terça-feira, 24 de novembro de 2020

O que se sabe sobre o novo vírus Chapare, causador de febre fatal com transmissão entre humanos

Arenavírus costumam ser transmitidos a seres humanos pelo contato direto com roedores infectados, como mordidas ou arranhões, e também pelo contato com saliva, urina ou fezes desses animais.



Um vírus raro que causa febre hemorrágica e pode levar à morte foi transmitido entre humanos na Bolívia, no primeiro caso documentado desse tipo de transmissão.

O surto ocorreu no ano passado, na província de Caranavi, no departamento de La Paz. Dois pacientes com febre hemorrágica Chapare, doença causada pelo vírus Chapare, infectaram três profissionais de saúde (um médico residente, um médico de ambulância e um gastroenterologista). Três dos doentes morreram, entre eles dois médicos.

O Chapare faz parte da família dos arenavírus, a mesma de outros vírus que causam diferentes tipos de febre hemorrágica. Os arenavírus costumam ser transmitidos a seres humanos pelo contato direto com roedores infectados, como mordidas ou arranhões, e também pelo contato com saliva, urina ou fezes desses animais.

A confirmação de que houve transmissão de pessoa para pessoa do Chapare na Bolívia foi apresentada nesta semana durante encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene.

A descoberta é fruto de colaboração entre pesquisadores do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos), do Centro Nacional de Doenças Tropicais da Bolívia e da Organização Pan-Americana de Saúde.

Acredita-se que a transmissão entre humanos ocorra por meio de fluidos corporais (como sangue, saliva, urina, sêmen e secreções) ou contato com objetos contaminados com fluidos corporais, inclusive durante alguns procedimentos médicos, como intubação.

"É muito provável (que a transmissão seja por meio de fluidos corporais), com base nas evidências que temos nesses casos e também em exemplos na literatura médica sobre outros arenavírus", diz à BBC News Brasil a virologista Maria Morales-Betoulle, uma das cientistas do CDC que participou da pesquisa.

Mas ela e outros cientistas ressaltam que, diante do pequeno número de casos documentados, são necessárias mais pesquisas para compreender como o vírus se propaga e causa a doença.

Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam ser contidos com menos dificuldade do que aqueles transmitidos pelo ar, como o coronavírus

Diagnóstico

Enquanto a atenção mundial continua focada na pandemia de coronavírus, cientistas como Morales-Betoulle trabalham para identificar possíveis novas ameaças.

Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam ser contidos com menos dificuldade do que aqueles transmitidos pelo ar, como o coronavírus.

Mas a descoberta de que o Chapare pode ser transmitido entre humanos abre a possibilidade de surtos maiores no futuro.

Segundo o CDC, houve outro registro da doença em 2003, também na Bolívia, na província de Chapare, no departamento de Cochabamba. Naquele caso, o paciente morreu 14 dias após o surgimento dos sintomas.

Os cientistas, porém, não descartam a possibilidade de que, no intervalo de 16 anos entre o caso inicial e os de 2019, o Chapare tenha circulado sem ter sido identificado, confundido com outras doenças.

"Como os sintomas são semelhantes aos da dengue, há a possibilidade de que tenha sido diagnosticado de maneira errada", observa Morales-Betoulle.

Entre os sintomas relatados nos casos de 2019 estavam febre, dor abdominal, vômito, sangramento das gengivas, erupções cutâneas e dor atrás dos olhos. Morales-Betoulle afirma que o primeiro paciente foi inicialmente diagnosticado com dengue.

"O primeiro infectado era um trabalhador agrícola. Ele ficou doente, foi ao hospital, recebeu diagnóstico de dengue e foi enviado de volta para casa. Como continuava a piorar, retornou ao hospital", relata a virologista.

O genro desse paciente, que trabalhava com ele na lavoura, também foi infectado.

Em áreas agrícolas, roedores silvestres infectados podem contaminar cereais armazenados. Há evidência preliminar do vírus em roedores na região do surto, mas ainda não há confirmação de que eles foram os causadores da doença.

Morales-Betoulle ressalta que o genro passou a noite no hospital ajudando a cuidar do sogro, e há a possibilidade de que tenha sido contaminado lá.

Sem tratamento

Não há tratamento para a doença, e os pacientes recebem apenas cuidados para aliviar os sintomas, como fluidos intravenosos e remédio para aliviar a dor.

O CDC salienta que, devido ao pequeno número de casos documentados, as informações sobre o período de incubação (entre a exposição inicial e o desenvolvimento de sintomas) e a progressão da doença são limitadas.

Os arenavírus costumam ter período de incubação variado, de entre quatro e 21 dias.

Entre outros sintomas relatados nos casos de febre hemorrágica Chapare estão dor de cabeça, dor muscular e nas juntas, diarreia e irritabilidade.

Esses sintomas costumam ocorrer antes do sangramento, que ocorre no estágio mais avançado.

"Sabe-se pouco sobre possíveis complicações de longo prazo ou imunidade após infecção com o vírus", diz o CDC.

Morales-Betoulle destaca a importância da colaboração entre cientistas de diferentes países e organizações para a identificação dos casos. Ela observa que os pesquisadores isolaram o vírus e desenvolveram um teste para diagnosticar o Chapare.

Mas a virologista ressalta que é preciso continuar estudando o vírus para entender sua capacidade de causar surtos.

"Ainda temos muito a investigar", diz Morales-Betoulle.

Reprodução: G1


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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

'Última girafa branca do mundo' é monitorada por GPS contra caçadores


A única girafa branca conhecida no mundo foi equipada com um dispositivo de rastreamento por GPS no nordeste do Quênia, informam ambientalistas.

A girafa macho era até recentemente uma entre três girafas dotadas do raro traço genético. Mas as duas outras espécimes - uma fêmea branca e o filhote dela - foram mortas por caçadores ilegais em março deste ano em um vilarejo no condado de Garissa, no Quênia.

A coloração branca dessas girafas se deve a uma condição chamada leucismo, que faz com que as células da pele não tenham pigmentação.

O dispositivo de rastreamento por GPS foi colocado em um dos chifres dela no dia 8 de novembro e fornecerá atualizações da localização dela de hora em hora.

Isso permitirá que os conservacionistas monitorem os movimentos do animal e o protejam de caçadores ilegais.

O conselho da Ishaqbini Hirola Community Conservancy, onde a girafa vive, foi o responsável por solicitar ao Kenya Wildlife Service (KWS) que instalasse o dispositivo de rastreamento no animal.

Reprodução: BBC
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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

'Células do tempo' organizam cronologicamente nossas memórias


“É como um filme passando dentro da minha cabeça.” Normalmente, isso é o que dizemos quando pensamos em uma experiência ou onde deixamos o celular ao lembrar o que fizemos, como se estivesse rebobinando nossas memórias.

Um grupo de cientistas da Universidade do Texas descobriu que nem todo mundo consegue fazer isso sem "embolar o filme". Algumas pessoas não têm o que eles chamaram de “células do tempo.”

As chamadas memórias episódicas são aquelas que guardamos como que impressas em uma película de cinema e, como tal, elas têm um marcador que indica qual é a sua ordem cronológica, inserida pelas células do tempo nas recordações à medida que elas vão se formando e sendo armazenadas.

"Ao fazer com que as células do tempo criem essa indexação ao longo do tempo, você pode colocar tudo junto de uma maneira que faça sentido", disse o neurologista e neurocirurgião Bradley Lega, principal autor do estudo publicado agora na na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O lugar da memória

A existência dessas células responsáveis por ordenar os acontecimentos que guardamos na memória já é conhecida há décadas, por meio de experimentos com roedores, mas não em humanos. A experiência que resultou na publicação do estudo envolveu 27 pacientes com epilepsia grave.

Como parte da preparação pré-cirúrgica, eles receberam eletrodos no cérebro – mais especificamente no hipocampo e em outra área envolvida na orientação espacial, memória e percepção do tempo.


Já com os eletrodos implantados, foi pedido aos pacientes que tentassem memorizar sequências de 12 ou 15 palavras que apareciam em uma tela durante 30 segundos aproximadamente. Então, depois de um breve intervalo, era pedido a eles que lembrassem as palavras que haviam visto. Enquanto faziam isso, os pesquisadores mediam a atividade elétrica de células cerebrais individuais.

Janelas de tempo

O resultado: eles encontraram um pequeno grupo de células que aumentava sua atividade elétrica em momentos específicos durante a apresentação de cada sequência de palavras.

“As células de tempo que encontramos estão marcando segmentos discretos de tempo dentro dessa janela de aproximadamente 30 segundos, e essas marcações cronológicas parecem ajudar as pessoas a se lembrarem de quando viram cada palavra e em que ordem elas apareceram”, disse Vega.

A descoberta dessas células ajuda tanto a esclarecer o mecanismo que nosso cérebro usa para ordenar nossas lembranças (e, finalmente, achar o celular perdido dentro de casa) como também por que certas lesões que atingem o hipocampo afetam não a memória em si, mas como ela é guardada.

Fora da ordem

Segundo o revisor do artigo, o neurocientista György Buzsáki, da Universidade de Nova York, “os resultados ajudam a explicar por que as pessoas que têm danos no hipocampo podem ter problemas estranhos de memória”.

Um experimento realizado há 6 anos por um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, comparou as memórias de um grupo de pessoas ao fim de uma turnê pela instituição – passeio que incluiu eventos encenados.

"A sequência dos acontecimentos desapareceu completamente em pessoas com lesões no hipocampo; o novo estudo sugere que seus cérebros não têm células de tempo”, explicou Buzsáki.

Elas também são responsáveis por nossa percepção temporal. “Elas não são como relógios, seu ritmo não é constante e dependem de fatores como o humor. Por exemplo, quando você tem que esperar pelo fim da pandemia de covid-19, o tempo passa muito lentamente; mas, quando você está se divertindo, ele voa", disse Buzsáki.

Reprodução: Tecmundo
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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Nova espécie de primata é descoberta em Mianmar

Espécie foi batizada de Popa langur e existe há pelo menos um milhão de anos.


Uma nova espécie de primata foi descoberta nas florestas do centro de Mianmar, na Ásia. Batizado de Popa langur, o animal existe há pelo menos um milhão de anos, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (11) na "Zoological Research".

Após uma longa pesquisa, especialistas do Centro Alemão de Primatas (DPZ) e a ONG Fauna e Flora Internacional (FFI) identificaram o pequeno primata, que mede entre 50 e 60 centímetros. Trata-se de uma espécie de langur ("Trachypithecus"), que habita o subcontinente indiano e o Sudeste Asiático.

A espécie tem uma pelagem cinza que emoldura o rosto como uma máscara. Seu nome é uma homenagem ao Monte Popa, um vulcão extinto que abriga sua maior população, com cerca de 100 indivíduos.

Também foram identificados outros três grupos de "Trachypithecus popa", todos no centro de Mianmar, contabilizando entre 200 a 250 indivíduos no total. "Recém-identificado, o Popa langur já corre risco de extinção", advertiu Frank Momberg, um dos pesquisadores do FFI.

"A nova espécie teria se separado de outros langures há cerca de 1 milhão de anos", indicou Christian Roos, pesquisador do DPZ. Ela se distingue por sua cor, comprimento do rabo e tamanho do crânio, segundo os especialistas.

"A FFI e outros farão mais estudos em campo e tomarão medidas de proteção urgentes para preservar os langures", anunciou o primatólogo Ngwe Lwin, do projeto birmanês da ONG.

Reprodução: G1
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terça-feira, 10 de novembro de 2020

O vulcão mais ativo da Islândia pode estar prestes a entrar em erupção

Especialista explica que, pelo padrão, Grímsvötn deve entrar em erupção em breve. Vulcão é o mesmo que, em 2011, lançou cinzas por 20 km na atmosfera e causou cancelamento 900 voos



Coberto de gelo, o vulcão Grímsvötn, na Islândia, produziu uma erupção extraordinariamente
grande e poderosa em 2011, lançando cinzas por 20 quilômetros na atmosfera, causando o cancelamento de cerca de 900 voos. Em comparação, uma erupção muito menor do vulcão Eyjafjallajökull, em 2010, levou ao cancelamento de cerca de 100 mil voos.

Compreensivelmente, qualquer menção a outra erupção explosiva de um vulcão islandês levantará preocupações na indústria de viagens aéreas, que atualmente está se recuperando da pandemia Covid-19. Mas há sinais claros de que o vulcão Grímsvötn está se preparando para entrar em erupção novamente, e, como resultado, as autoridades aumentaram recentemente o nível de ameaça desse vulcão.

Grímsvötn é um vulcão peculiar, pois fica quase totalmente abaixo do gelo. Sua única parte permanentemente visível é uma velha crista em seu lado sul, que forma a borda de uma grande cratera, uma verdadeira caldeira. E é ao longo da base dessa crista, sob o gelo, que ocorreram as erupções mais recentes.

Outra peculiaridade é que a produção de calor do vulcão é extraordinariamente alta (2000-4000MW), o que derrete o gelo sobrejacente e produz um lago subglacial oculto de água derretida. [O corpo aquático] tem até 100 metros de profundidade e gelo de até 260 metros de espessura flutuando nele. Esse gelo fresco flui continuamente para a caldeira, onde derrete e, assim, faz com que o nível da água continue subindo e subindo.


Essa água derretida, por sua vez, pode escapar repentinamente e, depois de viajar para o sul sob o gelo por cerca de 45 quilômetros, emergir na margem do gelo como em uma inundação — fenômeno que, no passado, destruiu estradas e pontes. Felizmente, a passagem da água derretida sob o gelo até sua saída pode ser rastreada, e assim as estradas são fechadas a tempo para evitar que viajantes sejam pegos pela enchente e morram.

Outra peculiaridade importante do Grímsvötn é que ele tem um gatilho sensível que podegerar uma resposta à [diferenças de] pressão. Isso acontece quando o lago de água derretida é drenado, pois a remoção da água do topo do vulcão reduz rapidamente a pressão, o que pode desencadear uma erupção — é como levantar a tampa de uma panela de pressão. Isso aconteceu muitas vezes em Grímsvötn.

Grímsvötn é o vulcão ativo com erupções mais frequentes da Islândia e, nos últimos 800 anos, cerca de 65 fenômenos são conhecidos com alguma clareza. Os intervalos de tempo entre os eventos são variáveis​. Por exemplo, antes da grande erupção de 2011, ocorreram erupções menores em 2004, 1998 e 1983, com intervalos de entre quatro e 15 anos. Crucialmente, e com a próxima erupção em mente, Grímsvötn parece ter um padrão de fenômenos maiores infrequentes que ocorrem a cada 150-200 anos (por exemplo, 2011, 1873, 1619), com eventos menores e mais frequentes ocorrendo aproximadamente uma vez por década.

Sinais de atividade

Uma alta frequência de erupções em um vulcão permite que os cientistas detectem padrões que levam a esses eventos (precursores). Se eles se repetirem a cada vez que um vulcão entra em erupção, os cientistas podem ter mais confiança de que uma erupção provavelmente acontecerá no futuro próximo. No entanto, raramente é possível ser preciso sobre o dia exato.

Cientistas islandeses têm monitorado cuidadosamente o Grímsvötn desde sua erupção em 2011 e viram vários sinais que sugerem que o vulcão está se preparando para entrar em erupção. Por exemplo, o vulcão tem se inflado à medida que novo magma se move para o sistema de "encanamento" abaixo dele — [para entender, pense no que aconteceria se você] enterrasse um balão na areia e depois o inflasse. O aumento da atividade térmica tem derretido mais gelo e, além disso, houve um aumento recente nas atividades sísmicas [na região].

Então, o que acontece a seguir? Novamente, com base no padrão observado em erupções anteriores, um intenso "enxame" de terremotos com duração de algumas horas (uma a dez horas) sinalizará que o magma está se movendo em direção à superfície e que uma erupção é iminente. Nos casos em que o lago subglacial oculto drena e desencadeia o evento, os terremotos ocorrem após a drenagem do lago e pouco antes do fenômeno.

As erupções menores de Grímsvötn gastam muita energia quando interagem com água e gelo na superfície, o que significa que as cinzas resultantes ficam úmidas e pegajosas e, portanto, caem do céu com relativamente rápido. Nuvens de cinzas, estão, viajam apenas algumas dezenas de quilômetros do local da erupção, um bom cenário para os islandeses e também para viagens aéreas, uma vez que evita a formação de nuvens de cinzas substanciais que podem flutuar e fechar o espaço aéreo.

Mas será uma pequena erupção? Se o padrão passado de Grímsvötn de grandes erupções ocasionais com mais eventos menores ocorrendo entre elas continuar, então a próxima erupção deve ser pequena (dado que houve uma grande em 2011). E a palavra "deveria" é importante aqui: os vulcões da Islândia são sistemas naturais complexos e os padrões nem sempre são fielmente seguidos.

*Dave McGarvie é vulcanologista da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

Reprodução: Revista Galileu

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Mortalidade da covid-19 pode estar ligada aos nossos genes


Um dos aspectos mais desconcertantes do SARS-CoV-2 é seu histórico clínico: há casos de idosos que sobreviveram e o jovens saudáveis que sucumbiram à covid-19 em questão de dias. A razão pode estar em variantes de genes.

Em estudos com o interferon (um mensageiro molecular que estimula as defesas imunológicas), cientistas estão descobrindo que mutações genéticas raras podem impossibilitar a produção da substância, fazendo com que a resposta imunológica à covid-19 seja ineficaz.

(A revista Nature publicou, nesta segunda, o artigo "A deficiência de interferon pode levar à covid grave", assinada por dois imunologistas da Universidade de Yale).

“Pessoas que produzem mais interferon, quando infectadas, responderiam melhor à doença”, disse o infectologista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres Martin Hibberd ao jornal The Guardian.

Outros genes também estão sendo rastreados: doenças autoimunes desencadeadas por variantes do gene TYK2, como a artrite reumatoide, são tratadas com um medicamento chamado baricitinibe, que tem um denominador genético comum com a covid-19. A descoberta levou à inclusão da droga nos testes clínicos contra o coronavírus. (No mês passado, o laboratório americano Eli Lilly anunciou que o uso do baricitinibe se mostrou benéfico na recuperação de pacientes com covid-19).

Genes podem guiar tratamentos

“Ao compreender o impacto das variantes do gene no corpo, podemos encontrar drogas para bloquear sua ação”, disse o geneticista Jeffrey Barrett, do Programa de Vigilância Genômica Covid-19 do Instituto Wellcome Sanger.

Os cientistas têm identificado o papel de outros genes na infecção pelo novo coronavírus. Na Universidade de Edimburgo, pesquisadores liderados pelo clínico e geneticista Kenneth Baillie descobriram genes acionados pelo interferon que codificam proteínas envolvidas na quebra do RNA viral, processo pelo qual o SARS-CoV-2 se reproduz.

O autor pede cautela em relação à pesquisa enviada à revista Science: segundo o The Guardian, Baillie espera ver a aceleração do desenvolvimento de tratamentos por conta dos resultados de sua pesquisa. “A epidemia está progredindo a um ritmo tão alarmante que a economia de meses de trabalho pode resultar em muitas vidas salvas”.

Fatores de risco

Cientistas do Imperial College London, liderados pelo médico e pesquisador Dipender Gill, procuraram por variantes genéticas que aumentassem o risco dos indivíduos de adquirir a doença. “Observamos cinco fatores associadas ao aumento do risco de contrair a forma grave de covid-19: obesidade, pressão alta, colesterol ruim, tabagismo e diabetes", diz ele.


Na análise de dados de milhares de pacientes, foi determinado se a reversão dos cinco fatores de risco também reduziria o risco de a covid-19 se manifestar na forma mais grave.

“Há relação causal entre obesidade e tabagismo e o risco de ter uma severa reação ao covid-19. Perder peso e parar de fumar impactaria diretamente as chances de um indivíduo sobreviver à covid-19.”

Reprodução: Tecmundo
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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Tubarão de 2 cabeças surge no litoral de SP e intriga cientistas


Pescadores encontraram tubarão de duas cabeças no litoral de São Paulo, na divisa entre Itanhaém e Peruíbe. A descoberta intrigou pesquisadores que, após algumas análises, classificaram o espécime como o primeiro tubarão galhudo siamês de todo o mundo.

O estudo foi realizado pelo biólogo Edris Queiroz e pela pesquisadora Luana Felix, do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (Ibimm) de Peruíbe. "É o primeiro caso do mundo, registrado e documentado na literatura, de um tubarão galhudo gêmeo siamês encontrado na natureza", afirma o biólogo.

Órgãos duplos

Além de possuir duas cabeças, o espécime ainda apresenta dois corações, duas colunas vertebrais independentes e órgãos internos duplos. "Após uma análise da anatomia externa e interna do tubarão, a melhor definição para o caso é de que seriam gêmeos siameses", explica Queiroz.

Segundo o especialista, trata-se de um fenômeno muito raro, com cerca de 10 casos em todo o mundo. Conforme sua explicação, esses tubarões são presas fáceis e acabam morrendo logo após o nascimento.

Poluição dos oceanos

O estudo indica que a causa da anomalia pode estar ligada, entre outros fatores, à poluição dos oceanos. "Os tubarões acumulam metais pesados em sua alimentação, e isso pode gerar o que chamamos de uma mutação, uma anomalia".

Alterações genéticas e problemas no útero da mãe também podem ser possíveis causas. Sobre isso, Queiroz explica que "a compressão do útero pode fazer um ovo se fundir com outro. Não temos como ter certeza pois são eventos raríssimos".

Para o biólogo, esse estudo facilitará a busca por medidas de preservação e conservação de espécies como essa. Ele ainda espera que essa descoberta chame a atenção para os problemas sérios que têm ocorrido nos ambientes marinhos.

Reprodução: Tecmundo
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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Cobalto e outros metais poluentes são achados na placenta humana


Em 2019, uma pesquisa publicada na revista científica Nature Communications mostrou que partículas de carbono negro (a popular fuligem) podem atravessar a placenta. Agora, pesquisadores da Queen Mary University, em Londres, descobriram que outras partículas resultantes da poluição (incluindo metais) também podem contaminar a estrutura que dá suporte de vida ao feto.

Foram examinadas as placentas doadas por 15 parturientes saudáveis, internadas no Hospital Real de Londres. Em 13 mulheres, os pesquisadores encontraram evidências de exposição à poluição acima do limite médio anual determinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Partículas de fuligem podem ser vistas na imagem (pontos brancos) em uma varredura de tecido da placenta materna.

Elas apareceram em 1% das células analisadas, em todas as placentas. O que se descobriu é que partículas suspensas em ambientes altamente poluídos, quando inaladas, viajam dos pulmões para órgãos distantes, sendo aglutinadas por certas células da placenta humana e, potencialmente, a do feto.

“Sempre pensamos que a inalação da mãe poderia resultar em partículas de poluição viajando até a placenta materna, mesmo sabendo que existem mecanismos de defesa no pulmão que impedem as partículas estranhas de migrarem para outro lugar. Por isso, foi surpreendente identificá-las nas células da placenta de todas as 15 participantes”, disse a bióloga molecular Lisa Miyashita.

Restos de gasolina

Além das já esperadas partículas baseadas em carbono, os pesquisadores acharam na placenta traços de metais, como sílica, fósforo, cálcio, ferro, cromo e, mais raramente, titânio, cobalto, zinco e cério.

O estudo, publicado na revista Science of The Total Environment, aponta como fonte dos elementos o tráfego pesado da capital inglesa – eles são resíduos da combustão de combustível fóssil, além do uso de aditivos acrescentados à gasolina e ao óleo, bem como o desgaste do asfalto, por conta dos freios dos veículos.

Para o grupo de estudos da Queen Mary University, ainda é preciso avançar nas pesquisas para determinar que efeitos essas partículas de poluição podem ter diretamente no desenvolvimento do feto. Segundo a pediatra e pesquisadora Norrice Liu, “sabemos que há uma ligação entre a exposição materna a altos níveis de poluição e problemas com o feto, incluindo risco de baixo peso ao nascer, mas, até agora, tínhamos uma visão limitada de como isso pode ocorrer”.

Comida contaminada

A placenta é composta por duas partes: a fetal, do mesmo tecido que forma o feto, e a materna, do mesmo tecido do útero da mãe. Oxigênio e nutrientes passam para o feto via cordão umbilical; as excreções do bebê fazem o caminho inverso. Enquanto os médicos recomendam que substâncias nocivas (como alguns medicamentos, álcool e nicotina) que passam pela placenta sejam evitadas, isso não é possível em relação à poluição do ar.

No estudo de 2019, pesquisadores da Hasselt University examinaram a placenta de 5 bebês prematuros e de 23 nascidos a termo; havia partículas de fuligem em todas elas. Houve 10 grávidas que viviam perto de ruas movimentadas que passaram mais partículas para a placenta do feto do que 10 grávidas que moravam a pelo menos 500 metros de vias congestionadas.

À época, Jonathan Grigg, o principal autor do estudo publicado e atualmente pneumologista pediátrico e especialista em Medicina Ambiental, afirmou que “há evidências epidemiológicas de que a exposição materna à poluição do ar está associada a resultados adversos, como aborto espontâneo. Isso precisa ser tratado a níveis de governo".

Reprodução: Tecmundo
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sábado, 24 de outubro de 2020

Maior tubarão já existente tinha 18 metros e 45 toneladas

Um dente de O. megalodon (à esquerda), comparado com um de tubarão branco (à direita).

Em 2016, a mais assustadora entre as criaturas marinhas que habitaram os oceanos primitivos da Terra recebeu o nome científico de Otodus megalodon, mas desde a descoberta de dentes fossilizados desse tubarão gigante, em 1875, seu tamanho jamais havia sido cientificamente determinado – até agora. Um grupo de paleontobiólogos determinou as dimensões daquele que é carinhosamente chamado de “Meg” por roteiristas de Hollywood.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostrou que o icônico tubarão tinha entre 15 e 18 metros de comprimento e pesava 45 toneladas. Ele é considerado estatisticamente um ponto fora da curva.


“Ainda é um tubarão impressionantemente grande. O O. megalodon é um outlier, porque quase todos os outros tubarões não planctívoros [animais que se alimentam de plâncton] têm um limite de tamanho geral de sete metros. Apenas algumas espécies modernas, como o tubarão-baleia ou o tubarão-frade, se aproximam desse tamanho”, explicou o paleobiólogo da Universidade DePaul em Chicago Kenshu Shimada.

Mais ou menos extinto

O megalodonte pertence à ordem dos lamniformes, grupo que inclui animais com duas barbatanas dorsais e uma anal; cinco fendas branquiais; olhos sem membrana; e boca estendendo-se para além do nível dos olhos.

Para determinar seu tamanho, os pesquisadores usaram como base as medidas de espécies atuais (a biologia das formas extintas é mal compreendida; por serem cartilaginosos, o que se sabe deles provém de dentes fossilizados).

“Os resultados sugerem que um O. megalodon tinha, em valores aproximados, uma cabeça de 4,65 m de comprimento, uma nadadeira dorsal de 1,62 m de altura e uma cauda de 3,85 m. Análises morfométricas sugerem ainda que suas nadadeiras dorsal e caudal foram adaptadas para uma locomoção predatória rápida e longos períodos de natação”, diz o estudo.

Em seis das dez mil simulações, a pesquisa mostrou uma chance de 1% de existirem megalodontes vivos ainda hoje.

Reprodução: Tecmundo


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