sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Antártica alcançou novo recorde de temperatura, alertam especialistas


Nesta quinta-feira (06), o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina anunciou em sua conta do Twitter que a Antártica está ficando mais quente. As temperaturas na Base Esperanza, estação de pesquisa do SMN no continente, alcançaram os 18.3ºC. O último recorde foi de 17.5ºC, registrados em 24 de março de 2015 no extremo norte da península.

Isso demonstra que já estamos vivendo uma emergência climática. Apesar de esse ser um dos lugares mais frios do mundo, a Antártica também é um centro dos impactos mais agressivos do efeito estufa. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO na sigla em inglês), o continente esquentou quase 3ºC nos últimos 50 anos.

Essas mudanças climáticas fazem com que as camadas de gelo derretam rapidamente — um fenômeno problemático, uma vez que essa superfície é responsável por refletir a luz solar.

O derretimento glacial descontrolado gera, entre outros problemas, a elevação do nível do mar. Além disso, os oceanos também ficam mais quentes, já que as camadas que impediam a passagem da luz do sol estão se desfazendo gradualmente. Uma equipe de cientistas da Universidade de Nova York chegou a identificar água morna na região, mais precisamente embaixo da geleira Thwaites.

Essa questão vai além das regiões mais frias do Hemisfério Sul, afetando o Ártico do outro lado do planeta que também está passando por uma emergência climática.

Vale destacar que devido a todas essas alterações, a vida marinha nesses lugares corre sérios riscos — afinal, o frio e o gelo são elementos necessários para a sobrevivência desses animais. Estima-se que se esse gelo derreter completamente, o nível do mar subirá 200 pés (aproximadamente 61 metros), causando catástrofes e desastres naturais ao redor do mundo.

Reprodução: Tecmundo
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Maior iceberg do mundo está prestes a chegar ao oceano aberto

O maior iceberg do mundo está prestes a entrar no mar aberto.



O iceberg A68 é um colosso que se separou da Península Antártica em 2017 e foi se movimentando para o norte desde então. Agora ele está no limite da área do continente onde fica o gelo perene.

Quando se separou, o iceberg tinha uma área de 6 mil quilômetros quadrados. Durante os últimos dois anos e meio ele perdeu um pouco de gelo, atingindo o tamanho de 5,8 km² (equivalente ao tamanho do Distrito Federal).

Cientistas dizem que o A68 não vai se manter inteiro quando atingir as águas agitadas do oceano Antártico.

"Fico surpreso que as ondas do oceano ainda não tenham transformado o A68 em cubos de gelo", diz o glaciologista Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no Reino Unido. "Ele tem uma proporção entre a área e a espessura equivalente a quatro folhas de sulfite empilhadas."

"Se ele sobreviver bastante inteiro depois de ser movimentar para além dos limites do gelo perene, ficarei muito espantado", afirma à BBC New
s.


O A68 se separou da plataforma de gelo Larsen C em julho de 2017. Durante um ano, ele quase não se moveu, com sua quilha aparentemente presa no fundo do oceano.

Mas ventos e correntezas acabaram empurrando o iceberg para o norte, ao longo da coste leste da Península Antártica. Neste verão, o movimento se acelerou rapidamente.
Para onde vai?

O iceberg está seguindo um caminho bastante previsível, segundo os cientistas.

Quando passar além da península, o bloco gigantesco de gelo deverá ser empurrado até o oceano Atlântico, um caminho conhecido por pesquisadores como Corredor dos Icebergs.


O maior iceberg já registrado em tempos modernos eram um bloco de 11 mil km² chamado B15, que se descolou da plataforma de gelo Ross em 2000.

Um de seus últimos pedaços restantes, hoje com "apenas" 200 km² está a meio caminho das ilhas Sanduíche do Sul, no Atlântico.

Estruturas deste tamanho precisam ser constantemente monitoradas porque representam um risco para a navegação. Imagens de satélite (acima e abaixo) são uma forma de fazer isso.

Enquanto mantêm um olho no A68, cientistas também monitoram dois futuros icebergs prestes a se formar.


Um está quase se soltando da geledeira de Pine Island, no oeste da Antártida. Esse terá um pouco mais de 300 km² quando se libertar. O bloco já está cheio de rachaduras.

"A expectativa é que o novo iceberg se quebre em muitos pedaços depois de se soltar", diz Luckman.

O segundo é um grande iceberg se formando no leste da Antártida, nos limites da plataforma de gelo Brunt.


Esse deve ter cerca de 1,5 mil km² — mais ou menos o tamanho do município de São Paulo.

Ele chamou muita atenção porque uma estação de pesquisa britânica na Antártida (a base Halley) teve de ser movida para não ser afetada pelas fissuras que estão se formando na plataforma de gelo.

O iceberg vai se soltar quando uma grande fissura, a Rachadura 1, finalmente se ampliar até cortar totalmente uma seção do gelo.

Exatamente quando isso vai acontecer, ninguém sabe. "A fissura está se ampliando, mas em um ritmo lento", diz Luckman.

Reprodução: BBC
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Doença provocada pelo novo coronavírus é batizada de Covid-19 pela OMS

Nomenclatura segue diretrizes internacionais para evitar referências a uma localização geográfica, um animal, um indivíduo ou grupo de pessoas.



A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu nesta terça-feira (11) que a doença respiratória provocada pela infecção do novo coronavírus deverá ser chamada de Covid-19.

A nomenclatura segue diretrizes internacionais que pedem para não se fazer referência a uma localização geográfica, um animal, um indivíduo ou grupo de pessoas. As regras pedem também que o nome seja pronunciável e que estabeleçam alguma relação com a doença.

"Ter um nome é importante para impedir o uso de outros nomes que podem ser imprecisos ou estigmatizantes", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Com a falta de uma identificação oficial, alguns veículos internacionais descreviam a doença como "coronavírus de Wuhan".

O nome do vírus não foi definido pela organização. Temporariamente, recebeu a nomenclatura de 2019-nCoV. Segundo uma porta-voz da agência, ele será batizado por um grupo internacional de virologistas que identificarão a taxonomia deste coronavírus, que pertence a um grupo já conhecido anteriormente.



Riscos no Brasil

O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (10) que sete casos suspeitos de novo coronavírus são investigados no Brasil. Desde o começo dos alertas, o Brasil já descartou 32 casos suspeitos.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reafirmou nesta segunda que o mais provável é que a circulação do vírus ocorra no Brasil. Ele avalia que a China atualmente mantém uma forte contenção da circulação das pessoas nas áreas mais afetadas pela epidemia, mas que talvez essa não seja uma estratégia "viável" a longo prazo.


"Falam em 85% de contenção da circulação de pessoas. Mas isso não é viável por muito tempo. Até quando isso vai se sustentar, está muito cedo para dizer. É possível que vá chegar no Brasil. E é provável." - Mandetta, ministro da Saúde

Reprodução: G1

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Encontrado o organismo que explica a origem de toda a vida complexa da Terra

Cientistas japoneses observam pela primeira vez arqueias de Asgard, micróbios cujos ancestrais deram o passo inicial para a aparição de animais e plantas há dois bilhões de anos



Após quase 15 anos de trabalho, cientistas japoneses conseguiram pela primeira vez tirar do fundo do mar e criar em laboratório arqueias de Asgard, o misterioso organismo que pode explicar a origem de todas as formas de vida complexa da Terra, incluindo os humanos.

Todos os seres vivos que podemos ver a olho nu são feitos com os mesmos tijolos: células complexas, com organelas internas, chamadas eucariotas. Uma pessoa é um conjunto de 30 bilhões de células eucariotas que cooperam entre si com um objetivo comum. Todas as plantas, animais e fungos são eucariotas.

Na Terra há outros dois grandes domínios da vida: o das bactérias e o das arqueias. Estas últimas, mais primitivas, sem organelas internas, são o domínio mais misterioso e interessante. Pois acredita-se que, há cerca de dois bilhões de anos, uma arqueia engoliu e assimilou outro micróbio, transformando-se na primeira célula complexa. Foi o primeiro passo até nós, e ainda não se sabe como aconteceu.

Em 2015, cientistas escandinavos que rastreavam as profundezas do oceanos descobriram as arqueias de Loki, batizadas em homenagem ao deus nórdico. Tinham apenas o DNA delas, pois era impossível isolar e criar no laboratório esses micróbios que vivem a mais de 3.000 metros de profundidade. Seus genes indicavam que essas arqueias eram os parentes mais próximos de todos os eucariotas. E que tinham genes essenciais para realizar funções básicas da vida eucariota, embora, em teoria, não os necessitassem.

Desde então, foram descobertas outras arqueias similares —Thor, Odin, Heimdall, Hel— que possuem genes eucariotas e foram agrupadas na família Asgard, o lar dos deuses vikings. Até agora ninguém sabia o aspecto desses prováveis descendentes do nosso primeiro ancestral.

Em 2006, a equipe de Hiroyuki Imachi, do Instituto de Ciência e Tecnologia do Mar e da Terra do Japão, extraiu sedimentos marinhos da fossa de Nankai, em frente à costa sul da principal ilha japonesa. Era um habitat a 2.500 metros de profundidade, com dois graus de temperatura, em completa escuridão. Um território mais hostil e desconhecido que a superfície de Marte. Ao analisar as amostras, os cientistas perceberam que continham arqueias de Asgard. Eles podiam, portanto, ser os primeiros a criar e observar uma dessas criaturas viva.

Durante cinco longos anos, eles tentaram fazer o organismo crescer num biorreator, aparelho que reproduz seu habitat natural e aporta nutrientes. O biorreator funciona como as máquinas que fazem café por gotejamento, nas palavras do próprio Imachi. Depois os pesquisadores passaram outros sete anos engrossando as comunidades até poderem isolá-las e observá-las no microscópio. Esta semana, o cientista e sua equipe publicam o estudo relatando seu sucesso ao conseguir ver, pela primeira vez, um desses organismos vivos. A chave, diz Imachi, foi deixar que as arqueias crescessem junto com outros micróbios de seu entorno e acrescentar um ingrediente pouco habitual: leite em pó para bebês. “Embora ainda não tenhamos confirmado, é bem possível que essas arqueias estejam usando algum dos ingredientes do leite em pó para bebês como alimento”, explica Imachi.

As arqueias de Asgard medem um décimo de milésimo de um centímetro e se reproduzem muito devagar para os padrões de um micróbio: mais ou menos uma vez por mês. O mais curioso são seus longos tentáculos entrelaçados. Os cientistas ainda não sabem por que os usam, mas acreditam que são essenciais para explicar como surgiu a vida complexa a partir de organismos muito parecidos com esses.

Segundo sua teoria, exposta na revista Nature, o ancestral dos eucariotas era uma arqueia similar à de Asgard. A vida complexa surgiu seguindo o que eles chamam de os três “E”. Primeiro, a arqueia enredou uma bactéria com seus tentáculos, depois a engoliu e, por último, a endogenizou, o seja, estabeleceu com ela uma relação de cooperação para trocar nutrientes conhecida como sintrofia. A bactéria, que até então era um organismo independente, transformou-se numa mitocôndria – uma organela que fornece energia ao seu hóspede. Imachi deu um novo nome aos organismos retirados da fossa de Nankai: arqueia Prometeu (Prometheoarchaeum syntrophicum), em alusão ao ser mitológico que roubou o fogo —a energia— dos deuses para dar aos humanos. Dois bilhões de anos depois, as mitocôndrias continuam presentes em todas as células eucariotas com idêntica função. A origem da vida complexa foi a cooperação.


“Ninguém pode retroceder dois bilhões de anos e ver exatamente o que aconteceu, mas podemos traçar uma hipótese de como os eucariotas surgiram a partir dos micróbios. E fizemos isso graças ao primeiro cultivo vivo dessas arqueias e ao conhecimento prévio que tínhamos sobre a origem dos eucariotas”, explica Imachi.

A hipótese coincide com a apresentada nos anos sessenta pela bióloga norte-americana Lynn Margulis. Segundo ela, as mitocôndrias e os cloroplastos que ajudam as plantas a se alimentarem de luz nasceram por simbiose. Em 1999, a bióloga espanhola Purificación López-García teorizou que os eucariotas apareceram por uma aliança de sintrofia com as bactérias. Os cientistas japoneses observaram que as arqueias descobertas se alimentam de aminoácidos e, para poder digeri-los, estabelecem uma sintrofia com as bactérias de seu entorno —que lhes fornecem pequenas quantidades de oxigênio. Por isso, Imachi só foi capaz de criá-las quando as deixou viver junto às suas companheiras e cooperar com elas.

Talvez essa necessidade de oxigênio bacteriano tenha sido muito maior há dois bilhões de anos, quando a Terra começou a se encher desse composto, afirmam Christa Schleper e Filipa Sousa, especialistas em arqueias da Universidade de Viena, num comentário sobre o estudo. Naquela época, é provável que as arqueias já tivessem parte da maquinaria genética para ler e transcrever o DNA que precisavam para se transformarem em células complexas.

“Não me parece correto dizer que esse organismo é o elo perdido entre a vida simples e a complexa, mas faz todo sentido que algo muito parecido com o que o estudo descreve tenha sido o início de tudo”, diz Iñaki Ruiz-Trillo, pesquisador do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona (CSIC-UPF). “Esse trabalho tem um mérito enorme”.

As arqueias de Asgard são seres atuais que evoluíram durante dois bilhões de anos. Portanto, não são iguais aos seus ancestrais. “É evidente que não poderemos presenciar todo esse processo evolutivo observando essas arqueias”, comenta Juli Peretó, especialista em biologia sintética da Universidade de Valência (Espanha). Mas ele diz que “graças a elas, temos um primeiro fotograma dessa evolução. E provavelmente teremos mais”.

Imachi explica que tem dois objetivos a partir de agora: criar outras espécies de arqueias de Asgard e averiguar para que utilizam seus misteriosos tentáculos.

Reprodução: EL PAIS
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

'Aprendendo a aprender': 3 técnicas indicadas por cientistas para qualquer pessoa melhorar nos estudos


A volta às aulas às vezes é encarada com desânimo por muitos alunos, diante das dificuldades em aprender conteúdos difíceis ou se preparar para exames importantes, como o Enem.

Mas será que há jeitos mais eficientes de estudar e de aprender, diferentes daqueles a que recorremos sempre?

Um livro recém-lançado no Brasil coloca isso em discussão. Aprendendo a Aprender para Crianças e Adolescentes - Como se Dar Bem na Escola (editora Best Seller) foi feito por três pesquisadores: a PhD Barbara Oakley, professora de Engenharia na Universidade e Oakland (EUA) e pesquisadora de psicologia cognitiva, o PhD Terrence Sejnowski, especialista em neurociência e neurobiologia computacional, e Alistair McConville, diretor de aprendizagem e inovação em uma escola britânica.

Oakley é a criadora de um curso online gratuito de mesmo nome ("Aprendendo a aprender") que foi um dos mais populares da plataforma Coursera em 2018, com mais de 1,7 milhão de pessoas inscritas. A pesquisadora ensina a tirar melhor proveito da forma como o cérebro registra informações, com base em evidências científicas.

A experiência vem dela própria: como má aluna de matemática e ciências na escola, Oakley se dedicou a aprender essas disciplinas mais tarde na vida porque percebeu que com elas poderia melhorar suas perspectivas profissionais. O caminho para isso, diz, foi se tornar uma "boa aprendiz" e "mudar seu cérebro".

A seguir, a BBC News Brasil seleciona técnicas sugeridas por ela e os demais pesquisadores do livro, que podem ser úteis para alunos de qualquer idade — e em qualquer tipo de estudo.

1. Empacou em um exercício?

Nosso cérebro, diz Oakley, trabalha de dois jeitos diferentes, que se complementam no aprendizado: o modo focado (quando estamos prestando atenção a um exercício, a um filme ou ao professor, por exemplo) e o modo difuso (quando o cérebro está relaxado).

"Acontece que o cérebro precisa alternar entre o modo difuso e o focado para aprender de forma efetiva", explica a cientista. Ou seja, relaxar a mente muitas vezes permite encontrar soluções para problemas — é o motivo pelo qual às vezes temos boas ideias durante caminhadas ou depois de uma boa noite de sono, quando o cérebro entra no modo difuso.

Então, se você empacar em um exercício ou atividade, mesmo tendo entendido a explicação inicial (o que é fundamental para seguir adiante), Oakley diz que é preciso dar ao cérebro a chance de sair do modo focado e entrar no difuso, seja com uma pausa de cinco a dez minutos para fazer outra coisa, seja alternando entre exercícios.

"Quando você estiver empacado em um exercício de matemática, o melhor a fazer é mudar o foco e estudar um pouco de geografia. Assim, você conseguirá avançar quando voltar à matemática", sugere Oakley.

"Se você sempre fica empacado em uma disciplina, comece por ela quando for estudar. Assim, consegue alternar com outras tarefas ao longo do dia (e dá ao cérebro a chance de alternar). Não deixe o mais difícil para o fim, pois você já estará cansado e sem tempo para a aprendizagem difusa."

A propósito, enquanto Oakley defende a alternância de atividades para manter o cérebro eficiente, ela é contra o multitasking — fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por exemplo, ficar no WhatsApp enquanto estuda. "É um erro. Só conseguimos focar em uma coisa por vez", diz ela. "Quando mudamos o foco de atenção, perdemos energia mental e nosso desempenho piora."

2. Costuma deixar estudos e tarefas para a última hora?

A estratégia que os especialistas sugerem para evitar a procrastinação requer um despertador (ou qualquer outro tipo de temporizador) e uma "recompensa":

- Desligue todas as distrações (celular, TV etc.) e marque o temporizador para 25 minutos. Concentre-se na tarefa o máximo que puder, sem alternar com outra. Não pare para comer e rejeite interrupções;

- Depois dos 25 minutos, dê a si mesmo uma recompensa (como assistir a um vídeo engraçado, ouvir uma música, brincar com o cachorro etc.) por cinco ou dez minutos. O anseio pela recompensa vai ajudar o cérebro a manter o foco nos 25 minutos de estudo. Isso vai colocá-lo em modo difuso e o ajudará a descansar, para então retomar o aprendizado com mais eficiência.

A sugestão é fazer esse procedimento quantas vezes forem úteis ao longo do dia para manter a motivação.

Explicar a um amigo ou escrever pontos-chave do aprendizado também ajudam o cérebro a guardar informações.

Mas talvez você se pergunte: para que estudar na segunda-feira se a prova é só na sexta? Oakley explica que deixar tudo para a última hora atrapalha o cérebro na hora de aprender.

Aprender, na prática, consiste em criar novas (ou mais fortes) correntes cerebrais. Quanto mais nos dedicamos a coisas novas, mais criamos correntes no cérebro. Quanto mais praticamos essas coisas e acrescentamos complexidade ao aprendizado, mais fortes e compridas ficam essas correntes.

Se você deixa o estudo para a última hora, não dá tempo para o seu cérebro fortalecer as correntes cerebrais — ou seja, para aprender de fato. O cérebro precisa, inclusive, de noites de sono para "ensaiar o que aprendeu durante o dia".

"Tempo e treino trabalham juntos para ajudá-lo a consolidar as ideias no seu cérebro. Se o tempo é curto, você não consegue criar novas estruturas no cérebro e ainda perde energia preocupando-se com isso", agrega Oakley.

"Quando aprendemos algo novo, precisamos revisar logo, antes que as espinhas dendríticas e as conexões sinápticas (termos técnicos que se referem à atividade em nossos neurônios durante a aprendizagem) comecem a desaparecer. Se elas desaparecerem, temos de começar o processo de aprendizagem todo novamente."

3. Esquece facilmente o que leu e aprendeu?

É comum a gente entender o conteúdo em aula, mas esquecê-lo quando vai estudá-lo em casa. Ou sublinhar o texto de um livro, mas mesmo assim não guardar na cabeça o que está escrito nele.

É que quando não praticamos o conteúdo, não focamos profundamente ou não damos tempo para ele ser assimilado, as conexões entre os neurônios do cérebro relacionadas àquele conhecimento podem facilmente desaparecer.

"Não se engane: quando você apenas lê suas anotações, a informação não entra na cabeça", diz a autora.

Para isso, Oakley ensina uma técnica chamada de "recordar ativamente", que significa trazer ideias-chave de volta à mente.

Funciona assim: leia com calma o texto e anote, na margem ou em outro papel, uma ou outra ideia que você achar crucial no texto. Agora, o mais importante: depois de ler alguns trechos, tire os olhos do livro e veja se consegue lembrar, sem olhar, as ideias-chave que anotou. Repita-as na sua mente ou em voz alta.

Depois, tente lembrar a mesma informação em horários e lugares diferente — outra forma interessante de fixar a informação na nossa cabeça.

"Pesquisas mostram que recordar ativamente durante estudos garante resultados melhores na prova", diz o livro. Isso porque "a técnica não apenas coloca a informação na memória, como constrói o entendimento".
Dicas finais:

- Antes de dormir, faça anotações ou repense sobre o que aprendeu no dia. "Isso abastece seus sonhos e sua aprendizagem", diz o livro;

- Olhou a solução de um exercício de matemática e acha que entendeu o conceito? Então pratique-o. Apenas ler a solução não vai consolidar o entendimento no seu cérebro;

- Não estude com a TV ligada. O som captura parte da sua atenção, mesmo que você não esteja efetivamente prestando atenção na tela. A mesma ideia vale para o celular, que "rouba" as correntes cerebrais que deveriam estar focando nos estudos;

- Dormir bem (constantemente, e não só no fim de semana) ajuda a consolidar o que você já aprendeu e a abrir espaço para aprendizados novos;

- Exercício físico faz novos neurônios crescerem, além de proporcionar momentos ótimos para estimular o modo difuso do cérebro, essencial ao aprendizado;

- Comida saudável e nutritiva, como frutas e vegetais, melhora a capacidade do cérebro de aprender e recordar.

Barbara Oakley diz que sempre tivemos interesse em melhorar nosso aprendizado — a diferença é que agora conseguimos usar a neurociência a nosso favor.

"Durante séculos, tivemos pouco conhecimento sobre como o cérebro realmente aprende", diz a pesquisadora por e-mail à BBC News Brasil. "Com a neurociência moderna, isso mudou. Por exemplo, podemos ver o que está acontecendo no cérebro, (mostrando que) reler e sublinhar são tão ineficientes se comparados com técnicas ativas, como relembrar, que promovem crescimento neural. Quando você entende como seu cérebro trabalha durante o aprendizado, é muito mais fácil usá-lo de modo mais eficiente e evitar técnicas que não funcionem."

Mas ela lembra que isso não dispensa um esforço individual.

"Como o bom aprendizado é geralmente mais difícil, nossa tendência às vezes é cair nas 'ilusões de aprendizado', de fazer as coisas do jeito fácil. Por exemplo, reler a página de um livro e achar que pegamos as ideias principais, mas não pegamos. Ou olhar a solução de um exercício e achar que entendemos como resolvê-lo, mas não entendemos. (...) Se você souber como usar seu cérebro com mais eficiência, vai economizar muito tempo, evitar muita frustração e expandir seus horizontes de aprendizado — até mesmo para matérias para as quais você acha que não tem aptidão."

Reprodução: BBC
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Parar de fumar pode multiplicar células saudáveis dos pulmões, mostra estudo

Os pulmões têm uma capacidade quase "mágica" de reparar alguns danos causados ​​pelo cigarro — mas apenas se você parar de fumar, diz um novo estudo científico.



As mutações que levam ao câncer de pulmão eram consideradas permanentes e persistentes, mesmo após o indivíduo abandonar o cigarro.

Mas uma descoberta surpreendente, publicada na revista científica Nature, revela que as poucas células que não foram danificadas pelo tabagismo podem regenerar o órgão.

O efeito foi observado mesmo em pacientes que fumaram um maço de cigarro por dia durante 40 anos antes de parar de fumar.

As substâncias químicas presentes no cigarro danificam e provocam mutações no DNA das células pulmonares — transformando lentamente as células saudáveis ​​em células cancerígenas.

O estudo — que analisou amostras dos pulmões de 16 pessoas, incluindo fumantes, ex-fumantes, indivíduos que nunca fumaram e crianças — mostrou que isso acontece em grande escala nos pulmões de um fumante, antes mesmo de a pessoa desenvolver um tumor.

A grande maioria das células coletadas das vias respiratórias dos participantes fumantes havia sofrido mutações em decorrência do tabagismo — algumas células tinham até 10 mil alterações genéticas.

"Elas podem ser consideradas mini bombas-relógio, à espera do próximo ataque que vai levá-las ao câncer", diz a pesquisadora Kate Gowers, da University College London (UCL), no Reino Unido, uma das autoras do estudo.

Mas uma pequena porção de células estava incólume.

Não se sabe exatamente como elas conseguiram evitar a devastação genética causada pelo fumo, mas, de acordo com os pesquisadores, estas células parecem "viver em um bunker nuclear".

No entanto, depois que alguém para de fumar, são essas células que crescem nos pulmões, substituindo aquelas que foram danificadas.

Até 40% das células de indivíduos que tinham abandonado o cigarro se assemelhavam às das pessoas que nunca tinham fumado.

"Fomos pegos totalmente de surpresa por essa descoberta", afirmou Peter Campbell, do Wellcome Sanger Institute, um dos autores do estudo, à BBC News.

"Há uma população de células que, de certa forma, repõem magicamente o revestimento das vias aéreas."

"Uma das coisas extraordinárias ​​foi que pacientes que largaram o cigarro, mesmo depois de terem fumado por 40 anos, apresentaram regeneração de células que estavam totalmente incólumes à exposição ao tabagismo", acrescentou.

Incentivo para parar de fumar

O estudo se concentrou nas vias respiratórias principais — e não nos alvéolos, pequenas estruturas responsáveis pelo fluxo de ar nos pulmões. E os pesquisadores ainda precisam avaliar o quanto os pulmões são de fato recuperados.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco em cerca de 85% dos casos diagnosticados.

Estudos já mostraram anteriormente que as pessoas podem reduzir o risco de desenvolver a doença praticamente desde o primeiro momento após parar de fumar.

A suposição era que isso acontecia simplesmente porque quaisquer outras mutações causadas pelo tabagismo seriam evitadas.

"É uma grande motivação a ideia de que as pessoas que param de fumar podem colher os benefícios duas vezes — prevenindo mais danos às células pulmonares relacionados ao tabaco e dando aos pulmões a chance de compensar alguns dos danos existentes a partir das células saudáveis", diz Rachel Orritt, da organização britânica Cancer Research UK.

Reprodução: BBC
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sábado, 25 de janeiro de 2020

Novo coronavírus pode ter sido transmitido de cobras para humanos


Não é novidade alguma que determinadas doenças podem ser transmitidas de animais para humanos — Ebola e Zika estão aí para provar isso. De acordo com novas evidências, o surto de pneumonia na China é mais um desses casos.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou uma atualização esta semana, informando que a doença está ligada à venda ilegal de animais selvagens no em um mercado de Wuhan, cidade chinesa. Esse foi o ponto de início do surto.

Um estudo recente publicado no Journal of Medical Virology abordou uma potencial origem do vírus, sugerindo que cobras poderiam ter sido as responsáveis pelas primeiras transmissões. Essa nova informação foi descoberta a partir de uma análise genética, mas a teoria ainda não foi confirmada.

Com o surgimento de novos casos sem nenhuma ligação com o mercado de Wuhan, autoridades levantaram a possibilidade de transmissão entre humanos — o que poderia facilitar um surto de escalas maiores.

Alguns vírus realmente têm a capacidade de adaptar-se ao ambiente, desenvolvendo até novas formas de transmissão. O coronavírus, ou 2019-nCoV, pode ser um desses.

Se a teoria for confirmada, será um grande avanço no controle da doença. Afinal, a identificação do hospedeiro possibilita novas abordagens e estratégias por parte das autoridades que podem ser mais eficazes.

Reprodução: TecMundo
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Cientistas descobrem 'caminho' para eliminar HIV totalmente do corpo

Experimentos com macacos e roedores fizeram vírus exibir sinais que permitem droga antirretroviral localizá-lo e matá-lo



Um grande obstáculo nas pesquisas em busca da cura para a infecção de HIV é que ele pode se "esconder" dentro de células humanas, adotando uma forma latente que impede sua localização por drogas ou pelo sistema imune. Cientistas anunciaram nesta quarta-feira o sucesso de dois diferentes métodos para "desentocar" o vírus da Aids

Os trabalhos, liderados pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e pela Universidade Emory, de Atlanta, ambas nos EUA, obtiveram sucesso em reativar sinais da presença do vírus em experimentos com macacos e camundongos.

Para tal, os pesquisadores usaram drogas que fazem com que o HIV saia da latência e comece a produzir as proteínas que o compõem, deixando-o exposto.

Um dos experimentos, liderado por Victor Garcia, de Chapel Hill, usou a AZD5588, droga originalmente criada para tratamento de câncer, que também atua numa cadeia de reações imunes.

"Essa abordagem promissora para reversão da latência — em combinação com as ferramentas apropriadas para a liberação sistêmica da infecção por HIV — aumenta muito as oportunidades para liberação", escreveu o cientista com seus coautores em estudo na revista científica Nature, que publica o trabalho.

O outro, liderado por Guido Silvestri, sai na mesma edição, descrevendo uma estratégia diferente. O grupo de Atlanta usou uma combinação de drogas para, ao mesmo tempo, inibir um tipo de célula imune que cala a atividade do vírus em sua presença (os linfócitos T CD8) e aumenta a produção de interleucina, uma molécula que atua na regulação da imunidade.

Os dois grupos de pesquisa interagiram e colaboraram um com o outro, mas demonstraram cada um deles a eficácia de seus métodos em dois modelos experimentais consagrados de pesquisa. Um deles foi a infecção de macacos resos pelo SIV, o vírus análogo ao HIV que infecta símios. O outro foi a infecção por HIV em "camundongos humanizados", um tipo especial de cobaia

Como o HIV é capaz de infectar apenas humanos, cientistas alteraram a medula óssea de camundongos, usando tecido humano, para que esses roedores passassem a produzir células vulneráveis ao vírus da Aids

Assustar e matar

E, tanto nos símios quanto nos roedores, as diferentes estratégias para desentocar o HIV de seu esconderijo funcionaram. Os pesquisadores manifestam esperança de que a estratégia shock and kill (provocar o vírus para depois matá-lo) possa se tornar realidade para humanos. Um passo importante para a transição até testes clínicos é usar antirretrovirais para demonstrar a fase do "kill" (matar) em animais, porque os estudos atuais se dedicaram apenas ao "shock" (assustar).

Apesar de reconhecerem que há um longo de caminho de pesquisa pela frente, cientistas não relacionados com os dois estudos expressaram otimismo.

Um desafio a ser enfrentado, ainda, é a habilidade do vírus de plantar seu código genético dentro do DNA. Não está claro ainda se isso pode sabotar as ambições dos pesquisadores na busca da cura, porque o HIV poderia em tese se recriar a partir dos cromossomos humanos. E é preciso saber, também, se há algum grupo de células que resiste às terapias criadas agora para impedir o vírus de se esconder.

"A estratégia shock and kill ainda é em grande medida um conceito teórico, não uma realidade terapêutica", escreveu Mathias Lichterfield, do Hospital Brigham and Women's, de Boston, em um artigo de comentário encomendado pela Nature. Em sua opinião, porém, os trabalhos de Garcia e Silvestri "parecem ser as intervenções mais robustas demonstradas até hoje para perturbar a latência dos vírus".

Hoje, soropositivos conseguem atingir sobrevida de longo prazo, e a infecção já vem sendo descrita por alguns médicos como uma doença crônica tratável. Os antirretrovirais, porém, provocam a resistência do HIV em alguns casos, e em alguns pacientes o organismo não se adapta bem à droga no longo prazo. A busca de uma cura, por isso, ainda é considerada uma meta de pesquisa importante.

Reprodução: Oglobo
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

EUA têm primeiro caso de coronavírus

China e outros países da Ásia registram centenas de casos; transmissão entre humanos causa pneumonia.



Os Estados Unidos confirmaram a primeira infecção por coronavírus, de acordo com informações dos Centros de Controle e Prevanção de Doenças (CDC, sigla em inglês), que acompanham o surto no país e no exterior. Quase 300 pessoas apresentaram o vírus na China, com seis mortes devido à doença. Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul também foram afetados.

De acordo com a imprensa americana, um viajante da China foi diagnostiado em Seattle, cidade dos EUA. A identidade está sendo preservada pelas autoridades de saúde do país. O coronavírus causa um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa.

A origem do vírus ainda não foi identificada, mas a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados.

Surto na China

A cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, confirmou 258 infecções pelo vírus e seis mortes, disse o prefeito Zhou Xianwang.

As autoridades de saúde da China informaram que outros 14 casos foram registrados na província de Guangdong, no sul. Mais cinco infecções ocorreram em Pequim e outras duas em Xangai.

"As informações sobre infecções relatadas recentemente sugerem que agora pode haver transmissão humano a humano", disse o diretor regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai.

Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global.

Dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul, enquanto as Filipinas também relataram nesta terça-feira um primeiro caso suspeito.

Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan.

Reprodução: G1
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