivos e dar suporte às limitações impostas que comprometem a qualidade de vida; e reabilitação e o condicionamento físico, necessários para reduzir a hipersensibilidade dolorosa musculoesquelética.
O exercício físico, aliás, é muito recomendado. "Ele atua de forma direta na dor e nos sintomas oriundos da patologia, como ansiedade e depressão", considera Robson Donato de Souza, personal trainer da Academia Competition "Salvo quem apresenta alguma contraindicação, todos os pacientes se beneficiarão ao praticar de forma regular." 

A psicoterapia e o acompanhamento psiquiátrico também entram em cena se o indivíduo apresentar instabilidade emocional e quadros depressivos. "Na maioria das vezes, o portador não se sente física e emocionalmente saudável", diz o neurocirurgião Cláudio Correa. Isso acontece, em parte, porque os fibromiálgicos normalmente são desacreditados por não apresentarem sinais físicos evidentes e tampouco exames laboratoriais e de imagem que comprovem sua disfunção.

E há outras formas de terapia que podem se somar às tradicionais, como a hipnose dinâmica, a acupuntura e a eletroterapia, que emprega a estimulação elétrica com o objetivo de aliviar os desconfortos, o emprego de antioxidantes e dietas especializadas. "Em relação à hipnose, ela desvia a atenção do problema para que o cérebro não o perceba ou o interprete de maneira diferente", explica o psiquiatra Leonard Verea, especializado em medicina psicossomática e hipnose dinâmica. 

Wilson Rondó recomenda, por sua vez, um programa que inclua alimentação individualizada. "Muitos pacientes têm alergia alimentar. Passando a comer de acordo com seu tipo metabólico, é possível promover uma considerável melhora no quadro."

Reprodução: Jornal floripa
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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Distrações impedem de memorizar muita coisa – mas nem tudo

A não ser que você faça parte dos seletos 2% de humanos que de fato conseguem realizar várias tarefas de uma vez, a opção pelo chamado multitasking só vai roubar seu tempo. Escolher ler um livro, enquanto se escuta música e navega na internet, fará com que você acompanhe cada coisa apenas superficialmente. Até dá para manter tudo junto, mas será impossível lembrar dos detalhes da história ou decorar a letra da canção, por exemplo.
A boa notícia é que seu cérebro está do seu lado, trabalhando para não lhe deixar esquecer do que realmente importa. Embora grande parte do conteúdo se perca, informações essenciais permanecem gravadas – ainda que você divida sua atenção entre cada uma das atividades. Por conta disso, algo que você realmente precise guardar dificilmente vai passar batido por sua central de comando.
Cientistas norte-americanos confirmaram essa habilidade em um experimento com 192 alunos da Universidade da Califórnia. A tarefa dos voluntários era simples: decorar 120 palavras, divididas em seis grupos de 20. Cada uma delas aparecia na tela por apenas 3 segundos, sempre junto de um número entre 1 e 10.
As cobaias foram avisadas de que essa numeração representava o grau de importância de cada palavra. Quando mais próxima de 10, mais pontos ela valia. A pontuação final dos estudantes seria a soma correspondente às palavras que eles decoraram. Até aqui, tudo na paz.
Depois de entenderem o jogo, as cobaias se dividiram em quatro grupos. O primeiro ficou totalmente focado no desafio, livre de distrações. Mas os pesquisadores prepararam algumas situações para pentelhar os grupos restantes – pelo bem da ciência, é claro.
Enquanto as pessoas do segundo grupo tentavam decorar suas palavras, por exemplo, havia de pano de fundo um áudio de uma voz humana lendo números. Não bastasse o incômodo sonoro, eles receberam a tarefa de apertar a barra de espaço do computador toda vez que ouvissem três números consecutivos que fossem estranhos à sequência passada de antemão.
Os outros dois times deram mais sorte, e foram atrapalhados apenas com música. O terceiro grupo ouviu hits conhecidos de artistas pop norte-americanos, como “Roar”, de Katy Perry. Já o último grupo ficou com músicas pop mais desconhecidas, que nunca haviam escutado antes.
De 20 em 20 palavras, os candidatos recebiam sua pontuação. Quem não foi atrapalhado, ou estava apenas ouvindo música, obviamente se dava melhor: decorava, em média, 8 palavras. Quem teve de dividir seu foco com a outra tarefa, porém, não teve tanto sucesso, se lembrando de apenas 5. Um aproveitamento total de 40% versus 25%.
Mas o que valia mesmo, afinal, era a disputa intelectual por pontos de quem tinha a melhor memória. Nesse quesito, pode-se dizer que ninguém fez tão feio assim. Isso porque os participantes de todos os grupos (mesmo os incomodados) se mostraram 5 vezes mais propensos a decorar palavras que valiam 10 pontos, em comparação àquelas que somavam apenas 1 ponto. Ou seja: estavam cientes de sua missão, e deram seu jeito de coletar o máximo de pontos que conseguiram – ainda que estivessem contra tudo e contra todos.
Para os cientistas, isso é um sinal de que aquilo que realmente é essencial deixa sempre sua marca em nossa memória.“Todo mundo priorizou conscientemente as palavras que valiam mais, direcionando seu foco a elas”, explicou Catherine Middlebrooks, que liderou a pesquisa. “Eles entenderam que precisavam se lembrar daquilo que realmente importava, mesmo se algo estivesse tentando sugar sua atenção”, completa. O estudo foi publicado no jornal Psychological Science.


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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Água estraga?

Mate minha sede de conhecimento: água estraga?

Não e sim.
Debaixo da terra ou em rios, lagos e cachoeiras, sem interferência de agentes externos, ela dura para sempre. A validade começa a expirar quando ela é retirada do ambiente natural.
Dentro de uma garrafa em lugar quente e que receba a luz do sol, o líquido pode estragar. É que os micro-organismos da água proliferam nesse ambiente favorável, contaminando a água e até dando uma aparência ruim ao recipiente, criando limo nas paredes da garrafa.

Fonte: Carlos Alberto Lancia, presidente da Abinam e Claudio Frankenberg, engenheiro químico da PUCRS.
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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como ficaria a Antártida se a temperatura oceânica subisse 1ºC?

A adição de um único grau à temperatura dos oceanos afetaria drasticamente a vida de espécies marinhas da Antártida. É o que revelou uma nova pesquisa conduzida por pesquisadores britânicos e publicada no jornal Current Biology. Os cientistas defendem que o crescente aquecimento dos oceanos “pode superar amplamente as expectativas” atuais para o fenômeno.
Durante nove meses, os pesquisadores monitoraram uma fina de camada de água no fundo do Mar de Bellingshausen, próximo à estação de Rothera, na Ilha de Adelaide, Antártida. Em um primeiro momento, eles aqueceram o local 1ºC acima da temperatura ambiente, usando painéis elétricos. Depois, o aumento foi de 2ºC. As duas variações representam as estimativas da comunidade científica sobre o aquecimento dos mares e oceanos para os próximos 50 e 100 anos, respectivamente.
Com uma temperatura 1ºC superior, a população de briozoários (Fenestrulina rugula) deu um salto gigantesco. Esses invertebrados microscópicos, que costumam viver em colônias nas águas geladas da Antártida, tomaram por completo a área com dois meses de experimento. A incidência de outras espécies, por conta disso, ficou bastante comprometida. Não foi o caso do verme marinho Romanchella perrieri. Os indivíduos aumentaram consideravelmente de tamanho, se tornando 70% maiores do que eram originalmente.
No cenário em que o oceano estava 2ºC mais quente, no entanto, os pesquisadores não conseguiram identificar um padrão para análise. Diferentes amostras mostraram crescimento de espécies distintas. De acordo com o estudo, isso pode ser resultado da sazonalidade – sabe-se, por exemplo, que as espécies crescem mais rápido no verão.
A pesquisa é importante por reforçar o tamanho do impacto que as alterações ambientais podem causar à vida do planeta. Os pesquisadores defendem que, nesse cenário de aquecimento constante, haverá espécies ganhadoras (como os briozoários) e perdedoras. Mesmo distantes das águas da Antártida, a chance maior é que os Homo sapiens estejam no segundo grupo.
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