sexta-feira, 16 de abril de 2021

Cientistas identificam 509 genes comuns a depressão e ansiedade

Ao analisar dados de mais de 2 milhões de pessoas, estudo confirma ligação genética entre os dois transtornos de saúde mental



Ao menos 509 genes influenciam tanto a depressão quanto a ansiedade, de acordo com nova pesquisa liderada pelo QIMR Berghofer Medical Research Institute, na Austrália, disponibilizada nesta quinta-feira (15) no periódico Nature Human Behaviour. Os resultados posicionam o estudo como o primeiro a identificar tamanha quantidade de genes compartilhados por ambos os transtornos de saúde mental, indicando uma relação genética entre eles.

Transtornos mentais que mais acometem a população global, a ansiedade e a depressão muitas vezes ocorrem na mesma pessoa, segundo Eske Derks, um dos autores do estudo. “Até agora, não se sabe muito sobre as causas genéticas que explicam por que as pessoas podem sofrer de depressão e ansiedade”, afirma, em comunicado. “Ambos os transtornos são condições altamente comórbidas, com cerca de três quartos das pessoas com transtorno de ansiedade também apresentando sintomas de transtorno depressivo grave.”

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, no Brasil, cerca de 5,8% da população sofre de depressão, enquanto a ansiedade afeta 9,3% dos brasileiros. O estudo australiano identificou ao todo 674 genes associados à depressão ou ansiedade, dos quais 75% estavam relacionados a ambos.

A equipe analisou dados de mais de 2 milhões de pessoas, que relataram sintomas ou que afirmaram ter sido diagnosticadas com depressão ou ansiedade. O grande tamanho da amostra da pesquisa foi justificado pelo fato de que cada gene pode ter um pequeno efeito singular. Os cientistas queriam obter um cenário amplo das influências genéticas sobre os transtornos.

Genes exclusivos

Além da descoberta dos genes em comum, o estudo discutiu genes específicos para cada transtorno. De acordo com Jackson Thorp, também pesquisador do QIMR Berghofer, alguns dos genes exclusivos da depressão estavam ligados a níveis mais altos de triglicérides no sangue — ou hipertrigliceridemia.

A pressão arterial foi um fator relacionado aos genes específicos da ansiedade, o que endossa pesquisas anteriores que mostraram uma ligação entre esse transtorno e a hipertensão, explica Thorp.

O estudo ainda analisou as regiões do genoma humano onde estavam localizados os genes, e os resultados mostraram regiões nunca antes associadas à depressão e à ansiedade. Foram descobertas 71 novas regiões que não estavam ligadas à ansiedade anteriormente. Em relação à depressão, 29 novas regiões do genoma foram identificadas.

Com uma melhor compreensão da estrutura genética, tratamentos mais eficazes podem vir a ser desenvolvidos. “Esperamos que este estudo ajude a identificar medicamentos existentes que possam ser redirecionados para melhor atingir a base genética da depressão e da ansiedade”, comenta o pesquisador Eske Derks.

Reprodução: Revista Galileu

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Oleh

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