quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Japão publica nível de radiação em Fukushima após questionamentos da Coreia do Sul



A embaixada do Japão em Seul começou a publicar o nível diário de radiação na região de Fukushima, em resposta a um aumento da preocupação na Coreia do Sul com os efeitos da catástrofe nuclear de 2011.

O portal da embaixada japonesa exibe os níveis de radiações diários registrados em duas cidades da região de Fukushima, assim como em Tóquio e Seul como base de comparação.

"O interesse pelos níveis de radiações no Japão aumentou recentemente, em particular na Coreia do Sul", afirma o site da embaixada.


A relação entre os países vizinhos foi abalada recentemente pela divergência histórica sobre os sul-coreanos que foram obrigados a trabalhar em empresas japonesas durante a época que o Japão ocupou a península coreana (1910-1945).

Os dois países adotaram restrições comerciais nos últimos meses e a Coreia do Sul reforçou os controles de radiação nas importações de alimentos japoneses.

Alguns deputados sul-coreanos defenderam uma proibição das viagens a algumas regiões do Japão e até um boicote aos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano, alegando os riscos da radioatividade.

"O governo japonês espera que isto melhore o entendimento por parte dos sul-coreanos dos níveis de radiações no Japão, à medida que continuamos apresentando informações precisas com base em provas científicas e claramente explicadas", insiste a embaixada, em um texto publicado em japonês e coreano.

De acordo com o boletim mais recente publicado pela embaixada, que compila os dados procedentes das autoridades de controle dos dois países, o nível de radiação na cidade de Fukushima (a 70 km da central afetada) era de 0,135 microsievert por hora, quase igual ao de Seul (0,120).

Em Tóquio, o índice era ainda menor que em Seul (0,036 microsievert), assim como na cidade de Iwaki (0,060), que fica a apenas 30 quilômetros da central nuclear Fukushima Daiichi, arrasada pelo tsunami de 11 março de 2011.

Reprodução: Gauchazh
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Barragem se rompe próximo a Cuiabá e deixa comunidade isolada


Uma barragem de mineração se rompeu hoje (1º) no município de Nossa Senhora do Livramento, localizado a cerca de 40 quilômetros (km) de Cuiabá. Com o rompimento, a comunidade de Brejal acabou ficando isolada e teve o fornecimento de energia e serviços de telefonia interrompidos.

Dois funcionários deram entrada no hospital municipal, mas sem ferimentos graves e já foram liberados. Em nota, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) disse estar trabalhando, em conjunto com a Agência Nacional de Mineração (ANM), para avaliar os impactos ambientais ocorridos devido o rompimento da barragem de mineração.

A barragem, que tinha 15 metros de altura e volume armazenado de mais de 582 mil metros cúbicos (m³), continha rejeitos de mineração de ouro. Em nota, a ANM disse que a barragem é classificada como de baixo dano potencial e que a última inspeção, em 21 de setembro não detectou nenhuma anomalia. "Os extratos de inspeção regulares enviados nunca reportaram qualquer anomalia", diz a nota.

A Sema disse que a empresa MV Mineração, responsável pela barragem, comunicou o órgão sobre o rompimento. Segundo a ANM, os técnicos da agência enviados ao local constataram que os rejeitos atingiram uma área de vegetação. Os rejeitos também derrubaram a rede de alta tensão que atende à região.

"Neste momento, uma equipe da empresa se encontra realizando as primeiras operações e a construção de uma contenção para evitar que os rejeitos avancem por uma área ainda maior. A ANM interditou e autuou o empreendimento e continua no local inspecionando a área e verificando se há outros riscos", diz a nota da agência.

Reprodução: agenciabrasil
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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Prêmio Nobel de Medicina: pesquisa que mostra como células 'sentem' nível de oxigênio é premiada

Cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos ganham prêmio que pode ajudar tratamentos para o câncer e para a anemia.

Três cientistas que descobriram como as células "sentem" e se adaptam a níveis de oxigênio disponíveis ganharam o prêmio Nobel de Medicina de 2019.

Cientistas do Reino Unido e dos EUA mostraram como as células do corpo "sentem" o nível de oxigênio 
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O prêmio foi compartilhado pelo cientista britânico Peter Ratcliffe e dois americanos, William Kaelin e Gregg Semenza. Seu trabalho "identificou o maquinário molecular que regula a atividade dos genes em resposta à variação nos níveis de oxigênio, um dos processos mais essenciais de adaptação da vida".

Ou seja, eles descobriram como as células "sentem" e se adaptam às mudanças de disponibilidade de oxigênio no corpo e identificaram os componentes que regulam como os genes respondem aos níveis de oxigênio.

O achado diz respeito às adaptações feitas pelo nosso corpo em diferentes momentos do nosso dia a dia ou da nossa vida —desde exercícios físicos que fazemos, à possibilidade de estar em altitudes altas e até nosso desenvolvimento no útero.

Além disso, o trabalho também pode resultar em novos tratamentos para a anemia e até para o câncer
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 Os pesquisadores William Kaelin (americano), Peter J. Ratcliffe (britânico), e Gregg L. Semenza (americano) ganharam o prêmio Nobel juntos. 
Foto: Albert and Mary Lasker Foundation. / BBC News Brasil

"A importância fundamental do oxigênio é compreendida há séculos, mas a maneira como as células adaptam às mudanças nos níveis de oxigênio é há muito tempo desconhecida", disse a Academia Sueca.

Os cientistas são do Francis Crick Institute e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, e das universidades de Harvard e Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Oxigênio

O oxigênio está presente em cada respiração nossa, e nossos corpos são completamente dependentes do oxigênio para converter comida em energia.

Mas os níveis de oxigênio variam no corpo, particularmente durante exercício físico ou quando estamos em altitudes elevadas ou depois que um corte ou machucado interrompem o fornecimento de sangue.

Quando níveis de oxigênio caem, as células são forçadas a se adaptarem rapidamente.

A habilidade do nosso corpo de "sentir" o nível do oxigênio pode dar origem à produção de novos glóbulos vermelhos ou à construção de novos vasos sanguíneos. Os cientistas descobriram, por exemplo, uma proteína que sente a privação de oxigênio e com isso provoca o aumento na produção de glóbulos vermelhos.

Essa habilidade também tem um papel no nosso sistema imunológico e nas primeiras fases do nosso desenvolvimento no útero.

Entender o papel da habilidade de "sentir" o oxigênio do nosso corpo está nos conduzindo a novas ideias de tratamentos. No câncer, tumores podem sequestrar o processo para criar novos vasos sanguíneos e facilitar o avanço da doença —então um tratamento contra o câncer poderia envolver inibidores da proteína que provoca o aumento da produção de glóbulos vermelhos. Por outro lado, informar o corpo que ele deve criar mais glóbulos vermelhos poderia ser um tratamento eficaz para a anemia.


Ganhadores prévios

2018 - James P Allison e Tasuku Honjo por descobrir como combater o câncer usando o sistema imunológico do câncer

2017- Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young por descobrir como corpos mantém um ritmo circadiano ou um "relógio"

2016 - Yoshinori Ohsumi por descobrir como as células se mantêm saudáveis "reciclando" material descartado

2015 - William C Campbell, Satoshi Ōmura e Youyou Tu por descobertas de medicamentos antiparasitas

2014 - John O'Keefe, May-Britt Moser e Edvard Moser pela descoberta do "sistema de navegação" do cérebro

2013 - James Rothman, Randy Schekman e Thomas Sudhof por sua descoberta de como as células transportam material de forma precisa

2012 - Dois pioneiros da pesquisa com células-tronco - John Gurdon e Shinya Yamanaka - ganharam o prêmio Nobel depois de transformar células adultas em células tronco

2011 - Bruce Beutler, Jules Hoffmann e Ralph Steinman compartilharam o prêmio por revolucionar a maneira como entendemos que o corpo combate infecções

Reprodução: Terra
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domingo, 13 de outubro de 2019

Forças hidrofóbicas, e não ligações de hidrogênio, seriam responsáveis por manter estrutura do DNA

Experimento pioneiro mostrou que ambiente hidrofóbico afeta estrutura da molécula de DNA



Para que o DNA seja lido, replicado ou reparado, as moléculas de DNA devem se abrir. Para isso, as células usam uma proteína catalítica para criar um ambiente hidrofóbico ao redor da molécula. Crédito: Yen Strandqvist/Chalmers University of Technology


Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science de autoria de pesquisadores da Universidade Técnica Chalmers, na Suécia, contestou a teoria mais aceita que explica a forma como a estrutura do DNA se mantém. Segundo a equipe, a ideia de que são as ligações de hidrogênio que unem os dois lados da estrutura está incorreta. Em vez disso, afirmam, a explicação está na água. A descoberta abre portas para novos desdobramentos em pesquisas médicas e biológicas.

O DNA possui duas cadeias (ou fitas), constituídas de moléculas de açúcar e grupos fosfato. Entre essas duas cadeias existem bases nitrogenadas (que são os compostos que formam os genes dos organismos) com ligações de hidrogênio entre elas. Até então, acreditava-se que essas ligações entre átomos de hidrogênio eram o que mantinha as duas fitas juntas.

Agora, no entanto, os pesquisadores da Universidade Técnica Chalmers mostram que a estrutura helicoidal do DNA poderia ser o resultado de um interior hidrofóbico que as moléculas possuiriam, em meio a um ambiente constituído principalmente por água. Ou seja, o ambiente é, em si, hidrofílico, enquanto as bases nitrogenadas das moléculas de DNA são hidrofóbicas, e por si empurram a água circundante para longe. Quando as unidades hidrofóbicas estão em um ambiente hidrofílico, elas se agrupam para minimizar a exposição à água.

O papel das ligações de hidrogênio, que antes eram consideradas cruciais para manter as hélices de DNA juntas, parece ter mais a ver com a separação dos pares de bases, para que eles se liguem na sequência correta.

A descoberta é importante para entender a relação do DNA com o meio.

“As células querem proteger seu DNA, defendendo-o de ambientes hidrofóbicos que às vezes podem conter moléculas nocivas”, diz Bobo Feng, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo. “Mas, ao mesmo tempo, o DNA precisa se abrir para ser usado”.

“Acreditamos que a célula mantenha seu DNA em uma solução aquosa a maior parte do tempo, mas assim que uma célula quer “fazer algo” com seu DNA — como lê-lo, copiá-lo ou repará-lo —, ela expõe o DNA a um ambiente hidrofóbico”.

A replicação, por exemplo, envolve os pares de bases que se dissolvem e se abrem. Enzimas copiam os dois lados da hélice para criar um novo DNA. Quando se trata de reparar o DNA danificado, as áreas danificadas são submetidas a um ambiente hidrofóbico para serem substituídas. Uma proteína catalítica cria esse ambiente hidrofóbico. Esse tipo de proteína é fundamental para todos os reparos de DNA, o que significa que pode ser a chave para combater muitas doenças graves.

Estudar e entender essas proteínas poderia gerar muitas novas ideias sobre como poderíamos, por exemplo, combater bactérias resistentes ou até curar o câncer. As bactérias usam uma proteína chamada RecA para reparar seu DNA, e os pesquisadores acreditam que os resultados do estudo podem fornecer novas informações sobre como esse processo funciona — potencialmente oferecendo métodos para interrompê-lo e, assim, matar a bactéria.

Já em células humanas, a proteína Rad51 repara o DNA e corrige sequências mutadas de DNA, que poderiam levar ao câncer.

“Para entender o câncer, precisamos entender como o DNA se repara. Para isso, precisamos primeiro entender o próprio DNA”, diz Bobo Feng. “Até agora, não o entendemos porque pensávamos que as ligações de hidrogênio eram o que mantinha o DNA unido. Agora, mostramos que são as forças hidrofóbicas que estão por trás disso. Também mostramos que o DNA se comporta de maneira totalmente diferente em um ambiente hidrofóbico. Isso pode nos ajudar a entender o DNA e como ele se repara. Ninguém havia colocado o DNA em um ambiente hidrofóbico como este e observado como ele se comporta, por isso não surpreende que ninguém tenha feito essa descoberta antes.”

O estudo

Os pesquisadores estudaram como o DNA se comporta em um ambiente mais hidrofóbico do que o normal — um método pioneiro.

Eles usaram uma solução hidrofóbica formada por polietilenoglicol e, pouco a pouco, mudaram o ambiente do DNA, de um ambiente naturalmente hidrofílico para um hidrofóbico. Eles queriam descobrir se existe um limite em que o DNA começa a perder sua estrutura, quando já não há incentivo para a ligação, porque o ambiente não é mais hidrofílico. Os pesquisadores observaram que quando a solução alcançou o limite entre hidrofilia e hidrofobia, a forma espiral característica das moléculas de DNA começou a se desfazer.

Após uma inspeção mais detalhada, eles observaram que quando os pares de bases se separam (devido à influência externa ou simplesmente a partir de movimentos aleatórios), buracos são formados na estrutura, permitindo que a água vaze. Como o DNA quer manter o interior seco, ele se pressiona, com os pares de bases se juntando novamente para expulsar a água para fora. Em um ambiente hidrofóbico, não há água, então os buracos permanecem.


Reprodução: Sciam

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

15 universidades públicas produzem 60% da ciência brasileira

Relatório da empresa Clarivate Analytics traça cenário da produção científica nacional entre 2013 e 2018. Cientistas comemoram avanços, mas temem impacto dos cortes orçamentários no futuro


Quinze universidades — todas elas públicas — produzem mais da metade da ciência brasileira, segundo um relatório da empresa Clarivate Analytics, divulgado nesta semana em Brasília. As três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) encabeçam a lista, com mais de 100 mil trabalhos científicos publicados no período de seis anos contemplado pelo estudo (2013-2018).

As outras 12 instituições são 11 universidades federais e uma estadual, do Rio de Janeiro. Juntas, essas 15 universidades são responsáveis por mais de 60% do conhecimento científico produzido no País, segundo o relatório. O levantamento foi feito a pedido da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC). Veja a íntegra do relatório aqui: Research in Brazil: Funding Excellence


Os dados contradizem duas críticas frequentes do governo federal às universidades públicas brasileiras: de que elas não fazem pesquisa e não se relacionam com empresas. Segundo o relatório, a produção de trabalhos acadêmicos em colaboração com a indústria vem crescendo de forma exponencial no País desde a virada do século, e a esmagadora maioria dessas colaborações é feita com universidades públicas.


“O relatório mostra que a ciência brasileira tem crescido sistematicamente e que as universidades, como já sabíamos, são o principal motor nesse desenvolvimento”, diz o físico e pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), Sylvio Canuto. “Em conjunto com a manutenção dessa vitalidade acadêmica, vemos também uma mudança de perfil nas publicações científicas, com um aumento exponencial da interação entre as universidades e a indústria. Isso responde a um anseio da sociedade, que cobra uma maior participação da pesquisa científica no desenvolvimento econômico e social do País.”Segundo o relatório, a produção científica do Brasil cresceu 30% entre 2013 e 2018 — o dobro da média mundial, de 15%. O País continua sendo o 13° produtor de ciência no mundo, em número de trabalhos publicados. Isso, apesar da crise econômica e dos cortes expressivos no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que teve seus recursos reduzidos quase que pela metade desde 2014.

O que não significa que os cortes orçamentários não estejam afetando a ciência nacional, diz o professor Antonio Carlos Marques, do Instituto de Biociências da USP. Os efeitos só não são visíveis ainda nas estatísticas, segundo ele, porque há um intervalo de aproximadamente cinco anos entre o financiamento de pesquisas, a publicação de resultados e o início da contabilização de citações — tempo necessário para o cientista receber os recursos, realizar os experimentos, analisar os dados, publicar os resultados, e esses trabalhos começarem a ser citados por outros pesquisadores na literatura científica, etc.

A expectativa, portanto, é que os impactos negativos dos cortes que tiveram início em 2014 comecem a aparecer de forma mais clara nas estatísticas deste ano em diante. “Se o panorama atual não mudar, estamos no começo de uma queda que deverá se acentuar daqui para frente”, afirma Marques. Os cortes de orçamento e bolsas que estão ocorrendo agora, segundo ele, se não forem revertidos, poderão dar origem a uma “catástrofe estatística” por volta de 2024, com risco de um “colapso do sistema de pesquisa” e “dependência vertiginosa” do Brasil em termos de ciência e tecnologia.



“Chegamos a esses resultados graças a uma série de esforços positivos realizados nas últimas décadas”, diz a cientista Helena Nader, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Por outro lado, medidas que estão sendo implementadas pelo MEC e MCTIC — com cortes expressivos em recursos de fomento e bolsas previstos para os próximos anos — “vão nos levar muitos passos para trás”, diz ela. “É surreal o que está acontecendo.”

O relatório da Clarivate já traz algumas tendências potencialmente preocupantes. O porcentual de trabalhos científicos produzidos no Brasil que estão no grupo do 1% e dos 10% de trabalhos mais citados no mundo caiu nos últimos dois anos, assim como o ritmo de internacionalização da ciência brasileira diminuiu. Entre 2013 e 2015, o número de artigos publicados por cientistas no Brasil em colaboração com autores estrangeiros cresceu 17,5%; enquanto que, entre 2016 e 2018, esse aumento foi de apenas 1,8%.

O relatório ressalta que os dados mais recentes devem ser interpretados com cautela: “É importante enfatizar que se deve ter cuidado na interpretação das contagens recentes de citações de 2018, que tendem a ser voláteis”. Os desvios nos gráficos, segundo o documento, podem estar relacionados ao fato de os dados serem ainda muito recentes, sem necessariamente representar “desvios dramáticos de tendências persistentes”.

Questão de impacto


Um fator difícil de ser analisado por métricas isoladas, mas que é uma preocupação antiga da comunidade científica, diz respeito ao impacto das pesquisas brasileiras no cenário internacional.

O relatório deixa claro que o Brasil possui núcleos de excelência científica mundial em algumas áreas do conhecimento, mas ainda deixa a desejar, de uma forma geral, em termos de ineditismo e relevância internacional de suas pesquisas. As áreas com o maior índice de impacto, segundo o estudo, são as de Humanidades e Ciências Sociais Aplicadas — justamente as mais criticadas e consideradas de menor relevância pelo governo federal.

A métrica usada pela relatório nesse quesito é a de Impacto de Citações Normalizado por Categoria (CNCI, em inglês). As universidades que mais se destacam nesse quesito em geral são algumas federais de menor porte, como as do ABC paulista (UFABC) e de São João del-Rei, em Minas Gerais (UFSJ).


“O Brasil continua com o desafio do chamado impacto da ciência, que continua, na média, abaixo do desempenho médio mundial”, diz o especialista Abel Packer, coordenador de projetos da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo e diretor do Programa SciELO / Fapesp.

O CNCI médio mundial é 1.0. No Brasil, o índice chegou a 0,91 em 2016, depois caiu para 0,88, em 2017. Nesse quesito, o País está à frente da Rússia e da Índia, e quase empata com o Japão, porém fica atrás de vizinhos latino-americanos como Argentina, Chile e Colômbia – Figura 4 do relatório.

Packer lembra, porém, que a produção científica brasileira tem uma série de características que não são “bibliometricamente favoráveis” e que colocam o País em desvantagem nessas comparações. Muitas áreas, por exemplo, têm baixo índice de internacionalização porque são fortemente voltadas para problemas nacionais, o que reduz a visibilidade internacional das pesquisas e, consequentemente, o seu índice geral de citações.

As ciências agrárias são um exemplo disso – muitas das pesquisas que dão suporte ao desenvolvimento da agropecuária brasileira não têm necessariamente um alto fator de impacto internacional, porque se aplicam a condições específicas do solo, do clima e da biodiversidade nacionais.

Packer faz uma leitura positiva do relatório, e acha difícil prever como ou quando os impactos dos cortes orçamentários vão (ou não) aparecer nas estatísticas de produção científica do País nos próximos anos. “Vai depender muito do comportamento e da resiliência dos programas de pós-graduação”, que são as principais fábricas de ciência do País, diz. “Temos muitos resultados positivos acumulados, mas certamente é possível que os cortes tenham efeitos visíveis mais para frente.”

Reprodução: Jornal USP
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Os efeitos do álcool no corpo humano


Beber afeta, principalmente, o cérebro, coração, o estômago e o fígado. Porém, é possível reverter os prejuízos à saúde.Logo após o primeiro gole, o álcool já começa a afetar o nosso organismo, sobretudo o cérebro o coração, o estômago e o fígado. Mas que efeitos ele pode causar nesses órgãos? O Futurando desta semana vai explicar o que acontece no nosso corpo quando consumimos álcool e mostrar quanto tempo cada órgão demora para se regenerar após um período de abstinência.

Beber moderadamente não é um problema, mas quando isso se torna um vício, pode prejudicar muito a vida da pessoa. O programa também apresenta uma matéria explicando quais áreas do cérebro são afetadas pela dependência. Segundo pesquisadores alemães ouvidos pela reportagem, em dependentes, o centro de controle do cérebro sai do comando e quem assume a tarefa é o sistema de recompensas.

O Futurando explica ainda por que, embora benéficos para o intestino, os alimentos probióticos, ou seja, ricos em micro-organismos, não podem ser consumidos indiscriminadamente. Sem orientação médica, o uso dessas substâncias, hoje em dia muito comum em certos tipos de iogurte, pode provocar justamente o efeito contrário e piorar os problemas intestinais em vez de melhorá-los.

Também fundamental para a nossa saúde é a água e o programa mostra uma alternativa simples e barata encontrada por um engenheiro para fornecer água limpa a moradores de áreas desérticas do Peru. Por meio de grandes redes, a neblina é "capturada” e vira água, que rega hortas e pomares e possibilita melhor qualidade de vida para centenas de pessoas.

Além disso, o programa exibe a quarta reportagem da série em homenagem aos 250 anos de nascimento do explorador e cientista alemão Alexander von Humboldt, que no século 19 percorreu a América Latina. Em homenagem a ele, na costa peruana existe uma corrente oceânica batizada de Corrente Humboldt, com uma água rica em nutrientes e, portanto, vital para os peixes e outros animais marinhos. Mas o ecossistema descrito por Humboldt está ameaçado pelas mudanças climáticas.

O programa

O Futurando traz novidades sobre ciência, meio ambiente e tecnologia e é produzido todas as semanas pela redação brasileira da Deutsche Welle, em Bonn, na Alemanha.

O programa é exibido, no Brasil, pelo Canal Futura às terças-feiras, às 22h30 com reprise às quartas 16h30, quintas, sábados e segundas; pela Rede Minas aos sábados, às 14h30, com reprise às sextas-feiras, às 13h30; pela TV Brasil todas as terças, às 21h45, com reprise às quintas, às 3h15; pela TV Cultura as segundas-feiras às 19h15; pela TV Câmara Tupã todos os sábados às 18h, com reprise às terças-feiras, às 19h40 e pela TV Climatempo aos sábados às 9h30, com reprise às terças e aos domingos. Você também pode ver vídeos do programa no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O Futurando é transmitido ainda em Moçambique pela Rede Tim, aos sábados, às 14h30.

Reprodução: Uol
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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Doença similar à leishmaniose, porém mais grave, é descoberta no país

Casos foram registrados em Sergipe e dois pacientes já morreram.




Uma nova doença, com sintomas semelhantes à leishmaniose visceral, mas mais grave e resistente ao tratamento, foi descoberta em Sergipe. Duas pessoas morreram por causa da doença, que já acometeu 150 pessoas em Aracaju. O parasita ainda é desconhecido, mas os pesquisadores já identificaram que ele é diferente da Leishmania, responsável pela leishmaniose.

A doença está sendo investigada por um grupo de pesquisadores brasileiros, que publicaram um artigo na Emerging Infectious Diseases, a revista do Centro de Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos. A pesquisa é realizada no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Liderada pela professora Sandra Regina Costa Maruyama, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o estudo está sendo desenvolvido em colaboração com colegas da equipe do professor João Santana Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).


Diagnóstico, sintoma e tratamento

O diagnóstico e tratamento dos pacientes foi feito pelo médico Roque Pacheco de Almeida, professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, pesquisador e médico do Hospital Universitário/EBSERH de Aracaju. Em entrevista à Agência Brasil, Almeida contou que a doença vem infectando pessoas desde 2011 na capital sergipana, quando ele diagnosticou e tratou o primeiro caso. Esse paciente morreu em 2012, em consequência da doença.

Os sintomas, segundo ele, são muito parecidos aos do calazar (nome mais popular da leishmaniose visceral), mas evoluem com mais gravidade. “A gente trata muitos pacientes com calazar aqui. São vários por ano. Um desses pacientes não respondeu ao tratamento. Ele recidivou [a doença reapareceu], tratamos novamente, recidivou de novo. E, na terceira recidiva, apareceram lesões na pele. Em pacientes sem HIV não vemos isso. Ele não tinha HIV e apareceram lesões na pele, pelo corpo inteiro, tipo botões, que chamamos de pápulas”, contou o médico.

“Quando fizemos a biópsia, eram células repletas de parasitas. E aí o paciente evoluiu gravemente ao que chamamos de leishmaniose visceral grave, com sangramento. O baço dele era gigante, e a gente tentou formas de tratamento, mas ele não sobreviveu”, contou.

Almeida coletou amostras de tecidos desse paciente e os enviou a João Santana Silva, especialista em imunologia da FMRP-USP, que não conseguiu identificar o parasita pelos métodos tradicionais, comparando-o às espécies já conhecidas de Leishmania. Em 2014, a identificação do parasita ficou a cargo da bióloga e imunologista Sandra Regina Costa Maruyama, que começou a desconfiar que se tratava, na verdade, de um novo parasita que ainda não havia sido descrito pela ciência.

“A gente estava diante de um caso grave. Como não conhecíamos outras doenças, a gente achou que era um calazar grave. Mas quando fomos ver, o parasita isolado da medula óssea, da pele e do baço [desse paciente] se comportava também de maneira diferente em um camundongo [de laboratório]. O parasita [retirado] da pele dava lesão na pele do camundongo, mas não dava nos órgãos. E o parasita que veio da medula óssea dava lesão parecida com o calazar, no baço e no fígado [do camundongo]. Temos então dois parasitas diferentes no mesmo paciente”, falou Almeida.

Eles então fizeram um sequenciamento do DNA do parasita, que foi comparado ao de outros protozoários. Os pesquisadores perceberam, então, que não se tratava de Leishmania. O novo parasita se assemelha ao Crithidia fasciculata, que infecta apenas insetos e que é incapaz de infectar mamíferos. No entanto, essa nova espécie de parasita foi capaz de infectar humanos e camundongos – e de forma grave.

Segundo Almeida, os 150 pacientes isolados também estão sendo testados para se avaliar se também foram infectados por esse novo parasita. “Boa parte desses pacientes também pertence a esse novo grupo. Ou seja, o problema pode ser ainda maior do que estamos imaginando”, disse.

Os pesquisadores esperam, em breve, conseguir descrever o novo parasita e nomear a nova doença. “Identificamos um parasita novo, uma doença nova, que causa uma doença grave e com resposta terapêutica não totalmente suficiente ou eficaz. Queremos entender a extensão disso e de onde apareceu esse parasita, se foi uma mutação. Tem uma linha grande de pesquisa para a gente investigar. Também queremos ver, geograficamente, para onde está se expandindo o parasita”, disse Almeida.

Leishmaniose

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50 mil e 90 mil pessoas adoecem todos os anos com leishmaniose visceral. Dos casos registrados na América Latina, 90% ocorrem no Brasil. Também conhecida como calazar, ela é transmitida ao homem pela picada de fêmeas do inseto infectado, conhecido popularmente como mosquito palha ou birigui. A transmissão aos insetos ocorre quando fêmeas do mosquito picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi, causador da leishmaniose visceral.

Segundo o Ministério da Saúde, esses insetos são pequenos e têm como características a coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas. Eles se desenvolvem em locais úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo). No ambiente urbano, o cão é a principal fonte de infecção para o vetor, podendo desenvolver os sintomas da doença, que são: emagrecimento, queda de pelos, crescimento e deformação das unhas, paralisia de membros posteriores e desnutrição, entre outros.

Nos humanos, os sintomas da doença são febre de longa duração, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular e anemia. Se não tratada, pode ser fatal.

Em 2017, segundo o Ministério da Saúde, 4.103 casos de leishamiose visceral foram notificados no Brasil, sendo que 1.824 deles registrados na Região Nordeste. Em média, cerca de 3,5 mil casos são registrados anualmente. Nos últimos anos, a letalidade vem aumentando gradativamente. Em 2017, 327 pessoas morreram no Brasil por causa dessa doença.

Reprodução: agenciabrasil
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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Japão autoriza desenvolvimento de órgãos humanos em animais

Cientistas poderão implantar células-tronco humanas em embriões de camundongos ou porcos para que gerem órgãos como pâncreas.


TÓQUIO — Cientistas japoneses começarão a tentar fabricar órgãos humanos dentro de animais depois de receberem permissão do governo, pela primeira vez no Japão, para realizar tais estudos.

Esta controversa área de pesquisa consiste em implantar, em embriões animais modificados, células-tronco humanas chamadas "iPS".





Essas células-tronco têm a capacidade de produzir qualquer tipo de célula de acordo com a parte do corpo em que são implantadas e podem, assim, servir de base para a criação de um órgão em particular.

Este é apenas um primeiro passo em uma estrada muito longa que poderia levar à fabricação de órgãos humanos para transplante dentro de animais, alertam os cientistas.

Os trabalhos conduzidos por Hiromitsu Nakauchi, um geneticista da Universidade de Stanford, são os primeiros do tipo a obter aprovação do governo depois que o Japão mudou suas regras sobre a implantação de células humanas.

Antes o Japão exigia que os pesquisadores destruíssem em 14 dias os embriões, nos quais células humanas haviam sido introduzidas, e proibia que embriões desse tipo fossem implantados em úteros de animais para desenvolvimento.

Essas restrições foram abandonadas em março, permitindo aos pesquisadores solicitarem aprovações individuais para seus projetos.

Apenas o começo

"Levou quase dez anos, mas agora poderemos começar o experimento", disse Nakauchi à AFP.

Trata-se de desenvolver embriões animais (camundongos, ratos ou porcos) que carecem de um determinado órgão, como o pâncreas, por exemplo. As células iPS humanas destinadas a se multiplicar para formar o pâncreas ausente serão implantadas.

Os embriões serão, então, introduzidos no útero de um animal, onde, em tese, vão se desenvolver até eventualmente gerar um pâncreas humano em funcionamento.

Pesquisas preliminares mostraram sinais promissores, como a criação de pâncreas de camundongos em ratos. Esses órgãos reimplantados em camundongos funcionaram bem e regularam o nível de glicose em camundongos diabéticos.

Outros testes se mostraram mais complicados: os pesquisadores conseguiram desenvolver rins de camundongos em ratos, mas as células-tronco dos ratos implantadas em camundongos não se desenvolveram.

Para Nakauchi, as pesquisas autorizadas vão ajudar a entender os obstáculos nessa área. Ele adverte, porém, que ainda está muito longe do objetivo.

"Embora tenhamos obtido estudos de prova de conceito usando roedores, não é fácil cruzar a distância genética entre humanos e porcos", disse ele. "O estudo está apenas começando, não espere que geremos órgãos humanos em um ano ou dois".

A implantação de embriões animais com células humanas cria o que é chamado de "quimera": uma entidade composta de células animais e humanas.

Não haverá 'híbridos'

Esse processo abre questões éticas complexas, particularmente o medo de que não seja inteiramente possível saber com certeza quais órgãos as células iPS humanas produzirão no animal.

As regras variam de um país para outro. Os Estados Unidos, por exemplo, não têm restrições federais sobre a criação de quimeras, enquanto outros países proíbem que sejam deixadas vivas por mais de duas semanas.

Os eticistas estão preocupados que as quimeras no cérebro humano, ou equipadas com células reprodutivas humanas, levantem sérias questões sobre a verdadeira natureza do animal que está sendo testado.

Especialistas apontam, contudo, que qualificar esse processo de criação de "híbridos entre humanos e animais" está errado. Há uma grande diferença entre "híbridos e quimeras", diz William Lensch, um conselheiro de estratégia da Harvard Medical School.

"Em um híbrido humano-animal, metade do DNA de cada célula seria humana e a outra metade animal, diferentemente de uma quimera homem-animal, que contém uma mistura de células totalmente animais e outras completamente humanas", afirmou.

"É importante usar o termo certo", insiste.

Nakauchi assegura que sua equipe será extremamente cuidadosa.

"Teremos dois estágios de controle durante o desenvolvimento embrionário das quimeras", acrescenta Nakauchi. "A cada passo, verificaremos a presença, ou a ausência, de células humanas no cérebro. Uma vez que a ausência delas esteja garantida, passaremos para o próximo estágio", completou.


Reprodução: Oglobo
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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Ministro diz que Enem terá como foco conhecimentos objetivos

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano terá como foco conhecimentos objetivos. Segundo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, a preocupação do Ministério da Educação (MEC) será selecionar os melhores alunos para ocupar as vagas no ensino superior.
“Não vai cair ideologia, a gente quer saber de conhecimento científico, técnico, de capacidade de leitura, de fazer contas, de conhecimentos objetivos”, afirmou o ministro que participou ontem (24) do programa Brasil em Pauta, da TV Brasil, da EBC.















Abraham Weintraub disse que a preocupação do MEC será selecionar os melhores alunos para ocupar vagas no ensino superior (Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Ele acrescentou que o interesse do MEC é “simplesmente selecionar as melhores pessoas para ocupar as vagas nas faculdades. A nossa preocupação é mérito, só”.
Após polêmica envolvendo questões do Enem no ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, criou, no início deste ano, um grupo responsável por “identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais” e, com base nessa análise, recomendar que tais itens não fossem usados na montagem do Enem 2019.
Reprodução: Poliarquia
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