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terça-feira, 1 de março de 2016

Dengue no início de 2016 foi 46% maior que em mesmo período de 2015

O número de casos da dengue disparou nas primeiras cinco semanas de 2016 e atingiu a marca de 170 mil casos até 6 de fevereiro. Em comparação com o mesmo período de 2015 -- ano que foi recorde de incidência ao se encerrar -- o número representa um aumento de 46%.
Os números constam do último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde. Levado em conta o período coberto pelo documento, o país superou a marca de 200 casos registrados por hora.
Na medição de incidência, a região mais afetada no início do ano foi a Centro-Oeste, com incidência de 164 casos por 100 mil habitantes. O Sudeste, segunda região mais afetada, teve incidência de 113 casos por 100 mil habitantes.
Os estados com maior incidência até fevereiro foram Mato Grosso do Sul (285 casos/100 mil), Tocantins (285 casos/100 mil), Minas Gerais (231 casos/100 mil) e Espírito Santo (205 casos/100 mil).
São Paulo foi o único estado do Sudeste onde a incidência de início de ano diminuiu em relação ao ano passado. Foram 73 casos/100 mil no início de 2016 contra 147 casos/100 mil em 2015.
Apesar do aumento de incidência registrado, o número de mortes por dengue diminuiu em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto em 2015 as cinco primeiras semanas registraram 103 óbitos associados ao vírus, em 2016 ocorreram apenas 9.
Zika
O novo boletim do Ministério da Saúde não tem ainda estimativa de número total de casos de zika, pois muitos casos suspeitos não passaram por confirmação laboratorial. O vírus provocou duas mortes, segundo o documento.
Segundo o ministério, o zika já está sendo transmitido por mosquitos em 22 estados da federação. Até agora, só Acre, Amapá, Alagoas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul permanecem sem registro de casos autóctones.

Fonte:  G1 Foto: Reprodução/ EPTV
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Microcefalia pode estar sendo causada por inseticida usado contra mosquito

Se  não bastasse o Aedes aegypti estar causando um problemão à saúde pública mundial, como os recentes surtos de dengue, zika e chikungunya, o pesticida Pyriproxyfen, usado no combate a essa praga, pode ser o responsável pelos casos de microcefalia no Brasil. Ao menos é isso que defende uma associação de médicos argentinos. Eles publicaram um relatório mostrando que o governo brasileiro passou a usar esse veneno em 2014 como parte de um programa de prevenção do avanço do número de mosquitos justamente em regiões em que apareceram o maior quantidade de casos de microcefalia.
Para piorar essa possível teoria da conspiração, os médicos alegam que o Pyriproxyfen é produzido pela Sumitomo Chemical – uma empresa japonesa que tem parceria com a Monsanto, que é uma das líderes mundiais no ramo da biotecnologia agrária e tem diversos contratos comerciais com a América Latina.

“Não são coincidências”

Para reforçar ainda mais essa tese, que vai na contramão do que está sendo estudado hoje em dia, o jornal Washington Post publicou uma matéria com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, explicando que o surto de microcefalia pode ter outra causa além do zika. Santos explica que foram diagnosticadas mais de 3 mil grávidas com o vírus em seu país – e nenhuma delas desenvolveu bebês com microcefalia. Além disso, o The New York Times apontou que, de 404 casos estudados, apenas 17 também apresentaram o zika. Curiosamente, o Pyriproxyfen atua como pesticida justamente inibindo que algumas fases da larva do mosquito cheguem a se desenvolver. Os insetos nascem com malformação ou sequer chegam a completar seu ciclo larval. A Sumitomo explica, porém, que a própria Organização Mundial da Saúde classifica o pesticida como sendo de risco relativamente baixo.
“As malformações detectadas em milhares de crianças de mulheres grávidas que vivem em áreas onde o Estado brasileiro adicionou Pyriproxyfen à água potável não são uma coincidência, apesar de o Ministério da Saúde colocar a culpa direta sobre o vírus zika para este dano”, alerta o relatório dos médicos argentinos.

Manipulação?
Mas antes de falar que os hermanos estão querendo causar comoção ao meter o bedelho na nossa saúde pública, saiba, também, que existem diversos médicos brasileiros que concordam com essa opinião. Foi lembrado que durante anos o vírus zika passou praticamente batido pelas autoridades sanitárias – mesmo em áreas nas quais mais de 75% da população já foi infectada. Seus sintomas mais comuns são febre baixa e dores nas articulações das mãos e dos pés.
A Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) condena o uso de controladores químicos para oAedes aegypti, já que, além de não estar surtindo efeito real na diminuição dos mosquitos transmissores da dengue e do zika, eles podem estar contaminando a água potável e sendo um dos possíveis causadores da microcefalia. Isso porque, mesmo que a OMS qualifique o Pyriproxyfen como sendo de baixo risco, seus testes foram feitos em outros mamíferos, e não em humanos.
Outro problema, para a entidade, é que as próprias empresas responsáveis pelo controle do mosquito estariam por trás da manipulação dos resultados para que apenas o zika seja apontado como causador dos surtos de microcefalia. Isso tudo para não ferir contratos comerciais com empresas de inseticida, como a Sumitomo, ou de mosquitos modificados geneticamente, como a inglesa GM Oxitec.Que você pode ler sobre, aqui.

Soluções

Tanto a Abrasco quanto a associação de médicos argentinos defendem que a melhor maneira de combater essas doenças é através de ações comunitárias e de controle para que o Aedes aegypti não se reproduza. Ambas apontam, por exemplo, que em El Salvador foi adotada a tática de colocar peixes em lugares com água parada – esses animais se alimentam das larvas do mosquito e ajudam na eliminação do inseto. Ao menos foi isso que ajudou o país a se livrar do surto do dengue.
Se isso tudo é uma grande conspiração governamental para continuar com seus contratos comerciais, pelo jeito a população só vai descobrir com o tempo. Enquanto isso, novos casos de microcefalia estão pipocando e desafiando a medicina. Um estudo publicado nesta quarta-feira (10), pelo The New England Journal of Medicine, mostrou traços do DNA do vírus zika no cérebro de um bebê que nasceu com microcefalia e diz que há relação direta entre as duas coisas. Seria apenas essa a causa dessa condição?




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